A INCLUSÃO DO ALUNO COM DEFICIÊNCIA NA ESCOLA COMUM
 
A INCLUSÃO DO ALUNO COM DEFICIÊNCIA NA ESCOLA COMUM
 


1 INTRODUÇÃO

 

Falarmos em inclusão hoje, não deve ser algo apenas no discurso ou no papel, deve realmente ser uma atitude. Onde devemos acreditar que não existem diferenças entre as pessoas, sequer por elas apresentarem algum tipo de necessidade especial. Todos deviam entender que estamos vivendo numa sociedade inclusiva, e que a escola é o primeiro lugar onde esta prática tem que ser efetivada.

 

Este trabalho refere-se à inclusão do aluno com deficiência mental no ambiente escolar comum, sendo discutido o que é deficiência mental, e quais são os fatores e causas antes do nascimento, durante e após o nascimento; e também sobre a inclusão do aluno com deficiência mental na escola e exemplos de experiências educacionais inclusivas.

 

 

 

2 DEFICIÊNCIA MENTAL

 

            Deficiência Mental tem como definição adotada pela AAMR (Associação Americana de Deficiência Mental) é quando a pessoa tem um funcionamento intelectual significativamente inferior à média, acompanhado de limitações significativas no funcionamento adaptativo em pelo menos duas das seguintes áreas de habilidades: comunicação, auto-cuidados, vida doméstica, habilidades sociais, relacionamento interpessoal, uso de recursos comunitários, auto-suficiência, habilidades acadêmicas, trabalho, lazer, saúde e segurança (NASCIMENTO, 2007). 

 

            Tem-se como fatores de riscos e de causas Pré-natais as seguintes: Desnutrição materna; Má assistência à gestante; Doenças infecciosas na mãe: sífilis, rubéola, toxoplasmose; Fatores tóxicos na mãe: alcoolismo, consumo de drogas, efeitos colaterais de medicamentos, poluição ambiental, tabagismo; Fatores genéticos: alterações cromossômicas (numéricas ou estruturais), ex.:síndrome de down, síndrome de matin bell; alterações gênicas, ex.:erros inatos do metabolismo (fenilcetonúria), síndrome de williams, esclerose tuberosa entre outras. Como causas Peri-natais: má assistência ao parto e traumas de parto;  hipóxia ou anóxia (oxigenação cerebral insuficiente);  prematuridade e baixo peso, icterícia grave do recém nascido . E como causas Pós-natais: desnutrição, desidratação grave, carência de estimulação global; infecções: meningoencefalites, sarampo, etc;  intoxicações exógenas (envenenamento): remédios, inseticidas, produtos químicos (chumbo, mercúrio);  acidentes: trânsito, afogamento, choque elétrico, asfixia, quedas, entre outras (NASCIMENTO, 2007).

 

 

3. INCLUSÃO ESCOLAR DE ALUNOS COM DEFICIÊNCIA MENTAL

 

            Atualmente, a organização do sistema educacional brasileiro (legislação, políticas públicas, práticas pedagógicas etc.) está pautada nos princípios da inclusão escolar, o qual defende, preferencialmente, a matrícula de todos os alunos nas classes comuns das escolas regulares, especialmente dos alunos que freqüentam as classes especiais e escolas especiais. O princípio fundamental desta política é de que o sistema regular deve atender a diversidade do alunado, isto é, todos os que se encontram excluídos, freqüentadores da escola. Este atendimento inclui, necessariamente, o atendimento dos alunos considerados deficientes, tanto físicos, visuais, auditivos e mentais na escola regular (BRASIL, 2001 citado por VELTRONE; MENDES, 2007).

 

            O grupo de alunos identificados como deficiente mental foi historicamente excluído de frequentar o mesmo espaço educacional que os demais. A justificativa era a de que estes alunos apresentavam características fora dos padrões esperados pela escola e, desta forma, ela não poderia satisfatoriamente atender a este alunado. Legitimava-se a exclusão destes alunos por meio dos serviços de atendimento da Educação Especial (MENDES, 1995; JANUZZI, 2004 citados por VELTRONE; MENDES, 2007).

 

            Atualmente, percebemos que essa concepção permanece impregnada nas práticas escolares, provocando ações excludentes dentro dos muros escolares. Nos agenciamentos que a escola provoca, percebemos que o aluno com deficiência mental ainda mantém o status de quem é diferente. O fracasso escolar o acompanha e o preconceito assume sua forma mais vil: a exclusão (JURDI; AMIRALIAN, 2006).

