Caminhos da morte do homem: do século XVIII às crises do século XXI[1]

Neri de Paula Carneiro[2]

neri.car@hotmail.com

 

Usaremos as reflexões seguintes com a intenção de mostrar como os problemas e crises enfrentados e superados ao longo da história produziram o mundo em que estamos vivendo e a coisificação do homem. Para isso partimos da afirmação de que nosso mundo, por ser um elemento cultural, não nasceu pronto, mas foi produzido no conjunto e processo interativo da sociedade e da natureza. Nosso mundo é resultado da ação humana. Ao longo da história humana podemos observar constantes interferências do homem: na natureza, alterando o ambiente; na sociedade, alterando a história. Por conta dessas interferências nasceram as ciências; assim se faz filosofia... e dessa forma o mundo se inova produzindo novos problemas na medida em que se procura solução para os problemas do momento. Aqui não vamos rever e analisar todas as interferências e alterações produzidas pelo homem desde as origens. Partiremos de alguns elementos que se desenvolveram a partir do século XVIII, mas cujas fontes e raízes vêm do Renascimento até chegar à morte de deus e do homem.

 

1- O Renascimento

Sendo assim, devemos nos perguntar: o que foi o Renascimento? Podemos dizer que foi um momento histórico ou um período no qual a humanidade “passou a limpo” os valores norteadores das relações sociais originários do cristianismo medieval e colocou as bases para as revoluções que se sucederam: na política, na economia e na tecnologia e em outras dimensões da sociedade humana. Assim podemos dizer que o Renascimento foi o ponto final do mundo antigo e começo do mundo atual. A superação dos problemas antigos se deu pela inauguração de novos problemas.

Sabemos que os valores e as referências do mundo medieval estavam na religião, ou seja era um mundo teocêntrico. Entretanto a preocupação não estava em mais aproximar o homem de Deus, mas em fazer com que todos respeitassem a instituição eclesiástica. Por isso podemos dizer que a idade média não era só teocêntrica, mas principalmente eclesiocêntrica. Era a Igreja quem determinava a verdade, inclusive controlando a investigação filosófica.

No processo renascentista a superposição da Igreja passou a ser questionada na medida em que outros valores foram sendo apresentados como alternativos àqueles defendidos pela Igreja. E isso se num longo processo.

Se recusarmos a ideia de que a renascença do século XV foi uma espécie de passe de mágica que mudou num estalar de dedos todo o panorama da cultura ocidental, estaremos preparados para perceber várias outras renascenças anteriores: a carolingea, no século IX, a do século XII, a do século XIII. De todo modo estas datas representam momentos importantes em que o quadro agostiniano do ‘despojamento dos egípcios’ e do ‘entender para crer e crê para entender’ foi posto em prática, permitindo colocar a serviço da fé os recursos da cultura profana (NASCIMENTO, 2004. p. 17)

Podemos dizer, portanto, que o coroamento da Idade Média, com os avanços e tropeços desses mil anos de história, foi o processo do Renascimento o qual inaugurou os Tempos Modernos. O renascimento, portanto foi mais do que um evento ele se caracteriza como um processo que vem da Idade Media e penetra o mundo moderno redirecionando-o até o período das revoluções que redefiniram as relações sociais, políticas e econômicas da Europa.

Com o Renascimento não mais Deus e a fé ou a palavra da Igreja, mas o homem e a razão foram colocados no centro das referências: a razão científica se impunha sobre a irracionalidade da fé. Era o inicio de uma revolução não só no pensamento como e principalmente na capacidade produtiva, pois se instalava definitivamente um novo modo de produção, o capitalismo, que definitivamente sepultava o regime feudal.

 

2- As revoluções

As interferências na natureza e na sociedade, como mencionado acima, tornaram-se muito mais claras ao longo do século XVIII, evidenciando-se no conjunto de revoluções que se produziram nesse período. Podemos dizer que o mundo mudou radicalmente a partir do processo iluminista, passando pela independência dos Estados Unidos, pelos movimentos sociais em favor da independência em toda a América Latina e as duas revoluções que marcaram o início do mundo tecnológico: a Revolução Industrial e a Revolução Francesa. O conjunto de alterações do século XVIII produziram ciências novas como a sociologia a ciência da sociedade, e a antropologia, como ciência da cultura humana. Além de avanços na física e na mecânica que vinham do processo renascentista.

Séculos antes o processo renascentista havia iniciado várias transformações as quais foram produtoras de novos efeitos construídas ao longo dos séculos seguintes, gerando o fenômeno do Iluminismo. Por isso dizemos que o iluminismo teve suas raízes lançadas no movimento renascentista, mas produziu frutos nos séculos seguintes nos escritos dos pensadores iluministas franceses, desde Voltaire, passando por Rousseau, Montesquieu até chegar aos enciclopedistas Diderot e d´Alembert. O que os iluministas queriam? Fazer com que a luz da razão sepultasse as “trevas” do medievalismo ainda existente e que estavam retardando o desenvolvimento do capitalismo. Notemos, portanto, que o motor das mudanças são os interesses da burguesia procurando se sobrepor à nobreza em declínio.

