Resumo

Promover práticas educativas positivas no contexto do ensino constitui uma necessidade significativa no contexto actual (Nazar e Weber, 2019). O processo de ensino e aprendizagem para ser significativo, deve envolver vários elementos, desde a qualidade intelectual tanto do professor e do aluno, relacionado ao ambiente de aprendizagem em que esse processo será desenvolvido e a interação professor-aluno. Esse ambiente de aprendizagem deve, por sua vez, criar uma boa relação entre os seus intervenientes para que haja uma aprendizagem significativa. O objectivo deste trabalho é reflectir em torna da qualidade intelectual dos professores e alunos em ambientes aprendizagem de qualidade tendo em conta a relação professor-aluno nestes ambientes. Para a consecução deste foi usada a revisão bibliográfica baseada em artigos científicos publicados na internet.

PALAVRAS CHAVES: Qualidade intelectual, ambientes de aprendizagem, relação professor-aluno

Qualidade intelectual Intelectual é um adjetivo que caracteriza algo ou alguém que desempenha uma actividade de natureza mental, relacionado com o intelecto e a inteligência. Um intelectual é a pessoa que produz pensamentos.

O professor de alunos com altas habilidades/superdotação deve ter características específicas para a eficácia do seu trabalho. As características intelectuais são: inteligência acima da média, ser um eterno aprendiz e possuir excelente habilidade de comunicação (Fonseca e Abud, 2019).

Ambientes de aprendizagem de qualidade

Antes de trazer a concepção de ambiente de aprendizagem, importa trazer uma pequena abordagem em relação ao espaço e ambiente.

Espaço – são locais destinados à realização de atividades que são constituídos por objectos, materiais didáticos e mobiliários. Ambiente – revela-se como a união entre o espaço físico e as relações estabelecidas pelas pessoas nos espaços (Bernabé, Spadeto, Brambilla, Côcco e Zanelato, 2016).

O espaço revela a concepção de ensino e aprendizagem da escola, mostra o perfil de quem a frequenta, porque os espaços se tornam ambientes à medida que as interações e acções vão acontecendo.

De acordo com Acuña (2016), os ambientes de aprendizagem podem ser: a) Ambientes de aprendizagem presencial - a principal característica desse tipo de ambiente é que há reuniões físicas entre professores e alunos no mesmo local e ao mesmo tempo, isto é, são licções síncronas.

A sala de aula constitui-se num espaço privilegiado, pois é nela que acontece grande parte das interações. A sala de aula explicita o processo de aprendizagem das crianças e adolescentes, na medida em que ali se encontram informações sobre o que estão estudando. A presença de textos e desenhos feitos por eles, afixados nas paredes, a exposição de notícias de jornal, fotografias, livros, jogos, experiências e outros materiais usados no dia a dia, elaborados pelos alunos, colaboram para a valorização desse ambiente e desperta o sentimento de pertença sobre ele (Bernabé, et al. 2016).

A sala de aula precisa promover: um ambiente alfabetizador, de promotor de identidade e autonomia; um espaço de vivência, experimentação e interação; um lugar de construção de conhecimentos; O diálogo e o encontro entre professores, crianças e adolescentes.

Em suma ao planificar a estruturação de um espaço físico, com vista a torná-lo um ambiente de aprendizagem, é necessário ter sensibilidade para considerar a criança e o adolescente como construtores da própria aprendizagem, além de se ter a clareza de que eles agem directamente nos espaços em que vivem (Bernabé, et al., 2016).

b) Ambientes de aprendizagem on-line – também chamado de e-learning, é caracterizado porque as interações não são necessariamente síncronas, isto é, cada pessoa pode participar no seu próprio ritmo e há maior ênfase no estudo individual de cada aluno. É mediado por uso de tecnologias. O professor é mais do que uma autoridade que dirige o processo, ele se torna um facilitador que aproxima o aluno das informações de que ele precisa.

c) Ambientes de aprendizagem híbridos – também é conhecido como ambiente de aprendizado misto ou b-learning . Não é apenas uma simples mistura de ambas as modalidades, como resultado da presença da virtualidade e vice-versa, mas se refere a uma verdadeira integração entre os dois modos que combina o positivo de ambos. A interação aluno-professor não se limita apenas a momentos específicos das aulas, mas pode ser mais contínua.

