O presente trabalho, objetiva apresentar uma reflexão sobre Encíclica Laudato Si’, escrita pelo Papa Francisco. Já no início desta encíclica, faz menção a São Francisco de Assis, que fala de nossa casa comum referindo-a, como sendo nossa irmã, com a qual devemos partilhar nossa existência, ainda falando de São Francisco, citando sua relação de intimidade com a natureza, usa a imagem de uma boa mãe, que nos acolhe em seus braços. Disto, podemos deduzir que o Papa, quer dizer-nos que nada deste mundo deve-nos ser indiferente e, por isso, devemos estar unidos por uma preocupação comum.

É preciso ressaltar que, na introdução do documento, o Papa destaca a importância da construção de uma nova solidariedade universal, que esteja efetivamente interessada em agir, enfrentando, em alguns casos, a falta de interesses dos poderosos e o desinteresse da sociedade no todo. Atenta a estas questões e outras mais, a Encíclica, divide sua reflexão em seis capítulos. Vejamos, pois, de forma introdutória o que cada um deles apresenta.

O primeiro, aborda questões que se referem às coisas que estão acontecendo com a nossa casa”, fazendo assim, um relato atual da crise ambiental, a partir daquilo que os resultados das pesquisas científicas publicam. Este capítulo é um ponto chave para entendermos aquilo que o Papa Francisco articulará sobre as questões que tratam sobre a desigualdade planetária, a deterioração da vida humana, os impactos ambientais provocados por nossas atividades, a ideologia da cultura do descarte, a problemática da crise hídrica e a perda de biodiversidade do planeta.

Podemos, ainda nesse capítulo, ver que, o Papa, deixa explicito os motivos da fraqueza de nossas reações, por exemplo, o surgimento arrogante de uma ecologia superficial, que busca incorporar um comportamento evasivo nos nossos estilos de vida, de produção e de consumo. Contudo, ele, não deixa de reconhecer a existência de boas práticas sustentáveis em andamento.

O segundo capítulo, faz um convite ao leitor para conhecer e/ou aprofundar o “Evangelho da criação”, a fim de encontrar neste, a inspiração necessária para uma coerência de vida no que diz respeito ao compromisso com o meio ambiente. Seguindo a linha de pensamento, o terceiro capítulo desenvolve uma reflexão atualizada, sobre a raiz humana da crise ecológica, explicitando o processo e as consequências do uso da tecnologia e do processo de globalização. Em seguida, faz também uma alusão a crise do antropocentrismo moderno e suas consequências. Todo esse caminho quer chegar às raízes da situação atual, para não só identificar os seus sintomas, mas também as causas mais profundas.

Em seguida, no quarto capítulo desenvolve uma argumentação sobre a necessidade de uma incorporação de uma ecologia integral, que, elucide os princípios da ecologia ambiental, social, cultural, econômica e da vida cotidiana, tendo por finalidade, chegar ao princípio do bem comum.

No quinto capítulo, são direcionadas algumas linhas de orientação e ação, no que diz respeito, por exemplo, ao estudo de impacto ambiental, com o intuito de melhor viabilizar empreendimentos que gerem uma ação interdisciplinar, transparente e independente no tocante as decisões sobre tais questões. Vale ressaltar que, o Papa Francisco, ao final deste capítulo, articula as bases que são necessárias para o diálogo entre as religiões e as ciências.

Diz ainda que, está convencido de que toda mudança precisa de motivações e de um caminho educativo e, pensando nisso, sugere no seu sexto capítulo, temas que possibilitam uma educação e espiritualidade ecológicas, capazes de expor com grandeza e profundidade a necessidade de se criar outro estilo de vida, que acolha ou mesmo faça uma aliança entre humanidade e meio ambiente, gerando assim, uma mudança ecológica, buscando alegria e paz. Essas propostas de ações para uma educação ambiental propostas pelo Papa, estão inspiradas na riqueza da experiência espiritual cristã.

Tendo apresentado a ideia central de cada capítulo, faz-se necessário dizer que os temas propostos não transversais e, na medida que são trabalhados, são sempre retomados e se enriquecidos por acréscimos de outros elementos de possível relação. Isso deixa-se transparecer quando olhamos para o texto e percebemos a sua conectividade com os temas partir de uma visão sistêmica do planeta que revela a estreita interligação de todos os demais com o mundo no seu todo. Ainda no corpo do texto, vê-se outros temas, que diretamente, fazem uma crítica aos novos paradigmas e as suas formas de poder que advém da tecnologia.

Por fim, podemos dizer que a leitura da Laudato si’ é necessária para todos nós, especialmente, para aqueles que tem a nobre missão de educar com responsabilidade as gerações futuras, oferecendo as estas valores que lhe proporcionem esperança. Construir uma educação rica em valores, torna possível, criar sistemas de produção e de consumo que não só olhem para as capacidades e fragilidades da Terra, mas também para os direitos humanos e o bem-estar comunitário.