A HISTÓRIA DO MENINO COSMOS

PARTE 1

AUTOR: GILMAR MARTNS DE SOUZA

DOS VENTOS FORTES A CALMARIA.

Algumas pessoas gostam de viajar, de conhecer outros lugares; novas pessoas; novos horizontes.  Almas necessitam de paz de espírito e viverem felizes consigo mesmas. A vida é sinônimo de beleza, alegria e sonhos, mas ao mesmo tempo reflete as incertezas e ao medo. Essa história nasce inspirada nessas condições, do apropriado ao contraditório e gerada pelo poder do pensamento e da imaginação de criar, de produzir e de inventar e de reinventar ideias, acontecimentos e realidades fictícias.

Essa é uma história de um garoto que sofreu grandes decepções na vida. um menino  perdido dentro de seu próprio ego, um garoto tímido e frustrado com uma realidade diferente daquela que tanto sonhara. Cosmos foi um garoto rico de vida, teve uma saúde de ferro, pelo menos até a idade jovem, depois quando foi ficando mais velho começou a ter problemas de saúde, talvez não só pela idade, mas também pelo descontrole na alimentação e pela forma sedentária em que sempre viveu.  Nunca teve hábitos saudáveis como praticar esportes e fazer exercícios.Desde sempre percebia as tempestades e os furacões, contudo,  conseguiu superar as tormentas, deu a volta por cima, superou os obstáculos e chegou ao seu objetivo , ou seja, ser feliz.

Some people like to travel, to visit other places; new people; new Horizons. Souls need peace of mind and live happily with themselves. Life is synonymous with beauty, joy and dreams, but at the same time it reflects uncertainty and fear. This story is born inspired by these conditions, from the appropriate to the contradictory and generated by the power of thought and imagination to create, produce and invent and reinvent fictitious ideas, events and realities.

This is a story about a boy who has suffered major disappointments in his life. a boy lost within his own ego, a boy shy and frustrated with a reality different from the one he had dreamed of so much. Cosmos was a rich boy of life, he had an iron health, at least until his young age, then when he got older he started to have health problems, perhaps not only because of his age, but also because of his lack of control over food and his sedentary manner you've always lived in. He never had healthy habits like playing sports and exercising. Since he always noticed the storms and hurricanes, however, he managed to overcome the storms, he turned around, overcame the obstacles and reached his goal, that is, to be happy.

 

TUNEL DO TEMPO..

O garoto tinha uma família que o amava, pais que o protegia. Cosmos entendia que suas aflições, seus sentimentos; suas derrotas; suas fraquezas; suas incertezas; suas dúvidas; suas decepções; sua revolta era coisa de sua pessoal, era psicológico e para  que tudo se tornasse diferente era preciso coragem pra mudar, encarar aquela realidade e fazer a mudança acontecer.  Mas ao mesmo tempo ele sabia que era vitima de regras estabelecidas como conceitos, preconceitos, juízos de valor, dogmas, da cultura, de sentimentos como o egoísmo e a ambição, a discriminação etc.. Tudo isso gerado na convivência com a família e a sociedade causando conflito em seu próprio Ego.

A história de Cosmos começa numa fazenda no interior de São Paulo, os parentes paternos de seus pais moravam em uma cidade próxima daquele lugar onde ele nasceu.  Seus avós maternos juntamente com um de seus tios tocava um armazém de propriedade de outro tio.  São poucas as lembranças daquele período; são momentos como: sendo carregado nos braços de alguém ou brincando numa rua ou no quintal de uma casa com seus primos; um aniversário na casa da vovó ou morando na casa de um tio; indo pra e na escola, na casa de seu avô, em um sitio etc. São lembranças confusas, mas lembranças.

O pai de Cosmos, o senhor Megiro, um brasileiro; nascido no interior de Espírito Santo, um homem criado pelos tios no campo, partiu para a cidade a trabalhar como autônomo e no comércio. De origem humilde e de pouco estudo o pai de Cosmos não tinha conhecimentos que não fora de sua própria sobrevivência e apesar de ter frequentado pouco a escola, aprendeu a ler, a escrever e um pouco da matemática que permitiu fazer umas contas básicas necessárias e exigidas no ramo de comercio que praticava. Não morou com os pais, mas foi criado com muito carinho pelos tios ao lado de primos e primas. Com uma personalidade forte e autoritário com a família, mas ao mesmo tempo protetor e com muito apego as amizades.

A mãe de Cosmos, a senhora Carmem, também não teve muita oportunidade de estudos, mas também  aprendeu a ler e escrever. De origem humilde, uma mulher trabalhadora, esforçada para cumprir suas obrigações de esposa e mãe. Não media esforços para conseguir criar seus filhos com dignidade. Carmem era submissa ao marido, porém autoritária no comando dos filhos, embora brava diante dos erros da garotada, ao mesmo tempo era calma, doce e amorosa. Os pais dela foram trabalhadores rurais e juntamente com seus irmãos moraram e trabalharam  em fazendas por períodos e por outros na cidade como comerciantes.

O senhor Megiro e a senhora Carmem eram pessoas simples, batalharam com muita dificuldade e responsabilidade para criarem seus filhos, contudo, diante das dificuldades e da realidade de suas vidas, tornaram pessoas ignorantes no bom sentido da palavra. Os dois eram bons pais, nunca deixaram seus filhos passarem falta de estudos, roupas e alimentação, e mesmo com as dificuldades que passavam com a falta de dinheiro, conseguiam com muito esforço mantê-los sempre limpos, sadios e bem vestidos, por outro lado, eram rígidos na criação dos filhos, principalmente com os meninos. Com protecionismo exagerado os pais de Cosmos  propiciaram uma criação voltada às regras e a conduta do que eles chamavam de respeito aos mais velhos e davam muita importância a moral e os bons costumes. “ Bênção tio”, “Benção tia” , “Benção mãe”, “Benção pai” etc. E o “não” mal interpretado era sinônimo de palmada, chinelada, varada ou cintada. O castigo era inspirado na oração para o bom grão de milho.

