PROJETO DE UNIFICAÇÃO DOS COMANDOS DAS POLÍCIAS NO ESTADO DE SANTA CATARINA

Data: 06.02.2014, horário: 09:30 horas:

Resolvi ir até o gabinete da nova Corregedora da Polícia Civil - Delegada Sandra Mara, a fim de lhe cumprimentar e falar sobre o encontro que tive com o Delegado-Geral. Logo que entrei a Delegada Sandra me recebeu com certo ar de frieza, típico dos últimos dias, provavelmente, reflexo da pressão do Delegado Jeferson (Corregedor-Geral da SSP) em razão do meu artigo sobre a "Corregedoria". Não deu outra, a Delegada Sandra relatou que em razão daquele meu artigo, acompanhada de Jeferson e do Delegado Nilton Andrade, esteve conversando com o Secretário Grubba, onde disseram que se sentiram ofendidos com o meu artigo, inclusive ela recém nomeada para o cargo. Pensei comigo: "Não, não, será que foram fazer média com o Secretário às custas do olheiro, distorcendo os fatos?". Sandra argumentou que o meu acesso na rede "pctodos" havia sido censurado (usou o termo eufemístico "modulado"). Durante o curso da conversa, Sandra relatou que me admirava muito e que tinha todos os meus e-mails em arquivo, mas que não poderia admitir que eu acessasse a rede "pctodos", dirigida aos policiais com críticas aos Delegados, à Corregedoria, justamente porque os policiais civis não gostavam de Delegados a quem chamavam de "ze arroela" e que se sentiu muito ofendida com esse tratamento. Depois me lançou uma pergunta: "Como é que nós vamos punir policiais civis pelo uso indevido da rede se o nosso Corregedor faz uso? Que moral nós vamos ter?" Argumentei que no meu caso estava tratando de assuntos de interesse institucional e que queria colher sugestões, discutir assuntos de interesse de todos... Nada adiantou, mas Sandra se mostrou bem menos reacionária do que Jerferson, porém, com mais atitude, já que "cortou" meu acesso aos policiais civis, impondo uma "censura".

Horário: 12:00 horas: 

Quando estava saindo da Corregedoria encontrei o Delegado Jeferson próximo à porta de saída e o interpelei. Quando me aproximei Jeferson começou uma saraivada de frases todas dizendo que havia ficado muito chateado comigo em razão do meu artigo, inclusive que chegou a conversar com o Secretário Grubba, juntamente com os Delegados Nilton Andrade e Sandra Mara Pereira e eles também se revelaram "ofendidos" com meu artigo. Parece que de nada adiantou meu pedido de descupas e o argumento que minhas críticas não eram dirigidas a pessoas e sim ao órgão correcional. Jeferson chegou a me interroper para lembrar que eu já estava sendo processado criminalmente pelo Delegado Thomé por dano moral, cujo termo circunstanciado foi deflagrado por sua ordem. Interrompi e disse que a "queixa-crime" foi rejeitada pela Justiça e tudo foi arquivado. Jeferson meio que gaguejou, pois parecia esperar um outro resultado, porém, conteve a sua surpresa. Reiterei que ele havia interpretado mal o que eu escrevi e ele vei com tudo, dizendo que já havia me advertido para não escrever na "rede", pois era um "corregedor". Argumentei que na sua época em moderava, mas que agora ele não estava mais na Corregedoria da Polícia Civil e sim na Segurança Pública. Jeferson insistiu que as minhas denúncias era contra ele na época que era "Corregedor da Polícia Civil". Reiterei que não era verdade, que não quis denunciar colega algum, apenas critiquei o órgão correcional. Jeferson insistiu que trabalhou muito e que não admitia críticas, inclusive, que prezava muito o seu nome. Interrompi para dizer que também prezava o meu. Jeferson chegou a me indagar se eu tinha retirado os documentos que utilizei no meu artigo de algum procedimento que estava presidindo, imediatamente rebati dizendo que se tratava de documentos do Ministério Público e que não havia procedimento disciplinar algum (na verdade ele queria saber se eu havia cometido fato grave de violação de sigilo profissional). Nos despedimos nesse clima, sendo que eu afirmei que iria rever meus artigos, minha forma de expressar quando Jeferson disse que eu ofendia as pessoas com o que escrevia e que alguns não gostavam das minhas "estórias", ao mesmo tempo que me incentivava a continuara a escrever sobre História da Polícia Civil.  Reiterei várias vezes para Jeferson que o mesmo fez uma boa administração e que jamais foi meu intento tecer qualquer comentário contra a sua pessoa, muito pelo contrário, o mesmo aplicado a outros "corregedores" e que minhas críticas foram contra o modelo de "Corregedoria" que temos, bastante ultrapassado em diversos aspectos.

