INTRODUÇÃO 

            Nossa sociedade atualmente comporta um estilo de vida com valores centrados na racionalidade técnica científica. A qualidade de vida inclui a busca e pratica por atividades corporais que auxiliam na manutenção da saúde. Entretanto, conquistar esse objetivo requer mais do que simplesmente se movimentar ou praticar esportes e ter uma dieta alimentar saudável. É necessário que as práticas abarquem o indivíduo de uma forma holística, satisfazendo-o em seus aspectos emocionais, afetivos, racionais, imaginário, físico-motor, e outros que compõe essa totalidade (FERREIRA; ASTONE; PINHEIRO, 2007).

            A meditação está entre as práticas buscadas entre muitos indivíduos. Percebe-se que a divulgação do assunto por revistas, jornais e outras mídias despertam cada vez mais interesse popular. O número de adeptos da meditação vem crescendo nos últimos anos (KOZASA, 2006).

            Nos dicionários a definição de meditar é refletir, pensar. Porém, a prática possui um objetivo de se concentrar em um objeto observado e não o analisar, não pensar sobre nada. Em sânscrito meditação pode ser traduzido pela palavra dhyána, cujo significado também é o próprio estado de meditação. Apesar de muitas pessoas já terem ouvido falar, é fato que poucos sabem exatamente do que se trata, inclusive no Oriente. Meditar é uma técnica que objetiva expandir a consciência, a percepção e a lucidez (DEROSE, 2004).

            A contribuição da prática de meditação como potencial trabalho preventivo e de tratamento de inúmeras doenças e condições patológicas, principalmente crônicas e não transmissíveis, vêm sendo evidenciado crescentemente por inúmeros estudos científicos de cunho observacional e empíricos, sendo inseridos nessa gama de pesquisas, trabalhos com testes clínicos ponderados, randomizados e de metanálises. Esse efeito é explicado por dois quesitos: melhora da qualidade de vida e dos níveis de saúde; diminuição das condições danosas de estresse (DEMARZO, 2011).

Corroborando com o autor supracitado, Santos (2010), constata que a meditação, embora originada na civilização oriental e praticada há milênios com objetivo deaprimorar o autoconhecimento e a felicidade, somente recentemente veio receber o reconhecimento científico de sua utilidade para tratar patologias nas áreas da medicina e psicologia nos centros mais desenvolvidos do mundo ocidental.

Atualmente na cidade de São Paulo, a meditação é abordada como terapia complementar. Trabalhos como estes são inspirados pelos resultados obtidos em diversas universidades de grande impacto científico, entre elas Harvard, Stanford, Columbia, UNIFESP e muitas outras (KOZASA, 2006).

Em Harvard, Sara Lazar, professora de psicologia e autora sênior do programa de neuroimagens de Harvard, vem nos últimos anos estudando o efeito da meditação sobre o cérebro e alcançando descobertas muito relevantes, como o aumento da massa cinzenta em diversas áreas importantes do cérebro ligadas a diversos estados de atenção, humor e estresse (LAZAR, et al, 2016).

Como afirma DEROSE (2004), foi dentro do Yôga que a meditação foi criada, em contraste com as formas contemporâneas de meditação, ela não é praticada de forma isolada, mas em conjunto com todo o acervo de técnicas e exercícios pertencentes ao Yôga. O autor esclarece que sem as demais técnicas se torna mais difícil atingir o estado meditativo. Entende-se aqui que a concentração não é o exercício meditativo em si, mas uma preparação para que se consiga praticá-lo. Neste sentido a meditação é interromper a sucessão de pensamentos e suprimir as ondas mentais e a instabilidade da consciência.

Desde a origem das primeiras técnicas de meditação, que surgiram como parte de filosofias orientais, a meditação sofreu diversas variações e distintas formas de praticar. Entre elas o mindfulness, uma forma adaptada ao ocidente, é descrito por Cahn e Polich (2006) como uma prática de abertura, onde a percepção de estímulos se transforma em uma observação isenta de julgamentos e análises. É similar à meditação Zen, que tem em comum a restringir a atenção da mente à um único objeto observado. Ignorando quaisquer outros estímulos, o praticante busca manter o foco em uma atividade mental específica, como um som (mantra) ou uma imagem ou símbolo (yantra), ou ainda a própria respiração.

Compreende-se então que, através de metodologias variadas de meditação, tem se tornado praticável atuando até mesmo, nos quesitos mais árduos. Assim sendo, seja na utilização clínica ou na pretensão por momentos mais tranquilos com o intuito de revigorar as forças, a meditação, que iniciou muito antes da escrita, tem acordado a atenção da comunidade cientifica que vem averiguando sobre as áreas cerebrais que são estimuladas durante a prática e os benefícios conquistados a curto, médio e longo prazo. Na atualidade da história, em que a tecnologia tem desenvolvido notavelmente carregando consigo transformações em todas as áreas, os neurocientistas começaram a disseminar os resultados de suas pesquisas sobre este tema (ASSIS, 1995).

Conquanto essa instrumentalização seja um fundamental passo no caminho de compilar e normalizar a pesquisa da meditação, sem dúvida o seu campo de observação ainda está em andamento. Com isso, ainda há necessidade de estudos que clarifiquem alguns termos que perduram sem consenso por parte da comunidade cientifica, como as particularidades de cada estratégia e seus respectivos efeitos, o nível com que se distinguem e a repercussão proporcionada no efeito final da pratica em longo prazo. No entanto, até o momento atual, o que se entende é um vasto corpo de pesquisas que, mesmo não deliberadamente, incute alguma homogeneidade entre os efeitos das práticas meditativas (MENEZES; DELL’AGLIO, 2009).