O pai de Cosmos embora tenha prestado serviços em fazendas quando ainda jovem, trabalhou também como empregado em empresas privadas, em bares, lanchonetes e restaurantes. Não era nada fácil pra ninguém, a batalha para ganhar um dinheirinho pra sustentar sua família era grande.

A Senhora Carmem, sempre guerreira, além de cuidar de seus filhos, fazia seus salgadinhos, lanches e comida quando tocara restaurantes ou como fornecedores a esses, com tudo isso nada lhe restava apenas que o descanso em sua cama; poucas foram às vezes em que tirava um tempinho pra folgas ou divertimento, o muito que fazia era assistir algumas novelas na televisão.Raras às vezes em que saiam de casa para dar um passeio, poucas eram as amizades, com exceção de vizinhos que por ali iam pra bater um papo e também algumas mulheres que por lá passaram pra trabalhar e sem dizer aquelas que aproveitando da  humildade, bondade e boa vontade da senhora Carmem, apareciam pra filar um rango e muitas das vezes ficavam até para o jantar, contudo, algumas não mostravam reconhecimento e não demostravam preocupação em oferecer algum retorno em forma de ajuda e carinho, e isso, nem no dia em que a mãe de Cosmos, sofrendo dores no leito de sua cama por ter queimado em águas quentes saída de um estouro de uma panela quente, nada fizera pra ajuda-la.

O pai de Cosmos, o Senhor Megiro, além das dificuldades financeiras e enfrentando muito trabalho e esforço físico, passou por circunstâncias muito ruins de Saúde. Por um período teve que ser internado e afastado da família, foram momentos difíceis para a todos,  principalmente pra Dona Carmen que teve que redobrar  o seu esforço pra cuidar de seus filhos, fora o constrangimento de ver suas crias terem que ficarem sobre os cuidados e proteção de seus pais, principalmente do irmão mais novo que disponibilizou casa e estudos para os sobrinhos, os filhos mais velhos de Carmem, fato que teria ocorrido em outras ocasiões como da vez que a família Megiro teve que mudar de cidade e os meninos tiveram que ficarem com esse mesmo parente.

AS TEMPESTADES.

Aos 8 anos Cosmos muda com a família pra uma outra cidade próxima daquela em que morava seus parentes.  Morou por lá até aos 13 anos de idade. Os meninos além de estudarem, ajudavam em casa e no atendimento no balcão do estabelecimento comercial de seu pai, e as meninas enquanto pequenas ainda não tinham tamanho e forças para tal. Cosme, caçula dos homens, de inicio, colaborava em lavar as louças e limpar a casa, carregar a lenha de fora para dentro, bater as massas de bolo, mexer o leite para fazer o doce, e quando foi ficando mais velho, passou ajudar também no comércio juntamente com seus irmãos mais velhos. Além de trabalhar com os pais, o meino foi engraxate, vendedor de picolés, entregou jornais e mais tarde vendeu salgadinhos, foi Feirante, atendentente de balcão em Bares e Lanchonetes e Representante de vendas.

.Cosmos, assim como qualquer outra criança, brincou, porém não era um garoto feliz, seu sorriso era meramente uma imitação, fazia se repetir o que via nas pessoas, mas por dentro estava triste, ele se sentia um peixe fora d’água, decepções e constrangimentos foram ocorrendo em sua vida, tudo aos poucos ia ficando diferente de uma realidade que tanto sonhara.

O Garoto quando criança e ainda jovem nunca saia de casa, sua timidez exagerada e a baixa estima o deixavam isolado de quaisquer atividades e interação, seja em casa ou fora dela. Pra complicar, esse comportamento fazia dele um garoto excluído por ser considerado um menino nervoso e complexado.  Quando muito novinho, suas saídas eram da casa pra escola e da escola pra casa, quando muito, iria ao cinema, mas com a condição de não antes de engraxar os sapatos da freguesia e ir à missa. Para assistir televisão era complicado, são poucas às vezes em que o garoto tenha lembranças, isso porque eram raras as oportunidades em que ele sentava no sofá da sala pra assistir TV, mas para isso ele tinha uma estratégia! A TV ficava no bar e na frente tinha uma residência com outro aparelho com som muito alto, aquele vizinho parecia adivinhar ou se não é que já sabia e estava a colaborar. Então ele teve uma ideia, sempre que seus pais estavam dentro da casa ele ligava a televisão com volume baixo e escutava através do outro televisor de frente. Mas a felicidade não durava por muito tempo! Isso porque não demorava muito ou o vizinho abaixava o volume ou desligava a TV ou então seu pai voltava e era a dele que tinha que ser desligada..

Se Cosmos fosse um garoto rebelde talvez não tivesse tanta história pra contar, além das brigas e surras na escola ele pagou tremendo mico. Certa vez num dia de aula, na primeira série, o garoto passou por um constrangimento no pátio. Uma professora ordenou o garoto a ficar pulando enquanto os demais se retiravam dali, o que aconteceu é que ela de forma errônea não entendeu as estripulias de um garoto que inocentemente fazia a se pular na hora do Hino Nacional e ela de forma covarde o fez passar por aquela situação inaceitável para um garoto tão pequeno e sem noção. Como se num bastasse num futuro próximo, o menino influenciado pela bagunça da garotada e querendo aparecer e de forma inocente esconde atrás da porta para brincar com a diretora que ali tinha acabado de entrar, mas não foi uma boa ideia! Ela percebeu a presença e a peripécia do garoto e encostou-se a naquela porta e, pois se a empurrar deixando o garoto preso naquele canto enquanto as garotadas estavam a gargalhar daquela situação constrangedora para Cosmos.