 

            O conceito e a política da inclusão escolar devem ser compreendidos em um contexto social mais amplo, em que a sociedade em geral defende o discurso da inclusão, da equiparação de oportunidades para todos, justamente para atender os grupos sociais que historicamente foram marginalizados e segregados por ela. Surge com a intenção de minimizar os efeitos de uma constituição social que exclui aqueles que não atendem os seus padrões, e isto ocorre em diversas instituições sociais, inclusive na escola (VELTRONE; MENDES, 2007).

 

            Para a criança com deficiência, a possibilidade de acesso à escolarização traz ganhos inestimáveis. Até pouco tempo, uma parcela mínima dessa população tinha acesso aos bancos escolares e sempre a via de acesso eram as classes especiais ou escolas de ensino especializado, revelando que a relação entre deficiência e ensino especial ainda fazia parte de uma concepção na qual a condição de deficiente por si só definiria a conveniência e a necessidade desse atendimento especializado (JURDI; AMIRALIAN, 2006).

 

            O ambiente escolar apresenta um estímulo à competitividade, à negação das diferenças e uma tendência a valorizar a homogeneidade, enfim, a escola requisita o aluno ideal e realiza suas ações para atender a esse aluno idealizado. Não há espaço para ser diferente e único, e para estabelecer um diálogo com a diversidade. Ao falarmos de um sistema de ensino inclusivo, precisamos falar de uma mudança de comportamento, de atitudes, valores e conceitos (JURDI; AMIRALIAN, 2006).

 

            A inclusão do aluno com deficiência mental deve ocorrer da seguinte maneira: Aceitação por parte do professor e da turma; Iniciar esta inclusão na educação infantil; O aluno com deficiência Mental deverá ter a mesma ou muito pouca diferença de idade das demais; Estimular as amizades; Orientação familiar (para todas as famílias); Trabalhar sempre com o concreto; Repetir as atividades para que ele possa acompanhar e compreender; Elogiá-lo sempre que se destacar; Disciplina e regras; Não fazer diferença nas obrigações e nos direitos dos alunos (NASCIMENTO, 2007). 

 

 

3.1 EXPERIÊNCIAS EDUCACIONAIS INCLUSIVAS: ALUNOS COM DEFICIÊNCIA MENTAL

 

            O estudo foi desenvolvido na rede municipal de educação de Araraquara-SP tendo como problema de pesquisa: qual a percepção que os alunos egressos de classe especial ou escola de educação especial para deficientes mentais têm a respeito da sua atual escolarização em uma classe comum? E tem como objetivo identificar, descrever e analisar a percepção dos alunos egressos de classe especial ou escola especial para deficientes mentais sobre a sua matrícula na classe comum, as interações sociais, relacionamento com a aprendizagem do conteúdo curricular, expectativas futuras e a comparação entre a classe comum e os espaços da Educação Especial por eles vivenciados (VELTRONE; MENDES, 2007).

 

            Participaram deste estudo 10 alunos com deficiência mental e 10 alunos sem deficiência mental, para a constituição do grupo comparativo. Os procedimentos de coleta de dados envolveram entrevistas com alunos e demandas de desenhos acompanhados de interrogativas. A análise dos dados para as respostas das entrevistas foi feita a partir da análise de conteúdo. Para a análise dos desenhos foi feita a avaliação baseada na impressão global e nos aspectos específicos relacionados à situação escolar. Os resultados evidenciam que as experiências dos alunos em ambientes inclusivos envolvem tanto aspectos positivos quanto negativos. As maiores conquistas, em termos de práticas inclusivas, estão relacionadas ao papel socializador da escola, contudo, não há unanimidade e alguns alunos ainda relatam experiências de situações excludentes e estigmatizantes na interação com seus pares. Merece também destaque a aprovação dos alunos aos serviços de apoio especializado, no caso, os serviços de itinerância e também a importância que eles atribuem a escola para uma inserção social futura satisfatória. A maior dificuldade diz respeito a aprendizagem do conteúdo curricular, visto que os alunos estão tendo bastante dificuldade em acompanhar o ritmo escolar da classe comum (VELTRONE; MENDES, 2007).

 

            As conclusões são ainda preliminares, mas indicam que a inclusão escolar não pode ser vista a priori como algo bom ou ruim, pois se observa que os alunos com deficiência mental vêem tanto aspectos positivos quanto negativos nesta forma de escolarização. Este fato se refere principalmente a questão que a escola é um espaço em que historicamente prevaleceu uma cultura da exclusão, que é difícil de ser rompida mesmo em tempos de inclusão. (ARROYO, 1997 citado por VELTRONE; MENDES, 2007).