Foram os mesmos ideais iluministas, juntamente com pressupostos liberais que fundamentaram a ação dos colonos norte americanos quando desencadearam um processo que culminou em sua independência. A partir disso os ideais de liberdade se expandiram. Deram asas a movimentos libertários em todo o continente americano. No Brasil esse ideário esteve presente em várias manifestações pró-independência, principalmente na inconfidência mineira; na Europa fundamentaram a Revolução Francesa, pela qual a burguesia cobra a ascensão ao poder.

Simultaneamente ao processo Iluminista outro movimento estava ocorrendo a partir da Inglaterra: a Revolução Industrial, com base no empirismo e também em ideias liberais. O berço dessa revolução foi a Inglaterra, mas suas origens remontam a pensadores da antiguidade como Aristóteles, que se ocuparam em explicar a realidade não só pela observação, mas também pela possibilidade de comprovação e a experimentação.

É verdade que a base filosófica sobre a qual se assenta a Revolução Industrial foi o empirismo, entretanto essa corrente filosófica se desenvolveu a partir da revisão lógica desenvolvida por Francis Bacon e depois continuada por outros pensadores ingleses: Thomas Hobbes, John Locke, George Berkley e David Hume. A menção a estes nomes já nos indica a proximidade teórica entre o empirismo e o liberalismo. E isso porque tanto o iluminismo como do empirismo se desenvolveram num momento da história em que se solidificava o pensamento liberal, ou seja, a burguesia estava de fato de as bases do capitalismo.

Assim temos o quadro desenhado: da Inglaterra se expandem as ideias empiristas que produziram a Revolução Industrial e da França se expandem a ideias iluministas que produziram várias alterações políticas pelo mundo, cabendo um realce especial para a Revolução Francesa. Estes dois processos revolucionários produziram um novo mundo; e ele se desenvolvia sedento de tecnologias e repleto de possibilidades de produções.

 

3- O Liberalismo

Esse quadro, entretanto, ainda não está completo, para explicar o mundo atual que, como estamos afirmando, se originou das revoluções do século XVIII. Vimos que ocorreram transformações na produção: revolução industrial; e na política: revolução Francesa. Faltava uma revolução para recolocar os fundamentos da economia: o liberalismo.

Entendemos que os fundamentos da sociedade e das relações sociais se assentam na economia. Sendo assim, se nos indagarmos sobre as bases do nosso mundo, veremos que elas foram lançadas pelo Liberalismo, a corrente de pensamento que se desenvolveu principalmente a partir dos escritos de John Locke. A superação do medievalismo ocorrera também por conta de revoltas populares, mas as ideias comunais foram derrotadas, impondo-se “um processo diametralmente oposto: a eliminação das terras comunais através dos cercamentos e sua transformação em propriedade”, lembrando que propriedade privada é um dos elementos definidores do capitalismo. E o liberalismo é sua ideologia de sustentação. “Dos pilares constitutivos da ordem capitalista, propriedade e liberdade, foi esse último que deu nome a esse ideário. E liberalismo tornou-se a ideologia da sociedade capitalista, ou burguesa”, (DEÁK, 2010?).

No site www.suapesquisa.com, encontramos a seguinte afirmação: “O pensamento liberal teve sua origem no século XVII, através dos trabalhos sobre política publicados pelo filósofo inglês John Locke. Já no século XVIII, o liberalismo econômico ganhou força com as ideias defendidas pelo filósofo e economista escocês Adam Smith”. Esse mesmo site apresenta alguns dos pressupostos ou princípios liberais: “Defesa da propriedade privada”; “Liberdade econômica (livre mercado)”; “Mínima participação do Estado nos assuntos econômicos da nação (governo limitado)” e “Igualdade perante a lei (estado de direito)”. Princípios esses que colocavam um ponto final em possíveis resquícios de feudalismo e sedimentavam os fundamentos do capitalismo. A burguesia definia seus princípios de ação.

E o capitalismo que se desenvolvera a parir do renascimento era um dos elementos produtores das crises sociais que se agravavam no século XVIII. Como se caracterizava esse novo modo de produção? Com a ampliação das condições que possibilitavam à burguesia mais concentrar rendas às custas do trabalho assalariado. Notando que esse salário era sempre insuficiente para suprir as necessidades do assalariado (sem contar as extensas jornadas de trabalho). Aparecia a impressão de liberdade, pois o trabalhador não era escravo, mas as condições de vida desse trabalhador eram piores do que aquelas dos escravos. O ponto central deixava de ser a posse da terra, como fora no feudalismo, e passava a ser o lucro. E o grupo social que concentrava os lucros era  burguesia. Não mais a nobreza nem a igreja ou os senhores feudais detinham o poder, por possuírem títulos ou terras, mas a burguesia por possuir condições de acumular capital às custas do trabalho mal remunerado. Era a nova sociedade fundamentada no liberalismo.

