* Artigo escrito e publicado em 2010.

A indagação sobre a existência ou não de vida fora da Terra sempre fascinou o homem. Hoje, com um conhecimento científico bem mais avançado que em tempos remotos, tal pergunta perde o sentido em virtude da simples impossibilidade matemática de inexistência de vida extraterrestre. O nosso sistema solar possui oito planetas (já que Plutão foi rebaixado à categoria de planeta-anão), mas, ainda assim, se levarmos em conta o cinturão de asteróides entre Marte e Júpiter e o cinturão de Kuiper, na órbita e além de Plutão, são milhares de astros orbitando a nossa estrela - o Sol. O Sol é apenas uma dentre cerca de 200 bilhões estrelas na nossa galáxia (a Via-Láctea). Dentre as mesmas 200 bilhões de estrelas, os cientistas estimam que cerca da metade possui astros girando ao redor, o que significa trilhões de planetas, satélites naturais e demais corpos celestes apenas na Via-Láctea. Como no universo existem bilhões de galáxias, o número total de mundos é absolutamente inimaginável. Assim, com uma quantidade tão grandiosa e magnânima de astros, se considerarmos que apenas 1% dela é capaz de abrigar a vida como a conhecemos, há, literalmente, bilhões de mundos habitados, a maior parte por formas de vida simples, como plantas e pequenos animais. E, se tivermos em mente que, do percentual mínimo de corpos habitados, apenas 1% tenha vida inteligente, então há milhões de civilizações tecnológicas espalhadas pelo cosmos (tudo tendo em vista que os processos de Evolução e de Seleção Natural, aplicáveis a todo o universo e que levam à existência de vida inteligente, são bastante raros no contexto geral). Portanto, é matematicamente impossível, se não intelectualmente obsceno, duvidar da existência de vida fora da Terra. As condições capazes de levar à existência de vida, da mais simples à mais complexa, não existem apenas em um dentre trilhões ou quatrilhões de mundos. Onde quer que haja tais condições, similares ou não às da Terra, a vida existe ou vai existir. Se chegará a ser inteligente ou não dependerá da Evolução e da Seleção Natural, mas não há qualquer dúvida de que universo afora existem desde microorganismos até formas de vida tão ou mais complexas que nós. A questão é onde e quando achá-las. Há vários anos existe o projeto SETI (Busca por Inteligência Extraterrestre, na sigla em inglês). O SETI consiste no envio de ondas de rádio ao espaço cósmico por meio de radiotelescópios, na esperança de que, algum dia, uma ou mais civilizações com suficiente padrão tecnológico sejam capazes de respondê-las. Apesar da certeira existência de muitas civilizações tecnológicas no universo, as mais próximas com dita capacidade de contato - e que estejam, efetivamente, tentando realizá-lo - podem estar a muitos milhares ou alguns milhões de anos-luz de distância (no último caso, fora de nossa galáxia), o que significa que as ondas subespaciais enviadas pelo SETI demorariam mencionado tempo para lá chegar, e, depois, retornariam como resposta em idêntico lapso temporal. Por todo o acima exposto, tomando-se como estimativa o tempo médio de existência de diversas civilizações regionais terrestres, bem como considerando-se que hoje a Terra possui uma única e interconectada civilização que não foge ao padrão temporal de existência, e que tem, inclusive, uma inédita capacidade de autodestruição, e dadas as distâncias astronômicas, há grande possibilidade de que o SETI esteja fadado ao fracasso, pois: (a) até que as ondas de rádio terrestres cheguem às civilizações mais próximas que hoje tenham capacidade de comunicação, as mesmas podem estar extintas por catástrofes naturais ou por possuírem seus habitantes similar capacidade de auto-aniquilação, vez que tal habilidade comunicativa evidencia igual ou superior nível tecnológico; (b) mesmo que nossas ondas de rádio atinjam referidas civilizações no auge de sua capacidade de contato, até a chegada da sua resposta o Homo-Sapiens, também e muito provavelmente, estará extinto. Mas, se tal, ou tais civilizações, em termos astronômicos, orbitarem estrelas que possam ser consideradas vizinhas do nosso sistema solar, estando a algumas dezenas ou poucas centenas de anos-luz de distância (e não há qualquer evidência disso), pode haver esperança de retorno daqui a várias gerações. A questão é se, mesmo em tão pouco tempo, se comparado ao que seriam milhares ou milhões de anos, nós nos autodestruiremos, a ponto de não conseguirmos observar aquela que seria a maior e mais fantástica página da nossa História.