 

            Estamos no século XXI, evoluímos tanto em tecnologia, conseguimos até nos comunicar virtualmente, não podemos nos permitir engatinhar em direção ao exercício da prática social de aceitação dos corpos diferentes. Podemos organizar uma vida mais justa do ponto de vista de aceitação de todos os tipos de seres humanos e onde a luta individual e ao mesmo tempo coletiva de cada ser pode definir a sua colocação e atuação na sociedade, pois também ultrapassamos o período em que a superproteção era a única forma de atenção as pessoas consideradas deficientes (TEREZANI et al., 2009).

 

            Sendo assim, esse trabalho promoveu uma intervenção com crianças na faixa etária de 7 a 12 anos, com propostas de atividades motoras inclusivas, isto é, desenvolvendo um programa de prática pedagógica em esportes no Centro de Qualidade de Vida da UNIMEP e propiciou o trabalho conjunto entre os profissionais de Educação Física e Psicologia, em momentos de inclusão, em aulas de Educação Física do Colégio Piracicabano. Esse estudo foi realizado tendo como base os pressupostos teóricos da Educação Física, envolvendo também o profissional da área de psicologia, numa participação conjunta, tendo com o objetivo a sistematização do conhecimento e o entendimento desses seres humanos, portadores de Síndrome de Down, para que a diferença biológica não seja fator limitador do crescimento dessas pessoas, no seio da sociedade, impedindo-as de viverem dignamente junto dos seus pares (TEREZANI et al., 2009).

 

            Ao final do trabalho podemos concluir que atividades motoras de inclusivas tentem a beneficiar todas as crianças, isto é, para os portadores de Sindrome Down fica evidente o seu desenvolvimento frente à convivência com as demais crianças e, para as outras crianças fica claro a importância de aprender a experiência de conviver com as diferenças. Os valores presentes nas aulas são absorvidos por todas as crianças o que nos leva a acreditar numa sociedade mais justa e digna, do ponto de vista da igualdade social (TEREZANI et al., 2009).

 

 

4 CONCLUSÃO

 

            Considerar uma pessoa diferente ou com defeito hoje só por que ela apresenta algum tipo de necessidade especial é inadmissível, pois, vivemos atualmente numa sociedade de inclusão, é pelo menos o que todos deveriam pensar. O fato de uma pessoa possuir alguma necessidade não a torna diferente, pois, afinal o que é ser diferente? Não somos todos de certa forma diferentes? Cada um não é único, com seus costumes, gestos e ações? E isto de certa forma não nos exclui da sociedade, por que afinal devemos então excluir as pessoas de apresentam necessidades especiais por algum motivo?

           

            A escola é o espaço no qual devemos criar esta inclusão, é o primeiro sistema social onde a criança aprende a conviver com os outros. Caso a criança apresente alguma deficiência, mas, passa a conviver com as demais ela se sentirá parte desta sociedade indiferente da sua deficiência, desta forma, ela não se sentirá excluída do sistema, é óbvio que para cada deficiência deva existir um estrutura por trás para permitir a esta criança um bom convívio com os colegas e que possa dentro das suas limitações adquirir conhecimento. Desta forma, o poder público deve investir mais em estrutura física e de pessoal nas escolas para atender a demanda. Mas para isso, os preconceitos devem ser derrubados, primeiramente pelas escolas e até mesmos pelos pais que muitas vezes escondem seus filhos achando que deixando eles em casa ou freqüentando escolas especiais estará fazendo um bem a eles. Cabe a cada um de nós fazermos a nossa parte para derrubar preconceitos e permitir uma sociedade mais inclusiva.

 

 

5 REFERÊNCIAS

 

JURDI, A. P. S.; AMIRALIAN, M. L. T. de M. A inclusão escolar de alunos com deficiência mental: uma proposta de intervenção do terapeuta ocupacional no cotidiano escolar. In: Estudos de Psicologia, Campinas, 23(2), 191-202, abril - junho 2006.

 

NASCIMENTO, Luciana Monteiro. Educação Especial. Indaial: Ed. ASSELVI, 2007.

 

TEREZANI, O. L.; GAIO, R. C.; CABRAL, E. DA C.; COLPAS, R. D.; PORTO, E. T. R. Para além do estar junto, o estar com: uma experiência em educação física  inclusiva. Disponível em: . Acesso em: 08 jun. 2009.

 

VELTRONE, A. A.; MENDES, E. G. A inclusão escolar sob o olhar dos alunos com deficiência mental. In: Congresso de Pós-Graduação, 4., 2007, São Carlos. Anais de Eventos da UFSCar, v. 3, p. 1695, 2007.

 

 
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Revisado por Editor do Webartigos.com


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