Recolhimento e premência:

Data: 12.09.08. Horário: 17:30h. Estava viajando para São Francisco do Sul e resolvi dar uma ligada para Marilisa e agradecer pelas “procurações” e advogada que havia me arranjado para fazer uma caridade. Conversamos sobre a viagem da semana seguinte e ela foi avisando aos risos:

- “Estão preparados para o fone de ouvido? Tu e Dílson vão ter que aturar este telefone sem fio...”.

Interrompi:

- “Ah, sim, é verdade, mas não tem problemas, estais melhorzinha?”

Marilisa respondeu que realizando o  de exame preventivo de mama porque  sua mãe já teve esse problema e que já havia conversado com seu médico. Fiquei pensando: “Bom, do jeito frágil que ela anda, qualquer notícia catastrófica seria  comouma pá de cal, como disse o Dirceu Silveira ela não tem estrutura emocional para suportar as adversidades, pobre Marilisa!”. Ficamos acertado que na segunda-feira próxima,  às dez horas da manhã nós a apanharíamos  na Delegacia Regional de Joinville, mas a minha vontade seria ir de avião e mandar ela e Dílson de carro por terra, considerando a minha necessidade de recolhimento e premência de  imunizar meu espírito contra tempestades emocionais reversas.

Os “Torres”:

Por volta das vinte duas horas, aproximadamente, já estava em Florianópolis e na companhia de minha mulher fui até a “Elase” (Associação/Eletrosul), onde estava se realizando uma festa de comemoração em razão da formatura da filha de Laércio Torres (Iris Torres/Direito/Ufsc). Era como se sentir no céu ou estar no paraíso. A outra filha de Laécio (Elisa Torres) também estava se formando Aspirante a Oficial/PM/SC. Conversei com ela um tempão sobre a situação dos Delegados de Polícia e dos Oficiais da PM,  fazendo um breve histórico sobre as Polícias e os desafios futuros dando ênfase ao projeto da Procuradoria-Geral de Polícia. Numa mesa ao lado estava Saulo Torres (Promotor de Justiça e irmão de Laércio), com quem conversei rápida e animadamente, cujo filho Diogo havia sido aprovado no concurso para Escrivão de Polícia. Digamos, estar próximo de pessoas dessa estirpe, além de presente, era com respirar o melhor em termos de família e amigos, nada mais puro e sublime.

Nada melhor do que um dia após o outro:

Data: 14.09.08. Horário: 12:00h. Tinha ido almoçar com meu irmão que residia em Brasília onde atuava no Ministério da Saúde. Antes, porém, a notícia boa foi que Salete, minha cunhada, havia telefonado dizendo que estavam com saudades e queriam se encontrar. O dia estava bonito e fomos almoçar  no “Restaurante Antônios”  localizado no Balneário da Cachoeira do Bom Jesus (norte da Ilha – Florianópolis), era um dia maravilhoso, bom para rever familiares, coisas tão simples e tão significativas. Rever meu irmão revigorado, responsável pela política nacional de coleta de sangue e hemoderivados..., especialmente, depois do que passou por minha causa na gestão “Lipinskiana” (Delegacia-Geral – 2001/2002) parecia uma dádiva sagrada, e nada melhor do que um dia depois do outro..., apesar de ter que rastrear o que passou e feriu agudamente inocentes.

“Entradas e Bandeiras institucionais”:

