O presente artigo apresenta o movimento ativista de base feminista denominado de “Ondjango Feminista”, formado por mulheres negras em Angola, país situado no continente africano. Tal movimento, surgido no ano de 2016, apresenta uma série de propostas que visam mitigar os casos de violências sofridas pelas mulheres angolanas no cotidiano. Para que a ação social seja mais eficaz e mais acessível, as fundadoras utilizam de algumas ferramentas importantes, a exemplo das redes sociais, a fim de colher denúncias de violência e maus-tratos contra a mulher. Embora considerado recente, o Ondjango tem obtido consideráveis resultados, mesmo enfrentado forte repulsa do machismo, do patriarcalismo e do preconceito impregnado na sociedade angolana.

INTRODUÇÃO

Com variados objetivos, causas, demandas e reivindicações de naturezas política e social, os movimentos sociais, de modo geral, são fundamentais para a nossa sociedade. Eles surgem geralmente quando há necessidade de defender algo e, principalmente, quando o Estado se mostra ineficiente. Tal como vimos nos textos trabalhados em sala de aula, movimento social pode ser identificado mais facilmente a partir de um contexto onde um grupo de pessoas, por exemplo, se reúnem a fim de alcançar determinados propósitos, seja de apoio ou contrário ao governo, seja para manter algo(conservador), seja para transformar, revolucionar, entre outros. Quando determinado movimento social contraria ao governo e/ou grupos, o conflito é quase que inevitável, porém existem movimentos que de certa forma estão vinculados diretamente com a máquina estatal. Ou seja, para que um movimento de ordem social seja considerado como tal não necessariamente deve estar em relação de conflito com o próprio Estado, até porque este é uma organização política. Outro ponto importante sobre essa relação que ocorre entre Estado e movimento sociais se refere à representatividade. Para ilustrar este processo de representatividade, trago aqui uma dinâmica muito interessante que ocorreu em sala de aula na disciplina de Estado e movimentos Sociais da seguinte forma: a docente solicitou que os discentes formassem dois grupos, um em favor do vinculo do movimento social com o Estado, enquanto que o outro contra. Depois de formados e tendo estabelecendo as regras, os grupos deram inicio ao debate. Os que saíram em defesa tiveram diversos argumentos, mas o argumento de mais destaque foi no sentido de que para um determinado movimento consiga alcançar qualquer objetivo é necessário que este esteja representado na conjuntura política. Por outro lado, o grupo contrário expôs que criar vínculo com o Estado traria uma série de riscos e até a perda de sentido social para o próprio movimento. Como se pode ver com a dinâmica apresentada acima, os movimentos sociais muita das vezes são processos complexos e até mesmo contraditórios, a meu ver o diálogo é um elemento fundamental e que deve ser mantido com o Estado, porque queira ou não estamos inseridos nele, mas como sabemos cada movimento tem sua 4 especificidade e adota suas táticas para reivindicação de algo que às vezes ocorre com o uso da violência e do conflito armado. [...]