Sem dúvida uma das palavras mais divulgadas e pronunciadas neste ano foi FEMINISMO. Não por acaso, nem porque é uma palavra bonita. Este movimento se deu principalmente em torno das principais lutas das mulheres quanto à conquista e igualdade de direitos em uma sociedade brasileira amplamente machista e sexista. As mulheres ainda lutam diariamente contra uma cultura que a coloca em um patamar bem abaixo dos homens em diversas áreas e questões, algumas delas que só deveriam dizer respeito a elas próprias, como exemplo, o direito da mulher à sua autonomia, à integridade do seu corpo e o direito ao aborto. E outras questões intimamente ligadas que tratam da proteção às mulheres, garotas e meninas que sofrem constantemente violência doméstica e familiar, assédio sexual público-privado e que sofrem estupro. Ou, àquelas que dentro dos seus relacionamentos afetivos são obrigadas a manter relações sexuais sem consentimento. Situações que podem levar ao FEMINICÍDIO – homicídio contra a mulher. Seja por razões da condição de sexo feminino ou por discriminação e menosprezo à condição de mulher. Promover essas questões é uma quebra de paradigma, uma vez que essa cultura machista está impregnada no subconsciente da sociedade de tal forma que ainda a arcaica justiça brasileira protege muitos desses crimes com leis extremamente sexistas que ainda levam em conta o gênero (e muitas vezes a raça também), infelizmente. Por isso, a luta feminista continuará nos próximos anos. Contudo, para o feminismo ser consolidado deve vir acompanhado de muita SORORIDADE. Outra palavra linda, e que se praticada poderá transformar a vida de muitas mulheres. Poderá até salvar muitas dessas vidas. Sororidade é um comportamento que representa a união entre as mulheres. Em um conceito mais íntima, sororidade pode ser vista como uma convivência harmoniosa e afetiva entre as mulheres. Querendo ou não, as mulheres também trazem consigo conceitos machistas e que sempre afloram quando se trata de julgar outras mulheres. Mas essa disparidade do gênero feminino precisa mudar. Se todas as mulheres (sem exceção) já sofreram a “objetificação” e “sexualização” dos seus corpos, não tem mais cabimento as próprias mulheres serem as primeiras a atirar a primeira pedra, apontando e julgando o comportamento de outras mulheres, imputando a elas uma culpa pelo modo como se vestem, como andam, como se expressam, etc. As mulheres não devem endossar esse discurso. É hora de união e de envolvimento das mulheres que precisam combater e ajudar outras tantas mulheres que não conseguem se livrar desse cativeiro emocional, muito por culpa dos seus companheiros ou, ainda, de uma sociedade machista que quer impor a elas um peso e um lixo que não é delas. Isso não é se intrometer na vida de ninguém, mas sim, ajudar a ver que há outras possibilidades além daquilo que historicamente subjugam às mulheres. Você, como mulher, não precisa amar todas as mulheres do mundo, lógico que não. Mas criticá-las por suas escolhas na forma de pensar e viver desestimula a sororidade e enfraquece as lutas nas quais todas estão inseridas. É essencial ser solidária às mulheres, como mulher que você é! É criar esse laço genuinamente feminino. Se for desse jeito, então, as lutas iniciadas em outros séculos, as conquistas das décadas de 60, 70 e 80, a libertação que começou nos anos 90 e que está em curso ainda hoje, tudo isso terá o devido valor, sem preço para as mulheres que ultimamente têm sofrido um retrocesso de pensamentos, de leis, de tratamento, sendo violentadas no corpo, na alma e no coração. Portanto, que os próximos anos sejam de consolidação do feminismo com sororidade. Deixando fluir o acolhimento feminino, o afeto, o carinho, a doação, a proteção e a compreensão das mulheres para que as futuras gerações vivam em uma sociedade nada machista e tão pouco sexista.