Escola e família:uma parceria necessária
 
Escola e família:uma parceria necessária
 


INTRODUÇÃO


Tomando como a base a relação entre escola e família, a discussão central deste trabalho trata da função social da escola e da educação oferecida pela família na formação de crianças e adolescentes, pessoas em formação e que merecem total apoio no processo educativo.
Sabe-se que são pessoas em desenvolvimento, no entanto, repletas de conhecimentos, muitas vezes, resultantes de uma relação marcada pela desigualdade social, pela falta de cooperação e escassez de princípios essenciais na educação e transformação do ser humano. E por conhecer um pouco dessa situação-problema, fiquei motivado a estudar com maior profundidade os frutos da relação escola e família quando se trata da formação humana e contribuir para a minimização da falta de parceria e cumplicidade entre família e escola.

1. FAMILIA E ESCOLA NUMA AÇÃO DE EDUCAÇÃO

Sonhar com uma educação melhor, ou, como tem sido tão debatido, com uma “educação de qualidade”, faz-se necessária a presença da família nas mais variadas atividades que os educandos venham a desenvolver no contexto escolar. Pois, através dessa interação, onde ocorra a troca de experiências, de conhecimentos e a ajuda mútua, poderemos sonhar com grandes chances de realizações no que diz respeito a uma educação que tenha vínculos com a promoção do ser humano. Nesse sentido, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (1996), adverte que a educação tem concepção ampla, estendendo-se assim, para além da educação escolar. Ou seja, atualmente, existe uma necessidade urgente em unir cada vez mais escola e família com relação às responsabilidades de ambas no processo educativo.
Acerca dos desafios a serem superados pelos atores do processo educativo e, ainda, sobre a relevância da participação, Marçal (2001) defende:

Os desafios profissionais presentes no cotidiano da escola precisam ser pensados e equacionados de forma participante, considerando o caráter heterogêneo do coletivo escolar, formado por pais, professores, alunos, corpo técnico-administrativo, pessoal de apoio, segmentos organizados da sociedade civil e gestores. (MARÇAL, 2001, p.35).

Dessa forma, ao longo do trabalho são mostrados temas e citações de autores que defendem uma aproximação mais significativa entre escola e família do intuito de oferecer uma educação melhor aos educandos. Mesmo estando bem claro na Constituição Federal (1988) que a educação deve ser compartilhada, principalmente, entre escola e família, o que se observa na prática é um grande distanciamento entre essas duas instituições educadoras.
1.1. A Família na Sociedade.

Assim, como todo sistema, a família tem a função psicossocial de proteger os seus membros e outra função muito importante, transmitir o conhecimento e criar mecanismos de adaptações as mais diversas situações. Considerando a importância dessas funções, Campos (1994), destaca:

A família propicia as primeiras experiências a serem aprendidas pela criança. Os hábitos de higiene, os valores morais, o clima emocional e uma série de atitudes, de modos de encarar o mundo e as coisas vão ser aprendidas pela criança, oferecendo as direções em que seu potencial genético desenvolvido e seus comportamentos serão orientados. (CAMPOS, 1994, p.67).

Diante do exposto acima, a autora fortalece a importância da família na formação inicial tão essencial para futuros direcionamentos dentro da sociedade na qual a criança está inserida. Considera, ainda, a necessidade de adaptar-se às novas circunstâncias, transformar determinados conceitos e normas, sem deixar de ser uma referência para seus membros. Assim, para que uma família se desenvolva num sentido amplo e funcional é necessário que esta esteja preocupada em proteger a integridade de seus membros e a autonomia dentro desse sistema.
De acordo com Maricato (1995), muitas vezes, aqueles jovens provenientes de ambientes menos estruturados como as favelas e periferias são considerados marginais, uma vez que estão em permanente contato com ambientes propícios ao crime. Além desses, aqueles oriundos de regiões rurais, por conseqüência do êxodo rural também enfrentam o mesmo problema, pois ao chegarem à cidade, muitas vezes não encontram condições mínimas de saúde, educação e segurança para o migrante. Assim, estes menores ficam à margem da sociedade e muitos procuram ou encontram como única saída a delinquência e/ou crime. Diante disso, a família se acha impotente para resolver tal problema criando assim, um clima de intranquilidade e desespero por conta da situação.
1.2. Escola e Família, juntas pelo mesmo propósito: educar.

Tendo em vista a sobrevivência do grupo familiar o chefe de família, devido a sua longa jornada de trabalho e a distância que separa a moradia do emprego, se obriga a entregar, muitas vezes, os filhos a própria sorte. Devido à inserção da mulher no mundo de trabalhos as suas múltiplas funções na sociedade, aquela figura de mãe presente está ficando cada vez mais escassa. Entretanto, pode-se perceber facilmente que a classe dominante não tem dado condições para que as classes menos favorecidas eduquem seus filhos, pois, os obrigam a trabalhar muito e ganhar pouco e, assim, a educação fica deficiente. Desse modo é preciso que a escola crie mecanismos que orientem os pais na missão de educar.

