Analise crítica da ‘’ Ortografia da Língua Portuguesa’’

Docente- Rejane Ferreira, discente Nikelly Maria Alves.

Graduando(a) em Letras – Inglês / Faculdade do Belo Jardim – FBJ

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Faculdade do Belo Jardim – FBJ

Introdução

 

         A presente pesquisa é parte integrante de uma análise crítica sobre o tema “A ortografia da Língua Portuguesa: uma análise sobre as dificuldades enfrentadas pelos docentes desde do ensino nas séries iniciais ao ensino médio tendo por objetivo geral analisar como o ensino da Língua Portuguesa vem sendo ministrado nas escolas. O ensino da ortografia é ministrado desde as séries iniciais estendendo-se até o fim do processo escolar. Entretanto, nossa realidade escolar tem demonstrado a ineficácia da mesma resultando no fracasso escolar dos alunos, onde a maioria apresenta dificuldades na escrita e na leitura. Ivanildo Bechara, 2011,p.883. Defende o estudo da ortografia na seguinte citação:

 

 

Tais convenções são o “conjunto de regras que determinam a maneira correta de escrever as palavras de uma língua e usar seus sinais de acentuação e pontuação” (BECHARA, 2011, p. 883).

 

 

          O ensino da Língua Portuguesa baseado na prática, é entendida como algo em constante transformação, cria e recria-se a todo momento, que claro não é bem assim, e é dentro desse contexto que a ortografia tem que ser trabalhada com o aluno, ou seja, o aluno é estimulado a chegar a “resposta correta”, e a compreender todo esse processo, para isso parte-se de situações vivenciados pelos alunos ou de seus conhecimentos a respeito dos mesmos, como por exemplo, a língua trabalhada é a dos próprios alunos, produzida pela interação entre os mesmos em diversas situações sociais. Sendo importante ressaltar a importância de analisar o planejamento pedagógico do docente e ter um olhar mais profundo nos conteúdos trabalhados com os alunos na educação base.

 

 

Escrita padrão e ortografia

 

          Na sociedade contemporânea, o uso da língua é imensamente indispensável, estamos em tempos modernos onde o mundo letrado estar cada vez mais evidenciado e priorizado, por isso a nossa fala e nossa escrita também tem que refletir essa realidade, se atualizando e se adaptando as necessidades da modernidade social. A língua e a escrita não são estatísticas, entretanto o sistema de ensino não parece perceber esse fato e então, infelizmente as aulas de língua portuguesa estão sendo ministradas descontextualizadas, sem preocupação com o que realmente é importante, uma escrita significativa por meios de gêneros orais, escritos ou multimídias. Sabemos que o aluno que não teve uma educação base de qualidade, quando ele se deparar com o ensino médio, ele vai conhecer uma realidade de linguagem muito diferente da sua, que nos casos atuais o ensino fundamental não tem uma pré-prepararão dos docentes e então essa nova realidade é o que estar predominante nos tempos atuais, é comum se deparar com alunos que dizem que não gostam da língua portuguesa sem, nem mesmo conhecer a origem da língua materna, é comum ouvir as aulas mais chatas eram as de português no ensino fundamental, mas então porque o aluno chegar a essa conclusão de pensamento? Por isso é muito importante o estimulo adequado do ensino da língua portuguesa na educação base. A sociedade atual ainda escreve relativamente péssimo, ler péssimo, onde será que estar os erros das escolas? Será se o uso da ortografia e gramaticas nas escolas estão sendo trabalhada corretamente, pelos os profissionais ou é apenas culpa do aluno que se diz não gostar da língua portuguesa. A déficit do letramento desses estudantes estão ligados a sua educação base, a falta de estimulo para a leitura e escrita, o material pedagógico trabalhado pelo o professor, tudo isso causa um grande problema no aprendizado e estimulo da disciplina.

