GENEALOGIA DE HYGINO JOSÉ PEREIRA DA VACARIA: MIGRAÇÃO E SAGA DE SEUS DESCENTES 

 

1. ORIGEM DA FAMÍLIA PEREIRA

 

1.1. ORIGEM DO NOME PEREIRA

 

 

Este é um sobrenome português de raízes toponímicas, ou seja, de origem geográfica. Neste caso, o lugar que deu origem ao sobrenome é cheio de peras ou pereiras. Os primitivos Pereiras estavam ligados à casa de Bragança, em Portugal. Foi seu solar, a Quinta de Pereira, aonde tomaram o apelido, junto ao rio Ave, em terra de Vermoim, Freguesia portuguesa do concelho de Vila Nova de Famalicão (FAMÍLIA PEREIRA, 2020).

No Brasil, o primeiro Pereira foi o donatário Francisco Pereira Coutinho, assassinado brutalmente pelos índios tupinambás em Itaparica, em 1549. Em 1606, chegou ao Brasil a degredada Ana Pereira, acusada de bigamia. Os estados brasileiros onde eles inicialmente se propagaram são Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, espalhando-se para o Nordeste brasileiro na época das entradas século XII e XIII (WANDERLEY, 2020).

Esse nome Pereira, também foi adotado por cristãos-novos vindos de Portugal, buscando um refúgio mais tranquilo para viver longe da perseguição do Tribunal da Santa Inquisição. Muitos foram acusados de práticas judaizantes pela Igreja Católica, por esse motivo mudaram para a nova Colônia portuguesa. Para alguns, não era apenas questão de serem forçados a conversão ao Catolicismo Romano, mas, a suposta origem nobre portuguesa/espanhola lhes permitiu fortes relações com a Coroa, ganhando terras e cargos de confiança. Outros, porém, tiverem todos os seus bens confiscados e foram postos para degradação (exílio forçado) fora de Portugal.

 

1.2. COLONIZADORES DA REGIÃO SUL DA PROVÍNCIA DO CEARÁ DA FAMÍLIA PEREIRA

 

Os primeiros colonizadores que chegaram a região Sul do Ceará de 1700 a 1800, foram registrados pelos historiadores, genealogistas escrivães, vigários e sacristãos-secretários paroquiais, à medida que fizeram os registros sistemáticos de batizados, casamentos e óbitos, fornecendo informações do estabelecimento e desenvolvimento de famílias cearenses (LEAL, 2020).

A lista desses colonizadores da região Sul do Ceará da família Pereira é apresentada na Tabela 1, onde aparecem o nome, local de nascimento, de casamento e entrelaçamentos familiares, no entanto, não possibilita a relação com a família do Senhor Hygino José Pereira, porquanto, os registros de nascimento ainda não se encontram disponibilizados nos sites de busca, especialmente da cidade de Jucás, Ceará, onde foram batizados e registrados.

A maioria desses primeiros colonizadores vieram de Portugal, outros das Ilhas dos Açores, ou migraram de outros estados da região Nordeste do Brasil. Os membros da família Pereira que chegaram ao Ceará nos séculos XIII e XIX, se estabeleceram em diferentes regiões do estado: Fortaleza, Trairi, Sobral, Acaraú, Uruburetama, Russas, Mombaça, Inhamuns, Arneiróz, Jaguaribe e Cariri.

Os entrelaçamentos familiares mais importantes a serem considerados entre os Pereiras da região do Cariri e os habitantes de Monte Alegre e Vacaria foram dos descendes de José Pereira Filgueiras Lima, Bárbara Pereira de Alencar e Ana Pereira de Morais com os Ferreiras Lima, Pereiras e posteriormente com os Frutuosos.  

 

Tabela 1. Listas dos primeiros colonizadores de sobrenome Pereira que ocuparam a Região Sul do estado do Ceará, de 1700 a 1800.

Nome

Local de nascimento

Local de casamento

Entrelaçamento

José Pereira Lima Aço

Sergipe

Sergipe

Lima-Verde

Antonio Pereira da Silva

São João da Foz do Porto, Portugal

Cariri

Matias, Morais

Lázaro Pereira da Silva

Lisboa

Cariri

-

João Alvares Pereira Vasconcelos

Ilha de São Miguel dos Açores

Pernambuco

-

Bartolomeu Pereira Dantas

Porto, Portugal

-

-

Francisco Pereira Maia Guimarães

-

Crato

Ferreira-Lima

João Bernardes da Silva Pereira

Freguesia de são Nicolau, Lisboa

Rio Grande do Norte

Barbosa

José Martins Pereira

Ilha de São Miguel Açores

Pernambuco

-

José Pereira do Reis

Freguesia de São Romão Barcelos, Portugal

Cariri

Souza

Luís Pereira de Almeida

-

Missão Velha

-

Antonio Pereira da Cunha

São Martinho do Porto, Portugal

Pernambuco

Araújo Carvalho

José Pereira Filgueiras ou José Quezado Filgueiras Lima

Bahia

Crato

Pereira, Parente, Monte, Ferreira Lima, Gonçalves, Farias, Macedo

Bárbara de Alencar Pereira Nasceu no dia 11 de fevereiro de 1760

 

Senhor Bom Jesus dos Aflitos de Exu, sertão de Pernambuco, na Fazenda Caiçara

Crato

Filho - Tristão Gonçalves Pereira

1as. Núpcias José Gonçalves do Santos, Ferreira Lima, Alencar, Pereira, Sucupira

Adaptação de A.A. de Lima do livro Colonização Portuguesa no Ceará de Vinicius Barros Leal, 2007. 

