A LUDICIDADE NO CONTEXTO DA EDUCAÇÃO INFANTIL
 
A LUDICIDADE NO CONTEXTO DA EDUCAÇÃO INFANTIL
 


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O artigo foi realizado com a finalidade de refletir sobre a prática da ludicidade na Educação Infantil. Tendo como objetivos escrever conceitos, importância e a utilização da ludicidade pelos professores que trabalham com crianças neste nível escola. Enfatizando a importância desta na prática para o desenvolvimento total das crianças. A presença de atividades lúdicas pode ser responsável em transformar, modificar e renovar todo o espaço no qual funciona a Educação Infantil desenvolvendo na criança habilidades cognitivas, motoras entre outras que são necessárias para o desenvolvimento ideal da criança nesta fase.. No decorrer do trabalho abordamos um breve histórico da Educação Infantil desde a contemporaneidade onde perpassa as grandes mudanças que continuam até a atualidade e apresentaremos um projeto de ação desenvolvido na UEI- Perpétuo Socorro situada no bairro do Telegrafo na Passagem. Brotinho. Das observações e das informações angariadas neste projeto foram feitas análises das quais obtivemos resultados relacionando ao referencial teórico que fundamentou o artigo. Palavras-chave: Ludicidade. Educação Infantil. Aprendizagem e desenvolvimento.

INTRODUÇÃO

Na Educação Infantil a criança certamente brinca, começa a fazer amigos, passa horas felizes convivendo com crianças e adultos que não são seus familiares. No entanto, não é apenas isso o que acontece.Até os 5 anos, a criança viverá uma das mais complexas fases do desenvolvimento humano, nos aspectos intelectual, emocional, social e motor, que será tanto mais rica quanto mais qualificadas forem as condições oferecidas pelo ambiente e pelos adultos que a cercam.

Uma creche precisa ser mais do que um lugar agradável, onde se brinca. Deve ser um espaço estimulante, educativo, seguro, afetivo, com professores realmente preparados para acompanhar a criança nesse processo intenso e cotidiano de descobertas e de crescimento. Precisa propiciar a possibilidade de uma base sólida que influenciará todo o desenvolvimento futuro dessa criança.

O trabalho na Educação Infantil não se restringe à aplicação de rituais repetitivos da escrita, leitura e cálculo. Ela começa no momento da própria expressão, quando as

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* Graduandasdo curso de Pedagogia da Universidade do Estado do Pará.

crianças falam de sua realidade e identificam os objetos que estão ao seu redor. O objetivo primordial é a apreensão e a compreensão do mundo, desde o que está mais próxima a criança até o que lhe está mais distante, visando à comunicação, à aquisição de conhecimentos, à troca. Assim, se as atividades realizadas na pré-escola enriquecem as experiências infantis e possuem um significado para a vida das crianças, elas podem favorecer o processo de desenvolvimento e aprendizagem, quer ao nível do reconhecimento e representação dos objetos e das suas vivências, quer ao nível da expressão de seus pensamentos e afetos.

Levando em consideração a visão que foi colocada e as observações feitas durante nosso estágio, no qual tivemos a oportunidade de vivenciar a realidade dentro de uma creche. que apesar da boa relação professor aluno faltava à presença de atividades lúdicas que devem está presentes no dia-a-dia da criança principalmente no que se refere à aprendizagem e desenvolvimento.

Segundo os PCNs da Educação Infantil (2007)

As brincadeiras de faz-de-conta, os jogos de construção e aqueles que possuem regras, como os jogos de sociedade (também chamados de jogos de tabuleiro), jogos tradicionais, didáticos, corporais, etc., propiciam a ampliação dos conhecimentos infantis por meio da atividade lúdica.

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Neste contexto produzimos um Projeto cujo tema foi "A ludicidade no contexto da educação infantil, pois acreditamos que a ludicidade deve estar presente no cotidiano da criança. O projeto foi aplicado como atividade avaliativa da disciplina de estágio nem Educação Infantil..

Assim, obtivemos resultados satisfatórios em relação à aprendizagem por parte da criança.Fator este que tornou o lúdico um dos aspectos essenciais a ser trabalhado no contexto da Educação Infantil. Traremos algumas considerações a respeito desta questão neste artigo levando em consideração a visão de alguns teóricos como Maria Montessori (1870  1952), John Dewey (1859  1952), Piaget (1998, 58).

