RESUMO

Por meio da apresentação das continuidades e rupturas da obra de Heródoto diante da tradição, da narrativa da exigência de inteligibilidade e visão sobre a fragilidade da memória em Tucídides e de uma breve reflexão acerca dos rumos da historiografia latina a partir do século I a.C., o presente trabalho propõe investigar a historiografia grecoromana desde sua fundação e até o início da era cristã, quando grandes historiadores latinos se destacaram pela grandiosidade de seus escritos, num apanágio de nomes que se comparam aos mitos historiográficos de séculos antes, como Heródoto de Halicarnasso e o próprio Tucídides. PALAVRAS-CHAVE: HISTÓRIA; MEMÓRIA; HISTORIOGRAFIA; GRÉCIA; ROMA. 3 1. INTRODUÇÃO As questões propostas são demasiado interessantes. Afinal, trata-se da análise da obra de dois dos maiores historiadores de que se tem notícia: Heródoto de Halicarnasso, sobre cuja obra se fará uma síntese a respeito de suas respectivas continuidades e rupturas diante da tradição, e Tucídides, em relação ao qual se dissertará sobre a exigência da inteligibilidade e a visão sobre a fragilidade da memória, além de uma análise bem detalhada a respeito da antiga historiografia latina a partir do século I a.C. Tais escritos datam de milênio, razão pela qual é tão interessante sobre eles estudar e escrever, eis que se trata de documentos históricos importantíssimos para a compreensão do período da Antiguidade, incluindo o próprio nascimento da História, com Heródoto de Halicarnasso. É com este último que se iniciará esta exposição. 2. CONTINUIDADES E RUPTURAS DA OBRA DE HERÓDOTO DIANTE DA TRADIÇÃO Primeiramente, cabe perguntar quem foi Heródoto. Nascido em Halicarnasso, em 485 a.C., destacou-se no mundo literário quando escreveu o clássico “As Histórias de Heródoto”, sobre o conflito surgido entre a Grécia e a Pérsia, no século V a.C. Dita obra foi publicada entre 450 a.C. e 430 a.C. (DE HALICARNASSO, 2006). Ocorre que, até o advento dos escritos de Heródoto de Halicarnasso e, especialmente, de suas “Histórias”, restava dominante uma antiga forma de leitura historiográfica, caracterizada pela poesia de transmissibilidade oral, cuja forma de descrição de fatos remotos, e, até então e por isso, impossíveis de comprovação, era limitada apenas pela necessidade e verossimilhança dos acontecimentos em evidência, de acordo com a imaginação do autor. Daí o nascimento dos mitos e heróis, cujo passado deveria ser seguido.