 

2. ENTRELAÇAMENTOS FAMILIARES DOS PEREIRAS DO CARIRI COM HABITANTES DE MONTE ALEGRE E VACARIA

 

2.1. ETRELAÇAMENTO FAMILIAR COM JOSÉ PEREIRA FILGUEIRA LIMA

 

Provavelmente, a família Pereira da Vacaria, através do seu representante mais antigo Camilo Pereira seja descendente dos Pereiras da região do Cariri. É importante salientar que houve entrelaçamentos familiares entre os descendentes de José Pereira Filgueiras Lima com os descendentes de Raimundo Ferreira (nascido em 1801), já que um de seus netos, João Quezado Filgueiras, casou-se com Antônia Ferreira Lima, irmã de Martins Ferreira Lima, morador de Monte Alegre na segunda metade do século XIX.

Uma das pessoas mais notáveis dos Pereiras da Região do Cariri foi José Pereira Filgueiras, nasceu na Bahia, em 1758. Proprietário de terras, chegou a ser capitão-mor do Crato, no Ceará, durante a Revolução Pernambucana de 1817 (CORDEIRO, 2020). Sob seu comando, debelou a rebelião separatista republicana, tendo seus líderes em Crato, Tristão de Alencar e sua mãe Bárbara de Alencar presos e remetidos para Fortaleza.

Foi feito comandante em chefe das forças expedicionárias por D. Pedro I, durante a guerra da Independência e venceu a batalha do Jenipapo em Campo Maior, Piauí, derrotando as tropas portuguesas em 1823. Mais tarde insatisfeito com promessas não cumpridas pelo Imperador, Filgueiras mandou uma circular às câmaras da província, em termos pouco respeitosos para com a Majestade Imperial, e, retirou-se para Fortaleza, fazendo várias prisões, depondo o Presidente e anexando o Ceará à Confederação do Equador, proclamada em Pernambuco. Ao lado de Tristão Araripe (presidente), tornou-se o Governador das armas, no Ceará. Foi preso em novembro de 1824, durante a repressão ao movimento, pelas tropas imperiais, e morreria de febre palustre a caminho do Rio de Janeiro (CORDEIRO, 2012). 

 

2.2. ETRELAÇAMENTO FAMILIAR COM PEREIRA DE ALENCAR

 

Outra pessoa influente na região do Cariri foi Bárbara Pereira de Alencar, nasceu no dia 11 de fevereiro de 1760 em Senhor Bom Jesus dos Aflitos de Exu, sertão de Pernambuco, na Fazenda Caiçara, pertencente ao patriarca da família Alencar, o português Leonel Alencar Rego, seu avô. Adolescente, Bárbara se mudou para a então vila do Crato, no Ceará, casando-se com o comerciante português José Gonçalves do Santos (WANESSA, 2020).

 A heroína republicana era mãe dos também revolucionários José Martiniano Pereira de Alencar, Tristão Gonçalves e avó do escritor José de Alencar (BRASIL DE FATO, 2020). Tristão Gonçalves de Alencar Araripe casou-se Ana Porcina Ferreira Lima, nascida em Crato em 1879. Ana Porcina Ferreira Lima era tetraneta de Antonio Simões e Maria Ferreira Lima, Cristãos-Novos de origem Sefarditas, perseguidos pelo tribunal do Santo Oficio de Portugal. Ana Porcina tem a mesma origem da Família Ferreira Lima de Monte Alegre, Várzea Alegre, Ceará (FAMILYSEACH, 2020).

No contexto da Revolução Pernambucana de 1817, Bárbara de Alencar teve os bens da família confiscados, foi presa e torturada numa das celas da Fortaleza de Nossa Senhora de Assunção. É considerada, portanto, a primeira prisioneira política da história do Brasil (UEB, 2020).  

Morreu depois de várias peregrinações em fuga da perseguição política em 1832 na cidade piauiense de Fronteiras, próximo de Pio IX, mas foi sepultada em Campos Sales, no Ceará. Seu túmulo está em processo de tombamento (ARAÚJO, 2020).  

Bárbara era filha de Joaquim Pereira de Alencar e Teodora Rodrigues da Conceição, tendo como ancestrais mais antigos por parte de usa mãe, Antonio Pereira da Silva e Teodora Rodrigues da Conceição, nascido em 1642 em Cardosa, Coimbra, Portugal. Por parte de seu pai Joaquim Pereira de Alencar, os ancestrais mais antigos encontrados nos registros genealógicos foram Ricardo Alenquer e Isabel Pereira, nascidos em mais ou menos 1620 em Viana do Castelo, Distrito de Lisboa, Portugal, (antigo Alenquer). Alencar é o topônimo de origem portuguesa encontrado no Brasil, derivado de Alenquer, Portugal (FAMILYSEACH, 2020).

A família de Joaquim Pereira de Alencar e Teodora Rodrigues da Conceição, morou inicial em Exu, Pernambuco, espalhando-se depois, por vários municípios do Ceará, Crato, Barbalha, Jardim, Campo Sales, Sobral e até do Piauí, Fronteira, Pio IX e Picos, e posteriormente para outros estados do Brasil.

 

2.3. ETRELAÇAMENTO FAMILIAR COM PEREIRA DE MORAIS

 

Os descendentes de Lourenço Ferreira Lima, filho de Raimundo Ferreira Lima e Joana Josefa Batista (Ferreira Lima), nascidos na fazenda Monte Alegre, Ceará foram: Rafael Ferreira Lima, Profiro Ferreira Lima, Militão Ferreira Lima, João Lourenço Ferreira Lima, Cecília Ferreira Lima (Batista), Maria Ferreira Lima, Félix Ferreira Lima.  É importante salientar que Rafael Ferreira Lima, nascido em 1869, casou-se aproximadamente, em 1894 com Ana Pereira de Alencar (Moraes), irmã de Carlos Gomes de Alencar, morador do sítio Baixio no município de Várzea Alegre.

Grande parte das famílias do Baixio dos Dantas, Várzea Alegre são descendentes de Rafael Ferreira Lima e Ana Pereira de Alencar, pois um dos filhos desse casal chamado Lourenço Ferreira Lima, casou-se com Luísa Regina Dantas Souza, filha de Manoel Dantas.

