UMA PROPOSTA DE ENSINO APLICADA A LÍNGUA ESPANHOLA COM ÊNFASE NAS HABILIDADES COMUNICATIVAS: LER, ESCREVER, OUVIR E FALAR

 

JOSÉ MARIA MACIEL LIMA[1]

 

Resumo

 

O presente trabalho tem como principal objetivo propor estratégias de ensino que contemplem as quatro habilidades linguísticas no ensino de Língua Espanhola, que podem ser úteis para desenvolver a competência comunicativa no educando e contribuir com a formação integral do aluno, como prevê os PCNs de LEM e a atual LDB. Para isso, parte-se de uma investigação bibliográfica, enriquecida com as vivências acadêmicas e experiências docentes.   Com base nisso, sugerem-se algumas estratégias de ensino que podem ser usadas no ensino de língua espanhola, contemplando todas as habilidades comunicativas. Após as análises, estudos, sugestões e aplicações das propostas, com base em minhas experiências como professor, conclui-se que é possível aprender Espanhol nas escolas pública, sendo necessário para isso esforço, criatividade e dedicação do professor. 

 

Palavras-Chave: Ensino-Aprendizagem. Língua Espanhola. Habilidades Comunicativas. Linguística.  Estratégias de Ensino.

 

 

Introdução

 

 

De um modo geral, há muito tempo o ensino de línguas, nas escolas públicas brasileira, vem sendo orientado pela perspectiva tradicional de ensino. Na atualidade, as discussões que orientam o referido ensino, pautam-se na abordagem comunicativa. Com relação ao ensino de língua estrangeira, este deve contemplar as quatro habilidades: ler, ouvir, falar e escrever.

Na abordagem comunicativa, considera-se não só as formas linguísticas, mas também as intenções comunicativas, levando em conta a língua em seu pleno funcionamento. Além disso, a referida abordagem teoriza que os aprendizes devem estar aptos a interagir com outros falantes em situações comunicativas reais, e não somente serem capazes de reproduzirem frases gramaticalmente corretas.

Considerando sua importância, na atualidade, a abordagem comunicativa se constitui como um dos modelos dominantes no ensino de línguas. Levando-se em conta o principal objetivo do referido ensino, para desenvolver a competência comunicativa, torna-se necessário inserir nas aulas de espanhol, estratégias que contemple as quatro habilidades linguísticas. Tendo em vista que para o indivíduo se tornar competente linguisticamente - empregar a língua nas mais variadas situações de comunicação, ele necessariamente, precisa adquirir tais habilidades.

Nesta perspectiva, este trabalho propõe algumas estratégias de ensino pautadas nas quatro habilidades linguísticas, que se julga importante para o ensino de língua, no desenvolvimento das quatro habilidades, para desmistificar a ideia de que não é possível aprender espanhol nas escolas públicas brasileiras.

 

ESTRATÉGIAS DE ENSINO PARA FACILITAR O PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM EM LÍNGUA ESPANHOLA

 

O objetivo desta proposta não é oferecer um modelo pronto de estratégias para o ensino-aprendizagem de Língua Espanhola. Intenciona-se apresentar alguns aspectos que se julga importante para diversificar as aulas de Língua Estrangeira Moderna e, por isso, devem ser considerados no ensino de língua estrangeira, sobretudo Língua Espanhola.

As estratégias que ora se apresenta, pautam-se em Ozcariz & Fiuza (2010) e em Santos (2012). Considerando a extensão do gênero artigo, pretende-se apresentar, resumidamente, apenas uma proposta para cada uma das quatro habilidades: estratégia de compreensão escrita, estratégia de produção escrita, estratégia de compreensão oral e estratégia de produção oral.  

ESTRATÉGIAS DE COMPREENSÃO ESCRITA

Apoiando-se em palavras transparentes

Segundo Santos (2012), quando sugerimos leituras em sala de aula de textos em Espanhol, geralmente, nossos alunos se queixam da compressão do texto por não conhecerem o significado das palavras. E como na maioria dos textos há muitas palavras transparentes, isto é, palavras que se parecem com vocábulos da língua portuguesa, conhecidas também por: falsos amigos ou cognatas. Tal estratégia pode ajudar os alunos a concluir que, mesmo que não possam compreender alguns detalhes do texto, eles podem ter uma ideia geral sobre o seu conteúdo a partir de identificação das palavras transparentes ou cognatas.

De acordo com Santos (2012), a referida estratégia é de fácil aplicação e pode servir de apoio a leitura de qualquer gênero textual em inglês ou em outra LEM. Além disso, o professor pode a partir dessa estratégia, criar inúmeros mecanismos para que possam ajudar o aluno a realizar as atividades de leitura, análise e até mesmo compreensão textual, mesmo sem um domínio profundo da língua, considerando o sistema linguístico do idioma estudado. Pode também se quiser usar estratégias que envolvam os processos skimming (compreensão geral do texto) e scamming (compreensão mais detalhada do texto).

