Em coautoria com Jade Suelen Silva Vaz

O que seria autoestima? Nos tempos atuais, é um assunto extremamente discutido nas redes sociais: Facebook, Twitter, Instagram, Tumblr, YouTube, WhatsApp, entre outros. É até interessante observar como no mundo pós-moderno nós expressamos como nos sentimos em relação ao nosso “eu”: os famosos “Memes” são os exemplos mais comuns dessa nova forma de expressão (nada mais são que a capacidade de propagação de informação, conforme o termo criado por Richard Dawkins, em seu livro de 1976, The Selfish Gene ou O Gene Egoísta); eles, por meio de imagens consideradas engraçadas, irônicas ou depreciativas, relatam, via internet, a “necessidade psicológica de autoestima”, pois evidenciam a forma como nos vemos. Como? Já explicamos.

O termo “autoestima” se origina do termo grego “autós”, ou “ a si mesmo”, mais a palavra latina “aestimare”, isto é, “valorizar, apreciar”. Então, pessoal, podemos concluir que é uma ação consciente/inconsciente: valorizar/apreciar a si mesmo. O que não é uma tarefa muito fácil, se levarmos em conta toda uma experiência de vida, já que é comprovada cientificamente que no processo de gravidez temos influência na formação cerebral, no que diz respeito à nossa personalidade, conforme Domingos Mantelli, especialista em ginecologia e obstetrícia, estudioso em neurolinguística. Em tempos líquidos (lembremos-nos de Bauman), notamos que a maioria das pessoas usa grande parte da dádiva diária que lhes é concedida com o uso – por vezes desmedido e exacerbado – em redes sociais por intermédio de smartphones, tablets e notebooks.

Com o advento da tecnologia e consequente globalização, beira o impossível notar algum indivíduo que não faça uso diário de pelo menos algumas redes sociais em seu tempo livre. A aparência é a alma do negócio, estar é tudo: um grande exemplo disso é a Youtuber Rawvana, em 03 de março de 2019; ela, em 2013, viralizou com seu estilo de vida crudivegano, porém a mesma foi fotografada comendo filé peixe (este escondido na fotografia), quando estava de passagem em Bali, na Indonésia. Após o ocorrido, Yovana (nome original) se desculpou com os fãs, alegando modificar sua dieta por problemas de saúde. Se a mesma conta a verdade diretamente aos fãs, quantos seguidores e publicidade perderia e, quiçá, seu ganha-pão?

As redes sociais não são só beleza: são como shoppings, nos quais imergimos, mostrando o nosso melhor nas vitrines ou naquilo que consumimos; tentamos ficar/nos mostrar felizes, perdemos a noção do tempo e quem não está ali é sinônimo de “inexistência”.

Há quem tenha autoestima elevada e, mesmo com as dificuldades da vida, consegue mantê-la nesse estado. De acordo com Dina Patrícia, esta seria a “Autoestima Verdadeira”, aquela que “não precisa de validação contínua...”. Mas quem tem baixa autoestima, ou se deparou com ela em algum momento, tem tendência a se depreciar de diversas formas, pois se sente inadequado e/ou incapaz de atingir auto-satisfação; é visível que boa parte das pessoas depende de acontecimentos para positivar ou negativar a sua autoestima, já que não olha a si próprio como importante o suficiente, valorizando exacerbadamente outras, as colocando em um pedestal, como uma vida a ser inalcançável.

Notamos que o Facebook se alastrou em escala global, assim como citado na obra VIRAL LOOP, do autor Adam Penenberg, e muitas pessoas fazem uso desta rede de relacionamentos. As fake news, em eleições mundiais recentes, passaram a ser difundidas nesse meio virtual e as pessoas usam tais informações sem embasamento como “verdades absolutas” e passaram a crer nesses meios de informações como norteador de conhecimento – muitas das vezes sem pesquisar a fonte de tais conhecimentos. Paralelo a isso, podemos recordar das ferramentas que se utilizou o ex-presidente norte-americano Barack Obama para mover uma legião de seguidores nas eleições em que conquistou a presidência do país. Ele interagiu por intermédio das tais com seu eleitorado e contava ainda com um site para expor propostas, conforme apontado nos livros sobre a campanha até atingir a presidência estadunidense.

Ainda por parte dessa rede, convém explicitar que a exposição exacerbada, esta se tornou foco de tal meio, pois alguns usuários fazem uso exagerado de “stories” e expõem seu cotidiano de maneira a tentar propagar uma felicidade em troca de “likes”, sem necessariamente estarem sempre naquele estado de espírito. Doenças psicossomáticas como depressão e ansiedade podem estar assolando tais seres, ou mesmo somente a baixa autoestima, mas o desejo social de ser bem visto e aceito faz com que a relação – quiçá tóxica – com essa rede social se mantenha de modo a sempre “vender” uma felicidade virtual que não necessariamente está presente no meio real.

O Twitter por sua vez promove uma interação mais direta e rápida entre anônimos e celebridades graças a algumas funções próprias a esta ferramenta tais como “follow” e “topics/trend topics”. O contato direto e o limite de caracteres por postagem torna-o uma ferramenta mais rápida e de propagação instantânea de diálogos e de pessoas que desejam interagir sobre determinados assuntos – similar ao que ocorria em ambientes comuns no século passado tais como botequins, cabeleireiro ou na calçada da rua com os vizinhos a noite.

Já o Instagram, por sua vez, é uma rede social voltada para quem curte tirar muitas fotos. Sua origem vem do inglês “Instant Camera”, ou seja, a fusão entre as palavras “Câmera” e “Telegrama”, em que as fotos são postadas geralmente no momento em que são tiradas pelos usuários, vivenciado por estes. Interessantemente, quem faz uso dessa rede social simula a vida perfeita que deseja ter, por meio da beleza e felicidade aparente, para que ninguém saiba a realidade de suas vivências.

