“Um convite ao Delegado Optermar”:

Dia 24.06.08, horário: treze horas e quarenta e quatro minutos resolvi telefonar para  o Delegado Optemar Rodrigues  a fim de convidá-lo para integrar comissão de processo disciplinar com vistas apurar faltas atribuídas ao Delegado Gilberto Cervi e Silva e outros policiais de Balneário Camboriú. Na verdade precisava substituir o Delegado Wilson Masson (Delegado de Indaial e ex-Delegado de Piçarras) em razão de estar na terceira entrância e o acusado  ser de quarta entrância. Optemar Rodrigues de cara aceitou o “convite”. Depois, Optemar me perguntou se eu tinha lido o pacote do “Iprev” que havia sido  aprovado na “Alesc”. Aproveitei para comentar um pouco a matéria  e ele  me questionou se havia ficado  boa a regra do artigo setenta o que me fez dar com  os burros n’água porque desconhecia a redação final. Optemar me questionou  sobre o anuênio  permanência e que havia  procurado a Delegada Sonêa (Presidente da  Adpesc) para ver se acertaram a situação... Respondi de forma irônica e provocativa:

- “Ué, dizem que a Sonêa está morando em Brasília, tu não estais sabendo?”

Optemar deu a entender que acreditou nas minhas palavras e replicou:

- “Sim, mas aquilo lá é só ela? Será que não tem diretoria? Brincadeira...”.

Acabei tendo que levar a sério, mas sem desmentir  o que tinha acabado de dizer porque era um absurdo, portanto, uma brincadeira. Optemar estava guinando para a acidez discursiva no plano institucional e  aproveitei para abreviar nossa conversa, ficando acertando que teríamos tempo para conversar pessoalmente durante a fase dos trabalhos disciplinares.

Depois desse nosso contato fiquei pensando no convite formulado a Optemar, uma “personalidade” riquíssima de historietas, contos e fados dentro do universo policial, e que de certa forma teria uma importante companhia para nossos trabalhos e conversas durante as viagens que realizaríamos juntos para instruir procedimentos disciplinares.

É preciso sempre regar as flores, resgatar o tempo, as pessoas, restaurar sentimentos adormecidos, porque o tempo é um eterno companheiro que nos espreita:

Dia 25.06.08, horário: dezesseis horas e vinte e cinco minutos, recebi uma ligação de Marilisa. De imediato foi às salvas...:

- “Tudo bem, meu querido?”

Quando recebia suas ligações já dava para prever os lances  introdutórios permeados de carinho, atenção... o que fazia com que a nossa conversa fluísse o mais naturalmente possível, a não ser que ela não estivesse bem. Resolvi  deixar  nossas trocas fluírem  naturalmente, aliás, como sempre fazia,  com os pés no chão já que sabia das suas limitações, aliás,  já a conhecia de maneira razoável. Marilisa relatou  que conversou com o Deputado Darci de Matos sobre o seu substituto no nosso “projeto” que tratava sobre a “indenização aposentatória” e que  seria  minha vez de conversar com o Delegado Regional Dirceu Silveira para fazermos  contato com o Secretário da Fazenda (Sergio Alves), com o objetivo de assegurar mais um voto favorável à nossa proposta e, assim, conseguirmos maioria favorável dentro do  governo. Argumentei que na quinta e sexta estaria em Joinville e conversaria com o Delegado Regional Dirceu Silveira. Marilisa relatou que o Deputado Darci de Matos  havia ligado no dia anterior várias vezes para o seu celular, chegando até a conversar com seu ex-marido... Fiquei pensando: “Será que  ela gosta tanto assim que as pessoas vão atrás dela, será que isso a faz se sentir  importante...? Bom, essa é a Marilisa!” Depois de tratarmos  desse  assunto a conversa tomou  outro rumo, era como se não tivéssemos mais nada para conversar, e pensei: “Meu Deus, como estamos pobres de imaginação, como estamos “desérticos”,  pobres em tudo, desde a poesia, trocas..., como estamos mal de  idéias, frios nas  inflexões e reflexões interativas, despidos de intimidade,  sem notícias quentes,  teria o vendo carregado todo nosso carinho liquidificado junto com tudo mais formal, sem espaços para o essencial? Sim,  Marilisa era vulnerável demais e não havia  nada que eu pudesse  (ou quisesse) fazer naquela  altura do campeonato, porque simplesmente a fase de semeadura teria passado?”  

Marilisa e o Mar:

Na mesma sequência Marilisa havia comentado  que no próximo mês  teria  que levar seu filho a Brasília e aos risos comentou que quem saberia no futuro iria  morar por lá. Na verdade eu tinha perguntando como estava sua agenda para os próximos meses e acabei aproveitando o barco para dizer:

- “Brasília? Olha, eu morei lá um ano, mas nunca mais! Eu gosto é de estar próximo do mar, eu quero é sentir o mar...”.

Marilisa meio que se dando conta do que falou,  interrompeu:

- “Ah, sim, o mar, é mesmo, eu também quero...”.

Interrompi:

- “Ah, que é isso, tu não dissesses que estais pensando em ir morar em Brasília? Então tu não queres nada com o mar...”.

Marilisa assumiu um tom mais sério e reiterou:

- “É mesmo, eu também quero ficar próxima do mar, é bem melhor, eu adoro o mar...”.

Interrompi:

- “Ah, tu estais dizendo que queres ir morar em Brasília, não é?”

Sim, era tudo brincadeira e achei que na verdade ela  queria mesmo era me provocar, se bem que eu já a conhecia bem, saberia lidar com aquelas situações carreadas de sutilidades, apimentadas e sentimentos nobres. Aproveitei para completar:

- “O mar é tudo, como o nosso litoral catarinense, como isso nos dá um sentido de liberdade... Brasília, chega na quinta-feira todo mundo vai embora. Mas tu podes pedir uma disposição lá para a Câmara dos Deputados, não tem aquele teu amigo lá que é deputado federal, como é mesmo o nome dele, ah, sei, é o ‘Vieirinha’, não é? Eu conheço gente que está morando em Brasília, trabalhando na Câmara...?”

Marilisa me interrompeu:

- “Sério?”

Continuei:

- “Sim, conheço uns dois ou três que estão lá. De repente tu consegues uma disposição, um cargo comissionado, e assim acabas te dando bem, não é?”

Marilisa pareceu se mostrar  receptiva e alegre:

- “É mesmo, olha só, eu acho que vou mexer meus pausinhos. Vou conversar com o ‘Carlito Mers’, tenho certeza...”.

Logo que concluímos a ligação, mandei um torpedinho daqueles de antigamente para Marilisa, só para provocá-la: “Má, sempre foi ‘big’ te ouvir...E penso te encher de estrelas...  domar o tempo e te... Então, fique inteirosa!”