O menino Cosmos  não foi um garoto de boa sorte, ainda muito cedo foi perdendo os seus dentes. Seus pais não tinham condições de arcar com tratamento dentário, embora tenham feito muito esforço e o muito que fizeram não conseguiram impedir que Cosmos ficasse banguela tão cedo. Já aos 11 anos de idade ele perde quatro frontais, e para não ficar de feio arrumou a chamada “perereca” que é um tipo de prótese com quantidade mínima de dentes. Certo dia Cosmos, juntamente com outros garotos e garotas participava de uma brincadeira ao qual alguma menina tinha que beijar um menino ou vice-versa. Cosmos teve a sorte de ser beijado por uma garota, e a mais velha e a mais bonita do grupo, porem, teve o azar de estar com aparelho dentário e passar um dos primeiros micos marcantes e inesquecíveis de sua vida. Algo que repetiu no futuro já quando rapaz, o filme voltou, a fita rasgou e o caldo derramou, não foi nada legal para Cosmos.

Cosmos Teve momentos bons, mas não completamente felizes. Certa época aos 11 anos mais menos viajou pra outro Estado pra visitar os seus parentes. Essa viagem já tinha sido feito pelos seus irmãos mais velhos então só faltava ele e suas irmãs mais novas.  Ele não via a hora de embarcar no ônibus e ir ao destino tão esperado. Pra começar o ônibus atrasou, ele não sabe muito bem o que aconteceu, mas sabe que isso só aumentou a sua angustia e ansiedade. Mas tudo bem! O ônibus demorou, mas chegou. Ah! Que momento feliz! Estava pronto pra ver os parentes e a conhecer novos lugares, parecia um rio de felicidades, só que não! Uma dor de cabeça não deixou curtir nem um pouco da viagem, nada estava bom, deitava no assoalho do veiculo, mas alem de não ser nada confortável as pessoas ficavam reparando, isso porque apesar de Cosmos não ter alcançado uma estatura das maiores quando ficou adulto, quando menino se destacava entre os demais pela superioridade de tamanho aos demais garotos.  Chegando ao destino, a dor de cabeça passou porem, a baixa estima do garoto e sua grande timidez que causava sentimento de patinho feio o deixava acanhado perante os familiares, o que poderia ser um prazer passou a se tornar a uma infinita aflição e angustia a espera da partida e fugir ou sumir daquele lugar e voltar para casa. A volta parecia repetir tudo aquilo que passou na ida, ou seja, dor de cabeça, tédio e sofrimento que o perseguiram até o destino final, fazendo dormir por toda viagem, claro que com intervalos! Ele sempre acordava nos momentos da parada chamada de “pinga-pinga” que eram pontos em que o veiculo parava pra pegar passageiros..

Cosmos tinha fobia por alturas, mas não exatamente por cair dali, eh tinha também! Mas o mais interessante é que o seu medo vinha do que estava acima dele. Ao ficar de cabeça para baixo, ou passar por um viaduto ou uma ponte, subir numa casa etc., a impressão que ele tinha que seria sugado para cima sem possibilidades de escapar daquela situação, ignorando a lei da gravidade. Na educação física o exercício da bicicletinha ele se recusava quando o professor o pedia para fazer.

Cosmos por ser um menino tímido não interagia com a molecada e ficando sempre no seu canto, porem, certo dia, ele caiu numa cilada da vida, do nada o menino inventa de provocar um garoto na hora do recreio da escola, mas aquilo foi uma tragédia, chegou uma hora que o guri não aguentou e partiu pra cima, Cosmos até se defendia, mas o adversário embora franzino demonstrou mais habilidade e assim o provocador Cosmos tomou a pior, levou socos no nariz que começou a sangrar camisa a baixo, o que o deixou bastante encrencado por não poder esconder aquele fato quando chegasse em casa. O mais revoltante para Cosmos é que as professoras nada fizeram para ajuda-lo, não pela surra que tinha tomado, mas pela situação em que se encontrava, nada disseram e nada fizera, nem brigaram e nem o confortaram, e mesmo sujo daquele sangue, após ter se lavado sozinho,  ele volta pra sala de aula como se tudo normal estivesse naquele momento..

Já em casa, nem precisou que sua mãe vesse sua roupa, isso porque um garoto que estudava na mesma escola e morava por lá já havia contado o episodio, então, quando Cosmos chegou tomou uma surra por ter brigado na escola o que no final foram duas, uma na escola e outra em casa, eh Cosmos, Cosmos, Cosmos!

Em se falando em briga, aquela não foi à primeira. Em um futuro não muito distante e no outro Estado, ele já com 14 anos de idade e cansado de tantas provocações por parte de um colega de trabalho em seu primeiro emprego,  aceitou um desafio.  No  serviço tinha um outro garoto mais velho que se dizia chefe da função; Cosmos inocentemente aceitou um encontro para travar um briga em um determinado lugar marcado pelo oponente . O lugar era perto da casa do adversário, o que dificultava a vida do garoto porque esse lugar ficava longe de sua casa, mas Cosmos foi pra que!? Pra apanhar de novo! Sim, pra apanhar de novo! Só que dessa vez não houve sangue, apenas foi derrubado e mobilizado pelo outro garoto até que um homem chegou e parou com a briga dizendo que iria chamar a policia. Aquele homem; Cosmos mais tarde descobre que se trataria de um tio do seu adversário. E lá foi mais uma vez Cosmos para casa sujo e derrotado.

