RESUMO
O auge do movimento Antimanicomial, de Franco Basaglia, foi na década de 70 e influenciou a elaboração da Lei 180, popularmente chamada de “lei Basaglia”, em 1978, no Brasil, a lei Paulo Delgado (10216/2001). Com essa atitude implementa-se, no Brasil, atitudes positivas em busca do melhor atendimento e da valorização à escuta, provocando uma revolução em torno do cuidado e do cuidador da saúde mental, o qual, movido por sua forma de entender essa demanda, poderá tanto influenciar positiva como negativamente na saúde do utente, mas também estará exposto a patologias provocadas pela pressão funcional, como é o caso da síndrome de Bournut apontada por Freudenberg Bournut em 1975.
Palavras-chave: Cuidador; Influenciador; Influenciado; Saúde Mental.

1 INTRODUÇÃO

Nesse trabalho, estudiosos como Amarante, Berlinguer, Pessato (1996) e outros, incluindo o Dr. Sigmund Freud, ajudar-nos-ão a entender a importância da boa escuta, ou, desviando um pouco o olhar, apontar-nos-ão o momento ideal para calar. Como o curso e o trabalho são voltados para a saúde mental, faremos um recorte histórico de como esta foi tratada aqui, no Brasil, citando os prejuízos do enclausuramento promovido pela política manicomial, a qual, em virtude da sua prática, criou cenário para a luta antimanicomial até os dias de hoje. Obedecendo à ideia central desse trabalho de conclusão de curso, pretendemos discorrer sobre a necessidade de ouvir o cuidador da saúde, aqui representado pelo servidor da saúde, que, assim como os já estudados, os cuidadores particulares estão em risco tanto ou mais um pouco que aqueles. Doravante, o cuidador aqui referido aludirá ao trabalhador da área de saúde. Estarão em discussão, ao longo deste trabalho, a importância dos valores sociais, as pressões às quais somos todos expostos no dia a dia e fazeres particulares movidos pelo achar que sabemos, os quais, no cuidar, podem estar afetando de forma negativa ou positiva a saúde do sofredor mental. Ademais, o nosso fazer afeta a todos no mundo, todo o tempo e o tempo todo. Ao discorrer sobre as mudanças no universo psiquiátrico, também introduziremos a relevância das políticas públicas voltadas para essa demanda, sem deixar de mencionar que temos o melhor plano de saúde da América Latina, o Sistema Único de Saúde (SUS), o qual ensina e treina seus colaboradores para o bem fazer na esfera da saúde, mas esse plano não pode ir além do ensinar, treinar, discutir, assim, resume-se na instância tangível, mas todos percebemos o quanto ressignificamos as coisas, por isso insistimos nas ações de treinar e ensinar. Esperam-se que valores, como os pregados pelos movimentos da antipsiquiatria e os do SUS, sejam introjetados em nossa subjetividade, por isso trazemos a fala de SANTOS, (2001) para a Educação e para nós, da Saúde: “Você é treinado, mas não educado. (...) Se você é treinado, você não está apto a discutir o seu lugar na sociedade, e esse é o debate central…”. Conforme esse pensamento, estamos ou não aptos ao cuidado? Vamos 8 descobrir?