É por muito pouco que lágrimas podem nascer. É por muito pouco que sorrisos podem encantar. É por muito pouco que surpresas podem alegrar. Então por que a gente busca nas maiores coisas, nos maiores feitos, nas “aparências mais bonitas” aquilo que está nas coisas simples? Essa grandiosidade que a gente vive buscando, essa “mediocriosidade” daquilo que faz bem aos olhos, mas que passa longe demais do coração... A gente julga bonita a capa do livro, mas esquece que o que tem valor mesmo está dentro. Ou o contrário, julga “feio” o exterior e perde a chance de conhecer alguém especial. A gente julga interessante uma pessoa pelo salário, mas esquece do sacrifício que a pessoa fez para merecê-lo. A gente julga uma pessoa boa por aquilo que a gente quer e tem dela (lembra, a gente é importante para alguém a medida que tem utilidade; perde a importância quando se torna inútil), mas não o que ela pode de fato oferecer. Às vezes não tem nada de interessante a acrescentar na vida da gente. Esse jeito triste que a gente acha lindo, esse vazio de tudo impregnado no nosso coração, e a gente ainda se acha cheio... No fundo a gente é cheio de nada! Por muito pouco a gente pode mudar essa concepção que a gente faz dos outros. Basta uma “derrapada”, um “deslize”. A gente critica a postura da pessoa, critica quando ela muda de postura, critica quando ela fica isenta de postura... É muita crítica, mas e como o coração da gente fica nessa história toda? Como é que fica o coração daquela pessoa que tenta ser um diferencial e que não devia, mas que passa como “mais um”? Somente “mais um”... A gente não sabe bem o que é preciso para mudar essa forma triste de viver a vida e de enxergar os outros. Pela aparência? Pela roupa? Pela tristeza de um dia infeliz? Não é possível. Não cabe. Não soa bem. Não condiz com o caráter e a dignidade de ninguém, nem da gente e muito menos dos outros.