Nas palavras de Ozcariz & Fiuza (2010), se preferir o professor pode expandir as atividades de leitura em sala de aula. Vale ressaltar que as atividades de leitura exige uma preparação previa dos alunos, considerando os seguintes aspectos: atividades de preparação para a leitura; atividades de leitura; atividades após a leitura.

Segundo Ozcariz & Fiuza (2010), na atividade de leitura (durante o processo) os objetivos devem ser: reforçar a motivação dos alunos para a leitura com o intuito de: ajudar a entender o propósito do leitor; ajudar a entender os aspectos linguísticos, esclarecer o conteúdo.

As atividades após a leitura devem compreender o seguinte: Qual a função do texto? (foi escrito para entreter ou para informar?) Como o texto está organizado? É um texto com um tom emotivo? É uma história contada em ordem cronológica, utilizando conectivos que indicam a ordem dos acontecimentos? É um relatório? Que conteúdo, informação ou ideia você pode extrair desse texto? O que o autor procura comunicar? Todos esses aspectos devem ser considerados na compreensão e no desenvolvimento da habilidade leitora, para que o aluno tenha sucesso na compreensão dessa habilidade (OZCARIZ & FIUZA, 2010). 

ESTRATÉGIA DE PRODUÇÃO ESCRITA

Preparando-se para escrever

 

Sabemos enquanto docentes, o quanto é difícil estimular nossos alunos a escrever qualquer texto, pertencente a qualquer gênero em língua materna. E isso, torna-se mais difícil, quando a proposta é escrever um texto em língua espanhola. O fato é que, em espanhol ou língua materna, o aluno precisa de estímulo e motivação para produzir textos. A questão é: como fazer os nossos alunos produzirem textos? 

De acordo com Santos (2012), o processo de produção escrita não se inicia no vazio. É necessário criar situações favoráveis à produção escrita. Para isso, o professor precisa ser criativo, propondo estratégias que estimule o educando a escrever. Essa atividade envolve uma série de procedimento que a antecede. Por exemplo: Qual o tipo de texto vou solicitar aos meus alunos? Que gênero textual? Qual será o provável leitor do meu texto? Qual o objetivo do texto? Que suporte vou usar? Como vou organizar meu texto? Que vocabulário devo usar? Isso tudo, exige planejamento, tanto do professor, quanto do aluno.

Cabe aqui uma observação com relação à produção textual. Os professores de línguas acabam não trabalhando a produção textual, justamente, porque esta atividade exige planejamento e dedicação, e isso é muito trabalhoso. Por isso, acabam por privilegiar exageradamente, a gramática, os aspectos que realmente importam ao aluno para dominar a língua e para desenvolver a competência comunicativa, fica em segundo plano ou nem se quer é trabalhado.

Além disso, com o intuito de estimular a produção escrita, sugere-se que o professor utilize estratégias que chame a atenção do aluno ou, use meios que os mesmo utilizam no dia a dia para se comunicarem através da escrita. Neste caso, considerando o grau de utilização das redes sociais, o professor pode se valer deste recurso e obter bastante sucesso, se usá-las de maneira adequado, em favor da aprendizagem do educando. Se preferir, o docente pode sugerir aos seus alunos a utilização de outros gêneros cibernéticos. Vale ressaltar que é importante considerar o grau de formalidade de cada gênero. Por isso, essas ferramentas só podem surtir efeitos se forem trabalhadas questões como: função social do gênero sugerido, estrutura textual, grau de formalidade e outros aspectos que envolvem o texto. 

No dizer de Ozcariz & Fiuza (2010) escrever é uma habilidade muito importante e requer conhecimento profundo da língua estudada e isso só é possível com estudo sistemático denso e dedicado sobre o idioma. O fato é: aprende-se a escrever, escrevendo. Por isso, é necessário praticar a escrita, não importa o gênero, quanto mais variado melhor para o conhecimento linguístico e textual do aluno.

No desenvolvimento da habilidade escrita, o professor desempenha um papel fundamental, pois ele deve motivar o aluno, criando estratégias adequadas para fluir ideias. É importante também, abordar sobre a importância da atividade aplicada. Além disso, ele deve encorajar os alunos a se esforçarem ao máximo para conseguir resultados significativos. É de suma importância também, considerar a atuação do professor junto aos alunos à medida que estes vão escrevendo. O professor deve observar, analisar e dar retorno, conduzindo de forma positiva e encorajadora os discentes nas realizações das atividades (OZCARIZ & FIUZA, 2010).