 

3. FAMÍLIA DE HYGINO JOSÉ PEREIRA

 

3.1. DESCENDENTES DE HYGINO JOSÉ PEREIRA

 

Hygino José Pereira era filho do casal, Camilo Hygino Pereira e Maria Pereira, nascido aproximadamente em 1852, no sítio Vacaria, pertencente nessa época a Freguesia de São Mateus dos Inhamuns (Jucás), Ceará. Casou-se na igreja de Nossa Senhora do Carmo da vila de São Mateus em 1875, com Maria Teresa de Jesus. Nessa época, Francisco Bastos de Oliveira era padre em São Mateus dos Inhamuns (Jucás), natural de Saboeiro, esse sacerdote exerceu ainda o mandato de Deputado Estadual Provincial, veio a falecer em 1890 em São Gonçalo (DIÓGENES, 2015).

Os filhos do casal Camilo Hygino Pereira e Maria Pereira que nasceram no sítio Vacaria, pertencente antiga vila de São Mateus dos Inhamuns foram: Hygino José Pereira (1852), Manoel Camilo Pereira (1853), Raimundo Camilo Pereira (1854), Joaquim Camilo Pereira (1856) e Fenelom Camilo Pereira (1857). As datas de nascimentos foram aproximadas, levando-se em consideração a data de nascimento de Hygino José Pereira tendo ainda, como base mais precisa, o nascimento de Pedro Gino Pereira, ano de 1879, conforme o seu atestado de óbito registrado no Rio de Janeiro em 1966.

Também, levou-se em consideração que Manoel Gino Pereira e Cândida Gino eram os filhos mais velhos do casal, Hygino José Pereira e Maria Teresa de Jesus. Esses cálculos baseiam-se na idade máxima de casamento para homens 25 anos e mulheres 20 anos, idade mínima de 21 e 17 anos para homens e mulheres, respectivamente e com idade fértil prevista de 13 a 18 anos, dependendo da idade de casamento. 

O casal Hygino José Pereira (nascido em 1852) e Maria Teresa de Jesus (n. 1857), tiveram quatorze filhos, cinco homens e nove mulheres: Manoel Hygino Pereira (nasceu em 1876), Cândida Gino Pereira (1877), Pedro Pereira Gino (n. 1879), Tereza Gino Pereira (n. 1880), Delfina Gino Pereira (n. 1882), Joana Josefa Pereira (n. 1884), Camilo Gino Pereira (1885), Felismina Gino Pereira (n. 1886), Aninha Gino Lima (1887), Simiana Maria de Jesus (Oliveira) (n. 1888), Donara Gino Pereira (n. 1899), José Gino Pereira (n. 1890), Antonio José da Silva (Antonio Gino, nascido em 5 de fevereiro de1891) e Carolina Gino Pereira (n. 1892).

Um fato curioso quando se analisa a genealogia de Hygino José Pereira é que todos os seus descendentes apresentam o mesmo sobrenome, Gino Pereira. No entanto, aparece um filho fora desse padrão com o nome de Antonio José da Silva, isso ocorreu devido um erro de registro por ocasião do seu batismo na Paróquia da Freguesia de Nossa Senhora dos Inhamuns, mas ele ficou conhecido na sua terra natal como ‘Antonio Gino’ da Vacaria.

Hygino Pereira, herdou da parte de seu pai Camilo Pereira, o sitio Vacaria com 320 braças (704 m) de frente e uma légua de fundos, cujos limites no sentido Leste-Oeste se estendiam do Pau d´Arco ao riacho Fortuna, e no sentido transversal da Cacimba do Gado ao Recanto.

Como a terra não dava para sustentar essa numerosa família, a maior parte dos filhos de Hygino Pereira, teve que migrar da sua querida terra natal para outros lugares do estado do Ceará e do Brasil. Por isso, nesse tópico será abordada de forma abreviada, as histórias e aventuras dos filhos do Sr. Hygino Pereira em outros lugares, tanto no Ceará, como em outros estados do país, conforme demonstra a Tabela 1.

Alguns filhos de Sr. Hygino José Pereira permaneceram na Vacaria e compram as poses dos demais herdeiros: Antonio José da Silva (Antonio Gino), Joana Josefa Pereira, Tereza Gino Pereira, José Gino Pereira.

 

Tabela 1. Nome dos filhos de Hygino José Pereira, locais onde residiram e faleceram.

 

Nomes dos filhos

Locais onde residiram e faleceram

 

Ceará

Outros estados

Local de falecimento

Manoel Gino Pereira

Vacaria, Várzea; Poço do Mato (Caipu), São Mateus

-

Estreito, Lima Campos, CE

Cândida Gino Pereira

Vacaria; Recanto, Várzea Alegre

-

Recanto

Pedro Pereira Gino

Vacaria, Várzea Alegre

Rio de Janeiro, RJ

Rio de Janeiro, RJ.

