RESUMO

Por meio da apresentação dos regimes de historicidade, o presente trabalho propõe investigar suas respectivas influências na experiência da memória e na concepção do tempo, de acordo com classificação teorizada por François Hartog e demais pensadores, em um estudo cuja época simbólica data do Iluminismo e da Revolução Francesa de 1789, até os dias atuais. PALAVRAS-CHAVE: REGIME; HISTORICIDADE; PASSADISMO; FUTURISMO; PRESENTISMO. 3 

1. INTRODUÇÃO

A questão proposta é bastante interessante, pois parte da análise dos regimes de historicidade. Assim classificados por François Hartog, tais sistemas são especificidades de experiência temporal, em que, de acordo com as circunstâncias e os momentos então vividos, uma de suas categorias - passado, presente ou futuro - se sobrepõe às demais (ARAUJO & PEREIRA, 2016). Desta forma, num contexto histórico no qual, por exemplo, se possui a categoria de passado como dominante, diz-se que há um regime de historicidade “passadista”, o mesmo se aplicando em relação ao presente (regime de historicidade “presentista”) e ao futuro (regime de historicidade “futurista”). Tendo em vista a visão eurocêntrica do mundo, e de acordo com a análise do próprio de François Hartog, considera-se que aquele continente tenha vivido um regime de historicidade futurista desde o século XVIII, com a ascenção do Iluminismo e da Revolução Francesa de 1789, e que se tenha, em escala mundial, chegado a um sistema presentista em 1989, diante da Queda do Muro de Berlim e dos regimes marxistas europeus orientais (HARTOG, 2013a, p. 178, HARTOG, 2013b, p. 136, e ARAUJO & PEREIRA, 2016, p. 278). O objetivo de teorizar sobre mencionadas especificidades é a sua pretendida harmonização, articulando-as no tempo, e, desta maneira, expor eventuais relações hierárquicas que tenham entre si, fazendo, portanto, com que fiquem evidenciadas determinadas formas de experiência, enquanto outras são reprimidas (HARTOG, 2013b, p. 11-13, e CEZAR, 2014). 2. A ORIGEM E O DESENVOLVIMENTO DOS REGIMES DE HISTORICIDADE Entretanto, apesar de considerado “pai” de dita teoria, François Hartog não a construiu sozinho, eis que suas primeiras noções derivam da obra historiográfica do alemão Reinhart Koselleck (HARTOG, 2013a, p. 28). Segundo o próprio François Hartog, tal é um pensamento bastante próximo ao “tipo puro” teorizado pelo sociólogo alemão Max Weber (1864-1920). De acordo com Weber, o “tipo puro” é um recurso de exame sociológico destinado à compreensão da sociedade pelo pretenso analista, por meio da criação de puras tipologias, sempre fundamentadas em conceitos, como as religiões, e, principalmente, os sistemas econômicos. 4 Assim, no contexto desta discussão e como acima referido, os regimes de historicidade se constituem em instrumentos cujas funções são “expor eventuais relações hierárquicas que tenham entre si, fazendo, portanto, com que fiquem evidenciadas determinadas formas de experiência, enquanto outras são reprimidas”. E dito caráter fica ainda mais exposto e evidente nas obras de Reinhart Koselleck, real inspirador da teoria de François Hartog.