           

ESTRATÉGIA DE COMPREENSÃO ORAL

Ouvindo para ter uma ideia geral

 

Sugere-se que o professor traga para sala de aula um áudio, que pertença ao gênero notícia ou outros, sem preparação adicional, tipo como se ligassem um rádio e ouvissem qualquer notícia, tentando apenas responder a pergunta: “Qual é a ideia geral do texto?” De imediato os alunos responderão: “não entendi nada!”; “É muito difícil!”; “Eles falam rápido demais!”. Você se pergunta: como devo reagir a esses comentários?

Diante dessas sensações de não entendimento do noticiário ou de outro gênero, ainda assim é provável que o aluno seja capaz de inferir algumas informações básicas sobre o texto do áudio: quantas pessoas participam do discurso? Pertencem ao sexo masculino ou feminino? Entre outras informações. Essas informações são importantes para compreender o texto.

Portanto, em situações como estas, o primeiro passo é derrubar qualquer sensação equivocada de que não houve entendimento algum. A partir das informações identificadas no áudio é possível, inclusive, ter um entendimento do elemento do contexto. Partindo dessas informações, cabe ao professor orientar seus alunos a se apoiarem nesses aspectos para construírem a ideia geral do texto. Além disso, os discentes podem também se valer de estratégias como: palavras cognatas e repetição de termos similares. 

            Como sugestões para essa atividade, propõe-se o seguinte: áudios com falas lentas, número de palavras limitado cerca de 100 a 150, textos curtos com palavras de fácil compreensão. Além disso, sugere-se também que antes dessas atividades, seria interessante trabalhar vocabulário.    Para expandir essa estratégia, seria conveniente que se usasse vídeos de diferentes gêneros, isso permitiria com que o aluno compreendesse com mais facilidade as informações do texto, considerando que as imagens são suportes de suma importância na construção do significado do mesmo.  

            Nas palavras de Ozcariz & Fiuza (2010), é preciso considerar que ouvir é uma habilidade que todos os discentes de língua estrangeira necessitam desenvolver de forma competente, procurando por meio desta, compreender a diversidade linguística existente no idioma pretendido, para saber distinguir o espanhol falado em diferentes lugares.

            De acordo com as autoras, como sugestão para ampliar as estratégias nesta habilidade é imprescindível que o aluno escute textos em pleno contexto: canções, conversas informais e formais, entrevistas, anúncios publicitários, diálogos entre outros.

            A seguir Ozcariz & Fiuza (2010), sugerem alguns procedimentos propostos por livros didáticos. De acordo com as autoras esses procedimentos podem colaborar para a prática da compreensão auditiva.

Atividades do livro didático

Pré-audição: atividades de pré-audição podem ser muito variadas, mas sempre com dois objetivos: em primeiro lugar, ativar todos os conhecimentos que possam ter relação com o tema ou a situação; em segundo lugar, focalizar a atenção, buscando aqueles elementos relevantes da mensagem para a atividade a ser realizada.

1ª audição: uma primeira audição que permita ao aluno ter contato com o texto em questão. Desse modo, ele se familiarizará com o tom, o ritmo e a velocidade dos falantes, e terá uma ideia global do tema.

2ª audição: uma segunda audição, na qual se realizam as atividades que o livro pede.

3ª audição: uma terceira audição, que serve para assegurar aos seus alunos que a audição lhes satisfaz (p. 96-97).

No mais, para finalizar este tópico, pode-se dizer que o importante na compressão auditiva ou oral não é entender exaustivamente um texto, mas ser capaz de buscar e encontrar a informação que nos interessa. É claro que isso, não nos impede de avançar, de ir além do que se propõe.

ESTRATÉGIA DE PRODUÇÃO ORAL

Esclarecendo o que se quer dizer

É comum nas aulas de língua espanhola os alunos perguntarem: “como se pronuncia tal palavra em espanhol?” Seria interessante que o professor estimulasse os alunos a fazerem essas perguntas em língua espanhola, para estimular a produção oral.  Essa atividade permite com que o aluno adquira vocabulário, possa distinguir a classe de palavras que o termo pertence.

Além disso, tal estratégia pode estimular o diálogo entre professor e alunos e aluno/aluno. A partir disso, o docente pode criar outras estratégias de ensino, onde os discentes se sintam estimulados a empregar a língua com segurança. Essas estratégias podem ser pensadas e desenvolvidas em dupla ou até mesmo em grupos, em roda de conversa, por exemplo.

