Até que ponto vale a pena largar a vida por uma causa? Ou melhor: até que ponto vale a pena viver por uma causa? Fazer desta causa um caso único na vida. Deixar todo o resto à mercê da sorte. À margem da vida.

Até que ponto vale a pena acabar-se por algo que não tem certeza de que vai ter início? E pior: com destino incerto!

Até que ponto vale realmente a pena estragar toda uma conquista de luta, suor e triunfo, por algo intangível?

Até que ponto pode-se fazer tudo que se quer em nome de um ideal? Em nome de uma idéia, até que ponto, qual o limite da tolerância e da paciência?

Até que ponto a intransigência generalizada traz algum benefício coletivo?

Até que ponto, ultrapassa-se o ponto, a linha, a tênue linha entre “o que eu quero e o que eu posso”. Até que ponto eu devo, se quero, mas não posso?

Até que ponto vale a pena desgastar a saúde física, mental, espiritual? Até que ponto vale a pena tratar aos outros com raiva, rancor e de maneira cega e absurda, fazendo do descontrole uma arma e uma barreira? Afinal, já são tantas as barreiras...

Afinal, até que ponto vale a pena carregar os pesos das decisões, sendo que elas não foram tomadas sozinhas? Até que ponto vale a pena dormir “não dormindo”, mas tendo pesadelos por causa de uma causa única e específica?

Até que ponto vale a pena parar o próprio mundo, para que uma idéia fixa, cega e raivosa seja imposta ditaduramente? Até que ponto vale a pena fazer o mundo dos outros parar também?

Até que ponto vale a pena acusar aos outros pelo fracasso, decepção, frustração e perda pessoal?

Até que ponto vale a pena chegar nesse ponto?

A raiva, as mágoas, as frustrações transformadas em atitudes ásperas e intransigentes, cegam! E cegam de uma maneira que nada mais ao redor importa, nem dentro de si. E se por dentro não faz a menor diferença, não é quem está ao lado que terá algum significado.

Significado, não utilidade. Útil a medida, ou, ate o ponto em que não serve para mais nada. Este estágio ocorre quando tem de se tomar outra atitude.

Mas esta deve ser pensada com calma, jamais em cima de fatos e sentimentos.

Deixar a poeira baixar para saber por onde vai. Para ver onde precisa ser limpo. Aquilo que precisa ser delimitado. As estratégias. Os planos de ações.

Quem enxerga em um plano de ação algo consistente, passa a acreditar naquilo como se fosse o melhor e faz daquilo uma causa especial, não única, mas uma causa que pode e tem que dar certo.

Mas sem esse palno de ação, não há muito o que se fazer. Somente reclamar e cruzar os dedos para que as coisas saiam de algum jeito, ainda que de forma errada e descaracterizada.

Enfim, até que ponto parar um pouco e refletir o que tem acontecido pode ajudar ou não nos processos de decisões e condução de algumas questões fundamentais e que terão reflexo futuro a curto, médio e a longo prazo.

Ademais, até que ponto vale a pena mesmo deixar de lado tudo qe já foi conquistado, as pessoas, os sentimentos, os projetos... Por uma causa que, siceramente, está sendo abraçada por todos, mas de maneira frágil e individual.

Até que ponto vale a pena pensar em si e esquecer do outro, se é do outro que o bom andamento tem dependido. Se o outro tem se empenhado tanto, tem tido tantos méritos e esforços, até que ponto vale a pena acusá-lo, desrespeitá-lo, se ele tem conduzido melhor a questão toda?

Nada é mais humilhante do que humilhar-se por algo que não vale um joelho esfolado, uma cruz carregada e uma noite de sono perdida.