O encontro com a Delegada Karla Bastos:

No dia  01.07.08, por volta das  dez horas e trinta minutos, estava no Presídio de Rio do Sul, e aproveitei um intervalo decorrente do atraso de uma  audiência ouvida de  testemunha que estava agendada, em cuja ocasião solicitei  para o Investigador Fernando me conduzir até a Delegacia Regional de Polícia. Antes de sair a policial Patrícia Angélica – meio que contrariada – lançou uma pérola:

- “Doutor, o senhor vai me abandonar aqui sozinha?”

Fiquei pensativo sobre aquela sua  observação e  a adverti que  aguardasse a chegada do  Agente Prisional Prestes, entretanto,  que me avisasse por meio do celular quando chegasse a testemunha. Depois de alguns minutos cheguei na Delegacia Regional e fui direto para o gabinete da Delegada Karla Bastos da “Dpcami”. Percebi que a porta estava fechada e voltei para conversar com o marido de Karla que também era policial civil e perguntei onde poderia encontrá-la. Não lembrava mais o nome esposo  da Delegada  Karla, mas ele prontamente me conduziu  até o  gabinete dela  que ao me ver entrar  deu um salto da cadeira e interrompeu o atendimento de uma vítima de estupro. Pedi desculpas por ter obstado aquela ocorrência, e mesmo assim ela  veio ao meu encontro e me abraçou afetivamente. Achei bastante interessante a sua espontaneidade e na presença de seu marido que se mostrava muito gentil, perguntei se ela tinha conhecimento do nosso “projeto” e ela me questionou  se era aquele que eu já havia repassado para ela. Fiquei intrigado e perguntei se não era o da “Procuradoria-Geral de Polícia”. Karla foi comigo até o seu computador e abriu o arquivo e percebi que era aquele mesmo que tratava da “PEC”. Argumentei que estava ali para tratar de outro assunto, ou seja,  era do “fundo de aposentadoria dos policiais”. Perguntei se a Delegada Regional Patrícia se encontrava no prédio e o marido de Karla prontamente disse:

- “Acho que está, doutor. Mas deixa que eu vou lá dar uma olhada”.

O encontro com a Delegada Regional Patrícia Ávila:

Nisso fiquei mais alguns instantes conversando com Karla que parecia muito bem e sempre externando tranqüilidade e alegria. Em seguida o marido de Karla retornou e disse que a Delegada Patrícia Ávila estava me aguardando. Em razão das circunstâncias, pedi desculpas por ter interrompido a audiência e recomendei que depois  Karla se informasse com a Delegada Patrícia Ávila. Durante o trajeto até o gabinete da Delegada Regional o marido de Karla foi me dizendo:

- “Olha, doutor, o que precisar de nós aqui o senhor pode contar. Nós temos aí o cunhado da karla que é Deputado, temos contatos com outros Deputados aqui da região...”.

Agradeci e achei o marido de Karla muito educado e presente, já sabia que era um profissional comprometido e com quem se poderia contar. A Delegada Patrícia Ávila (esposa do Delegado Aldo Pinheiro D’Ávila) foi me receber na porta do seu gabinete, dispensando alguém que estava atendendo anteriormente. Aguardei alguns instantes e  Patrícia veio para o interior da sala para conversar comigo. De imediato foi dizendo:

- “Doutor, o senhor se sinta em casa. Meu Deus, aquela sindicância que o senhor presidiu contra mim...”.

Procurei ser e parecer humilde desviando o assunto e evitando sentar na sua cadeira. Percebi que Patrícia Ávila  estava trajando um terninho executivo na cor vermelha, o que reforçava seus cabelos loiros, olhos claros e pele branca. Meus pensamentos foram interrompidos quando  ela  mostrou as fotos das suas duas filhas fixadas numa mesinha no canto da parede:

- “Ta vendo aquelas ali, doutor? São minhas duas filhas”.

