Do Professor Antônio Lopes de Sá: “... Repetir palavras impostas por terceiros é bem diferente em relação ao dizer o que nos vai à alma. Só conseguiremos ser o que realmente somos se abdicarmos a imitação, a submissão intelectual, a tirania mental que terceiros tentam exercer sobre nós. Deixar de ser omisso perante si mesmo, perante as circunstâncias do destino é efetivamente exercer a vida em plenitude...”.

            Um dos maiores meios de degradação que alguém pode fazer a um profissional é limitá-lo no exercício da sua profissão. É transformá-lo em um mero cumpridor de tarefas corriqueiras. É fazer dele um simples reflexo de micro-pensamentos, os quais espelham a incapacidade e a falta de confiança profissional advinda de cargos superiores.

            Se um profissional se submete simplesmente a fazer, fazer, fazer e tão somente fazer o que lhe pedem, certamente não haverá por parte da gerência nenhuma reclamação ou impedimento a este profissional.

            Mas é só isso?

            Então, profissionais saem das suas casas, passam 10 horas por dia em um ambiente fechado, fechando suas mentes? Como se vivessem em um regime tirano onde pensar não é permitido? Onde ter idéias é um crime? Onde se opor é falta passível de punição?

            O problema é o comodismo profissional. É prejudicial ao ambiente de trabalho. É uma forma ignorante e mediana de desenvolver uma atividade.

            Mas “a própria ignorância é cômoda para as pessoas”.

            Não se está questionando o não cumprimento de determinações, pelo contrário, está se colocando em discussão a tristeza e o retrocesso profissional destinado aos profissionais “presos à bolas de aço”. Pior, pois estão colocando bolas de aço nos pensamentos, os quais não são expostos e por isso mesmo acabam se perdendo e deixando de ser aproveitados.

            Mas ainda há esperança (sempre haverá).

            Atitudes pró-ativas, não-cômodas, com pensamentos (e daí o porquê de sempre haver esperança) extremamente coletivos, visando o bem não apenas da sua equipe, mas de toda a organização empresarial. Isso dá a conotação e o dimensionamento de que podem haver saídas, devem haver outras alternativas, por que não é só isso...

            Para as pessoas que ocupam cargos superiores, criar, treinar ou acompanhar profissionais para serem repetitivos, imitadores e submissos demonstra a total falta de confiança profissional que eles depositam, o que é perigoso, pois isso causará a centralização das tarefas que poderiam ser facilmente suportadas por quem deve de fato realizá-las.

            Quem centraliza para si todo o trabalho não poderá reclamar do acúmulo, do estresse e da falta de tempo para fazer o que realmente deveria: treinamento, acompanhamento e revisão, além da constante atualização (o atual de hoje e não o atual de ontem) e da busca pelo aperfeiçoamento próprio e da sua equipe.