Tereza Gino Pereira

Vacaria; Cajazeiras, Várzea Alegre

-

Cajazeiras, Várzea Alegre

Delfina Gino Pereira

Poço do Mato (Caipu), São Mateus

Cruzinha, Aiuba, CE

Cruzinha, Aiuba, CE

Joana Josefa Pereira

Vacaria, Várzea Alegre

-

Vacaria, Várzea Alegre

Camilo Gino Pereira

Vacaria, Várzea Alegre

Rio de Janeiro, RJ;

São João dos Patos, Maranhão

Crato, CE

Felismina Gino Pereira

Vacaria, Várzea Alegre; Poço do Mato (Caipu), São Mateus

-

Poço do Mato (Caipu), São Mateus

Ana Gino Lima (Aninha)

Vacaria, Várzea Alegre; São João, Quixará (Farias Brito)

-

São João, Quixará (Farias Brito)

Simiana Maria de Jesus

Vacaria, Várzea Alegre; São João, Quixará (Farias Brito), Cariutaba, Farias Brito

-

Cariutaba, Farias Brito

Donara Gino Pereira

Vacaria, Várzea Alegre;

Tataíra, Serra de Santana, Assaré

-

Tataíra, Serra de Santana, Assaré

José Gino Pereira

Vacaria, Várzea Alegre

-

Vacaria, Várzea Alegre

Antonio José da Silva (Antonio Gino)

Vacaria, Várzea Alegre

 

Vacaria, Várzea Alegre

Carolina Gino Pereira

Vacaria, Várzea Alegre, Quixará (Farias Brito)

São Paulo, SP

São Paulo, SP

 

3.2. MANOEL PEREIRA GINO 

Manoel Gino vendeu suas posses e foi morar no Poço do Mato, São Mateus (Jucás), CE, sendo posteriormente acompanhado pela sua irmã Felismina Pereira Gino. Na grande seca de 1932, Manoel Gino foi com os seus filhos trabalhar na construção do açude do Estreito (Lima Campos), Icó, mas, infelizmente foi vitimado pela cólera, uma infeção do intestino delgado que ocorre por algumas estirpes das bactérias Vibrio cholerae. Os sintomas podem variar entre nenhum, moderados ou graves (WHO, 2010). O sintoma clássico é a grande quantidade de diarreia aquosa com duração de alguns dias. Podem também ocorrer vómitos e cãibras musculares (CDC, 2020).

Gino de Anicete estava também nessa frente de serviço criada pelo Governo Federal, Getúlio Vargas, nos seus relatos descreveu os sintomas da doença “como uma diarreia de cor meio esverdeada, líquida que sai com esguicho forte, não dando tempo nem o ‘caboclo’ baixar as calças”. Depois de desse material fecal secar no sol escaldante de verão, ficava endurecida como um biju, então, servia de alimento para os jegues que estavam no acampamento, sempre gordos e fogosos.

Ainda no Estreito, Manoel Gino, escreveu uma carta para família pedindo ajuda para retornar a sua casa, dizem que o medo dificultou a ajuda, chegando tarde demais, mas, pelo menos possibilitou o retorno dos sobreviventes da família para São Vicente.

 

3.3. CÂNDIDA GINO PEREIRA 

Cândida Gino Pereira, nascida em Vacaria, município de São Mateus, filha de Higino José Pereira e Maria Teresa de Jesus, morreu ainda muito jovem em 1925 no sítio Recanto, acometida pela Tuberculose. Foi enterrada em Cariutaba, antigo distrito de São Mateus, mas, atualmente pertencente ao município de Farias Brito, antigo Quixará.

Quando Cândida ainda estava doente, Antonio de Anicete e seu irmão Victor Ferreira, todos os dias iam levar leite na sua casa, lá no Recanto. Após a sua morte, Antonio de Anicete contava que todos os seus irmãos foram participar do velório, mas ele ficou em casa, pois, tinha muito medo de alma penada.

Uma certa noite, Antonio, muito impressionado com a morte de sua tia, viu um vulto branco na estrada que se aproximava de sua casa. Todas os membros da família estavam conversando no alpendre de sua casa. Naquele momento, o medo tomou de conta de sua mente, então ele gritou desesperadamente:

- Chega, acode é uma alma! Chega é uma alma!

Logo, em seguida, aparece em frente à sua casa, Neném Frutuoso e pergunta:

- O que foi que aconteceu, Aniceto? Morreu alguém!

Aí todos riram de Antonio e dizendo:

- Nada aconteceu, Neném! Foi só um susto que Antonio teve de seu vulto!

Nessa ocasião, Antonio passou um grande vexame, apanhou um candeeiro, correu e se escondeu na sua alcova.

 

3.4. PEDRO PEREIRA GINO

Pedro Pereira Gino, na fase inicial de sua vida dedicou-se ao comércio, também, animava todas as festas religiosas de São Mateus ao Quixará, com o seu famoso carrossel da alegria. Mas, posteriormente junto com seus filhos migrou para o Rio de Janeiro, vindo a falecer aos 87 anos no dia 1º de abril de 1966 tendo como causa mortis, diarreia e arteriosclerose generalizada, segundo atestado do Dr. José de Melo Lima. A certidão de óbito foi requerida por Benjamim Pereira Gino, militar, na época com 44 anos de idade.

Pedro Pereira Gino casou-se com Benvinda Pereira Gino, desse enlace matrimonial tiveram os seguintes filhos: Benjamim Pereira Gino (nasceu e 10 de janeiro de 1922), Laurentina Pereira Gino, Adélia Pereira Gino, Agenor Pereira Gino, Antônia Pereira Gino, Fenelon Pereira Gino, Francisca Pereira Gino, Gustavo Pereira Gino, José Pereira Gino, Manoel Pereira Gino, Maria Alcântara Gino (Maria de Cícero Frutuoso).

 

3.5. A SAGA DE CAMILO PEREIRA GINO 

 

Camilo Pereira Gino, resolveu seguir a mesma trajetória de seu irmão Pedro Gino, as notícias que chegavam do Rio de Janeiro, através de seu irmão Pedro, muito lhe encorajou a tomar a decisão de deixar o Nordeste. Com o forte processo de desenvolvimento econômico, movido sobretudo pela industrialização do período 1930-1980 do Sudeste, muitos nordestinos, especialmente cearenses, migram para o Rio de Janeiro e São Paulo nesse período.

No início da década de 30, ainda muito jovem, Camilo vendeu sua pequena herança na Vacaria e foi embora para o Rio de Janeiro, pouco tempo depois, mandou notícias dizendo que tinha assentado praça como cozinheiro na Marinha de Guerra do Brasil.

