Admitir fraquezas, reconhecer erros, viver de acordo com a própria essência, buscar ajuda nas horas difíceis, voltar atrás, sentir apenas o que se sente de fato, valorizar a discrição, conviver bem com a relatividade de tudo.

           

            Eis a sinceridade...

 

            Algo não raro, mas que anda meio escondido. Ser sincero tornou-se enigmático. Falando da sinceridade que faz as coisas acontecerem... Pois, também há aquela sinceridade dita, cantada e muitas vezes gritada sem parar, mas não é dessa sinceridade que o mundo precisa.

 

            Ninguém mais acredita no que os outros dizem. Por isso mesmo tentam-se fazer leituras das entrelinhas, que é por onde pode escapar algo verdadeiro.

 

            Mas se não consegue entender as linhas, como descrever as entrelinhas?

 

            Talvez nessa ânsia desmedida, nessa vontade descontrolada de mostrar o que não é, de ser quem nunca foi, a sinceridade do “não saber as coisas” ainda traga algum alento.

 

            Clarice Lispector já dizia de maneira tão simples sobre o que ela não entendia: “Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo”.

 

            A sinceridade de admitir que não sabe, mas que vai procurar saber. É a inquietação que não pode morrer jamais.

 

            É saber dar a resposta mais coerente, ainda que não seja a mais esperada.

 

            É aquele cliente que busca de todas as maneiras “achar uma brecha”, “buscar uma alternativa viável”, “pegar um atalho”.

 

            O problema dos atalhos é que são simples, até demais. Caminhos curtos, mas líquidos demais. Líquidos porque não duram, não dão trabalho, vêm rápido e fácil demais, sem muito esforço. E por serem líquidos, perdem-se facilmente.

 

            Não ir pelo mesmo caminho que alguns clientes querem tomar, mas tentar encontrar um mais viável para ambos.

 

            Manter coerência no que se diz, no que se faz, mas principalmente, manter-se firme, forte e sereno em quem se é.

 

            Saber seu limite, mas procurar, ainda que de vez em quando, ultrapassá-lo.

 

            Talvez seja essa a sinceridade que faz as coisas acontecerem... Enquanto alguns buscam a literalidade dela, outros prefiram a tenacidade.

 

            O fundamental é segregar, é pensar, é refletir, mas acima de tudo, é desenvolver-se com sinceridade, respeitando quem você é, mas não esquecendo de quem os outros são.