Às vezes ocorre alguma coisa conosco que não adianta fingir que não ficamos chateados, porque isso vai nos causando mal e nos faz explodir por dentro (uma hora explodimos por fora também). É um afastamento repentino, um sumiço de uma hora pra outra, quase não conversamos mais (sentir então...) e quando vemos, quando nos damos conta, caímos no esquecimento, no limbo das lembranças, no quarto das coisas de tristes memórias para os outros. Nós até tentamos sorrir o dia inteiro para disfarçar, mas à noite desabamos, pois não conseguimos nos enganar. É quando desnudamos nossas máscaras. Nós somos como o vento, erramos de direção. Erramos de sentimentos. Mas não nos envergonhamos. Somos limitados, imperfeitos e é isso que nos torna especiais. Até tentamos esquecer, mas quando vemos, estamos fazendo tudo de novo, escrevendo o que juramos que não escreveríamos mais, dizendo o que – de pé juntos – afirmamos que não falaríamos mais. Então vamos levando a vida. Dizemos que essa fase já passou, que já superamos, mas carregamos em nosso íntimo a esperança de que um dia tudo se torne realidade (temos esperança no amor – e como isso dói!). Nossa garganta continua doendo mais pelas despedidas. Precisávamos de mais “ois”, de conhecer pessoas mais simples e menos complicadas... Mas no final de tudo, os complicados seremos sempre nós (mas isso não dói mais!). Fazemos, finalmente, nossa ressignificação de quem somos para quem desejamos ser. Não sabemos se faremos a travessia através das novas pontes que construímos (novas amizades ou novo amor), nem se as velhas pontes suportam mais tanto afastamento (algumas são indestrutíveis, ainda), mas o certo é que nós não perdemos nosso referencial de caráter, de essência, de carregarmos no coração e doarmos aos outros nosso melhor. Vale a pena sim, assim mesmo, com todas emoções, desapegos, euforias, frustrações, decepções... No fim, é conosco. Cabe a nós mesmos mudar a percepção do que a vida nos ofereceu e do que nós ofertamos para ela. Do quanto nos doamos, o tanto que nós amamos... Achamos que é essa a questão, é de nós que a vida cobrará quando não estivermos bem, ou sentindo-nos bons o bastante para seguir, acordar dia após dia e tentar viver nesse caos que às vezes nos colocamos. No final, é nossa responsabilidade. É de nós que a vida cobrará!

 

Com vídeo da música Bad – U2 – http://youtu.be/TtoAtqxDAmc