Notamos, assim, que as relações sociais e econômicas se haviam alterado. A ação humana havia produzido não só novos problemas e novas necessidades, como novas respostas teóricas. Começava e se fortalecer a ideia de que o lucro devia se sobrepor “livremente”. Essa, portanto, foi a função do liberalismo: teorizar essa nova realidade.

 

4- Alguns problemas sociais

Podemos dizer que a conjugação dessas três vertentes filosóficas (iluminismo, empirismo e liberalismo) produziu não só as alterações específicas da filosofia, mas recolocou as bases da sociedade. O mundo feudal ruiu definitivamente abrindo espaço para outro modo de produção: o Capitalismo. As bases sociais mudaram e as alterações nas relações sociais estavam se impondo para a construção do novo mundo. Nasceram cidades e, ligadas a elas, se desenvolveu a indústria. Ao lado da face comercial do capitalismo apareceu a face industrial. Em razão disso as relações sociais se alteraram. Os burgueses aumentaram sua expectativa de lucro às custas do trabalho de uma multidão crescente de trabalhadores famélicos. As inovações tecnológicas haviam produzido aumento da possibilidade de produção e, com isso, mais lucro. A perspectiva do aumento do lucro aumentou as situações de exploração do trabalhador, diminuindo a garantia de direitos individuais e sociais. Esse quadro de crises, evidentemente, exigia explicações.  Para dar conta dessas crises nasceram novas ciências.

As ciências que haviam nascido a partir do Renascimento tinham uma destinação: produzir conhecimentos a serem transformados em instrumentos mecânicos e tecnológicos. Mas agora estavam aparecendo crises sociais. Eram necessárias outras ciências, para explicá-los: as ciências sociais.

O quadro de crises decorrentes das novas descobertas e do inicio da industrialização foi o terreno em que germinou da sociologia, como uma ciência capaz de explicar as novas relações sociais. Notando que ela surge não para mudar, mas para explicar e, com isso, fornecer instrumentos de controle e manutenção da situação. Da mesma forma que havia produzido a antropologia para explicar os comportamentos das sociedades consideradas exóticas e que não possuíam os mesmos valores e modelos das sociedades dominantes da Europa. Também esse um conhecimento que abria possibilidade do controle sobre a sociedade diferente. As nações europeias consideravam-se superiores e mais desenvolvidas e justamente por isso consideravam-se com direitos sobre os povos africanos, americanos e de outras regiões do mundo. Eram as bases não só do colonialismo, mas de uma nova postura, o imperialismo. Postura essa que, no final do século XIX e durante o século XX produziria algumas das principais guerras dos tempos modernos em virtude dos desentendimentos entre os líderes das nações, ao partilhar o mundo em zonas de influência e de exploração. Partilha que se repetiu após a segunda guerra mundial, com a divisão do mundo entre os capitalistas e socialistas, separados pelo muro de Berlim, pala “Cortina de Ferro”...

Cabe lembrar que no século XVI, Thomas Morus acenava para o problema da concentração fundiária que ampliava a exclusão econômica e aumentava o empobrecimento dos trabalhadores:

para que um só glutão de apetite insaciável, temível flagelo para sua pátria, possa delimitar com um só cercado milhares de alqueires como só seus, cultivadores serão expulsos de suas propriedades, muitas vezes despojados de tudo o que possuíam. (2006, p. 25).

A concentração de riquezas, portanto, passa a ser um problema social, pois a concentração é o outro lado da exclusão. Como explicá-la, de forma que as relações sociais não se alterem? Como justificá-la para que os trabalhadores não se revoltassem?

Ao lado desses, a industrialização produziu outro problema: os que nasceram da urbanização. Para ter trabalhadores acionando e operando as máquinas, a indústria necessitava de muitas pessoas trabalhando. Essas foram recrutadas entre os incontáveis trabalhadores rurais que se transferiram para as cidades que cresciam desordenadamente e sem condições infra estruturais de saneamento, segurança... Além disso, os salários e as condições de vida na cidade eram insuficientes e degradantes. Essa situação aumentou não só os conflitos sociais (roubo, violência, prostituição...) como os dramas pessoais: aumentaram os índices de suicídio em razão da miséria e da falta de perspectivas. Trata-se, portanto, de um emaranhado de problemas sociais que nasceram e foram justificados pelas correntes filosóficas nascidas com o mundo nascente.

Quais as bases sobre as quais se assenta o mundo moderno? Embora essa seja uma resposta complexa, podemos simplificá-la dizendo que foi a conjugação de vários elementos: ideias iluministas; ideias empiristas; a perspectiva de liberdade proposta pelo liberalismo e defendida na revolução francesa; a perspectiva de lucro, advinda da revolução industrial. Junte-se a isso, a perspectiva liberal, sobre a qual se assentou o capitalismo. Costurando esses fatores, os problemas sociais que se instalaram e cresciam, cindido a sociedade entre aqueles que acumulavam lucros e aqueles para os quais sobravam os problemas.

