Um almoço com o Delegado Wilson Masson:

No dia  18.06.08,   por volta das  treze horas (aproximadamente), juntamente com o Delegado Wilson Masson, fui  almoçar no novo Shopping de Balneário Camboriu e acabamos nos acomodando numa  mesa tendo no “cardápio”  nossas críticas ácidas ao governo, à cúpula da Polícia Civil e às lideranças classistas. Comentamos que o Delegado-Geral Maurício Eskudlark era o tipo do “cara legal” que queria ficar bem com todo mundo... Já os Delegados Regionais mais pareciam  verdadeiras “vacas de presépio”, já  as lideranças classistas pareciam distantes do Estado, refugiados  em Brasília turbinando discursos quase utópico, como no caso da  malfadada “PEC 549”, tudo isso dando a impressão que era para evitar confrontos com o governo do Estado. Acabamos conversando sobre o presidente do  Sintrasp há  dezesseis anos ininterruptamente dirigindo a entidade, sendo reconduzido de forma totalmente censurável... (impublicável), muito embora os policiais civis fossem os verdadeiros  responsáveis por mantê-lo no poder.

A seguir, conversamos sobre  a possibilidade real de “alinhamento dos astros” no plano político no Estado de Santa Catarina que deveria ocorrer quando o Vice-Governador Leonel Pavan viesse assumir o governo no ano de 2010, e confidenciei:

- “Olha, Masson, eu rezo para que o Maurício, o Ademir... principalmente para que seja verdade que  tenham uma ótima relação com o Pavan,  que saibam o que estão fazendo... Eu espero que eles tenham algum projeto, alguma proposta, porque do contrário, se o próximo governador for a Ângela Amin ou qualquer um outro,  tenho certeza que nós vamos amargar, vamos comer o pão que o diabo amassou. Imagina, os Delegados ficaram cativos durante oito anos de governo Luiz Henrique sem fazer qualquer mobilização, em completo silêncio, foram oito anos de subserviência, foram oito anos só de retrocessos... Imagina Masson, hoje um patrulheiro rodoviário federal que possui segundo grau ganha mais que um Delegado inicial de carreira, então...”.

 Masson comentou:

- “É, se for a Ângela Amin  o Ademir Serafim vai se dar bem porque possui ligações com ela...”.

Acabei reiterando  sobre a necessidade de aprovarmos algum projeto de interesse institucional, como no caso  a criação da “Procuradoria-Geral de Polícia”, também, o segundo grau na carreira...

Delegado Ademir Serafim no computador:

Por volta das quatorze horas, retornei para a Delegacia Regional e fui direto para o gabinete do Delegado Ademir Serafim que estava no computador. Ademir Serafim suspendeu o que estava digitando e se voltou para me dar atenção, parecendo estar agitado, a mil... Primeiro  me perguntou como é que estavam as coisas e eu pequei pesado:

- “Bom, a última desse governo foi agora a reforma da ‘Previdência”, visse? Bom, foi ontem, aprovaram tudo. Nós agora vamos penar, os policiais aposentados vão sofrer muito...”.

Ademir me interrompeu:

- “Sim, eu não estou sabendo, será que nós perdemos alguma coisa? Nós que já temos tempo...”.

Interrompi:

- “Claro que sim. Há duas semanas atrás estive com o Secretário Gavazzoni da Administração tratando do projeto do ‘fundo de aposentadoria, não sei se estais sabendo?’ Bom, eu nem imaginava que ele perguntaria sobre o projeto do ‘Iprev’, nós estávamos ali para tratar sobre outra coisa, a Delegada Marilisa também estava junto. Eu de cara fui pontificando o projeto que ele, juntamente com Carminatti da Casa Civil e mais o Presidente do Ipesc fizeram. A certa altura ele quis me questionar sobre o  que dizia o artigo setenta, acho que quis me testar para saber seu conhecia a matéria...”.

Ademir Serafim  interrompeu:

- “Sim, aí tu dissesses na tampa, não? Ele não imaginava que tu estavas preparado, eu acho que ele é que não conhecia o projeto...”.