Vale ressaltar que essa estratégia surge de uma dúvida do estudante de Língua Espanhola em reconhecer tal vocabulário. Entende-se que isso se caracteriza como um ponto positivo para estimular o aprendizado do aluno, considerando que este vai em busca de saciar sua dúvida.

               Cabe observar que o professor pode se valer de algumas expressões para esclarecer as dúvidas e estimulá-lo a produção oral. Das expressões que podem ser usadas para tal fim, cita-se as seguintes: ¿Cómo se dice esto en español? Ou ¿Como si hablas estas palabras en español? Entre outras que vai depender da criatividade do professor.
               Segundo Ozcariz & Fiuza (2010), ao desenvolver a habilidade da expressão oral contamos com uma ampla variedade de atividades para cada momento e para cada objetivo e, em função do nível de conhecimento, do grau de formalidade da língua falada e do canal comunicativo utilizado, podemos distinguir as seguintes: contar histórias, diálogos ou conversação (os diálogos são atividades que podem ser indicadas para os níveis iniciais de comunicação oral); entrevistas (para praticar essa atividade sugere-se que seja elaborado um questionário de perguntas e respostas para serem trabalhadas em dupla ou em trio); conversações telefônicas (as falas telefônicas têm uma série de características particulares que as diferenciam daquelas que se produzem cara a cara); exposições ou apresentações de temas ou debates (são atividades que se realizam em todos os níveis de competências linguística dos alunos, considerando o conhecimento mais desenvolvido).    

Acredita-se que existem inúmeros meios para ensinar qualquer disciplina, basta o professor ser curioso, pesquisador, comprometido e versátil, sendo capaz de inovar e transforma teorias em práticas reais de ensino. Para isso é necessário que o educador tenha conhecimento das reais necessidades de seus alunos e seja capaz de criar estratégias que diversifiquem suas aulas e torne-as interessantes e significativas para os aprendizes.

 

Considerações finais

O ensino de língua deve partir de conhecimentos teóricos, enfatizando a relação entre língua e seus usuários, para efeito de reflexão metodológica. Estas reflexões, devem resultar em atividades práticas, objetivando com que os alunos adquiram segurança linguística necessária para empregar a língua nas diversas situações comunicativas, para usar de forma eficaz as quatro habilidades mencionadas durante a construção deste trabalho. Com isso, evitando a ênfase exagerada da nomenclatura, que se baseia em um ensino pautado em exercícios de preenchimentos de lacunas como essência do ensino de língua estrangeira.

Sabe-se dos desafios que se precisa enfrentar para a concretização do ensino de Língua Espanhola contemplando as quatro habilidades linguística, nas escolas públicas brasileiras. Há vários fatores que contribuem de forma negativa para este fim: a falta de material didático, péssimas condições física-estruturais das escolas, a falta de recursos didático-tecnológicos que permitam a audiovisualização, entre outros. Porém é necessário olhar o lado positivo, procurando estratégias e recursos que possam substituir os inexistentes.

O que não pode mais ocorrer é deixar de oportunizar o aluno de ter acesso a um ensino que o torne competente linguisticamente. Desse modo, não cabe mais lamentações é necessário arregaçar as mangas e agir na tentativa de mudar essa realidade.

No entanto, para que isso ocorra de forma efetiva é necessário e urgente ações que contemplem políticas nacionais de investimentos para o ensino de LEM, como: distribuição de material didático pelo Ministério da Educação, formação continuadas com apoio das universidades na formação de professores, entre outros.  Acredita-se que dessa forma, os alunos das escolas públicas brasileira, terão uma formação mais completa e digna que todo cidadão em formação merece.

 

REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Parâmetros Curriculares Nacionais: Língua Estrangeira, terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental. Brasília, MEC, 1998.

FIUZA, Ana Cristina Borges et al. Ensino Aprendizagem de Língua e Literatura na sala de aula. Vol. 1 e 2-Letras Português/Espanhol. UNIUBE, Uberaba, 2011. 

OZCARIZ, Terezinha França Resende de; FIUZA, Ana Cristina Borges. A Língua Espanhola no Contexto Mundial. Vol. 01- São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010. 

SANTOS, Eliana Santos de Souza e. O Ensino da Língua Inglesa no Brasil. BABEL: Revista Eletrônica de Línguas e Literaturas Estrangeiras n.01, dezembro de 2011.



[1] Professor da rede Estadual e Municipal de Ensino do Município de Curuá-Pará, Licenciado Pleno em Letras/Português - UFPA, Letras/Espanhol-UNIUBE, Graduado em Letras Inglês-UFOPA, Licenciado em Filosofia pela FPA, Especialista em metodologia de Ensino de Filosofia e Sociologia-UNIASSELVI. E-mail: ze.maciel@bol.com.br.   

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