Se perguntassem pra Cosmos se lembra de momentos felizes ele até poderia lembrar-se daquele em que nas férias da escola ia pra uma fazenda de parentes no interior do Rio de Janeiro. Lá ele tomava banho na bica, subia nas arvore e chupava muita mexerica com sal nos galhos mais altos; tomava leite quentinho com Todd nas madrugadas tirado da hora das Vacas e o melhor de tudo! Era respeitado pelos garotos e pelos mais velhos que demonstravam muita calma e carinho durante aquela estadia, coisa que Cosmos não estava acostumado a ver e a ter. Sua tia avó, dona da fazenda; tinha muita estima pelo garoto, tanto que sabendo de seu medo pelo escuro, permitia que dormisse acompanhado por ela em seu quarto, o que para ela às vezes traria incomodo, isso porque Cosmos muitas das vezes a acordava com medo que estava passando com aquela escuridão que logo acabava quando a lamparina era ligada pela tia.

O menino Cosmos embora triste, tinha também um grande senso de humor por dentro que não conseguia demonstrar por fora devido suas limitações que ele mesmo as criava. Ele era extremamente sensível e tinha um coração de bondade para com as pessoas. O garoto tinha o dom de imitar e de fazer rir, mas as barreiras da vida impediam de mostrar esse lado que lhe fazia feliz. Certa vez e em suas lembranças ele se vê fazendo imitações e tirando sorriso das garotadas. Um dia ele até pensou em ser artistas, mas não levou muito a sério entendendo que aquilo não passaria de um sonho, uma utopia, algo impossível para um garoto tímido e com tanta baixa estima.. 

O ato de ensinar daquele tempo era homogêneo; o que dificultava o aprendizado de certo alunos, isso porque a didática usada pelos professores não tinha em sua dinâmica a preocupação com a diversidade pessoal, social, econômica e cultural nas salas de aula; prejudicando certos alunos que não atendiam aquele procedimento de ensino; como foi o caso de Cosmos, que teve muita dificuldade para se encontrar naquele processo de ensino oferecido pelas escolas o que causou atraso e complicações e uma reprovação no ensino fundamental,.

O senhor Megiro passava por dificuldades financeiras com sua família, ele não teve muita sorte ao confiar em um irmão e em alguns políticos que juntos fizeram que acumulassem dividas ao acreditar em promessas promissoras, passando a dever a eles e aos bancos; isso o Fez em pensar em mudar daquela cidade do interior de São Paulo e para outro Estado e tentar a sorte e foi o que ele fez, vendeu sua casa, pagou todas as dividas e partiu viagem com a família em destino aquele lugar.

Aos 13 anos de idade Cosmos  muda com seus pais pra outra cidade em outro Estado, o mesmo lugar que estaria aquele tio com a família e a avó paterna. A viagem para o menino Cosmos não foi legal, uma dor de cabeça, de novo!? Sim! Durante todo o percurso da mudança não deixou curtir a viagem. A mudança saiu de madrugada da casa de uma amiga de seus país. Cosmos não via a hora de partir, dormiu muito mal pensando na viagem ou talvez porque pelo desconforto da poltrona em que dormiu.

Naquela época usavam os caminhões de mudança cobertos com lona e os moveis ficavam estrategicamente arrumados na carroceria de uma maneira que o centro ficasse vazio para que nele pudesse ser ocupado por pessoas, e ali foi ele e seus irmãos e mais um dos filhos do Motorista. Quando ele descia e ia pra gabine ou parava em algum lugar pra lanchar a dor de cabeça passava o que levava os seus pais e todos que estavam ali pensar que ele estaria mentindo só pra mudar de lugar e seguir a viagem na gabíne do veiculo.

A cidade em que Cosmos foi morar tinha um clima bem diferente daquele em que estava, era muito calor. As pessoas, a miscigenação era algo que chamava atenção, tinham costumes, tradições e sotaques diferentes daqueles que conheciam. A cidade ficava a margem esquerda de um Rio e atraia muitos turistas para aquele lugar. O Festival de pesca era muito esperado pelos moradores, iam pessoas de todos os lugares do mundo. Peixe tinha em abundancia, não precisava nem saber pescar para fisgar alguns deles. 

O senhor Megiro alugou uma casa onde tinha um salão na frente, e nos fundos uma repartição feita com paredes de madeira para separar os quartos, inclusive ficou por ali também a sua avó paterna que tinha acompanhado seu tio meses antes daquela viagem. A cozinha, um lugar bem apertado para a família. Ali permaneceu por um tempo até que resolveu vender o ponto e alugar outra casa, o que não foi um bom negócio porque foi difícil encontrar outro igual àquele que tinha vendido.  Já em outro local, continuou trabalhando com bar e logo fechou por motivos de força maior.

A vida não foi nada fácil para seu Megiro e sua esposa Carmem. Se no passado eles trabalharam muito, nesse não foi diferente. O casal teve muitos tropeços no meio do caminho. Em épocas anteriores eles até tiveram a casa própria feita com o próprio suor de seu Megiro, mas sem saber explicar ou que acontecia, tudo se perdia, o caso é que o senhor Megiro parecia não ter controle sobre seus negócios, sobre que fazia, acumulava muita divida e não conseguia assegurar os seus bens e acabava vendendo para pagar o que devia e por final acabava voltando para o aluguel.