Data: 15.09.08. Horário: 11:00h. Estava em Joinville no Supermercado Big (Av. Beira Rio), e o motorista Dilson Pacheco havia ido apanhar Marilisa. Depois de uns quinze minutos, fui até o estacionamento e encontrei Dilson do lado de fora do carro me aguardando. Perguntei por Marilisa e ele respondeu que ela havia dado uma chegada no banheiro. Não passados mais do que dez minutos Marilisa apareceu e veio de encontro para o abraço e um beijo. Em seguida começamos a viagem com destino a São Paulo. Logo na saída Marilisa registrou que tinha acabado de sair do plantão e que só teve tempo de ir em casa e tomar um banho o que estranhei porque parecia inteira, diferente de outras ocasiões... e logo imaginei: “Bom, noutras circunstâncias similares ela havia comentado que toda vez que saia de um plantão tinha que dormir o dia inteiro, só acordando no início da noite, mas agora ela estava ‘bombando’, sinceramente, acho que desta vez pediu para ser liberada ou saiu mais cedo do plantão, pois seria impossível vê-la assim...”. O importante era que Marlisa estava bem, bastante receptiva, muito embora não descurasse das suas habilidades no trato pessoal, por exemplo: “Dava para observar nitidamente que ela se relacionava espontaneamente, dando a impressão que dentro da viatura conosco se sentia em casa... Mas, pessoalmente, dava para perceber que no meu caso havia um certo quê de  prevenção, distinção, circunspecção, sobriedade, representação, simbolismo, talvez pela presença do motorista”. Dilson era uma pessoa íntegra, com um bom nível de sensibilidade e experiência para saber o que dizia e onde pisava, talvez soubesse que Marilisa se sentia bem à vontade para falar sobre amenidades e nisso dava para perceber um excelente grau de empatia entre ambos, ainda mais que não se conheciam e aí entrava a questão do novo. Já no meu caso, além de velho conhecido, havia mais representação, habilidade..., considerando não só a figura do “Corregedor”, mas porque o conteúdo do meu tempo era ocupado essencialmente por assuntos de “bandeira institucional”.  Então, a interação com Dilson Pacheco ganhava espaço e corpo porque fluía naturalmente, enquanto que eu poderia silenciar e me energizar, o que fez com que eu me recolhesse, sem perder as “entradas da sensibilidade e observância”. Mas, diante das minhas expectativas, tinha que reconhecer que essa relação tridimensional poderia desencadear reações direcionadas a um fim bem mais derradeiro a tudo que vinha registrando, como se sinalizasse, desde as nossas entradas, às bandeiras e a um desencontro final. 

Grupos e a busca pelo poder na SSP:

Como tínhamos muitas horas para jogar conversa fora, durante o curso da viagem fiz alguns comentários sobre o caso “Clodô” (sindicância de Joinville que investigava os Delegados Ana Cláudia e Rodrigo Farah, ambos da Central de Polícia). Depois comentei sobre o projeto de criação da “Procuradoria-Geral de Polícia que apresentei junto com outros Delegados no ano de 1997, quando Esperidião Amin ainda era candidato ao segundo governo. Relatei como formamos um grupo de apoio aos Deputados Júlio Teixera e Gilmar Knaesel... Também, comentei como um outro grupo de Delegados (Lipinski, Redondo e Rachadel) e mais o Perito Celito Cordioli, vinculados ao Coronel Pacheco (ex-Deputado Estadual e Secretário da Segurança Pública – 1991 - 1994), acabaram mudando de lado e apoiando Júlio Teixera (também Delegado de Polícia) que acabou nos abandonando para aderir o grupo do Cel. Pacheco e como este trouxe Wanderlei Redondo para a direção da Segurança Pública, transformando-o num homem de informações em nível político (é possível que tenha servido Sidney Pacheco, Júlio Teixeira, Ângela Amin, Esperidião Amin, Júlio Garcia e, por último, também Paulinho Bornhausen). Também, fiz um registro sobre o porquê das desavenças entre Wanderley Redondo e o Delegado Wilmar Domingues..., inclusive, que fui pressionado para que nosso grupo formado pelos Delegados Jorge Xavier, César Amorim Kriguer, Valério Brito, Osteto, Braga, Garcez... banisse Wilmar Domingues, talvez por uma questão de vindita, ódio..., mas que  que não aceitei, razão porque acabei sendo crucificado, ou melhor, queimado perante  Esperidião Amin, justamente num momento em que apresentamos o projeto de criação da “Procuradoria-Geral de Polícia (fiz um relato sobre o encontro no Hotel Floph, no centro da Capital, no final do ano de 1997, quando Redondo testemunhou que eu estava com prestígio perante o futuro governante. Marilisa se mostrou decepcionada diante do jogo de falsidades nos bastidores enquanto argumentei que o jogo do poder era assim mesmo e que colegas acabam se especializando “dossiês” ou  em “detonar” concorrentes que buscavam o poder na segurança pública.  Também, fiz um relato sobre o encontro com o Deputado Paulinho Bornhausem, no Hotel Susin de Mafra durante o mês de setembro...