Escola E Família: Uma Relação De Ajuda Na Formação Do Ser Humano
 
Escola E Família: Uma Relação De Ajuda Na Formação Do Ser Humano
 


Rosangela Maria dos Santos Rigo 1

RESUMO

O presente trabalho versa sobre a importância da escola e da família manter uma relação de ajuda na formação do ser humano. A metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica, onde constatou-se que a relação escola X família é imprescindível, pois a família como espaço de orientação, construção da identidade de um indivíduo deve promover juntamente com a escola uma parceria, a fim de contribuir no desenvolvimento integral da criança/adolescente.

PALAVRAS-CHAVE: família  escola  parceria  humanização

INTRODUÇÃO

O presente artigo apresenta uma reflexão acerca do tema "Escola e família: uma relação de ajuda na formação do ser humano". Dessa forma, procura-se evidenciar a importância da parceria família X escola, pois vive-se numa época em que a conturbação e a desintegração dos valores são os maiores obstáculos para o ser humano, a sociedade fundamenta-se no individualismo e o coletivo fica banido a uns poucos sobreviventes. As crianças e adolescentes inseridos nesse contexto, sofrem seqüelas de um mundo dominador. E sendo seres sociais por si mesmo, sofrem quando não conseguem desenvolver suas potencialidades.

É neste prisma que a integração escola X família se sobressai para o pleno desenvolvimento infantil, sendo uma fascinação envolvente, podendo estar presente em toda e qualquer manifestação cotidiana. Assim sempre que aplicada, torna-se evidente o valor da mesma, tanto no aspecto físico, intelectual, moral, espiritual e social, já que se fundamenta na interferência dos processos vitais e culturais. Onde os sonhos e fantasias infantis serão transportes para realizações da vida.

Inicialmente, pode-se afirmar que nos dias atuais a escola não pode viver sem a família e a família não pode viver sem a escola, pois, é através da interação desse trabalho em conjunto, que tem como objetivo o desenvolvimento do bem-estar e da aprendizagem do educando/filho, os quais contribuirão na formação integral do mesmo.

Nesse sentido, é importante citar Içami Tiba (1996, p.140) que diz: "O ambiente escolar deve ser de uma instituição que complemente o ambiente familiar do educando, os quais devem ser agradáveis e geradores de afetos. Os pais e a escola devem ter princípios muito próximos para o benefício do filho/aluno".

Desde a mais tenra idade, a criança se desenvolve plenamente quando estimulada e incentivada, buscando alternativas de ação, pois a conduta familiar e escolar propicia relações sociais e individuais. Dessa forma, ela terá maior oportunidade de assimilar a realidade, seja através da liquidação de seus próprios conflitos, das compensações de necessidades insatisfeitas ou de novas alternativas de busca.

Para Gokhale (1980), a família não é somente o berço da cultura e a base da sociedade futura, mas é também o centro da vida social. A educação bem-sucedida da criança na família é que vai servir de apoio à sua criatividade e ao seu comportamento produtivo quando for adulto. A família tem sido, é e será a influência mais poderosa para o desenvolvimento da personalidade e do caráter das pessoas. Assim, pode-se dizer que as crianças precisam sentir que fazem parte de uma família.

Segundo Lancam:

a importância da primeira educação é tão grande na formação da pessoa que podemos compará-la ao alicerce da construção de uma casa. Depois, ao longo da sua vida, virão novas experiências que continuarão a construir a casa/indivíduo, relativizando o poder da família (LANCAM, 1980 apud BOCK, 1989, p. 143).

Partindo da idéia que a família é a base para qualquer ser humano, não fazendo referência aqui somente à família com laços de sangue, mas também as famílias construídas através de laços afetivos. Defini-se família como um conjunto de pessoas que se unem pelo desejo de estarem juntas, de construírem algo e de se complementarem. E é através dessas relações que os seres humanos tendem a tornarem-se mais afetivos e receptivos, eles aprendem a viver o jogo da afetividade de maneira adequada. Mas para que essa adequação ocorra é preciso que haja referências positivas, responsáveis encarregados de mostrar os limites necessários ao desenvolvimento de uma personalidade com equilíbrio emocional e afetivo. Para as crianças e adolescentes, as referências são pessoas, palavras, gestos que irão proporcionar a formação da identidade. Por isso, crianças e jovens que estabeleçam vínculos de harmonia nos seus momentos de decepções, e que possam receber carinho, atenção e compreensão irão desenvolver uma identidade sadia, conseguindo suportar frustrações até o momento adequado para realizar seus desejos.