.Da primeira casa, aquela em que vendeu o ponto ele foi pra outro que ficou bastante tempo e fez bastante amizade. Desse segundo ponto ele tocou um Bar e Restaurante em posto de gasolina, mas depois teve que mudar dali porque o dono do Posto entrou com divergências com o dono do prédio e passou um muro na frente do estabelecimento o que atrapalhou o comercio e a não oferecer mais possibilidade de retorno pra pagar o Aluguel da Casa.

Desnorteado e sem rumo o Senhor Megiro alugou uma casa em um bairro distante daquele lugar em que estava; mas a casa alugada não oferecia uma estrutura propicia ao comercio; então a família passou por um breve período naquele lugar até que encontrasse outro que lhes proporcionasse possibilidades de trabalhar e ter o retorno para o pagamento do aluguel. Para o garoto Cosmos foi um dos momentos mais difíceis em sua vida; o menino não tinha prazer de viver naquele ambiente; as dificuldades financeiras da família traziam limitações com gasto de água e energia e sem contar com os problemas que a casa causava no dia a dia, com os aqueles gerados por causa de uma fossa entupida.

Depois o Senhor Megiro foi com sua família pra uma rua em que morou por muitos anos em três casas e fez muitos amigos e era admirado por todos. Nesse período em que ficou nesse local chegou a tocar um bar em outra cidade deixando esse por conta da família, por outras vezes ia trabalhar em fazendas para trazer mais dinheiro e diminuir os custos e despesas da casa, o pai de Cosmo era um muito trabalhador.

A primeira casa daquela rua era grande porem muito velha e os quartos com pouca ventilação e muito pernilongos que atrapalhavam o sono de todos, principalmente de Cosmos, o garoto não dormia! Ele Cochilava! Além do calor e dos mosquitos seu colchão de palha o pinicava e fazia alertar os olhos a cada momento. Um dia, Cosmos cansado daquela situação insustentável teve uma ideia; na casa tinha um ventilador de teto na sala, então ele pensou “vou ligar e deitar nesse sofá, e antes do amanhecer eu desligo e volto para o quarto antes que eles vejam” nada disso! O sono foi tão bom que não conseguiu acordar, só despertou no outro dia aos berros e tapas de seu pai; mas nada disso o importou, pois foi a melhor noite que passou desde que chegou aquela cidade naquele Estado.

A segunda casa também era grande, porém, velha e mal repartida e também muito quente. Do lado dela tinha um clube que aos finais de semana transformava em discoteca e fazia festas aos sábados e domingos. O que poderia ser bom foi um empecilho, isso porque Cosmos dormia em lugar  separado dos outros, e não era bem um quarto! Ficava num corredor, onde dava de frente pra uma sala aberta, e quem passava por ali via Cosmos “dormindo” naquele lugar, o pior é que as pessoas que frequentavam a festa, muitas frequentavam também o bar e pedia pra ocupar o banheiro e por ali passavam e deixava o menino constrangido com aquela situação. Triste ficava o menino perante aquela realidade que era totalmente contraria as suas vontades, que era de estar na gandaia vendo garotas pra paquerar ou namorar, mas ao invés disso estava em casa deitando num colchão, suado e molhado de calor por falta de um ventilador e ouvindo aquele som que somado a tudo não deixava dormir.

Nessa mesma rua em outra casa, o Senhor Megiro e a Dona Carmem tocou um Restaurante onde foi um Hotel. Cosmos até gostou daquele lugar, porque diferentemente da outra casa que era grande porem muito fechada e quente, essa era mais bem repartida e arejada. Ali jogava sinuca quando queria sem interferência e nenhuma reclamação por parte de seus pais. Os arrochos do pai pareciam estar um pouco controlados. Nessa casa ele dormia no bar por detrás do balcão de atendimento, mas ele não importava, parecia estar tudo de bom para ele. Assistia Televisão até tarde, algo bem diferente do passado, quase nunca ficava perto de uma TV. Um dia Cosmos estava feliz vendo umas lindas meninas brincando de bola na rua e sua imaginação estava fluindo sonhos a olhos abertos, tudo estava muito bom, quando de repente tudo desmoronou, ele não lembra o porquê, mas algo deixou o seu pai bastante furioso, foi um escândalo, passou a perseguir e a xingar aquele menino que tudo que queria naquele momento era de ter o poder de sumir, desaparecer daquele lugar. Aquele pesadelo demorou a passar e quando passou a vontade dele era de morrer e foi o que tentou fazer, mas uma força superior não deixou que aquele mal acontecesse com aquele rapaz e se salvou daquela atitude tão impensável e errônea.

O garoto Cosmos tinha dificuldade dentro e fora de seu Lar. Nas escolas, e como estudante, por ser muito tímido e confuso com a vida, não se entrosava com facilidade com os colegas, e assim como em casa não era diferente, por não se aceitar devido a sua baixa estima, se isolava diante dos outros despertando a curiosidade dos estudantes em entender o comportamento estranho daquele garoto. Mas Cosmos sendo um menino inteligente conseguira reverter à situação com as notas que conseguia com seu esforço de aprender, mérito que para ele, seria só dele, já que não via com bons olhos a dinâmica de ensino dos professores, o que o levou em futuro distante a buscar o aprendizado por sua própria conta em casa ou em bibliotecas, dando em conta o seu poder autodidático.