Um breve histórico da educação infantil

Nos últimos 20 anos, a educação infantil, no Brasil e no mundo, foi foco de profundas reflexões no campo da legislação, da investigação pedagógica e das políticas públicas governamentais. As Nações Unidas, a partir da Conferência Mundial de Educação para Todos (em Jomtien, na Tailândia, em 1990), que contou com a participação do Governo brasileiro, preconizou que a educação é, ao mesmo tempo, um direito verdadeiramente humano e uma responsabilidade social dos governos. As transformações no campo da educação infantil de zero a seis anos, no Brasil, ocorridas a partir do final dos anos 80, foram moldadas num contexto de reivindicações por educação pública, gratuita e de qualidade , parcialmente reconhecidas na legislação, sendo que essa luta representa, por diversas causas, a continuidade de um movimento mais amplo no plano mundial.1

Na Constituição de 88, a educação pré-escolar é vista como necessária e de direito de todos, além de ser dever do Estado e deverá ser integrada ao sistema de ensino (tanto creches como escolas).

A partir daí, tanto a creche quanto a pré-escola são incluídas na política educacional, seguindo uma concepção pedagógica, complementando a ação familiar, e não mais assistencialista, passando a ser um dever do Estado e direito da criança. Esta perspectiva pedagógica vê a criança como um ser social, histórico, pertencente a uma determinada classe social e cultural. Ela desmascara a educação compensatória, que delega a escola a responsabilidade de resolver os problemas da miséria.

No Brasil, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional chama o equipamento educacional que atende crianças de 0 a 3 anos de CRECHE. O equipamento educacional que atende crianças de 4 a 6 anos se chama PRÉ-ESCOLA

Recentes medidas legais modificaram o atendimento das crianças PRÉ-ESCOLA, pois alunos com seis anos de idade devem obrigatoriamente estar matriculados no primeiro ano do Ensino Fundamental.

Os dispositivos legais que estabeleceram as modificações citadas são os seguintes: O Projeto de Lei nº 144/2005, aprovado pelo Senado em 25 de janeiro de 2006, estabelece a duração mínima de 9 (nove) anos para o ensino fundamental, com matrícula obrigatória a partir dos 6 (seis) anos de idade. Essa medida deverá ser implantada até 2010 pelos Municípios, Estados e Distrito Federal. Durante esse período os sistemas de ensino terão prazo para adaptar-se ao novo modelo de pré-escolas, que agora passarão a atender crianças de 4 e 5 anos de idade.

A importância de atividades lúdicas na educação infantil

O brincar permite, ainda, aprender a lidar com as emoções. Pelo brincar, a criança equilibra as tensões provenientes de seu mundo cultural, construindo sua individualidade, sua marca pessoal e sua personalidade. SegundoPiaget(1998) o brincar, implica uma dimensão evolutiva com as crianças de diferentes idades, apresentando características específicas, apresentando formas diferenciadas de brincar.

Na Educação Infantil deve-se facilitar a aprendizagem utilizando-se de atividades lúdicas que criem um ambiente agradável para favorecer o processo de aquisição de autonomia de aprendizagem. Para tanto, o saber escolar deve ser valorizado socialmente e a aprendizagem e a interação devem ser processos dinâmicos e criativos através de jogos, brinquedos, brincadeiras e musicalidade.

Com a utilização desses recursos pedagógicos, o professor poderá utilizar-se, por exemplo, de jogos e brincadeiras em atividades de leitura ou escrita, devendo, no entanto, saber usar os recursos no momento oportuno, uma vez que as crianças desenvolvam o seu raciocínio e construam o seu conhecimento de forma descontraída. As atividades lúdicas têm o poder sobre a criança de facilitar tanto o progresso de sua personalidade integral, como o progresso de cada uma de suas funções psicológicas, intelectuais e morais. Ao ingressar na escola, a criança sofre um considerável impacto físico-mental, pois, até então, sua vida era exclusivamente dedicada aos brinquedos e ao ambiente familiar.

Com as atividades lúdicas, espera-se que a criança desenvolva a coordenação motora, a atenção, o movimento ritmado, conhecimento quanto à posição do corpo, direção a seguir e outros; participando do desenvolvimento em seus aspectos biopsicológicos e sociais; desenvolva livremente a expressão corporal que favorece a criatividade, adquira hábitos de práticas recreativas para serem empregados adequadamente nas horas de lazer, adquira hábitos de boa atividade corporal, seja estimulada em suas funções orgânicas, visando ao equilíbrio da saúde dinâmica e desenvolva o espírito de iniciativa, tornando-se capaz de resolver eficazmente situações imprevistas.