Através de uma carta enviada a sua irmã Maria Alcântara Pereira, esposa de Cícero Frutuoso da Vacaria, relatou a sua façanha de ter participado com os militares revoltosos de 1932 na deposição do presidente do Brasil, Washington Luís.

A carta continha os seguintes dizeres:

“Mana, quando os canhões do Forte de Copacabana foram apontados para o Palácio do Catete, sede do Governo Federal, o grande cobarde Washington Luís, foi deposto pelas forças revolucionaras da Aliança Liberal comandada por Getúlio Vargas no dia 24 de outubro de 1930.

O presidente recusou-se a renunciar e foi preso. Na praça do Catete, tenentes exaltados puxavam-lhe a barba e humilhavam o presidente, enquanto isso se ouviam gritos estridentes dos soldados: viva a Aliança Liberal! 

Depois da prisão, o Presidente foi levado para o Forte de Copacabana, seguindo posteriormente para o exílio na Europa. O movimento vitorioso, nomeou uma Junta Militar constituída pelos os generais Tasso Fragoso, Mena Barreto e Isaías Noronha que de imediato assumiu o poder.

Getúlio Vargas que se encontrava em Ponta Grossa, Paraná, foi comunicado dos fatos. Góis Monteiro, chefe militar das forças de Vargas envia um telegrama à junta declarando que seus membros eram reconhecidos como colaboradores, porém não como dirigentes e que o governo provisório deveria ter por chefe Getúlio Vargas. Essa era a condição para que fossem suspensas as manobras militares, envolvendo mais de 30 mil homens que marchavam para o Rio de Janeiro. Na tarde do dia 3 de novembro, um mês depois de iniciada a insurreição, Getúlio Vargas tomava posse provisoriamente do Governo Federal” (DOMINGUES, 2017).

Camilo Gino, depois de permanecer um bom tempo no Rio de Janeiro, não suportou a saudade da sua terra natal, então, resolveu voltar ao Ceará, mas essa decisão lhe trouxe muitas dificuldades, pois, tinha vendido suas as posses recebidas como herança de seu pai Hygino José Pereira, por isso tinha que trabalhar duro para sustentar a sua família, pois, decidiu se casar – ‘só com a cara e a coragem’.  

Em 1934, Camilo casou-se com Raimunda Maria da Conceição, o casal teve três filhos: Alcides Pereira Gino, Juraci Pereira Gino e Abdoral Pereira Gino. Na seca de 1942, a família foi embora para o interior de São João dos Patos no Maranhão, onde lá se estabeleceram por mais de 4 anos.

Essa decisão, de ir para o Maranhão, tinha também outros motivos além do problema da seca, pois, nessa época havia a possibilidade iminente do Brasil participar da Segunda Guerra Mundial, então, havia apenas duas saídas para os nordestinos mais desafortunados: os mais novos seriam recrutados para a guerra, e os mais velhos convocados compulsoriamente para extraírem o látex (borracha) da seringueira, a Hevea brasilienses, na região Amazônica. As duas opões eram de muito risco para a família de Camilo Pereira, pois, sendo militar na sua juventude, temia ser convocado para auxiliar a Marinha do Brasil por isso resolveu ir para o Maranhão.

Nessa época, os técnicos encarregados de observar as condições climáticas no Nordeste brasileiro encaminharam um relatório ao Governo Federal, prevendo que o ano de 1942 poderia ser difícil.

O inverno de 1942 encontrou, entretanto, o proletariado rural do Nordeste enfraquecido para qualquer resistência maior; sem recursos do ano anterior, em que as chuvas foram notoriamente escassas; lutando, desde o início, contra a carestia exorbitante dos gêneros alimentícios de primeira necessidade; sem o apoio indispensável do proprietário rural que, com raras exceções, o abandonou à sua sorte, ou melhor, o entregou a proteção dos poderes públicos aos primeiros sinais de mau inverno. Daí a inquietação provocada pelas primeiras irregularidades das precipitações e que culminou no quase pânico que se seguiu à falta de chuvas no equinócio de março” (ARQUIVO NACIONAL, 1942).

Diante dessa situação, a família foi impelida a deixar o sertão para tentar a sorte no Maranhão. Camilo, se estabeleceu na zona rural de São João dos Patos, um local favorável à agricultura, ali havia fartura, então, ele já começava a se erguer economicamente, contudo, mais uma vez o sentimento nostálgico de nordestino, de muito apego ao seu torrão natal, bateu muito forte no seu peito, por isso tomou uma decisão de voltar mais uma vez ao Ceará.

Essa decisão, no entanto, não foi adequadamente planejada por Camilo, pois, com recursos mais escassos e muita dificuldade de conseguir transporte, resolveu voltar a pé via Teresina, conduzindo os filhos e o mantimento nas costas de duas mulas, seguindo o seguinte trajeto: São João dos Patos (PI) - Floriano (PI), 97 Km; Floriano (PI) - Teresina (PI), 242 Km; Teresina (PI) – Picos (PI), 322 Km; Picos (PI) – Campos Sales (CE), 123 Km; Campos Sales (CE) – Nova Olinda (CE), 96 Km;  Nova Olinda (CE)  - Crato (CE), 42 Km, ou seja, um percurso de 904 Km, considerando-se que hoje as estradas estão asfaltadas. Mas, se forem considerados os meandros das estradas de tropeiros, desvios e atalhos daquela época seria um percurso de mais de 1.200 Km.

Considerando-se as paradas para preparo das refeições, descanso, alimentação dos animais e percurso diário de 20 km por dia, essa viagem poderia ser feita em 60 dias, mas havia uma pedra no caminho, no trecho de Teresina a Picos naquele final de "inverno" chuvoso, Camilo adoeceu de ‘maleita’ ou ‘sezão’. Começou, a partir desse momento a apresentar calafrios periódicos, acompanhado de profundo mal-estar, náuseas, cefaleias e dores articulares.

