É isso que se diz quando uma ligação é feita de forma equivocada: “Desculpe, foi engano”. Acontece quando você fez algo que não deveria, ligou para quem não queria. Procurou quem não estava sendo procurado. Quando de forma totalmente despretensiosa, sem querer mesmo, age impulsivamente e fala com quem não quer ouvir nada. Ou não precisa ouvir, sabe-se lá. Quando você olha com predileção quem não merece ser visto. Quando você ajuda quem não merece a mão estendida, o coração aberto e os braços prontos a acolher, abrigar, cuidar, dar carinho e ajudar na ressignificação, na reconstrução, no recomeço. Semelhante ocorre quando você elege quem não merece a eleição, mas feito isso, sente-se no direito de dizer e fazer o que quiser, sem quaisquer sintomas de preocupação, atenção e respeito. Aliás, respeito não se confunde. Ou você tem, ou você não tem. Fora disso, é engano. E não há que haver medo por nada disso. O medo não evitaria nada. O teu dever de acertar está intimamente ligado ao teu direito de errar. Equívocos fazem parte do contexto de qualquer um, por isso mesmo deveria haver mais complacência perante as coisas que não saem exatamente como o planejado. Enganos devem ser superados e esquecidos. Quem os comete, não. Mas é difícil entender profundamente um coração pisoteado, é mais fácil empurrar para baixo. Puxar para cima dá mais trabalho e ninguém tem mais tempo para corrigir enganos. A preferência é pelo “dane-se” e ademais é vida que segue. É estrada a ser percorrida, com ou sem alguém do lado, dá pra levar sozinho, não tão na boa, mas você é forte, tem luz, ou pelo menos, um brilho um pouco ofuscado pela poeira acumulada dos enganos desculpados...

 

Com vídeo da música Passado – Fresno – http://youtu.be/PrFXQ7n8JaU