Nos cadernos do Progestão, Dourado (2001) faz a seguinte observação:

Nas escolas, o enfrentamento de desafios e dificuldades deve efetivar-se como um processo conjunto, partilhado por professores, alunos, pais, funcionários e comunidade local. (DOURADO,2001.p.70)

Mesmo tendo relações a níveis institucionais, como associação de pais e mestre, conselhos escolares e, em nível individual, família/professor, a escola e a família têm andado bastante separadas. Pois, muitas vezes a escola tem tomado para si o papel de educadora sem considerar a importância do papel da família nessa missão. Percebe-se então que ambas caminham em linhas diferentes e não têm se complementado quando o assunto é educação dos alunos/filhos. Onde escola e família deveriam atentar para um trabalho mais solidário e coletivo no intuito de multiplicar ações voltadas para uma educação melhor.

CONSIDERAÇÕES

Esse vertiginoso agravamento entre as relações sociais, econômicas, políticas tem afetado todos os setores da sociedade, principalmente, no campo educacional. Tal problema tem influência direta na família e na escola, de modo que ambas necessitam urgentemente rever certos conceitos e atitudes no que concerne à educação de seus filhos e educandos. É notório que existe uma lacuna grande entre a educação formal oferecida na escola e a educação adquirida no cotidiano doméstico. Quando família e escola andam de forma perpendicular e de modo isolado, fica difícil chegar à solução de determinados problemas, pois, problemas educacionais são da coletividade.
Com a finalidade de aproximar de maneira significativa e sustentável a família e a escola, podemos também considerar que a criança ou adolescente ao ir a escola não significa que o mesmo está totalmente apto à aprendizagem. Ou seja, é necessário que no momento do início da escolaridade, ela tenha a presença carinhosa dos pais ou de pessoas da família de modo a apoiá-la, ajudá-la e acompanhá-la, no processo educativo que será complementado qualitativamente pela escola. Esta ação conjunta, certamente, despertará no educando um ser mais seguro, decidido, crítico e confiante em seus planos e atos. Pois, família e escola devem caminhar juntas rumo a uma educação mais significativa e transformadora.


REFERÊNCIAS


BOARINI, Maria Lúcia. Refletindo sobre a nova e velha família. Disponível em: . Acesso em: 14 out. 2010.

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da república federativa do Brasil. Disponível em: . Acesso em: 03 out.. 2010.

______. Lei nº. 9.394 de 20 de dezembro de 1996. Lei de diretrizes e bases da educação. Disponível em: . Acesso em: 16 out.. 2010.

______. Lei nº. 8.069, de 13 de julho de 1990. Estatuto da criança e do adolescente. Disponível em: . Acesso em: 23 out.. 2010.

CAMPOS, Dinah Martins de Souza. Psicologia da adolescência. Petrópolis: Vozes, 1994.

CARVALHO, Maria Celeste da Silva et al. Progestão: como construir e desenvolver os princípios de convivência democrática na escola?, módulo V. Brasília: CONSED- Conselho Nacional de Secretários de Educação,2001.

CARVALHO, Inaiá Maria Moreira de  e ALMEIDA, Paulo Henrique de. Família e proteção social. Disponível em: . Acesso em: 15 dez. 2010.

DOURADO, Luiz Fernandes et al. Progestão: como promover, articular e envolver a ação das pessoas no processo de gestão escolar?, módulo II. Brasília: CONSED- Conselho Nacional de Secretários de Educação,2001.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra,1996.

______. Educação e Mudança. Rio de Janeiro: Paz e Terra,1979

GROSBAUM, Marta Wolak et al. Progestão: como promover o sucesso da aprendizagem do aluno e sua permanência na escola?, módulo IV. Brasília: CONSED- Conselho Nacional de Secretários de Educação, 2001.

LIBÂNEO, José Carlos. Pedagogia e pedagogos, para quê?. São Paulo: Cortez,1998.

MARÇAL, Juliane Corrêa et al. Progestão: como promover a construção coletiva do projeto pedagógico da escola? Módulo III.Brasília: CONSED- Conselho Nacional de Secretários de Educação, 2001.

MARICATO, Ermínia. Metrópole na periferia do capitalismo: ilegalidade, desigualdade e violência. Disponível em: . Acesso em: 16 out. 2010.

MOREIRA, Ana Maria de Albuquerque et al. Progestão: como gerenciar os recursos financeiros?, módulo VI. Brasília: CONSED- Conselho Nacional de Secretários de Educação, 2001.

PENIN,Sônia Terezinha de Souza. Progestão: como articular a função social da escola com as especificidades e as demandas da comunidade?, módulo I. Brasília: CONSED- Conselho Nacional de Secretários de Educação, 2001.

PIMENTA, Selma Garrido (Org.) et al. Saberes pedagógicos e atividade docente. 6. ed. São Paulo: Cortez,2008.

 
Avalie este artigo:
(4 de 5)
15 voto(s)
 
Revisado por Editor do Webartigos.com


Talvez você goste destes artigos também