Argumentei:

- “Pode até ser. Bom, eu falei que a começar pelo Governador, existem os privilegiados e a patuléia. Eu disse que o governador continuará com sua aposentadoria integral, igual a Desembargador, só que quando em atividade é dez mil reais para segurar o teto, depois pula para vinte e dois mil reais, pode? Eu citei também que os magistrados e membros do Ministério Público estão satisfeitos porque não vão ter prejuízo algum, muito pelo contrário. Citei que o Tribunal de Contas e a Assembléia Legislativa estavam garantidos, até os policiais militares...”.

Ademir Serafim permaneceu  interessado em ouvir  meu relato, até que chegou um policial  conhecido dele  para lembrar  que ele teria um compromisso na Polícia Militar. Ademir Serafim imediatamente se levantou da cadeira, dando  a impressão que estava com pressa para sair. Fiquei prestando atenção nas faces de Ademir Serafim e do policial civil que se introduziu repentinamente no gabinete do Delegado Regional, parecia engraçado,   pareciam sob “encantamento”, sim, mas não pela minha presença, mas porque pareciam estar  abastecidos em seus “egos”, cheios de  um poder absoluto... Imediatamente pensei como eles estavam  cegos, estava ali integral, porém, tentava falar com  “algas”...

“Escamozidades”, “Esquemozidades”, “Escandalozidades...”?

Com a pulga atrás das orelhas em razão do “surgimento” repentino daquele policial, diante daquele  cenário marinho nebuloso me senti na condição de  “Sancho”, um “sonhador”, um “ingênuo”... enquanto meus  mirados  mais pareciam  “profissionais” do gênero “patu” , de “barriga cheia”, “virtuosos”... Ademir Serafim deixava externar no olhar um certo quê  de “escamozidades”, “esquemozidades”, “escandalozidades”... à vista,  refletido  no olhar do seu subalterno, mais pareciam noutro planeta  e o que eu dissesse ou fizesse não teria  sentido, nem despertaria  interesse algum, eram apenas meras formalidades tipo  “dispensa”, para não dizerem que já tinha passado da minha hora... Antes de bater em retirada olhei num canto do gabinete  e vi  pilhas  de uma mesma “revista” policial daquele mês empilhadas no chão (trinta ou quarenta exemplares), certamente prontos para serem distribuídos para os “amigos” na região.  A seguir, me despedi  de Ademir Serafim, só que antes de deixar o local  e liberá-lo, lembrei:- “Bom, vê se vocês não esquecem. Vê se vocês estão se preparando para quando o Pavan assumir o governo do Estado, principalmente tu e o Maurício que são muito ligados a ele... Eu rezo para que vocês tenham algum projeto para apresentar durante o governo dele, porque do contrário a nossa situação vai ficar muito complicada no próximo governo...”.

Ademir Serafim me interrompeu:

- “Tem que ver se ele vai assumir, não sei...”.

As palavras de Ademir Serafim mais pareciam processadas num liquidificador e um virado de  “escamozidade”, “esquemozidade” e “escandalozidade”, bem diferente da época em que ele formava duplinha, ou seja, estava na direção da Delegacia da Comarca  e Maurício Eskudlark à frente da  Delegacia Regional de Balneário Camboriú. Naquela época Ademir Serafim parecia  mais focado, dava realmente atenção, conversava..., olhava nos olhos...,  agora ele cresceu tanto em poder absoluto dando a impressão que nós  viramos gente de segunda ou terceira classe, pensei: “O que o poder faz?”

E, por onde andaria?

Acabei lembrando de Marilisa que não ligou, não deu mais sinal de vida, talvez tenha ido  levar seu filho no Aeroporto de Curitiba, mas não deu um retorno sequer. Certamente que essas suas idas e vidas em função de seu filho tinham  um sentido de justificar sua existência, seus movimentos... e, assim, infundir um sentido de cumprimento do dever, de se sentir útil... Até que ela sentisse a  necessidade de conversar  sobre qualquer assunto de “serviço” e assim manter seus “contatos”. Ainda bem que aprendi a conhecê-la e a lidar com sua energia, preferindo manter distância... e aproximação.