A conjugação de todos esses elementos alterou não só a sociedade como as relações sociais e as bases econômicas. Como explicar essas mudanças? Com os métodos que se organizaram pelo espírito cientificista do final do renascimento.

 

5- O mundo sem controle ou algumas contradições do capitalismo

E se nos perguntássemos por qual motivo tudo isso estava acontecendo? A resposta pode ser dada ao dizermos que o ser humano é o senhor da história e cria o mundo de acordo com seus critérios.

O ser humano é completamente diferente dos demais existentes e viventes. Sabemos que: a) a atividade humana se diferencia daquelas realizadas pelos animais. b) o ser humano possui um sistema de comunicação distinto dos animais e que somente ele é capaz de trabalhar. c) todo ser vivo interage com o ambiente, mas que somente o homem é capaz de, conscientemente, transformar o meio em que se insere, pois somente o homem é um ser trabalhador. Em razão disso dizemos que é pelo trabalho que o homem, não só se humaniza como também assinala o mundo ao produzir cultura e, esta sim, é um dos elementos essenciais para a diferenciação do homem em relação aos demais viventes.

Mas esse ser, trabalhador e produtor de cultura, produziu um mundo tremendamente complexo que está fugindo ao controle. O mundo, como o conhecemos atualmente, é produção humana, mas quando o observamos, temos a impressão de que se trata de uma “charrete que perdeu o condutor”, como cantou Raul Seixas.

Hey! Anos 80! Charrete que perdeu o condutor
Hey anos 80! Melancolia e promessas de amor
Melancolia e promessas de amor...

Pobre país carregador dessa miséria dividida

Entre Ipanema e a empregada do patrão
Varrendo lixo prá debaixo do tapete
Que é supostamente persa prá alegria do ladrão

Tendo isso presente, podemos nos perguntar, como nasceu o mundo atual? Como a humanidade chegou onde está?

O mundo atual, do ponto de vista da história tradicional é chamado de Idade Contemporânea, posterior à Idade Moderna que sucedeu a Idade Média. Mas isso não caracteriza nem explica as origens do mundo atual. Hoje se fala em Modernidade ou Pós-modernidade, mas esses são apenas nomes alternativos aos tradicionais e também não explicam nosso mundo. O fato é que hoje vivemos um mundo diferente, como já dissemos num outro artigo (na revista Multisaberes):

enquanto o final do século XIX e parte do século XX se caracterizaram pela morte de Deus, e a supervalorização da ciência e da tecnologia, a segunda metade do século XX assistiu à crise do sentido da existência e, em razão disso o século XXI começou como o da morte do homem e da sociedade. Nunca o ser humano foi tão insignificante como nos tempos atuais em que vale o lucro acima de qualquer outro valor. E como consequência dessas mudanças de perspectiva, ou como causa do descrédito em relação à sociedade e ao homem, assistimos um crescente descrédito em relação ao trabalho e o trabalhador (CARNEIRO, 2011, p. 17)

Se quisermos entender nosso mundo, ou como chegamos a este estágio, precisamos ter presente que o mundo atual resulta de transformações culturais, que acompanham o ser humano desde sua origem. Transformações que se acentuaram a partir do Renascimento. Podemos dizer, portanto, que os dramas atuais nascem no Renascimento e frutificam com as Revoluções Industrial e Francesa.

Esse panorama se desenhava porque além de novas mentalidades, uma nova classe social estava nascendo: a burguesia. A burguesia se apropriou do Racionalismo (Descartes), e produziu o Iluminismo no mundo francês (Voltaire, Rousseau, Montesquieu, Diderot e d´Alembert) e o Empirismo no mundo inglês (Francis Bacon, Thomas Hobbes, John Locke, George Berkley e David Hume). Com isso colocou em cheque as relações políticas medievais, onde mandava a nobreza e se apresentou como novo grupo a assumir o poder, para gerir o mundo. Essa nova perspectiva política foi possível principalmente a partir dos escritos de Maquiavel, Thomas Hobbes, John Locke. Esses (e vários outros) pensadores, colocaram as bases para Revolução Industrial e a Revolução Francesa. As transformações filosóficas foram sustentáculo para as inovações científicas e as transformações tecnológicas.

É verdade que a filosofia estava recolocando as bases da política (Revolução Francesa) e da tecnologia (Revolução Industrial) para o surgimento de um novo mundo – e de uma nova sociedade. Mas a burguesia ainda precisava de novas bases para a economia a qual foi colocada a partir dos escritos de Locke e de Adam Smith: era o Liberalismo. O caminho para o Capitalismo estava aberto. Como vimos anteriormente, que foram os interesses do capitalismo que alavancaram os avanços e problemas que se sucederam ao longo dos séculos seguintes, até os dias atuais. Na medida e na proporção em que foi se instalando como modo de produção alternativo ao feudalismo, o capitalismo simultaneamente, foi produzindo seus próprios desajustes, problemas e crises. Ou, só para usarmos uma categoria marxista, o capitalismo produzia suas próprias contradições.