A origem desta pesquisa foi inspirada tanto pela paixão sobre a meditação e todos seus efeitos já descritos por inúmeros praticantes, quanto pela percepção de que surgiu, recentemente, um maior interesse de cunho científico pelos seus resultados e pela aplicabilidade das diversas técnicas meditativas dentro das áreas da saúde. Tornou-se interessante fazer um levantamento acerca do nível de conhecimento que a ciência já alcançou sobre este assunto.

A problemática deste trabalho é: de que forma a meditação influencia positivamente na saúde de forma holística.

O objetivo geral desta pesquisa é conhecer os benefícios alcançados na saúde por meio da prática da meditação.

Nesta perspectiva, os objetivos específicos que nortearam o desenvolvimento deste trabalho foram:

- Identificar quais os tipos existentes de meditação e suas respectivas aplicações

- Verificar a eficiência da prática da meditação na saúde física;

- Apontar, dentre os achados científicos, quais os aspectos da saúde são ou podem ser influenciados pela prática da meditação.

Este trabalho se justifica principalmente por contribuir para que o assunto meditação seja mais amplamente discutido e alcançado por maior número de pesquisadores interessados no tema. Outra importância deste trabalho a ser destacada é a contribuição para que novos caminhos sejam abertos para a execução de pesquisas que relacionem a meditação com o bemestar e qualidade de vida, auxiliando no âmbito científico.

A contribuição social deste estudo se dá pela transmissão das informações aqui organizadas aos profissionais que podem abordar a meditação como instrumento para aprimorar diversos aspectos das pessoas com as quais trabalhe, observando obviamente sua área de atuação, mas contribuindo em diversos aspectos orgânicos e emocionais dentro de uma perspectiva multidisciplinar.

É, portanto, um assunto que pode contribuir significativamente na saúde prevenindo e/ou auxiliando no tratamento de doenças crônicas demonstrando que, a meditação poderá beneficiar o indivíduo em suas capacidades física, mental e emocional. Portanto, espera-se contribuir com esta pesquisa de cunho bibliográfico para um melhor aprofundamento do tema. Consubstanciando-se em uma defesa da prática da meditação como alternativa preventiva e/ou terapêutica aos indivíduos que buscam um estilo de vida salutar.

 

MEDITAÇÃO 

1.1 - O QUE É MEDITAÇÃO

 

            A meditação, cultuada há milhares de anos pelos povos orientais com fins de autoconhecimento e conquista da felicidade, atualmente é considerada, nas mais avançadas comunidades médicas e psicológicas, como técnica eficiente para tratamento de diversas doenças psicológicas ou orgânicas (SANTOS, 2010).

            Para muitas pessoas meditar é bloquear todos os pensamentos, anulando a função intelectual totalmente, porém quando se começa a praticar, percebe-se facilmente que isso é extremamente difícil. Portanto a meditação não é suprimir totalmente o pensamento, mas superá-lo observando com lucidez o que acontece ao nível mental (DAVICH, 2009).

            Por outro lado, para DeRose (2004), meditar é aquietar a mente, interromper o fluxo constante de pensamentos, de modo que se abre naturalmente um outro caminho de manifestação da consciência, o que poderíamos relacionar de certa forma com o estado de Nirvana pertencente ao Budismo.

            No decorrer de vários séculos a meditação foi utilizada por iogues, budistas, taoístas, xamãs e outros esotéricos. Na Índia, ela data de mais de cinco mil anos. Esses povos foram provavelmente os primeiros a investigar mais profundamente o lado interior de si mesmos, ou seja, o campo psicológico, sem instrumentos algum, apenas focando sua atenção.Pessoas de diversas religiões ou culturas não a utilizavam, entretanto, a meditação ou o yôga não são dependentesdealguma religiãoou filosofia. Observa-se grande confusão sobre o que vem a ser meditação. Muitos não entendem e relacionam a rituais monótonos estáticos, praticas religiosas orientais ou uma filosofia de vida.No entanto, qualquer indivíduo pode ser beneficiado com os efeitos positivos que a meditação produz. Sendo assim, não é exclusividade de um grupo, mas sim um instrumento para todos que desejam se conhecer melhor (CARDOSO, 2011).

            Para Dahlke(2007) meditar significa ir em direção ao centro, assim a própria palavra meditação carrega em si o sentido de caminhar em direção ao nosso interior. Há uma relação etimológica com a palavra medicina, que significar achar a medida certa, o ponto central. Na meditação busca-se encontrar uma unidade dentro do mundo de dualidades. Então os praticantes determinados neste objetivo encontram em seu interior aquilo que o impede de ser iluminado ou atinge a iluminação. Ponto que aproxima a meditação de objetivos da área da psicologia. Seguindo este ponto de vista, afirma-se que atividades cotidianas, como fazer música, pintar, esportes e outras podem levar a estados meditativos. Define-se iluminação como o estado onde o indivíduo está em contato e satisfação plena com o momento.

Segundo Santos (2010) a meditação consiste de uma prática com grande eficácia para se autoconhecer emocionalmente e auxilia no desenvolvimento do autocontrole das emoções e sentimentos. A meditação permite ouvir diversos sons, sensações táteis e de outros sentidos, incluindo lembranças de acontecimentos agradáveis e outros efeitos ligados às percepções sensoriais. [...]