Há várias formas de fazer a dor passar. Cada um de nós sabe bem onde o coração aperta, onde a alma dói, qual o peso da nossa cruz, e por isso mesmo somos responsáveis pela forma de transpor nossa própria dor. Se nós buscamos distração na vida escrevendo (até para poder suportar muitas vezes), somos cobrados pelo preço da publicação – faz parte das regras do jogo. Vamos escrevendo nossas histórias – cada um de nós tem a sua. Algumas histórias com títulos já esquecidos, outras com palavras erradas postas na hora mais inadequada, enfim... Nós vamos entorpecendo as outras pessoas e chegam vezes que nem sabemos o que estamos buscando. Por fim dá nisso: “o acúmulo de muita coisa dentro de nós”. E nem tudo que guardamos é lixo, mas poucas lembranças nos fazem sentir seguros. Necessitamos reciclar, reconstruir, recomeçar, dar novo significado... Seja lá como chamamos esse turbilhão de sentimentos que queimam por dentro. Por isso nosso olhar é triste (embora haja muito brilho e carinho por trás dele), nosso silêncio é enigmático (porque não conseguimos ainda falar “eu te amo”) e nosso corpo é o filtro da nossa dor (por isso pesa em alguns dias). Já as pessoas fogem e se escondem do nosso convívio. Preferem “deixar estar” ou “deixar ir” ao invés de lutarem junto, a favor, ou por nós. Nós buscamos o que ainda não experimentamos. O amor e o livre arbítrio de escolher sermos dessa forma: imperfeitos, incompletos, mas acima de tudo, insubstituíveis para conseguirmos transpor a nossa dor. É um jeito que encontramos para viver com mais leveza e serenidade, arranjando força sabe-se lá de onde para nos encontrarmos como pessoas que no fim, somente pedem (e nós não temos vergonha alguma disso)... De pedir para serem amadas e respeitadas.

 

Com vídeo da música Call Me When You’re Sober – Evanescence – http://youtu.be/shugenhdviM