Passada a crise, Camilo tentava caminhar, procurando chegar em algum lugar que pudesse se tratar, mas, a doença o impediu de caminhar, quando lhe atacou fortemente as articulações. Diante dessa situação a Senhora Raimunda tomou uma decisão, contratar pessoas no alto sertão do Piauí, para conduzir o seu marido em uma rede, transportada por duas pessoas.

Normalmente, esses condutores percorriam trechos de no máximo 40 km, daí para a frente era necessário aguardar outras transportadores com disposição para fazerem um novo percurso. Para piora a situação Abdoral, filho mais novo do casal, estava perdendo os movimentos de seus membros inferiores, pois, tinha contraído uma neuropatia nas pernas com atrofia nos nervos, o que lhe impedia de caminhar por aqueles rincões de sol causticante. 

Já perto de Picos, Alcides e Juraci, com menos de 11 anos de idade foram acometidos pela mesma doença do pai. Finalmente, chegando esperançosos a essa cidade piauiense, já muito cansados e com o marido extremamente debilitado, Raimunda não encontrou tratamento para família, pois, segundo informações dos médicos, o único recurso existente seria no Hospital São Francisco de Assis na cidade de Crato. Daí em diante ela apressou o passo o quanto pode, mas, depois de uma extenuante jornada de 15 dias, nesse último trecho da viagem, chegou a cidade de Crato, no entanto, já era tarde demais para Camilo Gino, a infecção pelo Plasmodium vivax, o vetor mais letal da doença já tinha gerado complicações renais e pulmonares gravíssimas, levando-o ao coma e a morte cerebral.

É importante salientar que os filhos conseguiram se recuperar, exceto Abdroal, porquanto, a neurite atrofiou os nervos de suas pernas, possibilitando-o apenas com muita dificuldade permanecer de pé por mais alguns anos, apoiado sempre num bastão, até a paralisa total, lenta e gradual, culminando em morte. Mas, apesar de sua fragilidade física Abdoral se tronou um adolescente alegre e feliz, muito apegado aos seus irmãos e familiares e ainda viveu por quase 30 anos.

Raimunda, no entanto, prosseguiu a sua vida com muita ousadia, casou-se pela segunda vez com Isaias de Freitas e criou os seus filhos, naquele mesmo chão de terra seca e batida, onde o coração de Camilo tinha devotado tanto apreço de ali viver e criar a sua família.

 

3.6. FELISMINA PEREIRA GINO 

Felismina Pereira Gino (Lima) casou-se com Manoel Martins de Lima, desse enlace matrimonial nasceram: Carolina Pereira Lima, Brandina Pereira Lima, Maria Pereira Lima. A família morou no Poço do Mato (Caipu), Cariús, Ceará.

Carolina Pereira Lima, filha de Felismina, casou-se com Raimundo Quinco de Lima em 1935. Depois de seu casamento foi morar em São Vicente perto de Várzea Alegre, porém, no início da década de 1960, a família migrou para Santo Antonio dos Lopes no Estado do Maranhão.

Os filhos de Carolina Pereira Lima e Raimundo Quinco de Lima foram: Joaquim Quinco de Lima, Antonio Quinco de Lima Sobrinho, Luiza Alves de Lima Silva, Manoel Quinco de Lima, Maria do Socorro do Espirito Santo e Raimundo Quinco de Lima Filho (Mousinho).

A família de Carolina Pereira Gino (Lima) foi bem-sucedida no Maranhão, seus filhos se dedicaram ao comércio de cereais, babaçu, agropecuária, hotelaria, venda de combustíveis e a política. O primeiro da família, a aventurar-se por ‘terras alheias’ foi Joaquim Quinco de Lima. Depois de seu casamento com sua prima Felismina Dias Lima, no ano de 1958, mudou-se para o Maranhão, mais especificamente para Santo Antonio dos Lopes, antigo Distrito de Pedreiras, conduzindo na sua pequena bagam uma valise de mão, contendo missangas compradas em Juazeiro do Norte. Com esse pequeno investimento, porém, com muita determinação e coragem fincou suas raízes na nova terra que o acolheu, tornando-se depois, um dos empresários mais bem-sucedidos da região.

A sua expressão marcante de sucesso está estampada na sua máxima: Maravilha! - Um dos logotipos de suas empresas. Toda vez que, ao longo de sua jornada, fecha um negócio, sempre sorridente, dizia:

- Que maravilha! Podemos confiar, pois tudo vai dá certo.

Joaquim Quinco de Lima foi incialmente, vendedor de missangas, depois cerealista, vereador, presidente da câmara municipal de Santo Antonio dos Lopes e distribuidor de combustíveis no estado do Maranhão, estendendo os seus negócios até ao Piaui. Os postos Maravilha Comércio Derivado de Petróleo, pertencentes a esse desbravador varzealegrense, ficam distribuídos em diferentes localidades do Maranhão, sempre sob supervisão de seus filhos, genros e noras.

Raimundo Quinco de Lima Filho (Mousinho) foi por dois mandatos, prefeito da cidade de Santo Antonio dos Lopes de 01/02/1983 a 31/12/1988 e de 01/01/2005 a 31/12/2008 (PMSL, 2020).  

A Fazenda Demanda, área de gleba pertencente a Raimundo Quinco de Lima (Mousinho), ex-prefeito de Santo Antonio dos Lopes, foi vendida para uma companhia exploradora de gás natural, no entanto, após a compra a empresa proibiu o extrativismo do babaçu e o transito de pessoas na área, isso gerou uma demanda judicial junto ao Ministério Público Estadual do Maranhão.

"Numa propriedade de mais de 900 hectares que abrigava em seus limites importantes recursos naturais como o extenso babaçual, grandes reservas de água em forma de açudes e poços, mas, com grande potencial de extração de gás natural foi vendida ao Complexo Parnaíba” (COSTA, 2015).