Assunto:

"Projeto Corregedoria"

De:

Felipe Genovez     

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Enviada em:

06/02/15 12:31

Para:

anitz@pc.sc.gov.br

anitz@pc.sc.gov.br   

Resposta para:

Felipe Genovez

Caro Dr. Nitz, depois do nosso contato de ontem conversei primeiramente com a Delegada Sandra Mara e, a seguir, com o Delegado Jefferson. Sobre isso, queria primeiramente registrar:

a) A Delegada Sandra Mara me comunicou que em razão de um artigo que escrevi na rede "pctodos" (ProCor ou Ultraje a Rigor?), sobre o "órgão":  Corregedoria da Polícia Civil", teve que solicitar a "modulação" do meu acesso a essa via eletrônica, considerando que minhas opiniões tiveram cunho ofensivo a ex-dirigentes deste órgão correicional, inclusive, a ela (registre-se: recém nomeada para o cargo). Disse mais, que chegou a conversar com o Titular da Pasta sobre o conteúdo da minha matéria. Como já estou há mais de uma década neste órgão correcional e considerando o teor do referido artigo (e como as informações/interpretações podem ser levadas até a direção da Pasta),  faço os seguintes esclarecimentos:

1.  Tenho a maior estima por todos os "Corregedores"  que passaram pela direção deste órgão, reconhecendo que dentro dos seus limites fizeram o seu melhor (seria muita pretensão de minha parte querer criticá-los...);

2. Em momento algum este subscritor quis atacar colegas de trabalho,  eis que considero que já somos uma categoria carreada de vulnerabilidades, então não me prestaria para tanto;

3. Entretanto, reitero o conteúdo do referido texto no sentido de que é preciso se modernizar urgentemente a Polícia Civil como um todo (Lei Orgânica, efetivo e etc.), todavia, se isso não se confirmar por ‘ene’ motivos, minha proposta (na condição de amigo, parceiro e Delegado-corregedor) é que façamos mudanças pontuais, como  na "Corregedoria", a partir de uma legislação que venha ao encontro de uma instituição digna e respeitada (pergunto: como posso trabalhar num órgão há mais de uma década e não lutar para melhorá-lo?);

4. Em sã consciência jamais atacaria colegas de trabalho pois como é sabido, a partir de publicações históricas, tenho procurado deixar um pouco do meu legado para que as atuais e futuras gerações conheçam a relevância da nossa existência e que tenham consciência de que é preciso mudar/modernizar a nossa "Casa";

5. O anteprojeto em anexo  possui todas as informações que julgo necessárias para esse processo de modernização e como forma de rompermos com uma estrutura aquém da realidade e uma legislação superada (no texto publicado utilizei a expressão "obsoleta", referindo-me ao "órgão", jamais a "colegas");

6. Como já disse, não é preciso muito esforço para se interpretar o que escrevi, lamentando que não tenha sido explícito o necessário (talvez limitações de espaço e tempo), pois, reitero, sempre estive à frente de lutas pelo fortalecimento da classe como um todo (e da instituição que servimos).

 b) Com relação ao Delegado Jefferson, apesar de algumas diferenças ideológicas (conviver com a diversidade é mais que um imperativo, é uma necessidade para se aprender e se buscar a superação),  sempre o tive em boa conta, e fez uma administração merecedora de  reconhecimento e respeito. Sou testemunha que fez o melhor e demonstrou competência (o problema é a estrutura e a legislação superada que vem de muitos anos, aliás, a Polícia Civil como um todo precisa de um urgente choque de modernidade).  O mencionado colega disse que conversou com o Secretário Grubba sobre o conteúdo do meu artigo, inclusive que possuía críticas de que a Pasta é dirigida por um "Promotor de Justiça".  Sobre isso faço os seguintes esclarecimentos:

1. Tenho o maior respeito pelo Ministério Público, onde possuo velhos conhecidos, enfim, ex-colegas da faculdade de Direito/Ufsc;

2. Quanto ao Secretário Grubba, apenas para resumir, entre um "político"  e um Promotor de Justiça entendo que devemos preferir mil vezes o primeiro, por razões óbvias e que dispensam comentários (só não abriria mão para um Delegado de Polícia ou mesmo Oficial da Polícia Militar, também, por razões óbvias);

3. Mais, ainda, o Secretário Grubba, na minha humilde opinião, soube escolher excelentes nomes para a direção da Pasta e da Polícia Civil e, somente por isso, já merece todo o nosso respeito (estou à vontade para tecer esses comentários porque além dos quase quarenta anos dedicados à Polícia Civil, não pleiteio nada nesta administração, aliás, como conversamos, estou "quase" em retirada e sempre tive o afã de deixar um pouco mais para as futuras gerações. Quando me referi a condição do Secretário Grubba como membro do "Parquet", com "aspas", quis dar ênfase a importância de levarmos a sério críticas de Promotores de Justiça com relação a algumas autoridades policiais e aproveitarmos a oportunidade para romper com uma estrutura e legislação que podem/devem ser aperfeiçoadas.

c) Para minha surpresa, fui informado que a Delegada Sandra Mara Pereira solicitou a "modulação"  do meu acesso ao "pctodos". Bom, com todo o respeito, a referida autoridade policial quando ingressou (1994) na nossa carreira este subscritor já estava chegando ao cargo de Delegado Especial (1996). Mais, ainda, não desconhecendo a competência da nossa Corregedora (a quem sempre prezei e desejo o sucesso da sua administração), entendo que deveria primeiramente ter conversado com este subscritor para que externasse seu "estilo" de trabalho as suas ideias (indubitavelmente, entendo que isso é o que se deveria fazer com qualquer colega de trabalho, independente de quem fosse e de seus anos de serviço, em especial, considerando o exercício de sua liberdade de consciência em se tratando de autoridade policial). Desejo externar minha opinião no sentido de que privar policiais civis do acesso a informações sobre a História da instituição a que pertencem se constitui uma visão errônea a respeito da nossa realidade, considerando que são eles as forças vivas que mantém nossa Polícia Civil funcionando (imagine uma pessoa não conhecer a sua história, da sua família..., é possível? O mesmo se aplica a nossa instituição). Não vou pedir reconsideração dessa medida que reputo humilhante sob o ponto de vista no mínimo ético e pessoal, mas quero deixar aqui meu protesto e irresignação.

Por último, como já conversamos, estou remetendo o anteprojeto sobre a "Corregedoria-Geral da Polícia Civil".

Florianópolis, 06 de fevereiro de 2015

Felipe Genovez

Delegado de Polícia/Corregedoria”.

Data: 11.02.2015, horário: 16:00 horas:

Estava na DRP/Balneário Camboriu, no gabinete da Delegada Regional Magali quando apareceu o Delegado Sérgio Maus de bermuda, barba rala veio, que veio fazer a entrega da sua pistola automática. Logo imaginei que foi porque havia sido publicado seu ato de aposentadoria no Diário Oficial. Dias antes já havia encontrado Sérgio Maus e lhe disse que soube que seu ato de aposentadoria tinha sido publicado e fiquei surpreso ante a sua reação e desconhecimento, porém, agora era para valer, estava ali anos de história na Polícia Civil sendo descartados encima de uma mesa.  Na manhã anterior tinha encontrado Sérgio no Supermercado Angeloni daquela mesma cidade,  e conversei com ele e sua esposa, pareciam que estava no reino dos céus, especialmente ela, muito simpática e feliz por ter uma vida normal, ao lado do seu. Agora estava ali Sérgio Maus que jurou ser a reencarnação do Imperador Claudius..., o que justificava muitas de suas maldades que ao que tudo indica ficaram no passado. Sérgio parecia determinado a romper com um passado numa instituição que exigia papeis, e eu acabei me vendo no mesmo filme, aguardando também meu momento que também se avizinha, agradecendo por não ser o fim de tudo, mas um recomeço e pensei:  "assim eu espero para nós...". Lamentei depois não ter filmado, fotografado aquelas imagens que valiam por mil palavras.