Definindo escola como uma instituição social que se caracteriza como um local de trabalho coletivo voltado para a formação das jovens gerações, diferente de outras tantas instituições sociais, constata-se que a escola é responsável pela educação escolar, é um espaço destinado ao trabalho pedagógico formal, ao entendimento de regras, à formação de valores éticos, morais e afetivos, ao exercício da cidadania. Porém, quanto falta ao educando/filho um ambiente familiar saudável e equilibrado, no qual ele convive com uma desestrutura familiar (ausência de pai, de mãe), ele se deixa levar pelo impulso em direção da irresponsabilidade ou inconseqüência, gerando assim ações inadequadas e insensatas que irão desorganizar e prejudicar a formação do seu caráter e da sua personalidade. Quando a escola é despreparada tanto no seu quadro funcional, como também não cumpre o seu papel social na formação do educando,verifica-se que se têm a partir desse desinteresse escolar/pedagógico indivíduos desestimulados e incapazes de prosseguirem em busca do seu lugar na sociedade. Gerando assim, alunos desmotivados, indisciplinados e com baixa auto-estima.Como dizem Montandon e Perrenoud (1987, p. 7), "de uma maneira ou de outra, onipresente ou discreta, agradável ou ameaçadora, a escola faz parte da vida cotidiana de cada família".

No momento em que escola e família conseguirem estabelecer uma parceria na maneira como irão promover a educação de seus educandos/filhos, muitos dos conflitos hoje observados em sala de aula, serão aos poucos superados. Todavia, para que isso possa aconteça é necessário que a família realmente participe da vida escolar de seus filhos. Que a família tenha comprometimento, envolvimento com a escola, gerando assim, na criança/adolescente um sentimento de amor, fazendo sentir-se amparado e valorizado como ser humano.

Nessa perspectiva, é oportuno novamente citar Içami Tiba, onde diz que ensinar é transmitir o que você sabe para quem quer saber, portanto é dividir sua sabedoria. Mas é uma estranha divisão que não segue as leis matemáticas, porque você divide, mas não perde o que era seu, pelo contrário, pode ganhar o que nem lhe pertencia. Ensinar faz o mestre rever seus próprios conhecimentos com possibilidades de atualizá-los. Os sentimentos de gratidão, admiração e respeito do aprendiz alimentam a alma do mestre. Portanto, ensinar é também trocar (TIBA, 1996).

Dessa forma, verifica-se que é necessário ressaltar que a tarefa de cuidar de maneira adequada de um ser em formação é extremamente difícil, pois requer que os educadores tenham capacidade de trabalhar com os conflitos gerados pela impulsão dos jovens em direção a satisfação rápida, às necessidades biopsíquico-sociais de cada momento. A escola atual, de modo geral, apresenta maior disponibilidade em aceitar um relacionamento mais próximo com os pais. Todavia, o caminho percorrido para se chegar a tal interação foi um tanto difícil, em conseqüência das transformações políticas, econômicas e sociais, das rupturas de paradigmas. Os objetivos da escola, como também da família nos dias de hoje deverão procurar tornar a criança/adolescente apta a assumir responsabilidades, tomar decisões, aprender qualquer ofício, desenvolver suas habilidades, como também orientar o educando/filho na medida em que demonstre necessidade. A escola não deve apenas visar à construção do conhecimento, mas a formação de valores, atitudes e personalidade do aluno.

