PEIXOTO, Katiane Paula 1

PROBST, Melissa 2

RESUMO

Este artigo tem como tema a construção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, e como essa deixou o seu legado para Rondônia.Projetada para transpor as cachoeiras dos rios Mamoré e Madeira. Assim podendo haver o escoamento dos produtos bolivianos e brasileiros, em especial o látex, oriundo da seringueira (havea brasiliensis), planta nativa da região amazônica. Analisando assim a importância da sua construção, vencendo todos os desafios e empecilhos dessa jornada, desafiadora, mas possível, identificando por meio dessa as causas do seu surgimento.Em princípio como pagamento ao vizinho país fronteiriço pelo território do Acre e claro explorar a crescente riqueza nativa, reconhecendo através de várias vertentes o seu legado tanto, populacional, econômico, cultural e agora porque não patrimonial do estado de Rondônia, se destacando como importante obra da engenharia no começo do século XX.Utilizandopesquisa bibliográfica, analisando e posteriormente descrevendo, levando em consideração os aspectos já mencionados se faz necessário a continuação do seu estudo para aprimoramento. O resultado da pesquisa foi atualização de dados e propiciar conhecimento sobre o assunto.

Palavras-chave:Ferrovia. Madeira. Mamoré. Construção. Legado.

1 INTRODUÇÃO

O presente artigo visa fomentar o interesse para essa epopeia que foi a construção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, no meio da floresta amazônica, com todas as dificuldades possíveis e improváveis, sua construção foi concluída com muitos altos e baixos.

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1 Acadêmica de Pós-Graduação em Metodologia do Ensino de História e Geografia pelo Centro Universitário Internacional – UNINTER, Professora licenciada pela Universidade UNOPAR. E-mail: k_tianepaula@hotmail.com

2 Possui graduação em Pedagogia pela Fundação Universidade Regional de Blumenau, graduação em História pelo Centro Universitário Leonardo da Vinci, mestrado em Educação pela Fundação Universidade Regional de Blumenau e doutorado em Educação pela Universidade Tuiuti do Paraná.

 

A princípio a estrada ligava um nada para outro nada, pois a mesma se encontrava completamente no meio da floresta, com o passar dos tempos foram surgindo povoados como, Porto Velho que mais tarde se tornaria a capital do presente estado, Guajará Mirim cidade fronteiriça com a Bolívia, e vários povoados no entorno da estrada, destacando Vila Murtinho, e Iata.

Sua construção já havia sido citada em meados do século XIX, mas por conta da logística foi deixado de lado, retomado no início do século XX, o tratado só foi assinado no ano de 1903, entre os países da Bolívia e o Brasil, o referido se chama Tratado de Petrópolis, nele o Brasil se compromete em construir uma ferrovia para escoar os produtos bolivianos e brasileiros daquele interior esquecido. O Brasil estava nesse momento comprando o território do Acre.

Parte-se do pressuposto de que sua construção deixou legados tanto positivos como negativos, dentre os contras podemos citar as mortes, e essas não foram poucas, até os dias de hoje há lendas dessas mortes, seja por motivos de doenças, acidentes de trabalho, conflitos com os indígenas, entre outros, e isso lhe rendeu um apelido “Ferrovia do Diabo”. Já os prós podemos destacar a globalização que se caracterizou naquele período, como as cidades e nessas cidades o surgimento de hospital, ruas, infraestrutura, uma “Belle Époque Amazônica”.

Sendo assim podemos analisar a importância dessa construção, a modernidade adentrado na floresta, a paisagem se transformando, nações de diversas partes do mundo, culturas, costumes, religiões tudo em uma enorme junção e conflitos, acontecendo assim uma globalização de povos.

As linhas férreas estavam no seu mais glorioso apogeu, onde havia trilhos e locomotivas havia prosperidade e riquezas, e foram atrás dessas maravilhas que surgiu a necessidade de sua construção.

O tema desse artigo diz respeito ao legado que essa ferrovia trouxe para Rondônia, uma parte importante da colonização do estado, pois foi através dessa construção que houve grande fluxo migratório para região, de várias partes do mundo, mas temos que destacar também o nordeste brasileiro, que veio em peso trabalhar nessa construção.

O objetivo desse artigo é analisar a importância dessa construção, identificar as causas de seu surgimento e reconhecer o seu legado para Rondônia, conhecendo assim um pouco mais da história do estado, o artigo está subdividido em textos, esses são; A Construção da Ferrovia, Hospital e Cemitério da Candelária, A Ferrovia do Diabo, Primeiro e Segundo Ciclo da Borracha, Porto Velho e Guajará Mirim, Metodologia e Considerações Finais, nesse contexto segue o artigo.

  2 A CONSTRUÇÃO DA FERROVIA

Tudo começou no século XIX, a Bolívia necessitava de um meio para escoar seus produtos, sendo que o vizinho possuía um rio próximo.

O rio Madeira é formado no coração da América do Sul pela junção do rio Beni com o rio Mamoré que correm em território boliviano e que vem das encostas dos Andes. O Mamoré encontra-se com o rio Guaporé que nasce no Planalto Central Brasileiro, formando o rio Madeira, o qual percorrendo cerca de 400 km desce até a cota dos rios amazônicos. Nesta descida encontram-se grandes os obstáculos, saltos, corredeiras e cachoeiras, que impedem a navegação fluvial. (FILHO, s/p, 2009).

Surgindo assim uma boa alternativa para a Bolívia escoar seus insumos, como a borracha,naquele tempo as ferrovias eram um meio de transporte que estava no seu apogeu, e os dois países necessitavam de empréstimos tanto estadunidenses como londrinos, foi escolhida a ferrovia.

O trem de ferro é talvez uma dos mais expressivos símbolos da modernização, interface tecnológica e econômica da modernidade. No turbilhão das mudanças que ocorreram entre o final do século XIX e o início do século XX, a implementação do transporte ferroviário deixou marcas profundas nas gerações que vivenciaram esse momento, cujos avanços tecnológicos modificaram a vida cotidiana no mundo e, em especial, no Brasil. A Revolução Científico-Tecnológica estava em lento curso e a força da velocidade de uma locomotiva simbolizava a rapidez com que a revolução tecnológica alcançaria nosso país (MAIA, 2009, p. 45).

Assim podendo chegar até o Oceano Atlântico, sendo a primeira fase do transporte ferroviário e posteriormente hidroviário.

O processo de construção foi uma forma de pagamento pelo novo território do Acre, naquele período por conta da seca de 1887 que devastou o nordeste brasileiro, várias pessoas viram ali uma oportunidade de mudar de vida.