Não há cuidado no mundo que possa te socorrer a esta sensação de solidão. E não é somente a solidão de não ter alguém ao teu lado, não... É aquela sensação de se sentir incompreendido diante do teu coração e oferecendo teus melhores e mais lindos sentimentos. Por tudo que fez, mas essencialmente por quem você foi mais uma vez... Doando tua melhor parte, dedicando teu mais transparente sentimento... Mas parece que faltou respeito a quem você foi, quem você tem sido, e por isso mesmo não sabe ao certo quem você será... Esta condição tão esquecida, deixada de lado: respeito! É algo que parece não valer nada hoje em dia. Respeitar é ser “fraco”, é ser “tolo”, é ser até mesmo “idiota”... Respeito anda em falta nas prateleiras do coração, anda em falta na (ainda) capacidade do amor que você possui... Por isso mesmo há tanta solidão, porque não há respeito que preencha os vazios deixados pelo jeito fútil e inútil que as pessoas te tratam (você se torna de uma inutilidade muito facilmente e não tem sobrado qualquer significado)... E assim as pessoas se tratam, e por orgulho besta e infantil não se retratam. Às vezes até matam o que há de bom, ou que poderia dar frutos bons. E por falta de respeito há tanta gente desistindo de tanta coisa na vida. Não adianta respeitar e ser retribuído com incompreensão, indiferença, imaturidade e falta de percepção dos sentimentos dos outros (e a desistência é um processo natural do desânimo diante de tantas formas erradas – para não falar do pouco conteúdo). Enquanto houver essa falta de respeito mútuo entre pessoas que parecem viver cada um em seu mundo, certamente essas sensações de solidão, de “imperceptível e crescente depressão”, serão mais constantes, até que se tornem corriqueiras e banais... Até o ponto de tornar o belo em feio de verdade, e que essa falta de respeito não torne o tempo em muito tarde...

 

Com vídeo da música A Via Láctea – Wagner Moura – http://youtu.be/CG4OdI_xdl4