Então, como assegurar que a escola está cumprindo o seu papel de formação cidadã? Deve-se promover principalmente na esfera escolar a contextualização de temas atuais que mostrem ao estudante a importância de ser aluno-cidadão e que sejam, de acordo com Dayrell (1999), meios através dos quais ele possa se compreender melhor e compreender o mundo físico e social onde se insere, contribuindo, portanto, na elaboração de seus projetos. A escola necessita de uma aproximação com a realidade do aluno e da própria comunidade na qual ela está inserida. O aluno precisa, também, ser incentivado a pensar por si próprio e buscar os conhecimentos de seus interesses, nas bibliotecas, museus, etc. É certo que os papéis da família e da escola, antes prioritariamente repressores, modificaram-se ao longo das últimas décadas.

Nesse sentido, é importantíssimo conscientização de que a relação entre educação, escola/família/sociedade deve ser alvo de uma transformação contínua, que influência os modelos vigentes de educação, de escola e de sociedade.As escolas devem ser mais ativas e participativas, para despertar no aluno o desejo de aprender. E o apoio e a coesão familiar podem proporcionar as crianças uma estrutura equilibrada e sadia, para crescerem e tornarem-se cidadãos conscientes de seu papel na sociedade sendo capazes de interagir e intervir na realidade.

Como diz Vitor Paro ([s.d.]), a escola deve utilizar todas as oportunidades de contato com os pais, para passar informações relevantes sobre seus objetivos, recursos, problemas e também sobre as questões pedagógicas. Só assim, a família irá se sentir comprometida com a melhoria da qualidade escolar e com o desenvolvimento de seu filho como ser humano.

Quando se fala em vida escolar e sociedade, não há como não citar o mestre Paulo Freire (1999), quando diz que a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda. Se opção é progressista, se não se está a favor da vida e não da morte, da eqüidade e não da injustiça, do direito e não do arbítrio, da convivência com o diferente e não de sua negação, não se tem outro caminho se não viver a opção que se escolheu. Encarná-la, diminuindo, assim, a distância entre o que se diz e o que se faz.

Como se pode observar, a relação família X escola requer, então, dos professores uma tomada de consciência de que, as reuniões baseadas em temas teóricos para falar dos problemas dos educandos, sobre notas baixas, não proporciona um início de parceria. A escola deve buscar construir por meio de uma intervenção elaborada e consciente a criação de espaços de reflexão e experiências de vida numa comunidade educativa, instituindo acima de tudo a aproximação entre as duas instituições (família-escola).

No Parágrafo único do Capítulo IV do Estatuto da Criança e do Adolescente (BRASIL, 1990), diz que "é direito dos pais ou responsáveis ter ciência do processo pedagógico, bem como participar da definição das propostas educacionais", ou seja, trazer as famílias para o convívio escolar já está prescrito no Estatuto da Criança e do Adolescente o que esta faltando é concretizá-lo, é pôr a Lei em prática. Família e escola são pontos de apoio ao ser humano; são sinais de referência existencial. Quanto melhor for a parceria entre ambas, mais significativos serão os resultados na formação do educando/filho. A participação dos pais na educação formal dos filhos deve ser constante e consciente. Vida familiar e vida escolar são simultâneas e complementares.

Nesse sentido, é importante que pais, professores, filhos/alunos dividam experiências, compreendam e trabalhem as questões envolvidas no seu dia-a-dia sem cair no julgamento "culpado X inocente", mas procurando compreender cada situação, uma vez que tudo o que se relaciona aos educandos/filhos tem a ver, de algum modo, com os pais e vice-versa, bem como tudo que se relaciona aos alunos tem a ver, sob algum ângulo, com a escola e vice-versa. A escola e a família, cada qual com seus valores e objetivos específicos na educação de uma criança/adolescente, constituem uma estrutura intrínseca, onde quanto mais diferentes são, mais necessitam uma da outra. Desse modo, cabe a toda sociedade, não apenas aos setores relacionados à educação, transformar o cotidiano da escola e da família, através de pequenas ações modificadoras, para que esta (a família) compreenda a importância dos objetivos traçados pela escola, assim como o seu lugar de co-responsável nesse processo (família).

METODOLOGIA

Este estudo caracteriza-se como pesquisa bibliográfica dissertativa pelo motivo que recorreu ao uso de materiais como livros, revistas, artigos, publicações avulsas e imprensa escrita.

