Por que Patrícia Angélica sucumbiu?

Data: 08.10.08. Horário: 10:00h. Já fazia alguns minutos que havia  chegado na  DRP de Joinville para mais uma série de audiências quando fui procurado pelo  Investigador Fernando (lotado na 2ª DP/Capital) que  fazia às vezes de motorista da Corregedoria para me repassar uma informação urgente:

- “Doutor a Patrícia está hospitalizada. Ela não dormiu a noite toda. Eu de manhã fui lá no quarto dela e vi que ela parecia um zumbi, passou a noite em claro com a pressão lá nas alturas. Eu vou lhe secretariar os trabalhos porque ela vai ficar  hospitalizada...”.

Tomado de chofre procurei permanecer  emudecido  por alguns instantes relembrando que há tempos que a Investigadora Patrícia Angélica vinha apresentando  problemas de saúde durante nossas viagens, chegando a faltar o serviço... Lembrei que também ela não havia feito  a viagem para São Paulo e Rio de Janeiro o que acabou gerando problemas, especialmente, no planejamento e realização das audiências. Outro  fato a ser considerado era a minha produtividade que em termos de cartório  estava aquém do desejado, o que começou a me preocupar e a me tirar meu foco considerando que   ansiava  que  no nosso ambiente de trabalho as coisas fluíssem como uma engrenagem, com atenção redobrada  na tramitação procedimental o isso exigiria disposição, atitude....

Na verdade a impressão era que nos últimos tempos, depois que Marilisa passou a ter minhas atenções especiais, Patrícia Angélica  havia perdido um pouco o interesse em viajar, além do mais, talvez se sentisse um pouco ofuscada, além disso, parecia não ter  mais estrutura e saúde para cumular as atividades de cartório e viagens com a sua faculdade de Direito. Ademais, ela tinha a sua vida particular, suas viagens para visitar  familiares (Governador Valadares – MG), cuidar mais de si e da sua beleza (já que tinha suas vaidades...), dar atenção a seu lar e ao namorado... Dentro desse quadro a impressão era que o tempo despendido para o  trabalho correcional acabava prejudicando seus interesses, o que não ocorria anteriormente até porque  após a saída do Delegado Sérgio Maus (que agiu como seu algoz... e lhe trouxe muitos traumas...) eu a  amparei e passei a atuar como  uma espécie de  seu  “protetor” (não sei se seria isso, mas estava  sempre procurando orientá-la...). Diante dessa notícia me pus a pensar: “Desse jeito Patrícia só está botando dinheiro fora e perdendo tempo fazendo  faculdade de Direito, porque do que vai servir seu título se não procurar se dedicar aos serviços? Claro que  ela tem suas qualidades..., mas por que será mesmo que ela sucumbiu?” 

Maurício Eskudlark vive (conversa com o DRP Dirceu Silveira):

Por volta das horas da manhã  estava ainda na DRP  de Joinville conversando com o Delegado Dirceu Silveira que  a certo momento reiterou que nas reuniões que realizava  semanalmente com o pessoal da sua região a tônica era  única: A assembléia regional da Adpesc no final do mês e as expectativas por melhorias salariais para os policias civis. Nesse ponto estávamos sintonizados, pois afigurava-se que tudo era um faz de conta, uma enrolação, um empurra-empurra com a barriga, e quando mais o tempo passasse melhor. Acabamos conversando sobre o processo disciplinar que estava presidindo contra a policial Elizete Felipe Querino. Sem muitas pretensões entramos no assunto “Delegado Marcucci” que não conseguiu se reeleger ao mandado de vereador em Joinville. Aproveitei para fazer o seguinte comentário:

- “Bom, nesse ponto tem que se tirar o chapéu para o Maurício Eskudlark, cara de coragem, segurar tanta coisa, tanta gente...”.

Dirceu Silveira me olhou, assumiu ares de sobriedade, dando a impressão que havia sido provocado, parecia intrigado com meu  comentário e resolveu  me interpelar:

- “Não entendi Felipe. Então tu achas que está certo segurar esse tipo de gente. Quer dizer que tu concordas que o Maurício está certo em segurar esses c.  todos...?” 

