A IMPORTÂNCIA DO HÁBITO DA LEITURA

Ana Kelly da Silva Carneiro

Maria Regivania de Brito

Pierri Cássio Maia Silva

RESUMO

O presente artigo vem com objetivo de mostrar o quão é importante e indispensável uma boa frequência de leitura em todas as fases da vida, principalmente na fase estudantil. Abordaremos a questão da prática de leitura a ser realizada no Ensino Superior e a influência dela na elaboração dos vários gêneros acadêmicos existentes. Falaremos também da influência direta que a leitura tem na formação de um indivíduo com senso crítico e de um bom profissional para o mercado de trabalho. Utilizamos como base,citações de alguns autores que escreveram sobre esse tema, como, por exemplo, KLEIMAN (2007), FREIRE (1989), DUMONT (2007).Para elaborar esse trabalho, aplicamos um questionário nas turmas do 1º e 3º semestres do período 2018.1 de Letras Português da FAFIDAM, com o propósito de coletar dados referentes à prática de leitura pelos licenciandos. De acordo com os resultados, pode-se concluir que a maior parte dos alunos gostam de ler, entretanto, alguns obstáculos os impedem que façam isso regularmente. Os discentes, em grande parte, dizem ter aumentado sua frequência de leitura após o ingresso na academia e que recebem incentivo dos professores pra que leiam.

Palavras-chave: Hábito. Importância. Frequência.Leitura.

 

1. INTRODUÇÃO

A palavra leitura é derivada do latim lecturae significa ação ou efeito de ler, sendo a apreensão/compreensão de algum tipo de informação, decifrando-se o conteúdo que ali está escrito. Não é meramente a decodificação de signos linguísticos, mas uma atividade de produção de saberes.  É fundamental um posicionamento crítico diante de um texto.

Ao longo da vida, a leitura é algo primordial para todo e qualquer ser humano. Através dela, adquirimos conhecimento sobre os mais variados assuntos, melhoramos o vocabulário e escreveremos com qualidade, dentre outros benefícios. O hábito da leitura transforma o homem e a sociedade na qual ele está inserido.

A leitura pode ser realizada com diversas finalidades, como “a investigativa, com efeitos para estudos ou atividades de trabalho, e a de lazer” (DUMONT, 2007, P.72).A primeira leitura é a do mundo que nos cerca; somente com isso é que compreenderemos os textos. Mas, no Brasil, pesquisam revelam que ainda lemos pouco.

Mesmo que um texto possua muitas interpretações, nem todas elas podem ser aceitas. Só poderão ser consideradas corretas, aquelas que tiverem pontos em comum com o pensamento do autor.

O problema da falta de incentivo à leitura começa em casa e chega à escola. No ensino básico os estudantes, em muitas vezes não serão impulsionados a ler constantemente. Lá, só realizarão esse ato por obrigação, com o intuito de ganhar alguma bonificação.

 No que se refere ao ambiente universitário, o hábito de se praticar a leitura é mais importante ainda. Independentemente de qual seja o curso que o estudante ingresse, será requerido dele uma frequência de leitura muito grande. Contudo, o que se pode observar é a grande dificuldade daqueles que adentram na universidade em ter o hábito de ler constantemente. De acordo com Aquino (2000, p. 14), “nos diversos níveis do ensino, os jovens leem cada vez menos”.Essa deficiência quanto ao hábito da leitura pode ser associada à falta de incentivo à praticá-la que ocorre no ensino básico.Por causa disso, muitos alunos têm tidoenormes dificuldades, pois, no ensino superior, além de ler bastante terão que escrever com base no que leem.

As leituras são fundamentais para que se compreenda os conteúdos das disciplinas e também para que seja viável a realização de trabalhos exigidos na universidade, como, por exemplo, resumos, relatórios, resenhas, artigos e, no final da graduação, um TCC(Trabalho de Conclusão de Curso), possivelmente uma monografia.A falta de uma boa quantidade leitura pode acarretar sérios prejuízos, como, por exemplo, a dificuldade do aluno em redigir algo com qualidade e também, a formação de profissionais com um conhecimento limitadopara transmitir à sociedade.

Ao entrar na universidade, o aluno irá aprofundar seus conhecimentos sobre os inúmeros gêneros acadêmicos existentes. E, em vários momentos do curso, lhe será proposta a produção de tais gêneros. Essa é uma das formas pelas quais o aluno será introduzido no “mundo científico”, que envolve muita pesquisa. A leitura está sempre atrelada diretamente à produção dos gêneros acadêmicos. Sem ela é impossível se redigir algo com qualidade e que possa ser publicado posteriormente.O tão temido Trabalho de Conclusão de Curso (geralmente uma monografia), a ser realizado no final da graduação, só se torna possível após um período considerável de pesquisas e muitas leituras relacionadas ao tema escolhido.

A leitura é importantíssima para que se tenha um maior nível de instrução e de raciocínio crítico a respeito daquilo que está a nossa volta.O leitor deve ter um compromisso com a aprendizagem no processo de leitura e não somente decodificar palavras, sem um senso crítico.

Fica claro que para todo cidadão, além de se ler, tem que praticar isso constantemente.Não é possível melhorar a escrita, a interpretação e nem se obter o prazer pela leitura, se a mesma não for praticada continuamente.

Esse trabalho vem com o intuito de discutir informaçõesrelacionadas àrelevância que tem o hábito da leiturapara a sociedade em geral, falando também sobre o quão ela é importante no processo de elaboração dos mais diversos gêneros. Para isso, foi realizada uma pesquisa no curso de LetrasPortuguês da Faculdade de Filosofia Dom Aureliano Matos, em Limoeiro do Norte, a qual está subordinada à Universidade Estadual do Ceará.

