Permita-me hoje acolher você... Permita-me suportar com doçura a tua desconcertante inutilidade... Permita-me acolher você ao meu colo, embalar sua cabeça, mexer com teus cabelos, fazer-te sonhar como se não houvesse mais nada com que se preocupar... Permita-me ser para você, pois já não consigo fazer nada do que você precisa (sou inútil demais)... Mas permita-me cuidar do teu “guarda-roupa” cheio de desordens... Permita-me olhar para você com um olhar fascinado por tamanha beleza, simplicidade e por ser tão carinhosa comigo... Permita-me entrelaçar sua mão à minha, permita-me me entrelaçar na tua vida como se nos tornássemos um só, um nó de gente amarrados pelo amor que foi deixado, cultivado e está costurado no teu coração... Amor que Deus esqueceu no mundo e é visto de perto, refletido nos teus olhos... Permita-me enxugar suas lágrimas, causar um único sorriso no teu dia, e quem sabe assim, eu mesmo possa me permitir que você entre na minha inutilidade humana... Pois eu não tenho servido muito para ninguém, não sobrou muita coisa de quem eu fui e das coisas que fiz... Permita-me que seja feliz... Sim, ao teu lado eu serei feliz, desde que você me permita amar-te como a nenhuma outra pessoa eu quis... Permita-me sentir amor por você... Permita-me, a mim, ao menos na tua vida permanecer para que em outro instante qualquer eu me permita parar e cessar esse “sofrer” que é mais perder do que vencer... Permita-me viver... Tentar ao menos reverter os poderes do tempo... Sem essa angústia na alma e sem essa expressão fechada de quem já não se permite tantos sonhos e nem se permite ter esperança... Por isso, permita-me a despedida, não dessa vida, mas desses pensamentos indevidos, dos choros futuros, dessas dores constantes e medos tão delicados... Enfim, permita-me que eu faça um velho começo desse novo fim...

 

 

Texto escrito Johney Laudelino da Silva em 13/11/2012.

 

Com vídeo da música Motivos Para Recomeçar – Fábio de Melo http://youtu.be/0xjisqKFeDM