Marconi e Lakatos (2001) dizem que o fim principal da pesquisa bibliográfica é colocar o pesquisador em contato direto com tudo aquilo que foi escrito sobre determinado assunto, com o objetivo de permitir ao pesquisador o reforço paralelo na análise de suas pesquisas ou manipulação de suas informações.

Os dados levantados na fundamentação teórica trazem reflexões, argumentações, interpretações, análise e conclusões de autores, a partir, deles, busca-se uma correlação com a realidade do tema em estudo.

CONCLUSÃO

Ao propor uma reflexão sobre "Escola e família: uma relação de ajuda na formação do ser humano", constata-se que é tarefa primordial tanto dos pais, como também da escola o trabalho de transformar a criança imatura e inexperiente em cidadão maduro, participativo, atuante, consciente de seus deveres e direitos, possibilidades e atribuições. E que este ser em formação seja futuramente um cidadão consciente, crítico e autônomo desenvolvendo valores éticos, espírito  empreendedor capaz de interagir no meio em que vive.

Nessa perspectiva, família e escola devem aproveitar, ao máximo, as possibilidades de estreitamento de relações, porque o ajuste entre ambas e a união de esforços para a educação das crianças e adolescentes deve redundar, sem dúvida nenhuma, em elemento facilitador de aprendizagens e de formação do cidadão.

Dessa forma, sugere-se que a escola sinta-se desafiada a repensar a prática pedagógica, considerando que os estudantes são crianças/adolescentes que apresentam características singulares e que se faz necessário manter um trabalho em parceria com as famílias, pois, se a escola deseja ter uma visão integral das experiências vividas pelos alunos, buscando desenvolver o prazer pelo conhecimento, é necessário reconhecer que deve desempenhar o bem-estar, englobando as diversas dimensões do ser humano. Visto que se crianças/adolescentes e sua família sabem aonde a escola quer chegar, se estão envolvidos no dia-a-dia de que são os principais beneficiários, poderão participar com mais investimentos e autonomia na busca do sucesso nessa empreitada que é o aprender e, principalmente, na formação de um ser humano que desenvolva suas potencialidades físicas, espirituais e funcionais, através de trabalhos criativos, envolvendo também o meio social no qual vivem, acompanhando a modernidade e evolução do mundo.

SCHOOL AND FAMILY: A RELATION OF AID IN THE FORMATION OF THE HUMAN BEING

ABSTRACT

The present work turns on the importance of the school and the family to keep a relation of aid in the formation of the human being. The used methodology was the bibliographical research. The family evidenced itself that the relation school X family is essential, therefore as orientation space, construction of the identity of an individual must together promote with the school a partnership, in order to contribute in the integral development adolescent child/.

KEY-WORD: family  school partnership  humanization

REFERÊNCIAS

BOCK, Ana Mercês Bahia et alii. Psicologias: uma introdução ao estudo de psicologia. São Paulo: Saraiva, 1989.

BRASIL, Estatuto da criança e do adolescente  ECA. Brasília, Distrito Federal: Senado, 1990.

DAYRELL, Juarez. A escola como espaço sócio-cultural: múltiplos olhares sobre educação e cultura. Belo Horizonte: UFMG, 1999. p. 136-161.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 11.ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1999.

GOKHALE, S. D. A família desaparecerá? In: Revista Debates Sociais. Nº 30, Ano XVI. Rio de Janeiro, CBSSIS, 1980.

PERRENOUD, P. "Le Go-Between: entre famille et l'école, l'enfant messager et message". In: MONTANDON, C.; PERRENOUD, P. Entre parents et enseignants: un dialogue impossible?Paris, Peter Lang, 1987, p.49-87.

PARO, Vitor Henrique. Qualidade do ensino: a contribuição dos pais. [s.l.]: Xamã. 126 p.

TIBA, Içami. Disciplina, limite na medida certa. São Paulo: Gente, 1996.

1Graduanda do Curso de Letras  Licenciatura Plena em Português/Inglês e Respectivas Literaturas, oferecido pela Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal  UNIDERP INTERATIVA, Unidade de São Borja, RS.

*** Artigo publicado no sitewww.zemoleza.com.br no ano 2006 e no site. www.recantosdasletras.uol.com.br

 
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