Este texto não tem a intenção de contar nada além de uma história. Pode ter sido vivida, vista, ouvida, sentida, não importa. Como um “Forrest Gump”, as histórias devem ser contadas para que as pessoas saibam da sua existência, do que aconteceu, do que aquelas personagens fizeram, sentiram, viveram, sofreram... Esta história em particular é para você tentar salvar o que resta do teu relacionamento. Casamento, namoro, amizade. É para você aprender como se reclama da vida, que a vida não te dá outras oportunidades, a não ser se prostrar no corriqueiro e banal de todos os dias. Então, um dia, a vida faz cruzar no teu caminho alguém diferente. Na forma, na essência, mas principalmente, no caráter, no respeito e no amor verdadeiro que sempre demonstrou em palavras, gestos, olhares... Então, você se permite viver essa fantasia de novamente ser desejada por um homem, mas desejada com muito tesão, paixão, romantismo, ternura, até loucura. Afinal, independente da idade ou do que já viveu, o amor sempre pode dar certo, se assim você permitir. Sim, porque ambos se perderam na loucura de esquecer-se... Pelo menos nos instantes que passaram juntos, ambos perderam-se no encanto e na magia de um sentimento sim, verdadeiro sim, espontâneo sim, desejoso de felicidade. Mas com o tempo, aquele que cruzou o caminho quis mais – na vida a gente um dia tem que aprender que não adianta querer mais de alguém, se esse alguém não quer mais nada de você. Com o passar do tempo percebeu-se que para ela você servia como uma válvula de escape para que a rotina não a matasse definitivamente. Eram mais palavras e confissões – quase que um monólogo. Os beijos já nem existiam... Então, percebeu-se que a sua utilidade (maldita utilidade) estava no fim... Você até procurava, tentava, mas a indiferença, o “desvio de chamadas”, as tentativas frustradas foram evidenciando que você já não servia para mais nada... Amizade? Não... Isso ao menos você aprendeu. Um amor mal resolvido não pode se tornar uma amizade verdadeira. Seria hipocrisia, mentira e aí sim, desrespeito. Agora, não optar pelo fim para não sofrer ainda mais (mas só você sabe o quanto doeu aquela atitude), isso foi mais uma autoproteção do que qualquer coisa que ela quisesse pensar ou dizer. Ela voltou para casa, sabe-se lá como, pois a distância física ainda vai durar, mas talvez ela tenha entendido que era melhor tentar salvar o que restava do casamento dela, ou aquilo não faria sobrar nada dela mesma. Ou que deveria tomar a definitiva ação de separar-se, de romper esse laço já gasto pelo tempo. Tudo que ela sempre falou em fazer enquanto estavam juntos no carro, no parque, no almoço onde ela recebeu flores (ficou sem graça é verdade), naquele dia no cachorro quente, na praça onde foi dado o primeiro beijo (o gosto ainda é sentido)... Essa parte final da história é que é triste, porque não houve final feliz. Ele deixou cair sobre os próprios ombros tudo que estava corrigindo, arrumando, consertando. O peso foi insuportável, o estrago foi grande (por isso teve um final de ano intempestivo, mas foi pontual em cortar laços que o fariam sofrer mais)... A lacuna no peito é imensa, tal qual é imensa a saudade dela... Mas isso um dia vai passar, pois um dia a saudade deve passar, porque talvez um dia a saudade passe...

Escrito por Johney Laudelino da Silva no dia 07/01/2013

Hanson – Save Me – http://youtu.be/gansjJzp5wg