 

A leitura constante de livros, revistas jornais e outros suportes impressos constitui uma espécie de primeiros mandamentos para o desenvolvimento da competência ortográfica (Morais 2005, p.70)

 

           Sem, uma base de ortografia os estudantes não compreenderão os estudos mais profundo da gramatica. Para muito docentes o grande problema de tudo isso é a alfabetização irregular, o modo como foi trabalhado pedagogicamente os assuntos com os alunos, e esses problemas estão perpetuando ao longo do ensino médio. Lembrando que o sistema de ensino segue uma base curricular que não oferece um suporte adequado para ser trabalho na educação base, principalmente na língua portuguesa requer um planejamento continuado ou seja feitos encaixes de assunto pelos os próprios profissionais da educação na escola, sendo que alguns não seguem essa ideia e acabam trabalhando com o que lhe deram de suporte e a falta de planejamento vem com serias consequências de aprendizagem. É tão provável que o que vemos nas escolas é quase nada de ensino sistematizado da ortografia e além disso o pouco que se ensina não contempla a aprendizagem do estudante, ele não avança na leitura e nem na escrita, pois é um conteúdo raso, e infelizmente é uma realidade na educação do nosso país.

 

 

Periodização histórica da ortografia portuguesa

 

          O termo ortografia já ocorre desde das primeiras gramaticas portuguesas, no começo da obra de Fernão de Oliveira’’ Grammatica da lingoagem portugueza’’ publicada em 1536, a ortografia foi nomeada a par do acento, da analogia e da etnologia. A palavra ortografia parte de uma palavra grega orto + grafia, ciência que escreve corretamente. Nessa época a escrita da linha já tinha vários séculos, muito provavelmente com o início do século XII, os mais antigos textos foram escritos num tempo em que não existiam uma ortografia, o escriba procurava tanto quanto possível transmitir graficamente a pronuncia da língua recém nascida.

       A partir do renascimento e do renovado conhecimento dos clássicos começa a notar-se uma influência de forma etimológica, por vezes erradamente interpretadas, que então teve como consequência a introdução da escrita do português, de letras existentes nos etmo latinos ou gregos (como o C em fecto, de factu) ou ocorrência dos dígrafos ph,ch,th e rh, que se mantiveram por longos anos em (phasmacia – farmácia ou Matheus). Os estudos gramáticos foram marcados no século XVIII, pela importância atribuída a ortografia. Cabe lembrar que no mundo atual dos países lusófonos a discursão atual não diz respeito a uma reforma ortográfica mas a um acordo, que visa ‘’fixar’’ e ao mesmo tempo ensejar uma comunidade que se constitui no grupo linguístico expressivo capaz de ampliar seu prestigio junto aos organismos internacionais e assim fortalecendo a língua portuguesa num cenário internacional ajudará a manter as práticas de mudanças ortográficas e assim não haverá necessidade de ter uma mesma língua com duas ortografia.

 

 

Discutindo a noção de erro ortográfico

 

           Lembrando que o erro ortográfico não é erro de português, já que do ponto de vista cientifico não existe. Que todo falante de língua, independentemente de origem, idade sexo, ou classe social escolarização, não comete. Os erros ortográficos existem, e os estudantes aprendem a se acostumar com esses erros por inadequações aplicadas por alguns profissionais na educação base.

 

 Durante o processo de apropriação do sistema ortográfico o estudante comete muitos erros que podem ser classificados em categorias:

 

  • Erros de transcrição de fala – ocorre quando o estudante escreve a palavra como a pronuncia, como por exemplo; veis (Vez) pexi (peixe) por desconhecimentos entre língua oral e língua escrita, é mais frequentemente em falantes de variedades linguísticas mais afastadas da língua padrão, o que os leva a por exemplo muié ao invés de mulher.

 

  • Erros de supercorreção – ocorre quando o estudante começa a perceber que nem sempre as palavras são escritas do modo como são pronunciadas, havendo alguns desvios sistemáticos entre língua oral e língua escrita e tentar corrigir os erros de transcrição da fala escrevendo por exemplo ‘’ pedil para pediu’’.

