DELEGADOS-PILOTOS DJALMA ALCÂNTARA E EDUARDO SENNA E O SERVIÇO AÉREO TÁTICO:

Dia 16.02.05, por volta das dez horas fui colher o depoimento do Delegado Djalma Alcântara do SAT (Serviço Aéreo Tático da Polícia Civil) que trabalhava juntamente com o Delegado Eduardo Senna. Djalma fez algumas revelações no sentido de esperar que a política desenvolvida pelo Delegado-Geral na área de aviação policial continuasse sendo uma prioridade. O Delegado Djalma demonstrou estar entusiasmado com o que fazia e tanto ele como o Delegado Senna esperavam que no próximo ano (2006) fossem ultimados contratos com uma empresa de São Paulo que fornecia a aeronave Pelicano e que os dois pilotos fossem mantidos. Também, elogiou o helicóptero, chamando a atenção para o apoio que estava prestando às operações policiais civis,  o patrulhamento noturno com o uso de um potente emissor de luz e à economia do aparelho que usava gasolina pura e consomia cerca de sessenta litros por hora de vôo. Cheguei a perguntar:

- “Mas eu acho que utilizar Delegados para atuarem como pilotos não é um desperdício?”

Djalma respondeu que era uma questão estratégica, pois o curso era muito caro e um Investigador, Comissário ou Inspetor de Polícia que tivesse que freqüentá-lo  teria que despender no mínimo cerca de oitenta mil reais, sendo que depois desse feito poderia se aproveitar e abandonar a instituição e passar para a iniciativa privada onde se pagava muito bem pilotos com esse perfil. Fiquei em dúvida pois eram argumentos com certa consistência e procurei não aprofundar, apenas questionei:

- “Tem que se ver o custo-benefício de se manter uma aeronave dessas aqui”.

Djalma acrescentou:

- “Vale a pena. Outro fator é o impacto positivo que isso causa à imagem da Polícia Civil. Numa determinada operação policial quando os policiais em terra percebem a chegada do helicóptero sentem mais firmeza e a bandidagem também respeita”.

Djalma elogiou o “SAT” e a aeronave, dizendo que parecia que o Ministério da Justiça por meio da Secretaria da Segurança Pública iria fazer um convênio com a Brigada da Polícia Militar para formar pilotos de helicópteros no sul do Brasil e esperava fazer o curso de pilotagem. Comentei que o Delegado Senna tinha curso apenas de pilotagem de avião com asa fixa e que o único Delegado que tinha curso de pilotagem de helicóptero era o César Krieger, porém, o mesmo se encontrava envolvido com a Direção da Diretoria de Inteligência da Polícia Civil.  Lamentei que nossos policiais teriam que fazer curso na Brigada Militar no Rio Grande do Sul e perguntei quem seriam os candidatos  a piloto de helicóptero. Djalma respondeu que essa era uma informação que ninguém tinha, pois o Delegado-Geral não abria o jogo e até aquele momento não quis citar nome algum. Acabei fazendo uma brincadeira:

- “Sim, só falta ele mandar o irmão dele fazer o curso lá e vocês dançarem...”.

Djalma preferiu adotar uma posição estratégica e nada comentou, deixando evidente que estava na expectativa de ser um dos escolhidos e que era preferível não se queimar e fazer o jogo das habilidades. Depois que terminei a conversa na presença da Inspetora Daniela fiquei pensando: “Taí um gol marcado pelo Delegado-Geral, a aviação tão sonhada outrora,  como por exemplo por Jorge Xavier que chegou a mandar o Delegado Krieger e o Investigador Zélio fazerem o curso de pilotagem parece que em Minas Gerais, só que o helicóptero acabou não vindo... Que época, que Chefe de Polícia, jamais soube que perseguiu alguém, só tentou construir, ajudar, pacificar, engrandecer a instituição..., sim, teve o episódio nefasto da isonomia que vimos ruir por conta das estratégias de bastidores do MP e do próprio processo de despreparo dos Delegados, mas era muito pior aquele momento de “apequenamento” da Polícia Civil e ninguém dizia nada, mesmo porque o caso da isonomia foi reconquistada na gestão de Lúcia Stefanovich e, depois, também revogada logo a seguir no Governo Amin... No caso do fim da isonomia com o MP a resistência foi violenta e as conseqüências foram irremediáveis, tanto que o ex-Delegado-Geral Jorge Xavier acabou sucumbindo mais tarde. Já o processo de apequenamento  da Polícia Civil no ano de 2005 era  visível e autofágico, contava com a total subserviência da cúpula da Polícia Civil e das lideranças classistas, o que era perigoso e irremediável...”.

