Evolução da sociedade missioneira e a migração juvenil
 
Evolução da sociedade missioneira e a migração juvenil
 


A EVOLUÇÃO DA SOCIEDADE MISSIONEIRA E A MIGRAÇÃO JUVENIL

 Eliseu S. Melo - Publicado em LIBERDADE - O JORNAL

 

Tendo por base os últimos sensos do IBGE percebemos que a Região das Missões esta envelhecendo. Nesse contexto, a migração de jovens dessa região se reveste de uma singular importância: A partida de seu meio de origem em direção aos grandes centros urbanos é preocupante. Se as regiões se esvaziam de seus jovens, não seria necessário agir para frear o êxodo?

 

 

O índice nacional mostra que o migrante típico tem entre 17 e 25 anos e tem com principal razão para a necessidade de um rendimento, sendo que a maioria pertence a famílias pobres ou de rendimento médio, sendo que boa parte dos jovens do sexo masculino migra como trabalhador temporário, enquanto o sexo oposto migra de forma mais permanente.

 

 

Regionalmente, o discurso sobre a migração baseia se no efeito negativo sobre as missões. Desde muitos anos, o objetivo declarado da ação pública de apoio se funda sobre desenvolver o interior a partir de seus recursos naturais e as políticas de desenvolvimento regional repousaram sobre investimentos importantes em educação, saúde e no domínio econômico a fim de reduzir as disparidades e desigualdades, mas a economia da região ainda é frágil comparado às demandas de emprego.

 

 

O recente desenvolvimento na região de médias e pequenas empresas também exerce papel preponderante sobre as economias e são essas as maiores empregadoras de jovens desde o final dos anos 80. No entanto, o recente desenvolvimento das missões se caracteriza por sua fragilidade pois apoia-se nos recursos naturais destinados ao mercado extra regional e essa fragilidade favorece o êxodo da população particularmente os mais jovens, que, aliado a sua entrada na vida adulta e necessidade de “se libertar”, construir identidade e encarregar-se de si contribuem fortemente ao êxodo juvenil.

 

 

Possíveis ações

 

 

Como líder estudantil e tendo conhecimento de causa, acredito na importância do entendimento, por parte da força política, dos motivos que levaram alguns jovens a permanecer. Isto ajudará a identificar estratégias eficazes para evitar que tantos jovens migrem.

 

 

Entre os jovens, boa parte acredita não terem chances na região por não haver empregos suficientes e por considerarem sua situação econômica particular difícil. Acreditam que os responsáveis pelas decisões não agem com a rapidez necessária. No entanto, a percepção dos serviços educativos primários é bem vista, mas a oferta de serviços de lazer e de atividades culturais por sua vez é julgada negativamente.

 

 

Cito como referência uma pesquisa do World Vision que concluiu que as únicas diferenças verdadeiras entre os jovens que migravam e os que permaneciam em casa eram o apoio social recebido dos amigos que também não estavam migrando e a atitude e apoio dos pais. Constatou-se que os que decidem permanecer suas situações econômicas são as mesmas que as dos com as mesmas ocupações dos que migram, e tem o mesmo nível de instrução. Outro fator fundamental que vem à tona é que os que permanecem são mais ligados à família e são incentivados a permanecerem em casa.

 

 

A mesma pesquisa concluiu que os que deixaram seu lugar de origem, sobretudo aqueles cujo motivo foi o estudo, guardam o contato e frequentemente efetuam idas e vindas durante os recessos. Muitos deles mostram-se interessados em retornar para o seu lugar de origem se as circunstâncias se mostrassem favoráveis.

 

 

As universidades da região têm contribuído muito para a permanência de muitos jovens. O recente investimento federal na UFFS – Universidade Fronteira Sul, aliado aos financiamentos estudantis e bolsas de estudos em universidades particulares vem dar um fôlego a esperança a muitos pais que desejam que seus filhos permaneçam em suas casas e que esperam que índices melhorem.

 

 

A ação mais recomendável e óbvia é criar oportunidades de emprego e auxilio aos que decidem permanecer e políticas para conscientizar os jovens das oportunidades e as possibilidades de permanecerem. É interessante formar grupos de apoio, incentivar o orgulho entre os jovens em permanecer em sua comunidade e auxiliar, através de incentivos públicos a educação de ensino superior na região, visto que a tendência deste é permanecer depois de formados, este será um bom investimento.

 

Finalizando, aconselho o poder público municipal da região missioneira a pensar e colocar em prática políticas sérias e coerentes de médio e longo prazo. De fato o futuro a Deus pertence, mas um pouco de ação direcionada vem a calhar.

 

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*Eliseu S. Melo é acadêmico de Direito, Presidente da AUCA - Associação dos Universitários de Caibaté e Vice-Presidente do DCE – Diretório Central do Estudante da Universidade R. Integrada – URI/Santo Ângelo. Contato: eliseu_melo@hotmail.com

 
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