EDUCAÇÃO E CURRÍCULO
 
EDUCAÇÃO E CURRÍCULO
 


Micheline Odorizzi Paschoa
Profº Casimiro José Motta
Pós-Graduação AUPEX/ FACEL- Historia- Cultural-Trabalho da Disciplina de Educação, Currículo e Produção de Subjetividade

1 INTRODUÇÂO

Nesta resenha, pretende-se abordar
principais aspectos teóricos e implicações metodológicas. A importância social da educação através da temática proposta mostrando alguns dos aspectos que envolvem o contexto educacional; baseados na pesquisa dos seguintes temas: relações entre psicologia e educação e o processo de formação escolarizada na modernidade. Paradigma ético-estético-político e produção de subjetividades na escola. Articulação entre tempo e espaço escolar, gestão do trabalho coletivo e saúde do profissional da educação, através da abordagem teórico-metodológica da análise Institucional.

2 O ENSINO TEÓRICO E METODOLÓGICO


O ensino no Brasil passou por varias transformações, porem a intensa busca de quantidade em detrimento a quantidade tem sido a preocupação de vários pensadores da educação a respeito do ensino no país. Em busca de alternativas de melhoria na educação e buscando na psicologia, ferramentas que possibilitassem uma relação mais próxima do educando. Assim temos a psicologia que na área educacional, contribui na tentativa de explicar ou não o processo de ensino e aprendizagem, de vários problemas educacionais que envolvem fracasso escolar, qualidade da educação formal, preparação psicológica docente, do comportamento e da construção da subjetividade humana.
Dentro destas concepções teóricas buscou explicar os fenômenos educacionais baseados a principio pelo viés do psicologismo, ou seja, depositando no sujeito (aluno ou professor) o único responsável. Depois superou o psicologismo pelo sociologismo, neste o meio social como responsável por todos os problemas que envolvem o fracasso do processo. Alguns pesquisadores como Patto, criticam estas teorias pois impedem uma compreensão mais ampla do processo educacional. As criticas se referem à concepção de um sujeito abstrato das influencias sociais, políticas e econômicas.
Segundo Senna (apud Patto,1991):
[...] enfatiza que na analise das dificuldades de aprendizagem escolar, a psicologia, influenciada por uma visão organizacionista das aptidões humanas - carregada de pressupostos racistas e elitistas- e pro uma concepção atenta as influencias ambientais, produz conseqüentemente, uma concepção impregnada dessa ambiguidade, que será característica presente no discurso sobre as causas do fracasso escolar [...].

Ao fazer uma analise ideológica Patto aponta os fatores: As condições de vida, a inadequação da escolar ao lidar com a realidade do aluno no concreto, a falta de sensibilidade do professor e de conhecimento da realidade vivida por seus alunos e o distanciamento entre sua "cultura" e a deles. A pesquisa de Patto, no contexto e realidade escolar, diagnosticou problemas como: inadequação da escola, a má qualidade e a negatividade que os professores tem de seus alunos, do sistema organizacional da escola publica e na efetivação de seus objetivos.
Porem, como excluir esta realidade do cotidiano escolar? Sabemos que é possível a proximidade do conhecimento formal ao informal, do grupo social ou sociedade. A proximidade do conhecimento, a pratica do cotidiano que deve ser conhecido pela escola e vivenciado pelos educadores, como forma de produzir alternativas de melhoria na comunidade inserida, independendo de quais forem suas carências. Conceito ideológico posivel e necessário pois a escola é responsavel pelo desenvolvimento do individuo. O conceito de ideologia de Marilena Chauí (apud Leite,2010) dá para ideologia, é que ela "é um conjunto lógico, sistemático e coerente de representações de idéias e valores e de normas ou regras de conduta, que indicam e prescrevem aos membros da sociedade o que devem pensar e como devem pensar, o que devem valorizar e como devem valorizar, o que devem sentir e como devem sentir, o que devem fazer e como devem fazer". Muito tem se discutido no contexto escolar sobre a realidade do aluno e a inserção da mesma como forma de tornar os conteúdos mais concretos e compreensíveis ao mesmo. A pesquisa efetuada nesta resenha demonstra que uma das formas de aproximar esta realidade ao contexto escolar é a através da construção de currículos escolares mais próximos a esta realidade.
Embora varias teorias tenham permeado os caminhos educacionais em busca de um caminho para uma educação mais objetiva para o professor e mais próxima da realidade do aluno. O currículo escolar é instrumento educacional que deve levar em conta as diversas possibilidades de aprendizagem. Possibilitar não só metas e conteúdos, mas o modo de como planejar suas atividades como orientações que norteiem os passos da educação. Nesta caminhada a construção algumas reflexões básicas são necessárias como: qual individuo queremos formar; qual o papel do professor e da escola. Denominando ao currículo um papel social político. Segundo Sacritan (citado por Hornburg e Silva, 2007)

Todas as finalidades que se atribuem e são destinadas implícita e explicitamente á instituição escolar, de socialização, de formação de segregação, ou de integração social etc., acabam necessariamente tendo um reflexo nos objetivos que orientam todo currículo, na seleção de componentes do mesmo desembocam numa divisão especialmente ponderada entre diferentes parcelas curriculares e nas próprias atividades metodológicas as quais dá lugar. Por isso o interesse pelos problemas relacionados com o currículo não é senão uma consequência de que é por meio dele que se realizam basicamente as funções da escola como instituição.