Relação professor-aluno no processo de ensino e aprendizagens

Diversos factores estão presentes e podem influenciar o comportamento do professor em relação ao aluno. Esses fatores devem ser considerados em uma análise mais ampla e completa de tal contexto (Nazar e Weber, 2019).

O trabalho do professor e do aluno no ambiente de aprendizagem resulta na iteração desses e com o meio ambiente de aprendizagem.

No início do ano lectivo os professores devem utilizar uma técnica designada enquadramento (construção de normas e regras) e que todos devem participar dessa construção. Nas escolas jesuítas, o professor era o centro do processo de ensino. A escola nova trouxe uma outra visão de libertar o aluno do pensamento jesuíta, formar no aluno autonomia e lhe dar liberdade. As características da escola nova são: relação professor e aluno aberta, com dialogo, professor como mediador, aluno activo.

O ensino e a aprendizagem estão indissociáveis. Neste processo deve haver uso dos métodos e metodologias activos de aprendizagens que são métodos de ensino que colocam o aluno no centro do processo de aprendizado.

De acordo com Moreira (2010), ensino o centrado no aluno é o ensino em que o aluno fala muito e o professor fala pouco, tendo o professor como mediador. Deixar os alunos falarem implica usar estratégias nas quais possam discutir, negociar significados entre si, apresentar oralmente ao

grande grupo o produto de suas actividades colaborativas, receber e fazer críticas. O aluno deve ser activo.

Centrar o ensino ou a educação no aluno ou estudante, significa organizá-lo de modo a ter em conta que o aluno é responsável por sua própria aprendizagem, que ele é proprietário dessa aprendizagem. Ensino centrado no aluno não deve ser interpretado como aquele em que o estudante tem total liberdade para escolher o que quer aprender (Moreira, 2010).

O ser humano aprende de maneira significativa se tiver conhecimentos prévios adequados para isso e se quiser aprender. Quando os significados expostos pelo aluno não são aqueles que o professor pretendia que captasse, é preciso que o docente os apresente outra vez, de outra forma, e que o estudante volte a expor. O objetivo de toda essa interação do professor e aluno é compartilhar significados.

Considerações finais

A capacidade intelectual do professor e do aluno contribuem de certa medida para a qualidade de ensino e aprendizagem. Os ambientes de aprendizagem devem ser explorados de modo que produzam aprendizagem significativas. A interação do professor e do aluno através de negociação de significados deve ter como base os conhecimentos prévios dos alunos de modo que se produzam novos conhecimentos, que poderão ser duradouros.

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Acuña Beltrán, LF (2016) Ambientes de aprendizagem: espaços, interações e mediações para a construção de conhecimento. Revista Urban Classroom , 102, pp. 20-22.

Bernabé, G. B., Spadeto, L. M. B., Brambilla, N. A. E., Côcco, R. C. e Zanelato, V. B. (2016). Os espaços escolares como ambientes de aprendizagem. Venda Nova do Imigrante – ES

Fonseca, F. C. F. e Abud, M. J. M. (2019). Características de qualidade do professor na percepção de alunos com altas habilidades/superdotação. Revista Educação Especial, v. 32, Santa Maria. Disponível em: https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial.

Moreira, M. A. (2010). Abandono da narrativa, ensino centrado no aluno e aprender a aprender criticamente. Conferência proferida no II Encontro Nacional de Ensino de Ciências da Saúde e do Ambiente, Niterói, RJ, 12 a 15 de maio de 2010 e no VI Encontro Internacional e III Encontro Nacional de Aprendizagem Significativa, São Paulo, SP, 26 a 30 de julho de 2010.

Nazar, T. C. G. Weber, L. N. D. (2019). Programa de qualidade na interação professor-aluno (pqipa): Descrever para intervir. International Journal of Developmental and Educational Psychology. INFAD Revista de Psicología, Nº1 - Monográfico 1, 2019. ISSN: 0214-9877. pp:355-374