Após a venda da fazenda Demanda, começaram os enfrentamentos entre os moradores contra a MPX/ENEVA, diante do processo de expropriação e indefinição social provocado pela instalação de usinas termelétricas movidas a gás natural, por isso, o Ministério Público do Maranhão iniciou uma perícia entre março e julho de 2014 para solucionar o conflito de interesse com a referida empresa (COSTA, 2015).

Ao adquiri essa propriedade de seu irmão, cognominado de Quinquerone, Mousinho, jamais havia pensado que tinha adquirido - um bilhete da sorte grande. Enquanto, o seu irmão via esse empreendimento com um futuro problema com os extrativistas, Mousinho, enxergou outras possibilidades de exploração, bovina e manutenção da reserva a serviço dos mais pobres.

“Normalmente as oportunidades estão disfarçadas de trabalho duro, é por isso que a maioria das pessoas não as reconhecem” (Ann Landers, 2018 – 2002), jornalista e escritora americana.

 

3.7. DELFINA PEREIRA GINO 

 

Delfina Pereira Gino casou-se com Fortunato Ferreira de Souza, dono do engenho do Poço do Mato (Caipu), antigo município de São Mateus, atualmente pertencente ao município de Cariús. Depois de algum tempo, a família foi morar na região dos Inhamuns, num povoado chamado Cruzinha no município de Aiuaba, Ceará.

No final da década de 60, Antonio Gino, juntamente com seus filhos Francelino Pereira, Tereza e Conceição fizeram uma visita a Delfina em Aiuba. Francelino, dirigindo o seu Jeep Tornado de seis cilindros, conduziu a família para o alto sertão dos Inhamuns.

Depois da cidade de Aiuba, num pequeno povoado chamado Cruzinha, encontraram Fortunato conduzindo uma cesta cheia de ovos de galinhas caipiras que trouxera para vender na feira.

De repente, aparece o Fortunato - bem na nossa frente - conta Tereza, mas foi logo reconhecido por Francelino.

Naquele momento, Francelino se dirige para seu pai e pergunta:

Papai, quem é aquele homem que está vindo em nossa direção? 

Antonio Gino olhou e lhe responde prontamente:

- Está muito parecido com o Fortunato do Poço!

- É ele mesmo - respondeu Francelino.

Tereza relata que depois dos cumprimentos foi uma verdadeira festa: “passamos o resto dia, dormimos na casa de Delfina e no outro dia após o almoço, regressamos à Vacaria, daí em diante a distância nos separou de vez” e acrescentou com voz balbuciante:

- Papai, morreu um ano depois dessa visita! ...  

No Censo Agrícola de 1920 eram proprietários de terras na localidade do Poço, Município de São Mateus, Ceará: Fortunato Ferreira de Souza, Joaquim Francelino de Souza, Pedro Barbosa e José Pereira (MAIC, 1920).

 

3.8. TEREZA PEREIRA GINO 

Tereza Pereira Gino (Lima) casou-se com Raimundo Martins de Lima e desse enlace matrimonial nasceram: Afonso Martins de Lima, Idelfonso Martins de Lima, Maria Martins de Lima, Frutuoso Martins de Lima. O casal viveu durante toda a sua vida nas Cajazeiras, Várzea-Alegre, CE. Segundo Tereza de Antonio Gino, Carolina Pereira Gino, irmã de Tereza Pereira, casou-se com Cassimiro do Quixará (Farias Brito) e desse enlace matrimonial nasceram: Zulmira, Terezinha, a família posteriormente se mudou para o estado de São Paulo.

 

3.9. DONARA PEREIRA GINO

Donara Pereira Gino casou-se com José Martins de Lima, desse enlace matrimonial nasceram: Antonio Martins de Lima, Egídio Martins de Lima, Maria Martins de Lima, Raimundo Martins de Lima. Donara Pereira Gino e José Martins de Lima venderam as suas terras e foram morar no sítio Tataíra, Serra de Santana a 18 km do Município de Assaré.

Maria Martins de Lima, filha de Donara, casou-se com Isaías Carlos de Alencar, no entanto, pouco tempo depois, a família foi expulsa do Sítio Baixio por seu próprio pai, Carlos Gomes de Alencar, devido a sua obstinada intolerância religiosa a fé protestante. Isaías Carlos desocupou as terras de seu pai e comprou o sitio Salão, onde viveu e prosperou. Nesse novo lugar muito próximo ao Sitio Vacaria, juntamente com toda a sua família foi fundamental no estabelecimento da Igreja Batista de Vacaria em 1956.

 

3.10. SIMIANA MARIA DE JESUS

Simiana Maria de Jesus (Oliveira) se apaixonou por Manuel Mandu de Oliveira das Cajazeiras, mas, como ele era de cor parda, houve forte controvérsia com seu pai o Sr. Hygino Pereira. Sem o devido consentimento de seu pai, Simiana, fugiu com o seu amado nas caladas da noite, indo morar no sítio São João, antigo Quixará, onde já morava a sua irmã Ana Pereira de Gino (Souza). Os filhos do casal foram: Alcides Mandu de Oliveira (nasceu em 4 de out de 1928 e faleceu em 17 de janeiro de 2017)Adalgisa Ferreira de Oliveira (n. 2 de setembro de 1922 e f. 5 de dezembro de 1999) e Alzira Simiana de Oliveira (n. 4 de setembro de 1926 e f. 15 de novembro de 2000).

 

3.11. ANA PEREIRA GINO

Ana Pereira Gino (Souza) casou-se com Antonio de Souza Lima, morador e proprietário do sítio São João, na ribeira do rio Cariús. O casal teve 12 filhos: Francisco de Souza LimaMaria de Souza LimaAmbrósia de Souza LimaCrizelite de Souza LimaJuvenal de Souza LimaJosé de Souza LimaCecília de Souza LimaSebastião de Souza LimaAntônia de Souza LimaEtelvira de Souza LimaBenjamim de Souza Lima e Edite de Souza Lima.