Um encontro com o Delegado Mário Martins em São Francisco do Sul e o efeito “madeira dura”:

Dia 24.02.05, por volta das oito horas da manhã, estava no interior da lanchonete Binot de Paumier, no centro histórico de São Francisco do Sul e para minha surpresa, quando olhei, encontrei o velho amigo Delegado Mário Martins, tido como o algoz dos Delegados Dirceu Silveira e Zulmar Valverde, que estava sentado numa mesa com uma policial civil tomando café. Fiquei pensando: “Ué, o Mário aqui? O que ele anda fazendo em São Francisco do Sul? Bom, agora ele está direto no norte a mando da cúpula da Polícia Civil...”. Procurei sair meio que à francesa, muito embora tivesse a certeza que ele já tinha me visto. Conversamos rapidamente... e depois fiquei pensando no que ele havia me revelado sobre sua noite na cidade e o que seria o efeito “madeira dura”.

O casal de Delegados Luiz Felipe Fuentes e Priscilla Cemin:

Por volta das dezessete horas fui até a Delegacia da Mulher de Joinville conversar com a Delegada Marilisa sobre uma diligência requisitada judicialmente em razão de um fato ocorrido na época que a mesma era Delegada Regional. A certa altura da conversa e das “cobranças” pude constatar que nos últimos encontros ela aparentava estar mais amarga comigo, bem diferente dos nossos primeiros encontros. Argumentei que tinha estado antes na 3ª DP/Joinville e que tinha conversado  com o Delegado Substituto Luiz Felipe Fuentes (recém casado com a Delegada Substituto Priscila Cemin). Comentei que achei Luiz Felipe muito inseguro, preocupado, tenso, temeroso, nervoso.  Marilisa imediatamente argumentou:

- “Coitados, recém casaram, estão construindo a ‘casinha’ deles. Todo mês estão pegando o dinheirinho do salário e colocando na ‘casinha’. Agora estão morrendo de medo de serem transferidos, precisas ver como eles estão com medo. Aqui está todo mundo assim, vão acabar nos matando...”.

Os gritos de “Cibele”, esposa do Delegado Hilton Vieira:

A certa altura da conversa apareceu a Escrivã Giselda Rigo (secretariava meus trabalhos correcionais) que entrou na sala da doutora Marilisa, em cuja ocasião pude observar que ela estava com o celular na mão, parecendo assustada, dando a impressão que algo de grave havia ocorrido. Logo que ela se posicionou do meu lado foi dizendo:

- “Doutor Felipe, eu fui obrigada vir até aqui, a Cibele acabou de me ligar aos gritos dizendo que era para que eu viesse até o senhor com o celular na mão, sem desligar, e dissesse para o senhor ligar imediatamente para o doutor Hilton do telefone fixo da Delegacia da Mulher. Desculpa doutor Felipe eu interferir na sua conversa, mas a Cibele conversou comigo aos gritos...”.

Imediatamente liguei para o celular do Hilton (99725968) e fui argumentando na frente da Marilisa (Giselda saiu da sala):

- “Alô, Hilton, é o Felipe. Queres falar comigo?”

Hilton respondeu com sua voz áspera, denotando raiva, rancor, autoritarismo...:

- “Felipe, nós somos policiais há trinta anos. Tu tinhas que estar em Balneário Camboriú, eu fiquei sabendo que tu estavas aí em Joinville,  quem é que te autorizou ir para Joinville? Tu és o Delegado de plantão, tinhas que estar lá na ‘Corregedoria’...”.

