O acúmulo de dores é prejudicial a saúde. Faz muito peso na alma. Causa estragos a longo prazo dentro do coração. Certas coisas deveriam se extinguir com o tempo, mas não é assim. Essas pequenas dores que a gente insiste em carregar vão pesando, pesando, pesando até que um dia a gente se enche disso. Resolve mudar. Aproveita uma virada de ano e faz a vida virar. Coloca como metas acabar e jogar fora de vez essas pequenas dores da vida. Talvez a carne cicatrizada jamais mude, mas a alma se renova (ou deve se renovar, ou talvez se renove). Não importa! A gente precisa sentir mais do que essas pequenas pontadas dentro do peito. Esses nós na garganta estão sufocando. Essas lágrimas nos olhos marejados estão doendo. Doem tanto quanto as lembranças nas retinas. A gente só não sabe se renunciando às pequenas dores a gente ainda viverá com o sonho de felicidade, já que as pequenas felicidades foram sumindo uma a uma. A gente quer fazer parar de doer, mas essas pequenas dores estão profundas ainda. Nem todas são palpáveis ou fáceis de retirar. Vai levar tempo... Esse tempo vai chegar... Porque chega um tempo em que a gente se sente só, e triste, e desanimado, e a gente faz das dores lembranças para não deixar acontecer de novo. Mas se há algo de bonito em um ano novo, talvez seja a chance de aprender tudo de novo. Não errar outra vez o mesmo erro. Ou errar, mas de forma diferente. A gente não sabe. O que a gente tem é a gente mesmo, o mais são perdas e conquistas, são perdas e poucas conquistas... Até lá, a gente vai indo, tentando, vivendo e seguindo...

Escrito por Johney Laudelino da Silva no dia 02/01/2013

Ivan Lins – Lembra de mim – http://youtu.be/ZGXJAFJZfSY