As novas perspectivas filosóficas (iluminismo, empirismo e liberalismo) produziram não só alterações da filosofia, como recolocaram as bases da sociedade. O mundo feudal ruiu definitivamente cedendo espaço para o Capitalismo. As bases sociais mudaram e essas alterações exigiam novas bases e novas perspectivas. Nasceram cidades e, ligadas a elas, desenvolvia-se o rolo compressor do processo de industrialização. Ao lado da face comercial do capitalismo apareceu a face industrial. Os burgueses aumentaram sua expectativa de lucro explorando o trabalho de uma multidão crescente de trabalhadores famintos, sem perspectivas. Ocorreu que esse exército famélico precisava ser controlado e mantido na linha da produção da indústria nascente, produzindo em escala crescente para aumentar os lucros.

Juntamente a todas essas alterações filosóficas, as relações sociais mudaram. Os problemas medievais nem de longe se assemelhavam aos novos problemas que nasciam com o mundo moderno. No contexto renascentista os conflitos sociais se davam entre Nobreza e Burguesia, e seu principal problema era a permissão ou não de comercializar. Com o advento do novo mundo, em transição, o conflito seria entre Burguesia e Proletariado. Nobreza e burguesia conflituavam disputando o poder; com o proletariado o conflito se dava porque a burguesia queria ganhar mais explorando o trabalho dos proletários que também queriam assegurar seu ganho. Esse panorama era propício não só para a teorização do socialismo (utópico de T. Morus, por exemplo) como para sua organização operacional. Era necessário não só pensar o mundo, mas transformá-lo, como proporia Marx na decima primeira tese sobre Feuerbach. O socialismo passa a ser, com Marx e Engels, ferramenta de luta ideológica, política e econômica dos trabalhadores. Ao analisar a sociedade, Marx lança seu Manifesto, onde faz a lapidar afirmação “A história de toda a sociedade até hoje tem sido a história das lutas de classes”.  E conclui o mesmo Manifesto com uma de suas frases mais conhecidas: “Proletários de todos os países, uni-vos!”

Se a história é história da luta de classes, isso implica dizer que os problemas sociais, econômicos e políticos vêm acompanhando o ser humano em sua trajetória. Apenas que nos últimos três séculos assumiram proporções universais, pois além dos problemas se manifestarem, a consciência de sua existência e sua divulgação pela mídia os mostra com muito mais gravidade. Daí a pertinência da necessidade não só da união – e a união manifesta grupos opostos em conflito – como a necessidade de transformação – que também evidencia o conflito.

Os novos conflitos produziram novos problemas: como explicar as novas relações sociais conflituosas. Do ponto de vista revolucionário, que interessava aos trabalhadores, as ferramentas vinham do marxismo. Mas isso não interessava à burguesia. Essa lançou mão dos trabalhos de Emile Durkhein e Augusto Conte que desenvolveu a filosofia positiva, ou o Positivismo. Assim o conflito social podia ser explicado não só a partir de uma ótica revolucionária (que interessava aos trabalhadores), mas com perspectiva de acomodação dos conflitos, com os pressupostos Positivistas e mais tarde funcionalistas e estruturalistas, (que interessava à burguesia). Esse, portanto, passa a ser um dos primeiros problemas teóricos do mundo moderno: o pressuposto para explicar a sociedade. problema que não existia antes, pois toda explicação provinha da religião: os problemas enfrentados pelas pessoas se deviam ao fato da humanidade ser pecadora. A causa, portanto era o “pecado original”... ou o próprio Deus que havia criado o ser humano com capacidade de fazer escolhas. Mas tanto Marx como Comte desmontaram as explicações religiosas ou tiraram a supremacia da religião. Ela passou a ser vista como incompatível com o mundo moderno (eram mitos, para Comte; era o ópio, para Marx).

A perspectiva da acomodação social se impôs, com a instalação do capitalismo. A ótica Liberal conseguiu se afinar com o Iluminismo e com o Empirismo. E assim o capitalismo se sobrepôs ao socialismo, instalando-se como filosofia hegemônica. Mas isso não eliminou a crise que se instalou, pois as expectativas humanas não estavam satisfeitas, ampliando não só as crises como produzindo os crescentes conflitos sociais: ampliavam-se as conquistas cientifico-tecnológicas, mas também cresciam os contingentes populacionais excluídos desses benefícios; as riquezas se concentravam em poucas mãos, poucas instituições, poucas empresas, ampliando o volume de pobres e marginalizados excluídos de seus benefícios. Ampliavam-se as áreas monocultivadas com destinação para a indústria na mesma proporção que aumentavam as multidões sem acesso à alimentação básica. O apetite insaciável do capital ampliava a crescente exclusão dos trabalhadores...

