“Podemos até negar para nós mesmos, mas todas as vezes que nos vemos nossos olhos nos denunciam. O sorriso vem fácil... Logo aquele sorriso que tanto demorou para ser dado hoje, pois tivemos um dia daqueles. Mas somos vítimas dos nossos corações e cúmplices das mesmas situações. Claro que por uma daquelas inexplicáveis coisas da vida não estamos juntos no mesmo caminho, mas temos estado presentes no mesmo sentimento. Cada um tem trilhado sua própria história de vida, fazendo suas próprias coisas, mas o destino reserva algo especial lá na frente. Que incoerência não é mesmo!? Esperar chegar lá, e perder o que está aqui, tão perto de nós... O que mesmo nos impede de sermos anjos e guardiões de nós mesmos? Qual a maior barreira senão nossos medos, frustrações, decepções de outrora? Mais uma vez não sabemos dizer... Nosso silêncio fala mais alto. Nossos olhos conversam entre si. Naqueles momentos de incerteza quando apenas nos olhamos sem dizer uma só palavra. E sobre o que falam nossos olhos, se nós, tão entretidos nas nossas “cotidianas vidas” sequer damos ouvidos aos nossos corações? Difícil explicar, mas dá para entender que pessoas tão diferentes, mas que tem um sonho em comum (para muitos incomu), respeitem suas dores, reservem-se nas suas casas e chorem nos seus travesseiros... De tudo isso ficam várias dúvidas e uma só certeza: a de que quando nos vemos, olhamos mais que para uma pessoa conhecida, mais que alguém que está ali para trocar e-mails conosco, mais do que alguém que está ali somente para “ajudar” (o que é muito, diante do tão pouco que recebemos na vida)... Quando nos vemos, vemos nossa felicidade, mas então por que não aproveitamos ela? Talvez porque ainda não estejamos preparados... Não seja ainda a hora certa... Não sabemos, mas hoje vamos dormir melhores do que quando acordamos, pois nós nos vimos. Isso não acalma nossos corações, não refresca nossos desejos e não alivia nossa solidão. Traz mais uma dúvida: somos nós, mas quando será?”