É sem dúvida a derrota mais doída de todas. Perder para si mesmo... É quando você erra e não aprende com o que passou, e pior, comete o mesmo erro, mas de forma mais grave. Perde mais pontos na carteira e perde um pouco da própria dignidade. Isso torna o erro mais grave, pois uma coisa é você errar a primeira vez, outra coisa é você depois disso cometê-lo de novo, ou seja, você se torna o próprio erro. Isso é triste, frustra, dói demais... É uma situação em que você se olha no espelho e não reconhece aquela imagem refletida que nada mais é – ou lhe parece ser – um remendo de gente, uma caricatura humana, um lixo de pessoa... Mas e aí, é o fim? Magoar aos outros de novo, torna você um infeliz derrotado que não pode mais ser olhado por ninguém? Olhado só se for com olhos de predileção, pois de julgamento já basta! Talvez você ainda possa e consiga superar a barreira da própria condição imunda em que se meteu... Inútil é desperdiçar tanto talento em detrimento de tanta solidão – o que é um paradoxo. De repente você apagou todas as luzes da tua vida e do teu caminho. De repente você mesmo foi se ofuscando por estar sendo quem você nunca quis ser, mas que a vida conduziu para ser assim. De repente você está afastando os outros porque não tem competência humana, falta capacidade emocional, equilíbrio, falta recompor e entender-se. Talvez você precise refazer alguns caminhos incompletos para não ficar delirando em uma sessão de terapia onde você é terapeuta de si mesmo. Depois da dor, só o tempo mesmo para fechar as feridas, cicatrizar – ainda que superficialmente. Perder-se... Perder para si... Perder aquele abraço, aquele olhar, aquele sentimento, perder aquela amizade... Sem dúvida, a derrota mais doída de todas... E como dói...

 

 

Texto escrito Johney Laudelino da Silva em 13/11/2012.

 

Com vídeo da música Iridescent – Linkin Park http://youtu.be/YB-k8K__ijI