RESUMO

Este artigo visa analisar as abordagens críticas a respeito dos estudos africanos, trazendo a ribalta o universo temático que contrapõe as narrativas arbitrárias e estereotipadas sobre a África outrora propagadas pela literatura ocidental com o intuito de perpetuar a lógica da superioridade da civilização europeia. Tendo em mente o ensejo basilar deste artigo que é desvelar a incongruência entre o discurso de alguns escritores ocidentais e africanos a respeito da África, decidiu-se adotar neste trabalho o conduto metodológico qualitativo fundamentalmente centrado na análise bibliográfica, ou seja, na avaliação dos trabalhos existentes sobre a temática. A história nos evidência que o advento do colonialismo e crescimento da interação dos europeus com os povos africanos aumentou exponencialmente o interesse de alguns antropólogos, historiadores e filósofos europeus em explanar a realidade das sociedades africanas. Contudo, as suas interpretações foram carregadas de idealizações subjetivas e posturas pseudocientíficas que resultaram numa interpretação afro-pessimista e simplista da realidade africana. Em contraposição a essas lógicas, emergiram alguns trabalhos escritos por africanos e afro-diaspóricos identificando as atitudes pseudocientíficas dos antigos estudos africanos, assim como de alguns pesquisadores e instituições africanos que aparentam não estarem comprometidos com a ética científica.

Palavras-chave: Epistemologia africana, Pseudocientificidade, Ruptura epistêmica.

INTRODUÇÃO

Pretende-se com este artigo analisar as abordagens críticas a respeito dos estudos africanos, destacando o universo temático que contrapõe as narrativas arbitrárias e estereotipadas outrora veiculadas pela literatura ocidental com o intuito de perpetuar a ideia de superioridade da civilização europeia e consequentemente naturalizar a lógica dominante. Tendo em vista o ensejo basilar deste artigo que é desvelar a incongruência entre o discurso de alguns escritores ocidentais e africanos a respeito da África, decidiu-se adotar neste trabalho o conduto metodológico qualitativo fundamentalmente centrado na análise bibliográfica, ou seja, na avaliação dos trabalhos já existentes sobre a temática.

No primeiro momento revisitarei os trabalhos da literatura europeia sobre o continente africano e suas práticas culturais, trazendo os escritos considerados pseudocientíficos e dissimuladores pelos teóricos africanos. No segundo momento, explorarei os trabalhos dos teóricos africanos que contrapõem as interpretações feitas por alguns teóricos europeus, e por último, discutirei sobre o papel das instituições de pesquisas africanas na busca pela autonomia e ruptura com as narrativas históricas infamantes sobre a África. [...]