Segundo Rousseau (1968), as crianças têm maneira de ver, sentir e pensar que lhe são próprias e só aprendem através da conquista ativa, ou seja, quando elas participam de um processo que corresponde à sua alegria natural.

Para Froebel, a educação mais eficiente é aquela que proporciona atividades, autoexpressão e participação social às crianças. Ele afirma que a escola deve considerar a criança como atividade criadora e despertar, mediante estímulos, as suas faculdades próprias para a criação produtiva. Sendo assim, o educador deve fazer do lúdico uma arte, um instrumento para promover a facilitar a educação da criança. A melhor forma de conduzir a criança à atividade, à auto-expressão e à socialização seria através do método lúdico.

Para Piaget (1973), os jogos e as atividades lúdicas tornara-se significativas à medida que a criança se desenvolve, com a livre manipulação de materiais variados, ela passa a reconstituir, reinventar as coisas, o que já exige uma adaptação mais completa. Essa adaptação só é possível, a partir do momento em que em que ela própria evolui internamente, transformando essas atividades lúdicas, que é o concreto da vida dela, em linguagem escrita que é o abstrato.

Para alguns pensadores, as atividades lúdicas realizadas pelas crianças permitem que elas se desenvolva, alcançando objetivos como a linguagem, a motricidade, a atenção e a inteligência.

Apresentação do projeto "A ludicidade no contexto da educação infantil"

Justificativa

No referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil encontram-se direcionamentos em relação aos educar por meio do lúdico que ajudam na prática do educador. Como os que se percebe no fragmento abaixo.

Educar significa, portanto, propiciar situações de cuidados, brincadeiras e aprendizagens orientadas de forma integrada e que possam contribuir para o desenvolvimento das capacidades infantis de relação interpessoal, de ser e estar com os outros em uma atitude básica de aceitação, respeito e confiança, e o acesso, pelas crianças aos conhecimentos mais amplos da realidade social e cultural. Neste processo, a educação poderá auxiliar o desenvolvimento das capacidades de apropriação e conhecimento das potencialidades corporais, afetivas, emocionais, estéticas e éticas, na perspectiva de contribuir para a formação de crianças felizes e saudáveis.

Brasil (1998, p.23),

Entendemos, a partir da importância da ludicidade que o professor deverá contemplar a brincadeira como princípio norteador das atividades didático-pedagógicas, possibilitando à criançauma aprendizagem prazerosa.

Durante o estágio em Educação Infantil percebemos que havia uma necessidade de se trabalhar a ludicidade na turma do Jardim I, pois o tempo que passamos com eles não houve nem uma atividade voltada para o lúdico, isto nos instigou a desenvolver o projeto que será apresentado no artigo.

metodologia

O projeto foi desenvolvido na creche Pérpetuo Socorro, localizada no bairro do Telegrafo, na passagem Brotinho, com a turma do Jardim II, no dia 23 de maio de 2009, no horário das 14:00h às 16:00h. Estando presente conosco 23 alunos, a professora da turma e a professora de estágio.

Para guiar o desenvolvimento do projeto traçamos alguns objetivos:Estimular a criança a brincar de faz-de-conta, a criar, a descobrir e resolver situações conflitantes; desenvolver a coordenação motora;conhecer as vogais por meio da ludicidade;

O projeto foi desenvolvido por meio de músicas, conversas e atividades lúdicas. No primeiro momento houve a apresentação do projeto às crianças. No segundo momento cantamos junto com as crianças (A,E,I,O,U DA Cristina Mel) durante a música , as vogais foram apresentadas em forma de meninos e meninasestimulando a imaginação da criança; no terceiro momento os alunos foram divididos em 5 grupos. Para cada grupo foi dado um quebra cabeça contendo as vogais e algumas figuras que iniciam com a vogal trabalhada que montados por cada grupo. O projeto finalizou com cada criança identificando as vogais que estavam em um cartaz.

Os recursos didáticos utilizados para a atividade lúdica foram: CDs/ som Papéis diversos (chamequinho, cartolinas, papel cartão e papel 40 quilos.) Fichas, figuras e quebra cabeça.

Resultados do projeto

Os resultados obtidos foram divididos em três grandes categorias: a)a aprendizagem; b) o envolvimento das crianças; c) a diversão das crianças. A análise dos resultados permitem afirmar que a ludicidade é um meio de facilitar a aprendizagem, de proporcionar momentos deinteração entre as criança e ainda fazer a aprendizagem ficar divertida.