 

 

  • Erros por desconhecimentos das regras contextuais – ocorre quando o estudante deixa de considerar a posição de uma letra ou unidade sonora em relação a outras, quando como escreve ‘’pasarinho’’ por desconhecimentos de que a letra ‘’s’’ entre vogais tem som de ‘’z’’ou ainda quando escreve ‘’gitarra’’ por desconhecimentos de que a letra ‘’g’’ diante de e/ i, representam som diferente daquele representado das vogais a, o ,ou,u.

 

  • Erros de marcação da sanalização – caracterizam-se pela a não diferenciação entre vogais nasais e orais, como na escrita de ‘’iteiro’’ ( inteiro) ou pela marcação inadequada da nasalização, como na escrita de ‘’elefãote’’ ( elefante).

 

  • Erros devido à concorrência – a palavras cuja escolha da letra apropriada, para representar certos fonemas depende não de aspectos fonológicos, mas da etimologia ou do aspecto morfológicos. Encontram-se nessa categoria o uso do ‘’s’’ ou ‘’z’’ entre vogais, o uso do ‘’ss’’ ou do ‘’Ç’’, diante de a,o,e,u o uso do ‘’g’’ ou do ‘’j ‘’, diante de e, i de X ou CH em várias palavras.

 

  • Erros nas silabas complexas – ocorre na escrita de silabas com estruturas diferentes, que não seja consoantes – vogal, quando observamos escritas como boboletas (borboletas) ou baço (braços) o uso inadequado dos dígrafos nh,lh e ch. Também pode ser classificados nessa categoria como por exemplo, escrevendo ‘’coelo’’ para ‘’coelho’’.

 

  • Erros por troca de letras - caracterizam-se pela escolha de letras erradas para representar determinado som, surgindo a escrita como ‘’fomiga’’( formiga). Outras trocas frequentes são entre p/b, t/d, c/g ou seja troca entre consonantes surdas e sonoras.

 

  • Erros de segmentação – caracterizam-se na escrita de textos, pela segmentação não convencional das palavras. Segundo Carraher 1985, esses erros são observados em duas categorias, podendo ser resultados de ausência de segmentação – por exemplo ‘’ aonça, tepego’’ ou segmentação indevida ‘’a migo ‘’, ‘’a legre.’’

 

Embora as questões dos problemas educacionais, seja um problema educacional pedagógico muito importante a maioria dos estudos brasileiros, não tem se preocupado em falar sobre a análise de erros ortográficos, não tem se preocupado em colocar na educação base esse tema, como mostra os estudantes com dificuldades grandiosas na educação. O domínio da ortografia costuma ser um desafio muito grande para os estudantes, especialmente aqueles com dificuldades na aprendizagem, porem as tais dificuldades não deve ser centradas nos estudantes, pois muitas vezes costuma ser o resultado de propostas educacionais equivocadas, que não estão fundamentadas em conhecimentos sólidos sobre a natureza do sistema ortográfico nem sobre, os processos de aprendizagem, os educadores tem que ter em mente que a apropriação do sistema ortográfico se dar de forma progressiva, pois aprender a  língua portuguesa e o uso da  ortografia é  que determinam a forma convencional com uso das palavras correspondestes é uma das aquisições mais complexas e por tanto, das mais difíceis para todos os estudantes. Desse modo o desenvolvimento da habilidade para realizar uma adequada analise fonológica das palavras evitaria erros como trocas de letras, dificuldades na marcação da nasalização e escrita de sílabas complexas, já que o estudante por meio dessa análise, conseguirá dividir uma palavra por meio de unidade menores, percebendo e diferenciando todos os sons que a compõem.

 

 

 

 

 

Referencias

ORTOGRAFIA DA LÍNGUA PORTUGUESA: UMA ANÁLISE EM TEXTOS DE ESTUDANTES DO ENSINO MÉDIO Valfrido da Silva Nunes

O ENSINO E A APRENDIZAGEM DA ORTOGRAFIA EM SALA DE AULA Autora: Prof.ª Veralucia Filipin Castro

SOBRE A NATUREZA FONOLÓGICA DA ORTOGRAFIA PORTUGUESA /Maria Helena Mira Mateus 

CURY, Carlos Roberto Jamil. Educação e contradição. 4º Edição. São Paulo: Ed. Cortez, 1985