Olhei rapidamente, porém, não fiz comentários. Em seguida tomei a palavra e passei a fazer comentários sobre nosso  “projeto que tratava sobre a indenização aposentatória dos policiais em tramitação na Assembléia legislativa. Antes, porém, fui no seu computador e entrei no sítio da Assembléia Legislativa, tirei uma cópia do “projeto” e repassei para que a Delegada Patrícia Ávila desse uma lida. Feito isso, fiz o seguinte comentário:

- “Esse projeto foi apresentado pelo Deputado Darci de Matos, mas ele saiu da Assembléia Legislativa para concorrer à Prefeitura de Joinville, então a matéria foi repassada para o Deputado Jaime Pasqualini que é daqui...”.

Depois de fazer um relato a partir de um histórico sobre o projeto, desde os primeiros momentos juntamente com a Delegada Marilisa em Joinville, o encontro com o Deputado Darci de Matos, depois a entrada no circuito do Delegado Zulmar Valverde e, finalmente o encontro com o Secretário de Estado da Administração Antonio Gavazzoni e com aquele parlamentar , fui direto ao ponto:

- “Então, Patrícia, o que eu precisava de ti... O projeto tem vício de origem, então nós temos que mobilizar todo o pessoal para que haja uma pressão e os Deputados aprovem a matéria e mandem para o Governador sancionar... Eu sugiro que você reúna todo o pessoal aqui, principalmente os Delegados para a gente pressionar...”.

Patrícia Ávila pareceu se mostrar  muito interessada no assunto e externou  total apoio, razão porque continuei meu relato:

- “Tu podes anotar aí os tópicos para a reunião com o pessoal aqui no teu gabinete?”

Patrícia Ávila pegou uma folha e caneta e se preparou para as anotações e disse:

- “Eu dou aula na Faculdade juntamente com o Jaime Pasqualini, nós temos amizade. O ‘Peninha’ (Deputado) pode ajudar muito, tem também o cunhado da Karla..., nós temos quatro Deputados aqui na região que podem ajudar, deixa com a gente aqui...”.

Repassei  os tópicos para  Patrícia Ávila que se revelou bastante receptiva:

- “Por primeiro coloca aí ‘conscientização e expectativa’ (intervalo). O segundo é conversar com os policiais e formular um documento para o Deputado Jaime Pasqualini pedindo apoio e acompanhamento do projeto durante a sua tramitação nas comissões. Bom, tu faz um histórico sobre o que eu te repassei de informações sobre o projeto (intervalo). Em terceiro lugar tu colocas aí encaminhar um documento à Presidenta da Adpesc para que eles se engajem no projeto. É impensável imaginar que a Sonêa permaneça em Brasília, fugindo do Estado, que ela continue com essa estratégia de blindar o governo estadual, o Secretário de Segurança... Bom, vamos pensar com grandeza, não quero criticar ninguém, esse não é meu objetivo, mas não dá para imaginar que nossa Presidenta fique de costas para tudo o que está acontecendo aqui (intervalo). Em quarto lugar tu colocas aí encaminhar um manifestação de todos os policiais para o Delegado-Geral e para o Secretário da Segurança solicitando que eles também ajudem a aprovar o projeto. Tu sabes que o Secretário Ronaldo tem acesso ao governador, ele é deputado, tem compromissos com os policiais, então ele pode ajudar muito na hora da sanção do projeto, isso quando chegar na mesa do governador, não é? (intervalo). Por último, em quinto lugar, fazer contatos com todos os Deputados da região pedindo apoio ao projeto. É  importante criar uma energia favorável por parte de todos os parlamentares, se cada região fizer a sua parte... Eles têm que saber que o governador sancionou o projeto da Polícia Militar, então não poderá negar a possibilidade de criação do nosso ‘fundo’, ainda mais considerando que a repercussão financeira é muitas vezes menor do que o da PM. Ah, finalmente, tu anotas aí uma frase para repassar para o pessoal, é o seguinte: ‘teoria da convicção’. Seguindo a orientação do Imperador Tibérius, ao tratarmos desse assunto nos temos que ter muita convicção, acreditar no que estamos dizendo, reivindicando...”. Por derradeiro,   a Delegada Patrícia Ávila se comprometeu a fazer a reunião com todos os Delegados da região de Rio do Sul e adotar todas as providências necessárias.