Resolvido a questão de que a discussão especulativa, por mais bem formulada que seja, e matematicamente embasada, não é suficiente para compreender a sociedade, pressupondo-se que compreensão é saber como prosseguir, pois as previsões e expectativas econômicas a partir da metodologia “mainstream” historicamente falharam, urge voltarmos a percepção clássica de uma economia crítica, histórica e política.

Contudo, não volto as velhas e cansativas explicações acerca da natureza da economia, da compatibilidade das credenciais científicas com uma teoria não-conclusiva. Mas, registrar algumas noções importantíssimas, que são coerentes com a natureza prática da própria compreensão.

E, é fato histórico, que a sociedade precisa do mercado, para reciclar-se, mudar-se e aprimorar-se. Pois, não estagnar-se, e ele é o mecanismo apropriado de alocação de recursos para o desenvolvimento, e mola propulsora da inovação tecnológica, criando demandas. Ademais, ele tem o poder puro, que é a habilidade de fazer coisas; no entanto, sem limites.
 Portanto, a falta de limitação do poder do mercado, permite que ele crie riquezas incontáveis e as concentre, causando danos à maioria, os quais ele é brutalmente incapaz de solucionar. O agronegócio deseja expandir suas lavouras e pastos, mesmo que precisem desmatar a floresta Amazônica, desapropriar e até matar índios, utilizar métodos agrícolas que agridem o meio ambiente, gerando inúmeras externalidades ambientais e climáticas negativas; da mesma forma, não pesa na consciência do rentista se o BCB aumenta a taxa de juros, gerando recessão e desemprego, e desvia o orçamento para pagar as rolagens de dívida.

Por isso, o mercado precisa da política, que é a habilidade de dizer o que deve ser feito. Pois, ela deve coordenar, a partir de uma análise generalista da sociedade, os diversos setores, e elaborar planos e políticas, de forma a minimizar os desgastes para os vários agentes econômicos; necessita deixar o mercado atuar, incentivando e tirando barreiras, sem contudo sacrificar o bem-estar social, o pleno emprego, os serviços básicos, sem acentuar a desigualdade.

Por fim, a política é responsável por impedir que a sociedade de mercado se autodestrua. E, a ela serve uma economia política.