 E os excessivos “status” não seriam formas de suprir a necessidade afetiva de atenção? (claro, exceto aqueles que trabalham por meio da rede, precisam fazer seu marketing, sustentar-se).

No Tumblr, vemos postagens curtas (e também longas, cunho de desabafo, até), fotos, vídeos, GIFS, etc. Essa rede social nada mais seria que uma espécie de “caimento”, “tombagem” das informações com as quais os usuários se identificam ou mais gostam. É perceptível que existe uma “onda depreciativa” ou mesmo depressiva: quem usa de tal ferramenta geralmente faz postagens sobre sentimentos são voltados à raiva, tristeza, melancolia; claro, os memes de cunho engraçado são parte desse meio, mas em menor escala. Em 16/11/2018, o site saiu do ar por acusações de pedofilia e retornou no dia 17/12/2018, banindo pornografia de seu conteúdo; porém o mesmo perdeu 29% das visualizações, isto é, cerca de 84 milhões de acessos. A frase “tudo que é proibido, é mais gostoso” caberia neste caso? Isso reflete na verdadeira face do que é ser humano?

Já a “referência de vídeos” que se tornou o Youtube é outra ferramenta da web muito acessada pelas grandes massas como forma de entretenimento ou de visualização de conteúdos musicais e novos lançamentos de mercado. O retorno do programa O APRENDIZ, agora na rede Bandeirantes, com Roberto Justus, às segundas; vemos que os Youtubers (Influencers Marketing) são foco no seu corpo de candidatos ao prêmio do reality show, já que o tema está “em alta”, o que faz com que os seguidores dos concorrentes assistam ao programa (Marketing Indireto?). Cabe ressaltar que recentemente tutoriais tomaram conta deste nicho de maneira que anônimos foram alçados ao posto de celebridades por alcançarem marcas expressivas de seguidores. Estas pessoas – chamadas “youtubers” e quiçá “influenciadores digitais” passaram a ser dotadas de poder para nortear ações e padrões que a massa deseja consumir para ser bem aceita no meio social que desejam agradar.

Whatsapp: “o que está rolando?”, mais especificamente (“What’s up”). Nada mais seria que um bate-papo de serviço integrado, onde as pessoas trocam informações, e, em demasia, as famosas “Fake News”, pois não verificam a veracidade dos conteúdos compartilhados (estas em que os desenvolvedores do aplicativo estão criando uma ferramenta contra esse mal), além do famoso “bom dia” nos grupos, atitude esta que muitos reclamam sobre. Os “Status” (iguais ao do Instragram, com duração de 24h) que são grande questão para falar sobre autoestima: por que o excesso? Qual mensagem queremos passar ao mundo com eles? O que nos falta?

Voltando aos Memes, eles têm papéis interessantes em todas as redes aqui citadas, pois estão diretamente ligados aos tipos de autoestima: DEFENSIVO, IMPLÍCITO, CONTINGENTE, VERDADEIRO, INSTÁVEL E ESTÁVEL. Contudo, os que mais abrangem esse assunto são os que estão ligados ao que é defensivo, implícito, inconsciente e contingente, devido ao fato de, alguma maneira, restabelecerem a manutenção dos sentimentos expressados ou abafados. Basicamente, os Memes, de modo descontraído, revelam a profundidade da situação psicológica de quem posta: seja por status ou por necessidade mental da postagem, entendemos que essa é uma nova ferramenta de expressão do mundo pós-moderno.

Não podemos esquecer que as “selfies” que postamos também podem mostrar o nosso nível de autoestima. Presume-se que quem posta muitas fotos é quem quer demonstrar uma vida que deseja ter e não a que a fotografia ilusoriamente mostra.

Por que queremos transmitir “felicidade eterna” aos outros? Seria um mecanismo de defesa (sentimentos positivos de autovalorização, mas que internamente concretizam como negativos)? Isso nada mais é que deixar o olhar do outro nos corromper, para que sejamos o que eles querem e não o que realmente somos.

O aspecto psicossocial é de muita importância nesse quesito, porque muitas vezes duvidamos da nossa capacidade/habilidade a partir da ótica alheia sobre isso. Quantas vezes, por exemplo, não mudamos de roupa porque alguém disse que não “estava tudo isso”? Ou excluímos uma “selfie” que gostamos, mas que não tiveram tantas curtidas quanto gostaríamos? E quando filmamos um acidente e não ajudamos o acidentado, esperando que um/a herói/heroína os regaste, para que registremos este fato? Conclusão: vivemos sob um “medidor de autoestima” constante.

Bauman reflete sabiamente que as redes sociais são armadilhas. Concordamos, obviamente. Porém, segundo Michel Serres, na obra Polegarzinha, com o advento da internet, houve uma democratização do acesso ao saber, que se encontrava, metaforicamente, “nas mãos dos professores”, o que é uma verdade indiscutível; fora isso, existe maior visibilidade de pessoas não famosas, os anônimos, que têm a oportunidade de mostrar as suas vozes. Mas qual o limite da internet? Como ela reflete positiva e negativamente em nossas vidas? Por que precisamos nos autoafirmar o tempo todo? Há uma vida lá fora que é difícil ser vivida, nisso temos que concordar, e os Memes, por exemplo, nos distraem dela, mesmo que ela seja pauta mor por meios de críticas e piadas.

O que está além de celulares, tablets e computadores? O que, de fato, precisamos para sermos felizes?