Era uma censura direta que  transcendia a muita coisa...,  e em frações de segundos lembrei das informações de bastidores sobre arquivos de fotos que um dia Marilisa acessou no meu computador..., histórias sobre o passado de autoridades que um dia detiveram poder... e de como Dirceu Silveira mudou o tratamento comigo passando a me ver com alguém a ter por perto, talvez como um aliado, sem contar  outras  preocupações  de ordem correcional... Resolvi  quebrar o silêncio em razão daquela forma de cobrança  porque meu interlocutor parecia  ávido por uma resposta imediata:

- “Eu quis dizer que se o Maurício alivia um caso por interesse político, então porque iria usar dois pesos e duas medidas para punir  outro policial num  caso idêntico? Acho q. nisso ele tem demonstrado coragem porque eu jamais faria isso...?”

Dirceu Silveira deu a impressão que não assimilou bem minha resposta e continuou:

- “Sei, sei, tipo o caso do ‘C.’ que arquivaram tudo. Mas tu concordas com isso?”

Respondi:

- “Não é isso. Não é o só o caso do ‘C.’, são muitos outros casos. Olha só o caso do ‘Osmar’ lá em Mafra que eu estou investigando, olha! É só uma jogada para pressionar o Osmar a deixar a Delegacia Regional, mas é claro que ele não vai ser demitido. O que eu quis dizer é que se for para ter dois pesos e duas medidas então  prefiro que o Maurício mande arquivar tudo, mas que fique bem claro Dirceu que sou contra isso...”. 

A grande família:

Dirceu Silveira fez uma cara de não muito satisfeito com a minha resposta, mas procurei ser verdadeiro, muito embora talvez quisesse ouvir que eu achasse que o nosso Delegado-Geral fosse o máximo, justo, bom, o melhor de todos os tempos... e que tinha que ‘aliviar’ nossos pares quando fosse do seu interesse, seria isso?  Fiquei imaginando: “Certamente que esse Dirceu não me conhece, é só olhar a minha posição e a dele, o meu passado e o dele, a minha história e a dele..., nunca fui delegado-deral, regional, diretor ..., claro, todo mundo com seus altos e baixos...”. Depois conversamos sobre seu sogro (Bizoni) que mais uma vez se elegeu vereador pelos Democratas em Joinville, super ligado ao Governador Luiz Henrique da Silveira.

Os três mosqueteiros (“o bem anda à tartaruga, o mal a galope...”):

Deixei o gabinete do DRP  agradecendo de não ter me aprofundado sobre algumas questões polêmicas, a começar pelo valor da “coragem”  que tem seu peso tanto para o bem como para o mau, aliás, quando se tratava desta as pessoas chegavam a extremos inimagináveis, lembravam os três mosqueteiros, entretanto, quando era para defender o bem... Como Dirceu Silveira tinha  sido um “gentleman” comigo, achei que agi corretamente na questão não só da habilidade, mas com o devido respeito porque não me passei, aliás, sobretudo, porque éramos  todos parte de uma mesma “grande família”. No final da conversa perguntei para Dirceu Silveira quem ganhava o segundo turno para a Prefeitura de Joinville e ele foi firme em indicar que seria  Carlito Mers.  Aproveitei para comentar:

- “Mas eu acho que os policiais aqui não deveriam se manifestar. Imagina o Darci de Mattos apresentou aquele nosso projeto lá de indenização aposentatória e agora como gratidão os policiais aqui ficam arrotando que vão votar todos no Carlito. Bom, eu sei que tu não. Tu votasses no Darci...”.

Dirceu meio que se retorceu na cadeira e me indagou:

- “Quem disse isso?”. 

Respondi de pronto:

- “A tua secretária ali. Ela sabe tudo de ti...”.

Dirceu Silveira meio que surpreso desmentiu na hora:

- “Não, não é verdade...”.

Fiquei pensando: “Bom,  se o ‘Carlito’ vai ser o prefeito então o Dirceu espertamente já descartou o voto para o ‘amigo de futebol Darci’. Mas a secretária de Dirceu não mentiria...?” Depois, eu próprio recebi essa informação da Investigadora Jackeline, do Comissário Ângelo Canteli...,  todos em coro deixando nas entrelinhas que iriam  votar no Carlitos... Diante disso a minha impressão era que  os policiais  de Joinville não mereciam o empenho do Deputado Darci de Mattos que defendia nosso  projeto da indenização aposentatória. Muito  embora ele não fosse  nenhum santo, mas na política existiriam santos?  O projeto estava em tramitação na  Assembléia Legislativa e  Marilisa havia divulgado  o assunto, inclusive nas reuniões semanais realizadas na DRP. E me perguntei: “Mas afinal, isso era coisa de uma grande família...?”