A esse respeito, os PCNs ( 1997) adverte

Para que as crianças possam exercer sua capacidade de criar é imprescindível que haja riqueza e diversidade nas experiências que lhes são oferecidas nas instituições, sejam elas mais voltadas às brincadeiras ou às aprendizagens que ocorrem por meio de uma intervenção direta.

A brincadeira é uma linguagem infantil que mantém um vínculo essencial com aquilo que é o "não-brincar". Se a brincadeira é uma ação que ocorre no plano da imaginação isto implica que aquele que brinca tenha o domínio da linguagem simbólica. Isto quer dizer que é preciso haver consciência da diferença existente entre a brincadeira e a realidade imediata que lhe forneceu conteúdo para realizar-se. Nesse sentido, para brincar é preciso apropriar-se de elementos da realidade imediata de tal forma a atribuir-lhes novos significados. Essa peculiaridade da brincadeira ocorre por meio da articulação entre a imaginação e a imitação da realidade. Toda brincadeira é uma imitação transformada, no plano das emoções e das idéias, de uma realidade anteriormente vivenciada.

O envolvimento da criança nas brincadeiras, na música, mostrou a importância de se utilizar atividades e metodologias diversificadas no momento da aprendizagem da criança, pois o brincar apresenta-se por meio de várias categorias de experiências que são diferenciadas pelo uso do material ou dos recursos predominantemente implicados. Essas categorias incluem: o movimento e as mudanças da percepção resultantes essencialmente da mobilidade física das crianças; a relação com os objetos e suas propriedades físicas assim como a combinação e associação entre eles; a linguagem oral e gestual que oferecem vários níveis de organização a serem utilizados para brincar; os conteúdos sociais, como papéis, situações, valores e atitudes que se referem à forma como o universo social se constrói; e, finalmente, os limites definidos pelas regras, constituindo-se em um recurso fundamental para brincar. Estas categorias de experiências podem ser agrupadas em três modalidades básicas, quais sejam, brincar de faz-de-conta ou com papéis, considerada como atividade fundamental da qual se originam todas as outras; brincar com materiais de construção e brincar com regras.

Nas atividades desenvolvidas no projeto proporcionou justamente o que os teóricos recomendam, atividades que deixe a criança à vontade, como cantar, dançar e criar situações de faz de contas dando assim o inicio da criança se compreender como parte integrante no processo de ensino e aprendizagem.

Conclusão

O que se pode observar claramente diante das questões colocadas no artigo que o lúdico é de extrema importância no desenvolvimento da criança e é preciso que os profissionais de educação infantil tenham acesso ao conhecimento produzido na área da educação infantil e da cultura em geral, para repensarem sua prática, se reconstruírem enquanto cidadãos e atuarem enquanto sujeitos da produção de conhecimento. E para que possam, mais do que "implantar" currículos ou "aplicar" propostas à realidade da creche/pré-escola em que atuam, efetivamente participar da sua concepção, construção e consolidação e assim estejam consciente da importância do lúdico na vida do seu aluno. O professor na Educação Infantil deve ser consciente que o brincar com criança não é perder tempo, é ganhá-lo; se é triste ver meninos sem escola, mais triste ainda é vê-los, sentados enfileirados, em salas sem ar, com exercícios estéreis, sem valor para a formação do homem.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Referencial Curricular para a Educação Infantil.Brasilia:MEC/SEF, 1998

BRASIL, Ministério da Educação e Cultura. Parâmetros Curriculares Nacionais  Educação Infantil. Brasília: Mec/ SEF, 1997

KRAMER, Sonia. Currículo de Educação Infantil e a Formação dos Profissionais de Creche e Pré-escola: questões teóricas e polêmicas. In: MEC/SEF/COEDI. Por uma política de formação do profissional de Educação Infantil. Brasília-DF. 1994a

KISHIMOTO, Tisuko Morchida. Jogos infantis: o jogo, a criança e a educação. Petrópolis:

RJ: Vozes, 1993.

PIAGET , J. A psicologia da criança. Ed Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998.

OLIVEIRA, Vera Barros (ORG). Introdução In: O brincar e a criança do nascimento aos seis anos. Petrópolis: Vozes, 2000.

 
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Sobre este autor(a)
Professora Roseli Gonçalves, Pedagoga pela UEPA e professora de Lingua de Portuguesa UFPA. Especialista em Filosofia da Educação UFPA e Psicopedagoga UEPA. Professora da rede pública do municipio de Belém.
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