A Revolução Francesa, portanto, nada mais foi do que a exacerbação desse fosso social e econômico, ao mesmo tempo que a revolução industrial estava sendo o caminho para as inovações científicas e tecnológicas se concentrarem em poder da burguesia. Esse panorama apenas se ampliou nos séculos seguinte até nossos dias. Por isso podemos dizer que as revoluções do século XVIII (Revolução Francesa, Revolução Industrial e Revolução Econômica – liberalismo) nada mais foram que a instalação de uma nova fase de crises. Era o fim de uma era e o começo das crises do nosso mundo, também chamado de pós-moderno. Inclusive com a instalação de mais uma crise: nos dias atuais, além dos problemas socioeconômicos, instala-se uma crise ética e, portanto, de valores. Podemos até dize que não se trata de inversão de valores, mas da hiperbolização da propriedade sobre a humanidade: vale tudo em nome do lucro...

 

6- Dramas pós-modernos

Então podemos nos colocar a indagação: o que é a pós-modernidade? Podemos dizer que, mais do que um nome diferente para designarmos os tempos atuais, a pós-modernidade representa a instalação e proliferação das grandes crises que caracterizam o drama do mundo atual.

E quais são as crises que invadiram e se instalaram em nosso mundo? Vivemos num mundo ultraconectado, mas nunca vivemos tão isolados: a virtualidade cada vez mais se impondo sobre as relações faz com que economia, ciência, educação... sejam, cada vez mais, dependentes do universo virtual. Tanto que podemos dizer que vivemos num universo infovirtual.

A produção de tantos avanços e inovações, gerando possibilidade de conforto, vem produzindo uma indescritível crise existencial: o prazer e o ter se sobrepuseram ao ser: em nosso mundo o homem é elemento descartável, enquanto pessoa – pois as coisas são hipervalorizadas; enquanto trabalhador, pois ele é crescentemente substituído pelas máquinas. Com isso se instala uma geração dependente da tecnologia, do universo virtual, dos meios e equipamentos de transporte, dos instrumentos e canais de comunicação. Tanto que já se fala que as novas gerações estão perdendo uma das capacidades da memória que é a retenção e armazenamento de informações – sabendo que qualquer informação está disponível a poucos cliques os jovens já não se esforçam em retê-las na memória... ou perda da capacidade de raciocínio como se observa na atividade comercial  onde as operações de calculo se realizam pelas máquinas registradoras e calculadoras. Quem de nós ainda não viu um vendedor ou um caixa lançando mão da calculadora para saber qual é o troco para uma nota de cinco reais da qual se deve cobrar três reais?

A globalização produziu um mundo sem fronteiras com incríveis possibilidades de ir e vir, mas as nações estão perdendo sua autonomia para as empresas multi e transnacionais. Sem contar o fato de que a economia se tornou virtual. Milhões podem ser movimentados ao redor do planeta, em terminais eletrônicos ou cartões de plástico abolindo a necessidade do papel moeda ou dos metais preciosos como elemento objetivo de troca. Soa estranho alguém fazer um pagamento com cheque ou dinheiro, apenas se passa o cartão... operação que é feita em nome da “segurança”

As pessoas estão perdendo sua identidade para as modernas formas de vigilância que matam a privacidade. O mundo de George Orwel se instalou e o “grande irmão” sabe mais de nossas vidas que nós mesmos. Não são poucas as páginas da internet em que se digita o CPF e imediatamente aparece nosso nome...

O aumento desenfreado da produção informatizada e robotizada aumenta a possibilidade de consumo, mas isso, paradoxalmente vem ampliando os dramas tanto dos trabalhadores como dos consumidores que não têm como adquirir os frutos da produção e/ou perdendo postos de trabalho. A produção mecânica vem extinguindo os empregos formais com o aumento do desemprego. Assim o mundo que produz maravilhas, limita o acesso às maravilhas produzidas. E, como já dissemos, ampliam-se as crises.

Em todo o mundo ampliam-se as crises políticas, não só pela disputa de poder, mas pela corrupção que se instala na busca por esse poder. As crises se acentuam na mesma proporção que cresce o esvaziamento ético. A supervalorização do lucro produz algumas anomalias como o fato de tragédias e dramas sociais terem se tornado um negócio muito bem explorado pela mídia. Nunca as ONGs e seus derivados tiveram tanto espaço de crescimento e lucratividade. A solidariedade se tornou um negócio tremendamente lucrativo no qual o que menos importa são as pessoas atingidas pelas tragédias e catástrofes para as quais se pede solidariedade.

A pós-modernidade colocou a humanidade numa encruzilhada. Ao mesmo tempo que aumentam as possibilidades de bem estar e desenvolvimento, também cresce a crise de valores: a família é invadida pelo drama do desemprego e da droga; as nações perdem sua autonomia para as empresas que se assustam com o crescimento do terrorismo; os serviços sociais de saúde, segurança e educação... são sucateados abrindo espaço para sua comercialização e banalização; a necessidade de fontes energéticas coloca em risco o meio ambiente; as melhores condições e qualidade de vida, ampliam a produção e os dramas do lixo; se por um lado cresce a consciência ecológico-ambiental, por outro crescem as necessidades de exploração das potencialidades naturais...e, para satisfazer à necessidades do homem, tiram-se direitos e condições de desenvolvimento das potencialidades humanas.