Tem-se por objetivo analisar o gosto dos alunos pela leitura, sua frequência leitora e os obstáculos a ela, e seu interesse em ler, após ter entrado na faculdade. Além disso, citar-se-á as implicações positivas que o processo da leitura acarreta no desenvolvimento dos mais diversos gêneros acadêmicos trabalhados na universidade.

Os alunos elaboradores desse artigo fazem parte do primeiro semestre do curso de letras da FAFIDAM e escolheram essa graduação para desenvolver sua pesquisa, não só por fazerem parte dela, mas por causa do fato de que o profissional formado em Língua Portuguesa, sem dúvida alguma, foi, é e sempre será o mais cobrado quanto a possuir uma boa constância de leitura e, consequentemente, conseguir escrever com qualidade; desenvolvendo estratégias de leitura a serem ensinadas aos seus alunos.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Antes mesmo de qualquer ser humano aprender a ler, ele já interage com o mundo a sua volta. É através dessa interação que ele já vai adquirindo seus primeiros conhecimentos, os quais o auxiliarão na compreensão de leituras vindouras. A leitura, de acordo com Kleiman (2007, p.33):

É um processo que se caracteriza pela utilização de conhecimento prévio: o leitorutiliza na leitura o que ele já sabe, o conhecimento adquirido ao longo de sua vida. É mediante a interação de diversos níveis de conhecimento, como o conhecimentolinguístico, o textual, o conhecimento de mundo, que o leitor consegue construir osentido do texto. Pode-se dizer com segurança que sem o engajamento prévio doleitor não haverá compreensão.

Também, segundo Freire (1989, p.9) “A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente”. A partir desse afirmação, conclui-se que antes mesmo do ser humano ter conhecimento das palavras, ele já apreende o mundo ao seu redor. Para realizar o processo de leitura, também é preciso do conhecimento de mundo que o leitor possui. Segundo Santos (2008) a leitura nos transforma, desenvolvendo o homem e também a sociedade.

Para todo e qualquer tipo de texto, segundo Kleiman (1989), tem que haver a colaboração do leitor para sua correta interpretação e compreensão. Embora existam textos mais complexos, os quais apresentam uma linguagem rebuscada; é necessário que o leitor também faça a sua parte, no que se refere a compreendê-los criticamente.

Em qualquer curso de graduação, será exigido um hábito de leitura constante por parte dos alunos. Infelizmente, a maioria dos calouros universitários e também até aqueles que já são veteranos, não são muito acostumados à lerem frequentemente. Na universidade, em muitas vezes, não lê-se nada mais do que aquilo que o professor pediu.

Rezende (2007, p.34) diz:

[...] o que os estudantes vivenciam, via de regra, na trajetória acadêmica, é, nomáximo, a submissão às leituras solicitadas no curso (nem tudo que é solicitado pelos professores é lido). Neste quadro, acreditamos que se os alunos não vivenciaram o contato com textos múltiplos e leitores assíduos anteriormente, quer seja na família, quer seja nos níveis anteriores de ensino, há que se viver isso em algum tempo.

Quando alguém pretende realizar uma leitura, o objetivo que essa pessoa tem para com aquilo que vai ler será determinantemente fundamental para a sua compreensão.

Kleiman (1989, p.36) afirma:

(...) uma das atividades do leitor, fortemente determinada pelos seus objetivos e suas expectativas é a formulação de hipóteses de leitura. Essas atividades são de natureza metacognitiva e opõem-se aos automatismos e mecanismos típicos de uma leitura superficial.

Kleiman (1989) fala sobre a importância de se ensinar estratégias de leitura para que se possa compreender melhor um texto. Essa autora também fala que, para um texto, há várias interpretações possíveis, mas nem todas elas podem ser aceitas como corretas.

No processo de leitura deve haver compreensão das palavras e do contexto que está relacionado a elas e não ocorrer somente a repetição das mesmas. Freire (1999) afirma que “A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre o texto e o contexto” (FREIRE, 1999, p.11).

Para Freire (1982), o leitor deve sempre ter uma postura crítica diante do texto que está lendo; caso contrário, não conseguirá compreender o conteúdo lido.

Ninguém realiza uma leitura por acaso. Há duas motivações principais para a realização da leitura, que são “a investigativa, com efeitos para estudos ou atividades de trabalho, e a de lazer” (DUMONT, 2007, p.72). Ou seja, a partir do momento em que alguém se compromete a ler algo, não isso sem um motivo, mas com uma intenção e um objetivo definidos previamente.

Tendo em vista que a leitura é algo fundamental para um aluno que esteja em uma graduação, bem como para a sua futura vida profissional, Jouve (2002, p.17) escreve que a leitura:

é uma atividade complexa, plural, que se desenvolve em várias direções […] é antes de mais nada um ato concreto, observável, que recorre a atividades definidas pelo ser humano. Com efeito, nenhuma leitura é possível sem um funcionamento do aparelho visual e de diferentes funções do cérebro. Ler é, anteriormente a qualquer análise do conteúdo, uma operação de percepção, de identificação e de memorização dos signos.

É no âmbito universitário que o aluno tem um maior contato com leituras de alta complexidade. Nessa fase da vida, a pessoa terá que ler constantemente, pois “de forma geral, a leitura está presente no processo de ensino e de aprendizagem dos cursos de graduação, no âmbito das ciências de informação, como do resto, nos demais cursos acadêmicos” (NEVES, 2007, p.26). Aqueles que não possuem o costume de ler constantemente ou não gostam disso sentirão inúmeras dificuldades na universidade, e terão que mudar essa postura. [...]