Na escola, Cosmos não se sentia muito bem, sua timidez atrapalhava sua concentração. Ao se sentir diferente e isolado se isolava dentro de si e na sala de aula.  Por muitas às vezes saltou-se do muro da escola pra ir embora pra casa, o que não limitava a sua angustia, isso porque o desconforto da alma não permitia ser feliz.  Relacionar com garotas ficava difícil, como se já não bastasse sua timidez e sua baixa estima, a sua presença passava despercebida ou percebida no ápice de sua rejeição. Apesar de simpático e de boa aparência, bonito e perfeito aos olhos de muitos,  parecia não agradar a bons olhos as meninas daquele lugar. Mas Cosmos também era exigente em suas escolhas, apesar dessas mesmas da mesma forma não encaixar no seu perfil de padrão de beleza, o rapaz conseguiu ver em algumas delas algo que lhe chamasse atenção. Admirar e admirar!  É só o que Cosmos conseguia fazer e mais nada, pois não tinha coragem para chegar e falar de seus sentimentos, às vezes até tentou, mas as suas forças eram precárias para tal e acabava perdendo para o fracasso e só lhe restara sonhar e sonhar e nada mais.

Na pré-adolescência e na adolescência namoro continuava sendo um problema para Cosmos, ele não tinha muito espaço em seu pensamento, isso porque primeiramente por sua baixa estima; era submisso;  deprimido; retraído e se sentindo traído e decepcionado pela a realidade de sua vida não se dava a oportunidade para tal, acreditando ele que aquela situação, as suas forças e sua personalidade não responderia a esse comportamento social ao momento que se via fraco e fragilizado nessa posição e diante da repressão psicológica em que se passava diante das contrariedades sofridas no meio social e também em casa ao ignorarem a realidade, deixavam de enxergar a maturidade daquele garoto que já não era mais um menino e sim um Homem.Nos fins de semana em ocasiões como natal, finais de ano e mesmo fins de semana em que reuniam parentes e amigos dos pais de Cosmos em sua casa, o que parecia ser tudo de bom não era nada divertido. A raiva era expressa em silêncio no rosto pelo medo a repressão e ao castigo quando tinha coragem de falar.. Cosmos não era odiado, só precisava ser compreendido pelo comportamento e as atitudes defensivas e inocentes, manifestadas por ele.Em casa a rotina era como um disco furado que girava e que girava sem parar.  Levantava cedo, abria a lanchonete, limpava, atendia e cobrava alguns fiados, dormia e acordava no outro dia pra volta daquela rotina.

Alimentar não era uma preocupação, tinha a sua disposição os refrigerantes e os salgados que ficavam em uma estufa naquele bar, comia a vontade e ninguém brigava ou reclamava. O almoço por lei tinha que ser do ambiente de trabalho, o que lhe causava sono e tédio.

O menino Cosmos foi dançando conforme a música que a vida oferecia. Em casa embora tenha sido amado como filho e irmão, foi sempre tratado diferente, era como um alienígena na família, coisa que ele mesmo via em si mesmo.  Tinha uma personalidade fraca e reprimida. Mas ele não culpava a ninguém e nem se culpava também, embora tenha sido um garoto normal e de boa aparência, na verdade era verídico o repúdio que sofria diante das pessoas que subestimavam sua inteligência, sua coragem e sua força, só faltava compreensão por parte de todos.

Dentre os irmãos o garoto sempre foi o mais tímido e acanhado, era confuso diante de sua realidade e por isso, o menino ficava sempre nas defensivas e raras às vezes na ofensiva para evitar castigos. Criaram erroneamente um personagem com uma personalidade desdenhada fora do que era o real. Era julgado com conceitos e preconceitos das pessoas que tratavam ele com os mais variados adjetivos, como por exemplo: rude, explosivo, raivoso, nervoso, complexado, doente e retardado. Na verdade Cosmos era de uma personalidade bem diferente de tudo isso, pelo contrário, era inteligente, compreensivo, observador, porém de uma coisa eles estavam certos, realmente ele era muito confuso.

Cosmos era um menino deprimido, um garoto aborrecido pela vida, diante da dificuldade de entender o comportamento das pessoas com ele e também até mesmo entre elas. Um menino carente de respeito e carinho. A impaciência e a falta de respeito a sua natureza e a sua realidade pessoal como pessoa, no lar, na família e fora dela, faziam do menino um ser extremamente vazio e revoltado não só consigo, mas com a própria realidade em que vivia, e tudo isso, somando a sua baixa estima, o tornava antissocial, o que gerava desconforto e atitudes que não eram facilmente compreendidos pelos mais próximos, como por exemplo, o isolamento pelo isolamento e a exclusão que sofria na família nos momentos de lazer.

Cosmos assim como seus irmãos começou a trabalhar muito cedo. Quando não estava trabalhando fora, sempre estava a ajudar e a morar com  seus pais. Solteiro, saiu de casa muito tarde, mas não demorou, voltou a morar com eles, diferente de seus irmãos que casaram, tiveram filhos e nunca voltaram a morar com seus pais.

Certa vez o Tio paterno de Cosmos levou o menino para sua fazenda, o objetivo seria “um descanso”, com intuito de que ao leva-lo aquele lugar ele “voltaria menos tenso e raivoso”. O garoto até gostou da ideia, planejou com seu primo andar a cavalo e banhar em um córrego que existia por lá. Mas nada disso aconteceu! Cosmos na verdade dedicou o seu tempo a ajudar o seu tio na roça de arroz, mas o que parecia ser ruim para menino foi até uma diversão, considerando o estresse e a contrariedade em que passava na cidade e em sua casa, na escola e na vida.

O sorriso de Cosmos era apenas reflexo do que ele via nos rostos dos outros, por fora parecia ser tudo felicidade, mas por dentro era estava um desastre. Os fins de semanas que poderiam ser os mais divertidos não passavam de um tormento, eram os dias em que a freguesia em especial os vizinhos da lanchonete mais frequentavam aquele lugar. Tudo bem que para o negócio era bom, porem para a rotina de trabalho só lhe causava aflição. Aquele ambiente ficava rodeado por pessoas que demonstravam alegria nos rostos enquanto que Cosmos  lutava para enganar a si e a todos passando um falso contentamento e fingindo a sua angustia por não contemplar dos mesmos sentimentos, restando lhe apenas o trabalho de servir aquelas pessoas.