Interrompi Hilton:

- “Espera aí, Hilton, eu pedi para o Optemar e para o Garcez ficarem no meu lugar nesta quinta-feira. Eu tinha audiências para fazer, já estavam agendadas e também tinha diligências aqui em Joinville, por isso pedi para o Optemar e o Garcez...”.

Hilton me cortou com a mesma frieza e “implacabilidade”, dando a impressão que foi acionado pelo Delegado-Geral:

- “Felipe, tu estais me desrespeitando, tu estais faltando com o respeito comigo, tu estais de plantão, tinhas que estar lá na Gerência de Orientação e Controle, tinhas que estar em Balnerário Camboriú vendo aquela bronca lá, saiu em rede nacional a prisão do policial, o Chefe de Polícia veio me perguntar sobre o caso e eu disse que tu estavas lá. Ele soube que tu estavas em Joinville, tu tinhas que estar lá acompanhando o caso. Tu não podias abandonar o plantão...”.

Interrompi novamente:

-  “Olha Hilton, eu tinha diligências para fazer, já estavam agendadas eu tenho férias marcadas para o mês de maio e logo em seguida pretendo entrar em licença-prêmio, quero colocar os meus procedimentos em dia, quero agilizar ao máximo...”.

Hilton fez um segundo de silêncio e pareceu ficar meio que sem saber o que dizer, quando completei:

- “Bom, o jeito é eu ir para Balneário Camboriú agora ver como é que está o flagrante lá, eu vou agora, pode deixar se é isso que querem...”.

Hilton ainda argumentou:

- “Então ta, vai para lá e amanhã me apresenta um relatório!”

Durante a viagem até Balneário Camboriú, na companhia da Escrivã Giselda que permaneceu em silêncio, fiquei lembrando do Delegado Hilton Vieira, da nossa amizade desde o final da década de setenta, quando ainda éramos simples policiais civis cursando Direito, sua esposa Glória, a sua cirurgia mandibular... E, como Gerente de Orientação e Controle da Polícia Civil em 2005, a serviço da Delegacia-Geral, sua nova esposa Cibele em vigília constante e ostensividade dentro do órgão fazendo o seu papel de "controladora-geral"...

O relatório:

“ESTADO DE SANTA CATARINA - SECRETARIA DE ESTADO DA SEGUANCÁ PÚBLICA E DEFESA DO CIDADÃO - CHEFIA DA POLÍCIA CIVIL - GERÊNCIA DE ORIENTAÇÃO E CONTROLE - RELATÓRIO  (ao Delegado Hilton Vieira – Gerente de Orientação e Controle – 24.02.05) - 2 0 0 5  -  (...) Por volta das quinze e trinta horas me dirigi para a Delegacia da Mulher, a fim de conversar com a Dra. Marilisa (Delegada Regional da época – 1999), eis que soube que a moto teria sido encaminhada posteriormente para uma Central de Guincho. Foi avisado que a Dra. Marilisa estaria na CPP/Joinville, para onde me dirigi, sendo que lá fui atendido pelo único plantonista que disse que aquela autoridade policial havia se dirigido momentos antes para a Delegacia da Mulher. Foi feito um contato telefônico da própria repartição policial a fim de que Dra. Marilisa me aguardasse. Por volta das dezesseis horas e trinta minutos retornei à Delegacia da Mulher e conversei com Dra. Marilisa, sendo que fez um contato com o Major Fachini da PM/Joinville, pois entre dois mil e um e dois mil e dois foi realizado um leilão de vários bens apreendidos no depósito da Central de Guincho e provavelmente essa moto foi leiloada, eis que não possui termo de apreensão e não estava vinculada a procedimento policial algum. Em seguida fizemos contato com o Dr. Luiz Felipe da 3ª DP/Joinville, repassando-lhe as informações para que proceda as diligências que determinei (junto ao Detran, PM e DRP).