Pode-se achar que não, pode-se julgar “injustiçado pela vida”, pode-se julgar “vítima das circunstâncias”, mas um dia todos têm a sua chance.

            Uma oportunidade de demonstrar a real capacidade. Uma chance de poder mostrar o conhecimento adquirido através do tempo, fazendo da teoria uma ferramenta útil quando bem aplicada. Transformando-a em prática fértil, que faz mudar, que causa o bem. E causar o bem é desafio de todo instante, apesar do contrário pesar mais para o outro lado.

            Por isso, é essencial estar sempre preparado. Não estar vigilante 24 horas por dia, jamais. Até porque na profissão que se desenvolve, normalmente se é “chamado a esta oportunidade”.

            Pode ser que existam outros bons profissionais, eficientes profissionais, com mais tempo dedicado a empresa, mas que não tiveram o perfil necessário para assumir tal responsabilidade. Não por serem irresponsáveis, longe disso, é que quando surgem chances assim tem que ser feita a segregação dos profissionais para que “um zagueiro não entre em campo com a número 9 e tente jogar de centroavante”.

            Pode ser, também, que ao aparecer a chance não se esteja totalmente preparado, ainda falte conhecimento, experiência... E que bom se for assim.

            Profissionais perfeitos não existem! A perfeição é um conceito triste que remete a obras acabadas, e se profissionais se mostram perfeitos, não há nada a melhorar, a acrescentar, a aprender, a moldar.

            Sinceramente, quando isso ocorrer é porque chegou a hora de fechar as portas...

            Quando um profissional está inacabado ele pode doar-se pela empresa muito mais, pois o que impera é a vontade e disposição de aprendizado. E olha que futuramente pode transformar-se em ensino (o que não deve ser levado muito em consideração, pois não há ensino sem aprendizado, mas o inverso pode ocorrer – e quem quer aprender ninguém segura, nada segura, dinheiro algum segura).

            [...]

            A oportunidade talvez não seja a que sempre sonhou, mas e daí? Não é a realização de um sonho, mas então tem que ser o aproveitamento dessa chance.

            Não cabe mais a falta de comprometimento. Aquele velho “esqueci de fazer”, “puxa vida, não tive tempo”... Infelizmente, ou felizmente, tem que estar 100% presente, organizado, preparando a cada instante, planejando o hoje voltado para o amanhã... Pode não vir o amanhã para você na empresa? Então ele (o futuro) tem que ser preparado para os próximos que certamente virão.

            Isso é responsabilidade que pesa, e pesa muito. Mas ninguém carrega um peso maior do que consegue suportar. Ou nem começa a levá-lo, ou então, pára no meio do caminho. E é falta de profissionalismo deixar pela metade, deixar algo no meio da estrada. Ninguém tem a obrigação de recolher os cacos dos outros que ficaram para trás.

            Portanto, não tem que reclamar da responsabilidade se ela foi assumida.

            Há de se ter planejamento e projetos, para progredir e poder atravessar esse período de transição. É uma ponte construída a cada momento, com seriedade e serenidade. Consciente do que se diz, coerentemente àquilo que se faz.

            Assim, quando a ponte estiver com bases firmes e sólidas poderá fazer a travessia, mas sabendo que ela também é uma obra inacabada.

            O bonito depois disso, talvez, seja perceber e respeitar a causa que fez isso tudo acontecer.

            E é durante o caminho que se tem essa percepção, porque o bonito mesmo não é esperar chegar ao final para ter esse sentimento, mas conseguir extrair a cada momento, a cada passo, a cada gota de sangue, suor e lágrima.

            E se a TUA causa ainda te faz trabalhar por coisas maiores (que talvez ainda nem tenham vindo na tua vida) você deve tratá-la com responsabilidade, ainda que pese, mas é durante o caminho que você vai sentir que vale a pena.