Ou seja é através do currículo, que o caráter social se manifesta dentro da escola, deve abranger a subjetividade que aproxima das idéias e os objetivos que aproximam das ações propriamente ditas. A maior dificuldade educacional hoje é a elaboração de currículos pelas escolas o que dificulta o processo de aprendizagem. Ele deve estar fundamentado na LDB, e nos Parâmetros curriculares os quais regem a educação no âmbito geral. A educação não pode estar somente fundamentada nas leis e conteúdos distantes da realidade educacional de uma comunidade. Conforme Paulo Freire (1996, p.32) cita no livro pedagogia da Autonomia: saberes necessários à pratica educativa, "Docência e boniteza de mãos dadas." (FREIRE, 1996,p.33) Ou seja, a educação deve também estar impregnada de valores éticos e estéticos. É por isso que transformar a experiência educativa em puro treinamento técnico é amesquinhar o que há fundamentalmente de humano no exercício educativo: o seu caráter formador. "
Subentende-se que a educação deve priorizar também o caráter ético na formação do individuo, e não somente aos conteúdos teóricos. Para Aguiar Coimbra (apud Pigatto,2002), a ética "tem sido como que uma forma de consciência das sociedades humanas, iluminadora dos caminhos a serem seguidos em busca de um ideal de perfeição". O porto seguro no desenvolvimento das consciências, para o planejamento e a organização social. São objetivos que devem estar incorporados na construção do conhecimentos formativos inseridos no cotidiano escolar para o desenvolvimento de um ser etico e estetico, isto requer um trabalho flexivel numa relação dialógica, problematizadora visando a acessibilidade e a inclusão social.
Pedagogicamente esta função tem sido incorporada pela escola em substituição a carencia familiar na modernidade. Porem este conceito esta relacionado ao senso comum que atribui ao pedagogo a função de cuidador de crianças. Embora a educação tenha um carater diferente, ou pelo menos, é o que a pedagogia tem se questionado, quanto a sua função educacional. O proceso de trabalho educacional deve se profissionalizado, de mameira que caibam as vertentes da didatica e do planejamento.

Ao se considerar a prática educacional na escola, deve-se evitar a "sedutora e cômoda tentação" de aceitar fórmulas genéricas e pré-estabelecidas de intervenção, pois assim como não há escolas "em abstrato", não se pode projetar a ação educativa a partir de um modelo inflexível e descontextualizado de aluno.( COLELLO, 2010)

O professor em sala de aula, é o principal agente da localização, instrução e transmissão do conhecimento, seja qual for o currículo a ser seguido. Fatores como regionalismo, cultura, experiência de vida, formação didática dentre outros menos relevantes, são primordiais para a formação do professor e definem a forma como esse professor atuará em sala de aula e se essa mesma atuação será ou não satisfatória, chegando a ponto de atingir seu aproveitamento pleno sem que haja perda de qualidade de ensino. O alcance deste fator à de uma formação completa é a pedagogia necessária, na qual o professor tem consciência de seu papel com articulador, facilitador do conhecimento e sua relação com a realidade e contexto vivenciado pelo seu aluno.
Mesmo como o conhecimento e pratica de teorias que fomentam a educação a mesma deve, como qualquer outra profissão uma fonte de prazer e realização, atualmente o constante crescimento de problemas de saúde do profissional de educação, a preocupação com esta realidade levou pesquisadores encontrarem formas de amenizar esta enfermidade coletiva educacional. O diagnostico da epidemia gerou formas de enfrentar as dificuldades. Segundo Polato em matéria da revista Nova Escola (2008, p.39) "[..] os remédios são prescritos - tanto no sentido de prevenção quanto de tratamento ? são gestão, formação, organização do tempo, trabalho em equipe, relacionamento com os alunos, infra-estrutura, currículo e valorização social". Os sintomas, de acordo Polato estão relacionados e só podem formar um remédio eficaz diante de um sistema tão doente.
No entanto os esforços em prol da qualidade de ensino deve ser um objetivo conjunto, da escola, professor, comunidade e governo.


3 CONCLUSÃO

A educação de qualidade depende da consciência de um conjunto de teorias condizentes com a realidade escolar, mas também depende da formação e coerência do trabalho em grupo, de objetivos em comum, de uma gestão consciente do apoio necessário, o respeito mutuo comunidade-escola-profissional, a valorização dos mesmos e o diagnóstico precoce dos problemas que podem afetar a harmonia do contexto escolar.
A educação deve estar em harmonia pois dela depende a formação básica do individuo como cidadão, ela é o elemento formador social após a base familiar, portanto a escola e família devem caminhar de mãos dadas e em inter-relacionadas, o estado por sua vez deve posicionar-se como apoio financeiro possibilitando o desenvolvimento educacional, mas a educação no entanto deve ser laica como nos garante a constituição e o educador deve assumir a sua função de educador. Assim será possível caminhar para uma educação capaz de formar indivíduos capazes.


4 RERFERÊNCIAS

COLELLO, Silvia M. Gasparian. Educação e Intervenção Escolar. Disponível em: Acesso em : 09 mar. 2010.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saber necessário a pratica educativa. São Paulo: Paz e Terra. 1996.

HORNBURG, Nice; Silva, Rúbia da. Teorias sobre currículo: uma analise para compreensão e mudanças. IGP revista de divulgação técnica científica. v. 3 nº
10. Jan/julh. 2007. Disponível em: Acesso em: 08 mar 2010.

LEITE, José Oswaldo Monte dos Santos. Educação Ideológica. Disponível em: Acesso em: 09 mar. 2010.

SENNA. Maria das Graças de Castro. Resenhas Críticas. Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).1991. Disponível em: . Acesso em 05 de mar. 2010.

PIGATTO, Lisete Maria Massulini. Uma postura ética ou estética na escola? Disponível em: Acesso em: 09 Mar. 2010.

POLATO, Amanda. Remédios para o professor e a educação. São Paulo:Nova Escola. 2008.
 
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