Final de semanas sinônimo de descanso e de lazer, de passear; de viajar; de brincar numa praia; de tomar banho na piscina ou em um rio; de encontrar com a namorada na praça; de jogar bola com os amigos no campo ou de jogar truco na rodinha de amigos ou mesmo em casa com a família. Cosmos não sabia o que era lazer, nem mesmo no seu próprio lar. Para descontrair trazia para si algumas atividades como organizar seus papéis em pastas numeradas e identificadas pelo tipo de documento; digitados na máquina de escrever e as informações destes com número, dia, data de vencimento de cada um, era tudo bem anotado até nos seus mínimos detalhes.

Sua presença nas horas de descontração era descartada naquele meio, quanto muito em que eles o chamavam pra participar das diversões, no final era só motivo de desgosto pelo fato da falta de respeito aquele menino que tanto precisava de atenção e carinho, e tudo isso só causava lhe dor e sofrimento por não ser compreendido e ao mesmo tempo  reprimido ao expressar a raiva meio ao rancor e sentimento de desprezo que os causavam. Lazer para ele se resumia apenas na hora de dormir, momento em que ele se apagava e esquecia-se daquela realidade que causava tanta decepção O mundo de Cosmos se baseava naquele pedaço de tempo e espaço que era como um muro de divisas para o que é o real. O jovem não conseguia ver alem de suas fronteiras, não tinha projetos, não tinha objetivos, não tinha sonhos, não tinha vida, pois ao menos não conseguia pensar ou raciocinar com responsabilidade pra mudar tudo aquilo.

Cosmos mesmo antes dos 25 anos de idade trabalhou em algumas empresas, mas foi a partir desse período que algumas coisas mudaram. Quando o senhor Megiro teve que entregar o ponto em que estava tocando o seu comércio, isso se tornou uma sinuca de bico para Cosmos. E agora o que eu vou fazer? Perguntou o rapaz para seu pai enquanto estava na mudança pra casa emprestada por um tio. O senhor Megiro não sentiu a profundidade da angustia e desespero do rapaz e pôs-se a sorrir e indagou, ironizou sorrindo e dizendo ao moço: “tinha comida e roupa lavada e não dava valor! Eu não sei o que você vai fazer!”. Como assim? Cosmos não recebia nada, não pegava dinheiro algum, não saia de casa, trabalhava de segunda a segunda, em tempo integral e comida e roupa lavada para o rapaz era pouco diante daquela vida que levava. Cosmos não valorizava o dinheiro e nem o luxo, só queria a paz consigo mesmo. O primeiro emprego foi aos 14 anos, aquele em que brigou com um colega! Depois disso arrumou vários outros, com exceção desse primeiro e de mais um os outros foram Cosmos que conseguiu com iniciativa própria.

Na época em que Cosmos parou de trabalhar com o pai, ficou um período atordoado pelas incertezas, sem saber o que fazer da vida. Passava o seu tempo andando pela cidade com sua bicicleta sem rumo e sem direção. Às vezes passava a noite em um posto de Gasolina que ficava em frente aquela casa emprestada do seu tio paterno para morar e que agora estava morando um tio materno, pai de um primo que lhe fazia companhia naquele lugar. Um dia Cosmos em um Bar frente aquele posto conversou com um vendedor de uma empresa multinacional e disse ao homem “ um dia eu também vou trabalhar nessa empresa” e foi o que aconteceu! Cosmos um dia teve a felicidade de ir aquela empresa pedir emprego e por lá encontrou um antigo conhecido que foi vendedor no passado e que agora era o coordenador de vendas do município. Cosmos foi bem recebido e prontamente Foi lhe ofertado uma vaga provisória. Mas cosmos mostrou eficiência, responsabilidade e força de vontade para trabalhar e conseguiu aquele emprego por  definitivo.

Cosmos não deixou de ter a suas horas de lazer considerando que trabalho para ele não passaria apenas de diversão.  Dinheiro era necessário, porem, a alegria parecia ser impossível. Cosmos por não saber exatamente com precisão o significado do prazer de desfrutar a vida, então no trabalho o jovem teve a oportunidade de buscar nos momentos das horas de expediente e no serviço, como uma forma de divertimento. Cosmos não sabia o que era curtir uma festa. Ver as pessoas nos passeios ou mulheres no trabalho era como estar numa balada. Carregar e descarregar um caminhão eram como reunir com os amigos na academia. Ver música ao vivo nos supermercados era como ir à balada aos domingos. Ver os clientes circulando pelas lojas era como estar em desfile de mulheres bonitas, Deslocar de um local para outro era como viajar de cidade a cidade. Ser elogiado pelos colegas era como receber o carinho tanto esperado