O grande problema pós-moderno não é mais aquele do início, em que se contrapunham os interesses proletários e burgueses, mas manter o crescimento e o desenvolvimento sem agredir ou destruir o meio ambiente. O problema é a coabitação de interesses conflitantes e contraditórios. A encruzilhada do mundo atual não é ideológica, mas prática. E esses problemas macrocósmicos, se juntam às crises, dramas e problemas locais. Com o agravante de que problemas ou soluções locais podem atingir problemas ou soluções de outras localidades – melhorando ou piorando. O que fazemos tem repercussão...

 

7- A morte de Deus e do homem[3]

Agora não se trata de fazer uma apologia da necessidade da religião ou um ato de fé, mas  atentemos para um fenômeno interessante: Desde que matou deus o homem vem construindo sua própria morte. Por isso, hoje, mais de um século depois que Nietzsche demonstrou como deus foi morto pelo homem, estamos assistindo ao fenômeno da morte do homem.

Claro que isso não ocorreu da noite para o dia. Não se mata uma ideia assim tão facilmente. Inicialmente os homens criaram seus deuses, como sugerem pensadores como Schopenhauer, Kierkgaard e Feuerbach. Ou seja, de acordo com suas necessidades e medos, os homens foram criando seus deuses. Depois Marx e Freud demonstraram que os deuses não passavam de entorpecentes e fetiches e como ópio e fetiche os deuses foram – e permanecem – manipulados para satisfazer aos interesses dos homens.

Mas apareceu Nietzsche (1986, p. 29) a quem coube anunciar a morte de deus, apresentando um Zaratustra decepcionado com o “velho santo” que ainda não sabia que: “deus está morto”. Diante disso, o personagem nietzscheano dirige-se à população da cidade não só para falar da morte de deus mas para fazer um pedido: “Eu vos rogo, meus irmãos, permanecei fiéis à terra e não acrediteis nos que vos falam de esperanças ultraterrenas,” (1986, p. 30) pois as esperanças em nome dos deuses mortos aniquilam e enfraquecem o homem, mantendo-o como “um rio imundo”.

E assim foi que começou a morte do homem. Para Nietzsche (1986, p. 31) a morte do homem é o anuncio do “super-homem” uma vez que “o homem é uma corda estendida entre o animal e o super-homem”. Mas para os homens a morte de deus resultou do progresso das ciências e desenvolvimento das inovações tecnológicas. Foram tantos os avanços que, em meados do século XX, se acreditava num “Estado de bem estar social” com plenitude de regalias sociais e tecnológicas, tendo o homem como centro. O ser humano estava sendo deificado, substituindo os deuses mortos. Supervalorizando a ciência o homem se divinizava. A ciência e suas produções tecnológicas e suas explicações substitutivas era o instrumento usado pelo homem para matar a deus e ocupar seu lugar.

Não mais os deuses, nem o homem, mas o super-homem, apregoava Nietzsche (1986, p. 29), de forma irônica. “Que é o macaco para o homem? Motivo de riso ou de dolorosa vergonha. E é justamente isso o que o homem deverá ser para Super-homem: um motivo de riso ou de dolorosa vergonha”. O mesmo ocorreu com o homem do saber, em relação, à religião: houve uma época, durante o século XX que dava um certo de status de superioridade a quem se confessava adepto da ciência e ateu. A ciência transformava o homem num super-homem.

Ocorreu, entretanto, que o progresso não trouxe satisfação coletiva nem a sonhada realização humana. Pelo contrário. Quanto mais progredia em ciência tanto mais os homens viam crescerem seus dramas. O objetivo, entretanto, era a superação do homem, pois “o super-homem é o sentido da terra”. Concretamente, porém o homem, ao invés de se super humanizar e se superar, retrocedeu: em relação a si e aos outros. O homem deixou de ser um valor e passou a supervalorizar os bens;  trabalhava não para se auto construir e se realizar, mas para ter com que comprar!

E hoje nos perguntamos: que é o homem para o homem? A lista de respostas é longa: objeto descartável; objeto de consumo; peça de reposição na engrenagem do sistema; possibilidade de lucro; ser supérfluo; um empecilho ao próprio homem... uma coisa que se usa enquanto tem utilidade por isso é um lixo potencial enquanto é usado pelos seus semelhantes, mas que se destina ao lixão social... com a diferença de não poder ser reciclado...

Isso se comprova no dia a dia. Observemos os veículos de comunicação: Quantas são as informações sobre mães deixando suas crias recém-paridas nas lixeiras? Quantos filhos roubam e matam aos pais? Quantos são os exemplos de empresas que demitem centenas ou milhares de trabalhadores, para preservar seus lucros? Quantos são os trabalhadores que, propositadamente, danificam ferramentas e máquinas das empresas? Quantos patrões e empregados, colaboradores mútuos, se agridem e se exploram como inimigos mortais?

