FILME:   A Menina no País das Maravilhas

O Trantorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), que se caracteriza pela presença de obsessões e/ou compulsões. As obsessões podem ser definidas como eventos mentais, tais como pensamentos, idéias, impulsos e imagens, vivenciados como invasivos e incômodos. Como produtos mentais, as obsessões podem ser criadas a partir de qualquer substrato da mente, tais como palavras, medos, preocupações, memórias, imagens, músicas ou cenas. Compulsões são definidas como comportamentos ou atos mentais repetitivos, realizados para diminuir o incômodo ou a ansiedade causada pelas obsessões ou para evitar que uma situação temida venha a ocorrer (MERCADANTE; CAMPOS, 2000). Não existem limites para a variedade possível das obsessões e das compulsões.

 

São mais freqüentes em crianças e adolescentes as obsessões de contaminação, de medo de ferir-se ou de ferir os outros, sexuais e de religiosidade e as compulsões de lavagem, repetição, checagem e rituais de tocar em objetos ou pessoas. (MERCADANTE; CAMPOS, 2000).

Para o diagnóstico do TOC é necessário que as obsessões e/ou as compulsões causem interferência ou limitação nas atividades da criança, que consumam tempo (ao menos uma hora por dia) e que causem sofrimento ou incômodo ao paciente ou a seus familiares. (MERCADANTE; CAMPOS, 2000).

   No filme, a menina apresentava comportamentos repetitivos, como compulsões de lavar as mãos, ao ponto de feri-las, bater nas mãos, realizar contagens e giros para obter o papel de “Alice” na peça, que de modo, fosse interrompida, começava novamente sua contagem do início, gerando assim, grande angústia. Mexia os dedos de maneira coordenada para se conseguir o papel no teatro. Essas compulsões lhe causavam sofrimento e a sua mãe, quando há via ferida, e quando a menina lhe dizia que não conseguia parar, que ela não queria fazer isso.

A menina começa a pular degraus de escadas, ferindo os joelhos devido às quedas, apresentava também mania de não pisar nas linhas do chão, apresentando pensamentos insistentes e impróprios que lhe ocasionava ansiedade por medo de não lesar a mãe, e caso acontecesse de pisar, acabaria por machucar a mesma.

Um outro diagnóstico pode ser a Síndrome de Gilles de La Tourette, que geralmente manifesta-se na infância ou juventude, eventualmente abrangendo estágios classificados como crônicos. Porém, no decorrer da vida adulta, freqüentemente, os sintomas vão aos poucos se amenizando e diminuindo. Mesmo assim, até hoje ainda não foi encontrada uma cura para a Tourette.

De acordo com o DSM-IV, a síndrome é caracterizada por tiques (um movimento ou vocalização súbita, rápida, recorrente, não rítmica e estereotipada), que ocorrem frequentemente da mesma maneira e que podem se manifestar em qualquer parte ou conjunto de partes do corpo aparece também na forma de vocalizações. Raramente uma pessoa que lida desta síndrome consegue controlar um mínimo de seus tiques e jamais por demorados períodos de tempo.  (HOUNIE; PETRIBÚ, 1999).

Para ser diagnósticada, tem que haver a presença de múltiplos tiques motores e um ou mais tiques vocais em algum momento durante a doença, embora não necessariamente ao mesmo tempo; Ocorrência de tiques muitas vezes ao dia (geralmente em ataques), quase todos os dias ou intermitentemente durante um período de mais de um ano; Acentuado sofrimento ou prejuízo significativo no funcionamento social, ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo, ocasionados pelo transtorno; O início dá-se antes dos 18 anos de idade; O transtorno não se deve aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por exemplo, estimulantes) ou a uma condição médica geral. (HOUNIE; PETRIBÚ, 1999).

 Porém, no filme , apesar de seguir alguns critérios de diagnóstico, como a idade, presença de um ou mais tiques vocais, como a Ecoalia (repetição não significativa da fala dos outros), quando o menina conversa com o diretor da escola e a mesma se sente angústiada quando teve de explicar como havia caído no teatro da escola ; um outro tique apresentado é a Palilalia (a repetição de sons, sílabas ou das próprias palavras), quando estava na peça, e compulsivamente falava para a bailarina acordar; a Coprolalia (enquadra aqueles indivíduos que, além de outros sintomas de Tourette, se vêem obrigados a repetir palavras obscenas e/ou insultos.), quando a menina chama seu amigo de “viado”; apresenta também,ao contrário, somente um tique motor, que era o de cuspir.

Referência:

HOUNIE,A; PETRIBÚ, K. Síndrome de Tourete-revisão bibliográfica e relatos de casos. Rev. Bras. Psiquiatr. vol.21 n.1 São Paulo Jan./Mar. 1999.

CAMPOS, M.C.R ; MERCADANTE, M.T. Transtorno obsessivo-compulsivo. Rev. Bras. Psiquiatr. vol.22  s.2 São Paulo Dec. 2000.

Revisado por Editor do Webartigos.com