Você precisa mostrar quem você é, manter contato com o outro para encontrar vocês dois. É um jeito bonito de descruzar os braços, arregaçar a manga e ir em busca de algo melhor. Descruzando os braços você se desarma e participa mais da vida do outro. E se ele aproveitar tua vulnerabilidade para te atingir, a covardia será dele, não tua. Porque você não teve medo de se machucar, de levar mais esse prejuízo. Amar sem saber se terá algo em troca (a tal da recíproca) é levar prejuízo. Mas ainda é preferível perder dessa forma, do que ser derrotado pelas próprias atitudes (contra os outros). Por isso é difícil olhar para a vida do outro e se comover. Ás vezes o outro está ali: morrendo de fome, com fome de abraço e carinho; morrendo de sede, com sede de querer sentir-se amado; morrendo de dor, com dor na alma e no coração. Não que você tenha alguma coisa a ver com isso, mas é que basta olhar um pouco para o lado, ou deixar de apenas olhar-se por um instante. É tão fácil acabar com a miséria humana. Enxergar isso é que anda complicado, porque na correria dos dias, você passa pelo outro e não nota a tristeza instalada, a melancolia trazida, a solidão marcada na parede das retinas do coração... Ser amado é muito bom, compete esforços comedidos. Mas amar o outro dá trabalho. Talvez por isso mesmo você prefira ficar indiferente àquilo que faz a alma doer...