* Trabalho escrito e publicado em 2020.

RESENHA CRÍTICA SOBRE O ARTIGO “PROCESSOS DE INTEGRAÇÃO E DESINTREGRAÇÃO NA GRÉCIA NO FINAL DA IDADE DO BRONZE E INÍCIO DA IDADE DO FERRO (1300 A 800 A.C.)” - FOCO NA COMPARAÇÃO ENTRE A GRÉCIA MICÊNICA E A GRÉCIA CLÁSSICA Aluno: Leôncio de Aguiar Vasconcellos Filho Disciplina: História Antiga II - A Antiguidade Clássica Professor: Eduardo Cardoso Daflon RIO DE JANEIRO 2020

Trata-se de resenha crítica apresentada à disciplina de História Antiga - A Antiguidade Clássica, no curso de pós-graduação em História Antiga e Medieval - Religião e Cultura, da Faculdade de São Bento do Rio de Janeiro. O tema abordado é a comparação entre a Grécia Micênica e a Grécia Clássica, com base no texto “Processos de Integração e Desintegração na Grécia no Final da Idade do Bronze e Início da Idade do Ferro (1300 a 800 A.C.)”, de autoria da professora e pesquisadora Juliana Caldeira Monzani. Bacharel e Licenciada plena em História, Mestre em Arqueologia, MAE-USP (2001) e Doutora em História Social também pela USP (2014-2019), ali é, em simultâneo, parte do Laboratório de Estudos sobre Império Romano e Mediterrâneo Antigo (LEIRMA-USP), além de membro do Conselho Editorial da Revista Mare Nostrum. Com ampla atuação em assuntos como Arquitetura, Metodologia, Idade do Bronze, Idade do Ferro, Grécia e Arqueologia, possui vasta experiência prática, especialmente na esfera arqueológica, atuando em escavações no sítio arqueológico de Mália, em Creta (datado da Idade do Bronze), por meio da escola Francesa de Atenas. Da mesma forma atua como “professora de História Antiga, Medieval, África, História da Educação e da Pedagogia e Formação Econômica do Brasil na Universidade Cidade de São Paulo (Unicid) e é responsável pelo Laboratório de História nesta mesma instituição. Professora de Arqueologia no curso de Pós-Graduação - Arqueologia, História e Sociedade (UNISA)” (Plataforma Lattes. Consultado em 25 de Outubro de 2020). Tal artigo, uma síntese a respeito do apogeu e queda da Civilização Micênica, foi o eleito para esta resenha por ser um eficiente guia a situar o leitor nas nuances daquela, em especial se comparada à Grécia Clássica, num contexto crítico composto de três páginas. 1. A CIVILIZAÇÃO MICÊNICA Segundo a ilustre professora, “As culturas do continente grego e das ilhas vizinhas tornaram-se extremamente complexas no decorrer do terceiro milênios, atingindo seu apogeu entre 1600 e 1220” (MONZANI, Juliana Caldeira, 2011, p. 01). E, entre essas culturas, encontra-se a Civilização Micênica. Dita denominação é utilizada para descrever o período ocorrido, aproximadamente, entre 1600 a.C. e 1100 a.C., coincidindo com a última etapa da Idade do Bronze na Grécia Antiga. A Civilização Micênica foi o primeiro núcleo civilizacional situado na Grécia Continental. Isso significa um protagonismo, naquela parte da Europa, de todo um sistema de valores fundamentado na escrita primaz, na arte, na existência de cidades (com uma fabulosa concepção arquitetônica, incluindo seus famosos palácios de estilo defensivo) e num pioneiro sistema de crenças, embora seja patente a circunstância de que “Pouco sabemos sobre a religião micênica” (MONZANI, Juliana Caldeira, 2011, p. 06). Com tal potencial de desenvolvimento, foram notórias as diversas contribuições dos micênicos em amplas áreas do conhecimento, como a já mencionada arquitetura, tanto quanto a engenharia militar, eis que, em sua época, o militarismo era amplamente vangloriado no Mediterrâneo Oriental: assim, dita sociedade, dirigida por uma elite belicosa, se consubstanciava num conjunto de “pequenos Estados burocráticos” (MONZANI, Juliana Caldeira, 2011, p. 03), que, aproveitando-se da referida mentalidade belicista, sobrepuseram-se política e economicamente aos seus vizinhos, ampliando consideravelmente sua influência, e, por conseguinte, seu comércio com os mesmos, sendo que “A expansão micênica prossegue do século XIV ao XII, levando os micênicos a substituírem os cretenses no comércio, espalhando a cerâmica micênica pela Anatólia, Oriente Próximo e Egito. Esta cerâmica amplamente difundida era trocada por estanho e marfim. Secundariamente exportavam tecidos e, talvez, mercenários (GRIFOS NOSSOS). Em troca recebiam bronze, estanho e vinho de Canaã, mulheres e bronze de Chipre, marfim da costa da Palestina, prata de cavalos de Troia” (MONZANI, Juliana Caldeira, 2011, p. 05). Daí veio a maior parte de sua prosperidade. Ora, se se tratava de “pequenos Estados burocráticos”, é imperioso afirmar que Micenas - seu mais proeminente centro, e de cujo nome surgiu a denominação “micênica”- não era o único a compor a civilização aqui discutida: com o tempo surgiram outras localidades, como Tebas, Orcômeno, Tirinto, Pilos, Mideia e a própria Atenas, dentre outras. Com o Colapso da Idade do Bronze no Mediterrâneo Oriental, os micênicos entraram em decadência, havendo o fim de sua expansão por volta do já referido século XII a.C., ainda que as reais causas de seu declínio, como invasões estrangeiras (a exemplo dos dórios), terremotos e mudanças climáticas, ocasionadoras de seca e êxodo, até hoje sejam objeto de debate. Veio uma “Idade das Trevas Grega”, e, com ela, organizações econômicas descentralizadas de comandos palacianos, com o uso maciço do ferro (por isso o nome de “Idade do Ferro”). Era o fim da dominação micênica. [...]