Qual é o valor da vida humana, nas filas dos hospitais? Quanto vale o ser humano vitimado pelas rodovias mal conservadas? Quantos são os casos em que a polícia, paga para proteger o cidadão, agride e mata aquele a quem devia proteger?  Que dizer dos “amigos” oportunistas que estão contigo na bonança, mas te abandonam na primeira sombra de dificuldade? Que dizer daqueles que não perdem oportunidade de “puxar o tapete” do colega em ascensão???

E isso ocorre tanto na iniciativa privada como no serviço publico. Notemos como, em muitas empresas, o cliente é bem atendido antes de efetuar a compra e como é tratado após a compra. Notemos como agem certos servidores públicos (cujo salário vem dos cidadão a quem devem atender) prestando mau atendimento ou  atendendo de má vontade atendendo como estivesse prestando um favor.

Isso e muito mais nos impõe uma pergunta: qual o valor do ser humano, para o ser humano? Sabemos a resposta: nenhum. Ou melhor: Tem valor na medida em que satisfaz interesses ou traz benefícios. O homem é, cada vez mais, um peça descartável visto que cresce sua desvalorização.

O que ocorreu? Não só a morte de deus, mas a partir de sua morte intensificou-se o processo de desvalorização homem. O homem mata a deus e tenta ocupar seu espaço. Mas ocorre exatamente o oposto, pois surge um vazio de valores evidenciado pelo aumento da violência individual, social e institucional. Sem deuses e sem valores, está decretada a morte do homem. Podemos dizer que a atual ausência de valores humanizantes produz a desvalorização do homem, daí sua morte.

Estamos, portando diante de uma grave crise de valores e de uma crescente onda de violência impondo a busca do sentido da existência o que coloca a necessidade de uma antropologia da a morte do homem.

 

Referências

CARNEIRO, Neri P. Da morte de Deus à morte do homem. In. www.webartigos.com. Disponível em: <http://www.webartigos.com/artigos/da-morte-de-deus-a-morte-do-homem/85817/> acesso em 3/3/2012

CARNEIRO, Neri P. Para fugir ao pré-conceito: Modernidade, Pós-Modernidade e os Tempos Atuais. In Multisaberes, ano 1, nº 1, março de 2011. p.8-23. disponível em: <http://multisaberes.com.br/downloads/article/75/ed1_p8_22_neri.pdf> acesso em 10/02/2012

DEÁK, Csaba. Verbetes de economia política e urbanismo  (Liberalismo), disponível em: <http://www.usp.br/fau/docentes/depprojeto/c_deak/CD/index.html> (2010?) acesso em 04/02/2012

LIBERALISMO Disponível em: http://www.suapesquisa.com/o_que_e/liberalismo.htm, acesso em 10/3/2011

MARX, Karl; ENGELS Friedrich Manifesto do Partido Comunista. Disponível em: <http://www.pstu.org.br/biblioteca/marx_engels_manifesto.pdf> acesso em 05/02/2012

MORUS, Thomas. Utopia. São Paulo: Escala Editorial, 2006

NASCIMENTO, Carlos Arthur. O que é filosofia medieval. São Paulo: Brasiliense, 2004

NIETZSCHE, Friedrich W. Assim falou Zaratustra. 4 ed. Rio de Janeiro: Civilização brasileira, 1986.

RAUL SEIXAS. Anos 80 in: <http://letras.terra.com.br>  disponível em - <http://letras.terra.com.br/raul-seixas/48297/> acesso em 7/5/2012



[1]- Este texto apareceu anteriormente (em 2011) em duas versões distintas. Ambos nasceram como suporte para aulas de sociologia e antropologia, na FAP(Pimenta Bueno) e UNIR (Rolim de Moura) aqui foram juntados, reformulados e acrescidos de algumas reflexões. A primeira parte com o título “O século VXIII e o nascimento da sociologia” disponível em: http://www.webartigos.com/articles/63790/1/O-seculo-XVIII-e-o-nascimento-da-sociologia/pagina1.html.  A segunda parte com o título  “Como chegamos aqui ou sobre as crises do século XXI”. Está disponível em: http://www.webartigos.com/articles/65025/1/-Como-chegamos-aqui-ou-sobre-as-crises-do-seculo-XXI/pagina1.html.

[2] Mestre em educação (UFMS), filósofo, teólogo, historiador; professor de filosofia e de ética na FAP (Pimenta Bueno) e da FSP (Rolim de Moura); professor substituto de antropologia (UNIR- R. Moura); professor de História e Filosofia (SEDUC- Rondônia). Colaborador em jornais regionais e radialista.

[3]- Uma primeira versão deste texto está disponível em: <http://www.webartigos.com/artigos/da-morte-de-deus-a-morte-do-homem/85817/>