Com o passar do tempo e com as experiências acumuladas você passa a se preservar mais também. Isso é fato e de certa forma uma dádiva. Poder pensar mais em si sem ter que se entregar às efêmeras promessas de felicidade. E você aprende e aceita a não ter que se socializar o tempo todo. Não é o fim, não é uma condição triste, muito menos é a vitória da solidão. É sim a dádiva de prestar mais atenção em si. Já que com essa correria maluca dos dias mal se tem tempo para “olhar-se no espelho e perguntar como está”. Essa experiência pode parecer “caretice”, pode parecer “velhice precoce”, pode parecer qualquer coisa que desagrade aos outros, mas a verdade é que não se obrigar a fazer algumas coisas e a ser quem você não é mesmo, isso te faz melhor por dentro, embora por fora pareça que é vida desperdiçada (e como dói te julgarem pela aparência do dia – afinal não se está bem todos os dias, não é mesmo?). E com isso, não há nada a ver, pois seus valores ficam mais sólidos, sua conduta mais correta e sua transparência como pessoa mais evidente. Isso não vale nada para os outros, mas tem que valer para você! Então, sinta-se desobrigado a ter que fazer coisas que não faria se não precisasse conquistar pessoas, ganhar confiança e ter que ter alguém ao teu lado. Isso tudo é aprendizado para você, portanto, aprenda que não importa o quanto você faça, o que vale é quem você consegue ser para o outro. E se mesmo com o passar do tempo o outro não notar quem você tem sido de verdade, há apenas que se preservar mais e mais. Preservando-se acabará criando novas possibilidades de felicidade, talvez não tão efêmeras quanto àquelas de antes, mas quem sabe mais eternas como àquelas de que necessita. Aceitar isso antes de qualquer um é essencial para não sofrer quando chegar o final das coisas. O final da faculdade, o final de um trabalho, o final de um ciclo, o final de um namoro, o final de um flerte, o final de semana... Enfim, o sofrimento não terá que ser aceito se você aprender a tirar dos “finais” da tua vida algumas lições tênues como utilidade, significado e esquecimento. Se ao final tornou-se inútil (o que é normal – sem ter nada de interessante a dar ou oferecer), não sofra se o significado não ultrapassou esta barreira, se o esquecimento tomou conta. É porque não teve qualquer significado! Muito menos ainda especial... Apenas siga, apenas viva e apenas aprenda... Desobrigue-se disso, não carregue um peso que não é teu. Claro, com mais cicatrizes e menos esperanças aprenderá a se preservar, a não ter que socializar a todo instante e a viver suas coisas, sua vida e tudo mais que o cerca... Com simplicidade, mas com utilidade para você (e tenha certeza que a vida te lembrará disso algum dia)...

 

Com vídeo da música Só agora – Pitty – http://www.youtube.com/watch?v=xk_JzZ7ZTSI