 

4. CENSO AGRÍCOLA DE 1920

O Censo Agrícola de 1920, relaciona o nome dos antigos proprietários de terras do distrito varzealegrense de Ibicatu (ex-Fortuna), é interessante notar que as terras da Vacaria pertenciam naquela época as famílias: Pereira, Gino, Fructuoso, Oliveira, Lima, Silva e Duarte.

Os donos de propriedades agrícolas na Vacaria, conforme, Censo Agrícola (1920) foram: Antonio Fructuoso Sobrinho, Hygino José Pereira, Antonio Pereira Gino, Francisco Leandro da Silva (Chico Leandro), Casemiro Alves Pereira, Fenelon José Pereira, José Emygdio de Lima, Federalino Pereira da Silva, Joaquim José Pereira, Pedro Leandro da ·Silva, Coriolano Pereira da Silva, Theophile Francisco Duarte, Antonio Francisco Duarte, Raymundo José Pereira, José Camilo Pereira, Camilo Francisco de Oliveira, Antonio Fructuoso de Oliveira, José Fructuoso de Oliveira, Angelina Ferreira Lima, José Pereira Gino, José Bezerra da CostaNo sítio Fortuna: Domingos Fructuoso de Oliveira, Manuel Fernandes ele Oliveira, Raymundo Ottoni de Carvalho, José Vieira (MAIC, 1920).

O referido Censo Agrícola de 1920 registrou, ainda, os proprietários de terras em Monte Alegre, Cajazeiras, Betânia, Recanto e Gangorra. De Monte Alegre: Leandro Manoel da Silva, Manasses Pereira de Alcântara, Raymundo Bezerra da Silva, Innocêncio Alves Bezerra e José Ferreira da Silva; da Betânia: Petronillo Ferreira Lima; das Cajazeiras: Raymundo Martins da Silva;  do Recanto: Pedro Ferreira Lima, Antonio Francisco da Cunha, Antonio José Braz; das Cajazeiras: José Agostinho Ferreira; do Recanto: Antonio Francisco da Cunha, Antonio José Braz; da Gangorra: José Agostinho Ferreira, Joaquim Alves Bezerra, Miguel Ribeiro Campos, Antonio Ferreira Duques, João Felix da Silva.

 

5. ATIVIDADES DESENVOLVIDAS POR SR. HYGINO PEREIRA

 

Hygino Pereira era agricultor, plantava culturas de subsistência, milho, feijão e algodão nas quebradas e chapadas; arroz, mandioca, batata-doce e fumo nas vazantes do riacho Fortuna e nas baixadas dos pequenos córregos. Tinha um bom rebanho leiteiro e uma pequena tropa de burros, mas, a criação de cabras naquelas paragens era ‘mata’.

Naquela época quase todos moradores da região, criavam muito bode solto, tanto na caatinga, quanto nos ‘tabuleiros’ semi escalvados do Cariutaba. Ao pôr do sol, os pátios e currais das fazendas ficavam apinhadas de bodes.

Certo dia um caixeiro-viajante vindo das bandas de São Vicente das Lavras da Mangabeira, pernoitou numa dessas fazendas que tinha muita cabra, lá nas Cajazeiras dos Martins. No dia seguinte, passando pelo casarão do Senhor Hygino, contou que apesar do sono não lhe pregaram os olhos, durante toda aquela longa noite, devido ao balido ensurdecedor das cabras e bodes.

Enquanto o vendedor mostrava a sua mercadoria no alpendre da casa do Senhor Hygino, disse em tom bem-humorado:

- Agora só vou vender tecido a quem não tiver bode!

- Passei quase toda a noite as claras, sem dar nem um cochilo. O bodejado era medonho!

Uma pessoa que estava ao seu lado, aproveitando a conversa, disse-lhe em tom de brincadeira:

- Então, meu amigo, pode me vender que eu não tenho bode!

O vendedor retrucou-lhe, imediatamente:

- Também, não vendo tecido a quem não tem bode!

Naquela época bode era ‘mata’ nas fazendas da região, o animal, também, podia ser utilizado como moeda de troca, para aquisição de bebidas, tabaco e quinquilharias de uso doméstico.

Os próximos capítulos da história de Sr. Higino Pereira, abordará os seus conflitos pessoais, a luta com seu rival, Manoel de Brito e o enfrentamento da seca de 1877 que assolou a região, fazendo inúmeras vítimas, não só na região, mas em todo estado do Ceará.

 

6. BIBLIOGRAFIA

 

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ARQUIVO NACIONAL. Telegramas Recebidos pela Secretaria da Presidência da República, 1942. Disponível em: <http://dibrarq.arquivonacional.gov.br/index .php/arquivo-historico-doitamaraty?sf_culture=en>. Acesso em: 27 de julho de 2020.

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DIÓGENES, O. Os clérigos católicos na Assembleia Provincial do Ceará: 1821-1889/ – 2015. Fortaleza, CE: Editora INESP, Assembleia Legislativa. Memorial Pontes Neto, 2015. 227 p. : il.

DOMINGUES, J. E. Outubro de 1930: a revolução, rebelião ou golpe que mudou o Brasil. Blog Pesquisar, 4 de outubro de 2017. Disponível em: . Acesso em: 27 de julho de 2020.

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LEAL, V. B. Os primeiros Colonizadores Portugueses do Ceará 1700 - 1800.  Disponível em: . Acesso em: 29 de junho de 2020.

MAIC - MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDÚSTRIA E COMÉRICO, 1920. Relação dos proprietários dos estabelecimentos ruraes recenseados no estado do Ceará. Rio de Janeiro, RJ: MAIC, diretoria Geral de Estatística, 1 de setembro de 1920.

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