Embora tímido e confuso com a vida o garoto, agora rapaz, tinha uma habilidade para pensar e raciocinar. Era inteligente, sabia cativar as pessoas e conseguir afeto por parte delas, coisas que foi conseguindo com o tempo e o amadurecimento. Antes de conhecer a bebida e as mulheres o dinheiro em que ganhava ficava em uma porcentagem maior para ajudar em casa, colaborava com as despesas da casa e o pouco que restava ele comprava algumas roupas e parcelamento de dividas em lojas.       Cosmos tinha morada, mas não se sentia em casa. Cumpria seus deveres e seus direitos eram apenas de ficar calado.   Reclamar impossível! Sonhava em ter uma casa e conseguiu comprar uma com o acerto com aquela empresa. O imóvel ficou alugado por um período e por outro ele morou e depois voltou para a casa dos país  para fazer companhia , cuidar da casa com a faxina, lavar as louças e outros afazeres do Lar. O senhor Megiro e a Senhora Carmem estavam com a Saúde debilitada, estavam com a idade avançada e com sintomas que todas as pessoas sentem ao envelhecer. O senhor Megiro passava por um período muito complicado, problemas sérios de Saúde que sofrera nesse tempo o impedia de ajudar a realizar a tarefa de casa, nisso, foi necessário a presença de Cosmos para ajuda-los a superar essa fase tão difícil para todos. No inicio o Senhor Megiro agiu com intolerância a presença de Cosmos, apesar de estar precisando do filho ele reagia com ignorância a ajuda daquele moço que agora já não é mais um garoto, já se tornou um Homem. Mas com o tempo o pai de Cosmos entendeu a situação e aceitou o moço com naturalidade.

 Cosmos passou a sair de casa, claro! Já nem era hora, passava da hora!. Nos fins de expediente do trabalho iniciou sua experiência com a bebida alcoólica o que não foi muito bom porque com o passar dos tempos e com amadurecimento o que poderia ser momentos de curtição alguns deles passou a ser causa de muita vergonha. Como todo embriagado  Cosmos não foi diferente, andou pagando alguns micos em casa e fora dela; foi roubado, furtado e assaltado . Conheceu muitas mulheres e se relacionou com muitas delas, mas não chegou a namorar a sério,; interessou e pensou mais alto por outras que nunca chegou a tocar ou a falar, para algumas, ele nem chegou a existir e para ele, só  lhe restava a sonhar.

O tempo passou e Cosmos já esta na casa dos quarenta, seus pais estão fragilizados pelo tempo, estão idosos e com a saúde abatida. Cosmos volta a morar com os pais. O menino já não é mais um garoto,  é um homem maduro que cobra muito de si mesmo. Eleentende que pode e tem competência pra seguir seus objetivos, porem ele pensa que precisa saber mais, ele tem medo das incertezas, ele tem receio de deixar a desejar a aqueles que estão a aprender com ele. Cosmos evolui muito, amadureceu, mas faltava ainda muito a aprender. As supertições, as emoções, a baixa estima, seu medo ainda lhe perseguem e ele não consegue fugir destes asteroides em ataque, ele tem que pensar e raciocinar senão ele pode cair na derrota.

Mas cosmos apesar do pesares tudo aquilo que passou serviu também pra fazer da imagem dele um menino, um rapaz e depois um homem de valor, respeitado por todos. Aqueles que o conheciam sempre o elogiavam, pois conheciam o seu passado, de um garoto que só vivia a trabalhar e ajudar em casa, nunca ninguém o via em outro lugar que não seria em sua casa e a escola. Nunca o via em festas ou qualquer outro evento. Cosmos agora reconhece que tudo que passou foi pra o seu bem, que a maneira em que foi criado foi apenas uma forma que seus pais encontraram pra oferecer proteção aquele filho que eles tanto amavam.

O garoto reconhece que sua história é seu próprio alicerce ou escudo de vida, isso porque por muitas vezes ele poderia ter sido julgado erroneamente por determinados acontecimentos, seja em momentos lúcidos porem descontrolados ou em aqueles em que nos tropeços, descontentamento e revolta de uma situação de contrariedades na vida ou mesmo às vezes como forma de distrair, de buscar outros pensamentos e sentimentos para talvez confortar as ideias e buscar a paz, se voltava para a fuga da fúria e lamentações.  Ou mesmo o tédio de uma mesma rotina onde tudo se repetia e repetia sempre do mesmo jeito, assim se via de repente na ilusão da Bebida, que fantasiada de lâmpada do Gênio, distorcia a realidade para uma dimensão diferente daquela; trazendo uma falsa alegria e paz em seu coração. Visão adulterada porem ao mesmo tempo era como um tempo de acalmaria, de fuga de tudo que pra ele era desagradável.

Apesar de Cosmos ser uma pessoa educada, sentimental e realista o seu celebro viajando naquele espaço imaginário e movido pelas sensações de um consciente embriagado não permitia ver as estripulias feitas naquele momento de exaltação.  Embora seu comportamento sempre tivesse sido mais voltado para gestos com postura mais  de defesa do que de ataque não impedia de ser julgado de certa forma injusta por uns porem compreensiva por outros por vezes,  já que a bebida altera a concentração e faz com que a pessoa fique vulnerável a atitude inoportuna e inconveniente, como por exemplo uma conversa, uma dança ou um discurso que por muitas vezes como resultado se torna num empecilho  para a imagem daqueles que tem como personalidade o dom do amor, do perdão, da humildade, do caráter e da honestidade. Esse era Cosmos que mesmo vitimado pelas fraquezas e derrotas era fortalecido  pelos seus pensamentos e decisões fazendo de sua alma sinônimo de respeito e dignidade.

E esse passado sério, de muito trabalho e esforço juntamente com toda sua família que foram pessoas trabalhadoras, sérias e honestas fizeram de sua imagem um Homem merecedor de cumprimento por todos.

A história de Cosmos nesta fase começa como ventos fortes e termina com a calmaria. O moço com o amadurecimento e assim suas experiências de vida conseguiu vencer suas fraquezas, seus  medos, suas incertezas, partiu para a luta, conheceu pessoas, tornou-se independente, ganhou muito dinheiro, ficou muito rico, ajudou seus pais, os irmãos e se tornou uma pessoa ainda mais respeitada e adorada por todos. Parabéns Cosmos você venceu! Será? Veremos nos próximos capítulos.